Uma nova faceta do grande escritor é-nos revelada nesta obra. Aqui, Namora assume a personalidade literária do autor que se confessa, que discute consigo próprio e com os outros, enquanto nos vai retratando gentes e terras com a independência, a honestidade e a mestria que caracterizam toda a sua obra. Um livro que lhe permitirá…
«A lógica de jogo é perfeita como metáfora da escrita, na medida em que o ofício, a capacidade de se usar da melhor maneira as mãos, nem sempre explica a forma como se moldou o barro. Um escritor competente conseguirá produzir uma gura de barro. Aprendeu no que leu, aprendeu no que errou. Aí está a gura. Mas um escritor verdadeiramente grande consegue insuflar nessa gura mais do que o barro de que ela é feita. Substitui-se um pouco a Deus como entidade criadora.» [Do Prefácio de Afonso Reis Cabral]
Rosto de Menina de Josué Montello. DIFEL. Lisboa, 1985, 181 págs. B.
É nesta vasta e importante obra que se inclui o livro de contos agora apresentado ao leitor português. São contos estruturados segundo o modelo dos grandes mestres do género, quase arquitectados na linha de um silogismo com a sugestão do tema, a abertura da expectativa e o seu rema- te final. A curiosidade do leitor não deixa nunca de ser estimulada e o desfecho da história responde-lhe plenamente. E Josué Montello soube misturar magistralmente no seu livro o caso anedótico, a intriga e drama familiar e até a informação cultural como nesse tão tocante O Milagre em que mais uma vez o nosso popular Santo António se nos revela no encanto da sua simpatia. Assim este livro pode ser um índice de toda a vasta obra do grande escritor.
URSS: Mal Amada, Bem Amada de Fernando Namora. Bertrand Editora. Amadora, 1986, 161 págs. B.
Neste livro, mais uma vez viandante sem véus preconcebidos, sempre indaga dor, mesmo através do imaginário, a União Soviética abre-lhe horizontes de descoberta que se desdobram nas mais várias direcções. Novos e quantas vezes, decerto, inesperados horizontes. Namora encara-os de frente, com largueza identi ficante ou contrastante, não só em panorâmicas observadas mas em personagens e situações efectivamente vividas ou rea listicamente imaginadas, numa origina lidade de construção «em sábia mistura de crónica e romance» que já Eduardo Lourenço justamente acentuou em comentário a Diálogo em Setembro.
Fora de Mão de Mário Zambujal. Oficina do Livro. Lisboa, 2003, 161 págs. B.
“Há nesta colectânea contos e crónicas ou mesmo contos-crónicas, arte mista em que Zambujal é mestre: dois dedos de psicologia, uma pitada de atmosfera, um grão de inconveniência e muita graça. Por vezes dialogando com o leitor, brincando com as palavras, Mário Zambujal oferece-nos flashes de existências banais-extraordinárias, que a vida é amiúde mais inverosímil e absurda do que qualquer fértil imaginação possa concebê-la.”
O canto dos escravos dá o tom nesta obra e nos transporta para o Brasil do século XVIII. Com narrativa colorida e vibrante, a autora revela as facetas e interpretações por trás da figura de Xica da Silva: da sedutora, capaz de dominar os homens com astúcia e sensualidade, à concubina amorosa, fiel ao marido…
Quantas vezes é que já ouvimos uma mulher queixar-se de que não entende os homens? E não percebe as atitudes dos homens? E não compreende por que é que o namorado ou marido a deixou? E não entende por que é que ele já não a ama? E não percebe como é que ele foi…
Rio de Memórias de Álvaro Carvalho. Âncora Editores. Lisboa, 2008, 198 págs. B.
Colectânea de textos onde ao autor evoca a sua vivência nas décadas de 50 e 60 no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, distrito da Guarda.
Retrato vivo de um modo de vida em vias de extinção, onde se recordam tradições, como a matança do porco, a ceia de Natal, a caça e a pesca, os bailes de aldeia, as vindimas, entre muitas outras vivências comuns nas aldeias de então.
