Baseado no mito de Pedro e Inês (mais na lenda do que na História), um romance sobre a intemporalidade da paixão, onde se abordam também alguns mistérios da existência. Um romance que, se não dá nenhuma resposta, coloca ao leitor algumas inquietantes questões.
Escrito num estilo áspero e seco, “O Secreto Adeus” – agora reeditado pela ASA – é a crónica de uma experiência decisiva. E o seu protagonista, um jornalista contra a corrupção moral, “vive diante de nós o seu drama, que é o drama representativo do drama de toda uma geração”, como disse João Gaspar Simões….
Este romance pode ser lido como retrato de uma época da história nacional que evidencia todos os sintomas do declínio de um regime, como uma crónica meio burlesca, como um romance de costumes ou como um livro de puro prazer. Vai poder encontrar uma escrita viva, inovadora, bem ritmada, bem doseada entre diálogos e descrição,…
Polidoro Banazola de Cruz Andrade. Estúdios Cor. Lisboa, 1983, 244 págs. B.
Raul d’Andrade nasceu em Segura (concelho de Idanha a Nova) ten- do, porém, vivido sempre em Lis- boa onde fez o curso dos liceus e se licenciou em Direito. Alguns anos depois da sua formatura entrou para a Magistratura vindo a terminar a sua carreira profissional como Desembargador da Relação de Lisboa. Possui a condecoração espanhola «Cruz de Honor de San Raimundo de Peñafort» destinada a juristas.
Quando estudante colaborou no antigo jornal literário «Fradique» fundado e dirigido por Tomaz Ribeiro Colaço. Tem publicados um livro de poemas (Pontos de Vista) e os seguintes ensaios: «O Poder e a Justiça», «Reabilitação de D. João», «O Homem e a Arte essa inutilidade» e «Deus e o Homem».
Morte das Baleias de Américo Guerreiro de Sousa. O Jornal. Lisboa, 1988, 199 págs. B.
«A Morte das Baleias» leva ainda mais longe a ironia muito peculiar e o humor negro inconfundível de «Os Cornos de Cronos», em cuja linha se situa, nele reaparecendo algumas das suas personagens. Porém, neste novo romance de Américo Guerreiro de Sousa, abrem-se inesperados caminhos ficcionais e há uma esperança que desponta após, logo no início do livro, Alexandre se tentar suicidar, metendo-se dentro do frigorífico… A confirmação e o alargamento da capacidade inventiva e efabuladora de um escritor já distinguido com o Prémio do Círculo de Leitores.
«O que escrevi sou eu comigo e a minha circunstância: tenho o mar por parteira e cresci no meio da gente de que as quadras seguintes são descolorido retrato. o Mar e Tudo e Outros Casos e eu, viemos os dois daqui: Trago o pensamento cheio / de lembranças de menino / de alma partida…
Neste livro se reúnem crónicas com que o escritor moçambicano colaborou com a imprensa de Moçambique durante os dois últimos anos da década de 80. Este conjunto de textos mereceu o Prémio Anual de Jornalismo Areosa Pena, atribuído pela Organização dos Jornalistas Moçambicanos em 1989. Mais do que crónicas estes textos são pequenos contos condensados…
Apenas Homens de Vergílio Ferreira. Editorial Inova. Porto, 1972, 97 págs. B.
“Apenas homens é ‘uma coletânea de coisas de várias épocas, dispersas por jornais e revistas, com raros contos inéditos, e reunidos a pedido do editor para esta coleção. O seu interesse é, pois, muito variado. Há coisas aceitáveis (‘A estrela’, ‘Há galinha’, por exemplo) e outras que se incluíram, apenas por estarem irremediavelmente publicadas. Daí o não ter incluído este livro nas ‘Obras do autor’. [Transcrição de parte da dedicatória do Autor ao ensaísta João Décio, datada de agosto de 1974, Praia das Maçãs]. (…) Embora tais narrativas tenham sido reunidas quase que aleatoriamente para atender a interesses que não os propriamente literários, foi possível, através da sua análise, determinar uma temática convergente. Dentre outros, afloram dois aspetos de suma importância, o ético e o estético. Entretanto, por razões que no momento não importa referir, optamos pelo primeiro, aliás, predominante nas narrativas de Apenas Homens.”
