O Viúvo de Fernando Dacosta. Editorial Notícias. Lisboa, 1996, 213 págs. B.
«O Viúvo é um romance diferente. Na sua narrativa, saturada de dor tranquila, caldeiam-se lances de realismo mágico, miúdas observações do quotidiano pobre, reflexões e lembranças de um tempo revoluto, a ditadura, a guerra colonial, as romarias, os carrocéis, os cantores ambulantes, a mudança que chega através da televisão. É um melancólico, lúcido, lento romance, de estrutura e escrita aventurosa, perpassado por um canto agónico, às vezes iluminado por um riso novo, por comentários provocatórios, de uma inocência ou de uma acuidade invulgares.»
Urbano Tavares Rodrigues
Frei Luíz de Sousa de Almeida Garrett. Empresa Lusitânia Editora. Lisboa, s.d., 248 págs.
Drama representado pela primeira vez em 1843, publicado em 1844, é considerado a obra-prima do teatro romântico e uma das obras-primas da literatura portuguesa.
O enredo, inspirado na vida do escritor seiscentista Frei Luís de Sousa, de seu nome secular D. Manuel de Sousa Coutinho, tem como pano de fundo a resistência à dominação filipina.
Na célebre memória “Ao Conservatório Real” que acompanha a peça, Garrett critica o modo como na sua época se pretende fazer o drama, com um excesso de violência e de imoralidade, e alega ter desejado “excitar fortemente o terror e a piedade”, usando de contenção e simplicidade.
Cadeira de Braços de Madalena Caixeiro. Quarteto Editora. Coimbra, 2002, 222 págs. B.
“A Maria do Amparo levanta-se, fecha a luz e volta para o quarto porque está com sono. Q Alberto dorme serenamente. Ela mete a mão com subtileza por baixo dos lençóis e apalpa. Mas está tudo bem. Respira fundo e deita-se. A respiração do Alberto embala-a e traz-lhe recordações. A Maria do Amparo sorri e puxa a roupa até ao queixo.”
Viagem Incompleta de Mário Braga. Portugália. Lisboa, s.d., 172 págs. B.
Viagem Incompleta é um livro excelente que, como os demais de Mário Braga, mergulha as raízes no quotidiano, obrigando-nos a acotovelar os Orlandos, Luísas, Adalbertos e D. Margaridas, entrechocando-se e chocando-se connosco nas páginas de um mundo real meditado”.- crítica de Santos Simões, no texto da badana.
Com esta frase, que nos coloca em pleno mistério, inicia Camilo aquele que seria o seu segundo romance, editado em 1854 mas publicado original- mente em folhetins no diário portuense O Nacio- nal. Influenciado pelo romance-folhetim em voga na época, Mistérios de Lisboa mergulha-nos num turbilhão imparável de aventuras e desventuras, coincidências e revelações, sentimentos…
A ÚLTIMA VITÓRIA DE UM CONQUISTADOR foi publicada no Ecco Popular, em oito folhetins, de 29 de Março a 12 de Abril de 1848, e parece ser a mais antiga novela camiliana. A segunda novela, O ESQUELETO, foi publicada, com assinatura, no Nacional, de 10, 13 e 14 de Julho de 1848. A terceira, LEIAM,…
“Estas notas não têm ordem . A ordem pôr-lha-ei, se um dia me pretender revelar, pela cronologia das sensações. Hoje publico-as ao acaso, sem compromisso, admitindo mesmo que elas entre si se anulem, isto é, que não mantenham ligação de antecedência nem de consequência, de sustentação recíproca.”
«Porque fugia dos fantasmas não sabia, mas sabia que era deles que fugia. Levava nos olhos a frustação, levava nas entranhas, naquilo que ela chamava de alma, a imagem do filho já podre. Na corrida para o comboio, quase em andamento, levava o ódio do homem que a todo custo tentava deixar para trás. Levava…
Quando o Velho Fauno Sentiu o Empurrão da Morte de Orlando Ferreira Barros. Publicações Pena Perfeita. 2006. 90 págs. B.
