A Nossa História


Em 2014, um amigo chamado Paulo Bastos deu-me dez caixas de livros.

Não havia plano. Havia livros e a necessidade natural de lhes dar destino. Comecei a vendê-los no Facebook, um a um, com fotografia e descrição feitas à mão. Correu bem. Repetiu-se. E o que começou como uma solução para dez caixas tornou-se, ao longo dos anos, o Manuseado.

Nunca participei em feiras de livros. Não por falta de convite, mas por convicção. Um livro exposto ao vento, ao sol e à humidade de uma manhã de Outubro não é um livro tratado com respeito, é um livro em vias de degradação. Amarelece, empena, ganha manchas. E um livro danificado é uma perda que não se repõe. Desde o início, decidi que os meus livros só sairiam de condições controladas para as mãos de quem os encomendou, devidamente embalados e verificados.

João Méndez Fernandes a avaliar um acervo de livros no escritório do Manuseado

Com o tempo, as dez caixas do Paulo Bastos tornaram-se acervos, lotes e bibliotecas inteiras. Fui aprendendo a avaliar, a catalogar, a fotografar cada exemplar como se fosse único, porque é. Fui construindo um sistema de fichas com informação real sobre o estado de cada livro, porque um cliente que compra online não pode folhear antes de decidir e merece saber exactamente o que vai receber.

Um livro não é um objecto descartável. Pode ter várias vidas, passar por vários leitores e continuar a valer o que sempre valeu, às vezes mais. O que o mercado da segunda mão faz, no fundo, é prolongar essa existência: evitar que milhares de livros acabem no lixo, tornar a leitura acessível a quem não pode ou não quer pagar o preço de capa, e devolver ao mercado títulos esgotados que as livrarias tradicionais já não conseguem fornecer. Em 2023, o Expresso dedicou um artigo a este fenómeno, com o título “O livro precisa de ser salvo”, e o Manuseado foi um dos projectos destacados. Não como curiosidade, mas como exemplo de que o comércio de livros usados não prejudica o livro novo. Pelo contrário, complementa o mercado editorial e incentiva a leitura.

Hoje o Manuseado tem mais de seis mil títulos em catálogo, clientes em todo o país e um punhado de instituições, museus, fundações, câmaras municipais, que nos procuram quando precisam de livros ou de avaliações para seguradoras. A Poltrona, o blogue que acompanha a loja, é o lugar onde falamos de livros sem querer vender nada em particular.

O Manuseado nasceu de dez caixas e de um amigo generoso. O resto foi trabalho, atenção e o respeito que os livros merecem.

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Piso 1, Escritório 1
2005-141 Santarém
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