A obra conta com um prefácio do Prof. José Hermano Saraiva.
O autor, médico, fez os estudos secundários no Liceu da Guarda e licenciou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Personalidade muito destacada no meio hospitalar e social. É, desde 2002, presidente do Conselho de Administração do Hospital Garcia de Orta, em Almada.
Muros de Júlio Machado Vaz. Bertrand Editora. Lisboa, 1995, 362 págs. B.
Vidas. Emoções. Dias que se resolvem, noites que se atrapalham de incertezas. Júlio Machado Vaz, conhecido psiquiatra, especialista em sexologia, experimenta desta feita os domínios da ficção. Uma ficção inundada dos muitos rostos e pessoas que conheceu no trabalho e fora dele. Sem compartimentos estanques, extravasa, a cada página, a sensibilidade de quem sabe ouvir.
Folhas Soltas da Seara Nova de Irene Lisboa. Imprensa Nacional – Casa da Moeda. Lisboa, 1985, 516 págs. B.
“Uma antologia, qualquer antologia, é um objecto controverso, não apenas não é um produto acabado que o leitor compila, mas, e em primeiro lugar, para quem tem de operar uma escolha dos textos de um corpo vasto, como era o caso dos de Irene. Lisboa, cuja obra, além dos volumes que publicam ou exibem postumamente, se encontra dispersando em várias publicações do seu tempo (…) ”
Ampla antologia das palavras em prosa e verso de Irene Lisboa, dispersas nas páginas da Seara Nova , onde é muito mais importante a sua obra.
“A Via Sinuosa”, “Lápides Partidas” e “Sob o Pendão Bárbaro” constituem uma trilogia, de leitura independente, sim, mas de estrutura única, uma vez que liga aos três livros o fio duma vida. ‘A Via Sinuosa’ é a manhã dessa vida, a adolescência. Comprouve-se a crítica em ver neste romance uma auto-biografia.”[…]
Este é um livro sobre o que de mais profundo vive no coração da condição humana. Sobre o direito de nos tornarmos, perante nós e os outros, aquilo que somos. Plenamente e sem concessões. Para muitos leitores, estas páginas serão uma revelação, simultaneamente brutal e comovente, carregada de sofrimento, mas portadora também de gestos e…
Fora de Horas de Paulo Castilho. Contexto. Lisboa, 1990, 270 págs. B.
«Aparentemente a estação de caminho-de-ferro do Union Pacific está ainda intacta, tal como descrita em Playback. Estação que eu tinha visitado em filmes sem conta. Mas faltava em tudo aquilo qualquer coisa de essencial. Demasiada luz. Uma inundação de claridade. Era isso. Faltava a noite. Faltavam as sombras. Faltava a chuvada negra do Bip Sleep. Faltava a face obscura com que os homens contagiam as cidades que povoam. Faltava a lucidez gelada da escuridão. Faltava também o Humphrey Bogart. Faltava a Lauren Bacall. Eventualmente faltaremos todos. Permanecendo, porém, como deuses imortais, os sítios para continuarem a prestar o seu indiferente testemunho de silêncio.»
As três histórias que constituem este livro intitulado “Paixões Perigosas”, são tendencialmente thrillers, em que os principais protagonistas ao cederem impulsivamente a paixões arrebatadas são envolvidos em situações de alto risco. A narrativa é de leitura fácil, tem uma sequência fluente, mas o inesperado acontece de maneira a criar suspense e despertar o interesse do…
Filme de Bren de Luís Vicente. Publicações Europa-América. Mem Martins, 1997, 142 págs. B.
No limiar da morte há um momento indeterminado em que nos passa diante dos olhos, com uma precisão penosa mas libertadora, o «filme» da nossa vida, imagens de um rigor extremo mas irregulares quanto a discurso e cronologia. É disto que trata O Filme de Bren, uma trama ficcional em que as idiossincrasias próprias de cada personagem no que respeita a sexo, política, loucura e outros afazeres da vida são vistas por Bren em planos distintos.
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