Fausto Bezerra Velho, professor primário e apreciador das putinhas da ladeira do Senhor do Alívio, manteve-se solteiro até à idade de 48 anos. O que leva este homem a casar com Maria do Resgate, 32 anos mais nova? E depois, por que se envolve, sucessivamente, com mais três criaditas, todas elas mal atavia- das na sua adolescência, até que um dia a morte lhe faz sentir o empurrão inevitável?
Desenrolando-se nos anos 30, quando Salazar começava a algemar a liberdade dos portugueses, esta novela é a memória de um tempo passado e dos seus equívocos.
OUVIAM-SE VOZES AO LONGE DE FAUSTO LOPO DE CARVALHO
Parceria A. M. Pereira. Lisboa, Janeiro de 1974. 175 págs. B.
Colectânea de doze contos de Fausto Lopo de Carvalho, autor que já antes publicara A Contagem para o Fim, com prefácio de Álvaro Salema. Os textos aqui reunidos revelam um domínio maduro da narrativa breve, situando as suas personagens em diferentes planos de tempo e espaço que, ao contrastar com uma realidade em constante mudança, reforçam paradoxalmente a unidade temática do conjunto.
────────────────── Características do Exemplar
📕 1ª Edição.
✍️ Assinatura de posse.
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«Senhor, não posso com o amor de neve fria
a pesar sobre os juncos do meu peito.
Os peixes do meu sangue mordem desde o leito
a brisa em concha que vertia
seu nome grande como um dia.»
A obra de Fernando Namora, onde o escritor e o médico se confundem, para dar lugar “a um dos mais perduráveis livros do realismo moderno”. Na primeira série, é o físico que prepondera; na segunda série, é o psicólogo, o observador e estilista que se se revelam.
Lisboa num Cravo de Papel de Azinhal Abelho. Câmara Municipal de Lisboa. Lisboa, 1968, 157 págs. B.
“(…) Antes de haver Portugal já esta urbe se levantava para o Sol. (…) Mas na polifonia deste nome e dos seus aspectos há uma sedução mediúnica de que, a Lisboa mais Lisbela, é a registada na graça da sua condição popular, vista e revista na vagabundagem de quem gosta de andar na rua. Nesta feição a vimos, em roteiro lírico a escrevemos, como uma redondilha poética num cravo de papel.”
📕 1ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados. 📖 Exemplar por abrir
A Capital Federal: Impressões de um Sertanejo de Coelho Netto. Livraria Chardon. Porto, 1924, 271 págs. E.
A Capital Federal (Impressões de um Sertanejo) é um romance do escritor brasileiro Coelho Neto, publicado quase diariamente, de 18 novembro de 1892 a 7 de fevereiro de 1893, como folhetim, assinado pelo pseudônimo Anselmo Ribas, na primeira página do jornal O Paiz. Pouco antes do lançamento do livro, a revista literária A Semana, na edição de 19 de agosto de 1893, revelava o verdadeiro autor do folhetim: Coelho Netto.
“Coelho Netto era, a essa altura, um jovem escritor de talento já reconhecido por seus pares.” “Nessa obra é retratada a paisagem urbana da capital no início da República. Contribuem a esse panorama as ideias de um personagem, Dr. Gomes de Almeida, advogado, livre pensador, que tece suas opiniões acerca das consequências que advieram da mudança de regime no país.
Luiz Beira, também conhecido como Armando Luiz Clemente de Bayão Marçal Corrêa, nasceu em Macequece, Moçambique, em 25 de novembro de 1941. Após servir na Marinha como Oficial Fuzileiro Naval, trabalhou como comissário de bordo na TAP em Portugal e DETA em Moçambique. Fixou residência em Portugal a partir de 1976, onde se licenciou em…
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