Metade Iluminada de José Jorge Letria. Ulmeiro. Lisboa, 1998, 124 págs. B.
«É preciso que nos deixemos impregnar pela música torrencial, pelo ritmo por vezes alucinante destes poemas, onde abundam figuras incandescentes, para nos inebriarmos com todas as ressonâncias e significações que delas brotam. Elas são o fruto maduro de uma consciência profunda da lingua portuguesa cujos segredos José Jorge Letria tão bem sabe decifrar”.» José Augusto Seabra
Azul Deserto da Tarde de Eunice Cabral. Publicações Europa-América. Mem Martins, 1987, 127 págs. Mole.
Estamos suspensos na imprecisão do espaço. As personagens, definidas por marcas de uma insólita ausência, são um convite para que cada leitor se constitua em companheiro de uma viagem estranha. A «tarde» do título é já noite no início do livro, indício da narração em flash-back de um crime – não se sabe qual, nem por que personagens é protagonizado. O azul surge como definitivamente passado com o suicídio de Jaime, a quem encantava o final da tarde. O deserto presente é povoado por imagens do passado, presas no vídeo. O cartaz de Paris, Texas, que Vera retira da parede do quarto de Jaime, já morto, denuncia o carácter migratório do discurso, percurso de estradas, passagem por lugares impessoais. Presos, desde o primeiro momento por ingredientes de suspense, agarrados pela precipitação das frases, somos facilmente seduzidos pela fluência do discurso, apressado, ágil. Uma obra que prende o leitor até à última página.
📕 1ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Amor Feliz de David Mourão-Ferreira. Editorial Presença. Lisboa, 1985, 299 págs. B.
…a maravilha que deve ser escrever um livro: a invenção dentro da memória; a memória dentro da invenção; e toda essa cavalgada de uma grande fuga, todo esse prodígio de umas poligâmicas núpcias, secretas e arrebatadas, com a feminina multidão das palavras: as que se entregam, as que se esquivam; as que é preciso perseguir, seduzir, ludibriar; as que por fim se deixam capturar, palpar, despir, penetrar e sorver, assim proporcionando, antes de se evaporarem, as hoas supremas de um amor feliz. Não há matéria mais carnalmente incorpórea; nem mais disposta a por amor ser fecundada
O Padre Roque de João da Motta Prego. Livraria Clássica Editora. Lisboa, 1942, 297 págs. B.
O engenheiro agrónomo João da Mota Prego escreveu alguns livros romanceados para a Biblioteca dos Meus Filhos, dirigidos aos mais novos e tratando da vida agrícola, da pecuária e temas afins: O pomar do Adrião, A leitaria da Rosalina, A lagoa de Donim: piscicultura, A quinta do diabo: avicultura, O padre Roque: apicultura, A horta do Tomé, Os netos do Nicolau: sericultura.
Histórias Afluentes de Alves Redol. Publicações Europa-América. Mem Martins, 1972, 240 págs. B.
Histórias Afluentes, que ora publicamos em Obras Completos de Alves Redol, é um livro de contos. Contas que quase sempre se apresentam como aflorações ricas ou compadecidas de tempos que inexoravelmente se vão distanciando, espécie de excertos recuperados de memórias. É a vendedeiro de figos, rapariguinha descalça que certo dia ateou num jovem de 14 anos um deslumbramento de sonho que não mais se apagaria, o pequeno vagabundo que chara o castigo infligido a Teu Nome, o cãozito seu companheiro, que, num rasgo de audácia, se erguera a proporções verdadeiramente humanas; a criança que recebeu pelo Natal, uma prenda extraordinária que lhe trazia apelo do mar e da aventura. Mas, lado a lado com estas recordações poéticas entremezes satíricos como o do burlesco pantomineiro que era o Pai dos Mortos. Há, porém, neste livro uma novidade a acentuar os temas africanos, fruto da amarga experiência de Alves Redol durante três anos de permanência em Angola E esta experiência que constitui o fundo de alguns dos notáveis contos de Histórias Afluentes, narrados todos eles num estilo límpido, depurado e coloquial, que revela a maturidade de um grande escritor
Encruzilhadas Sentimentais de Raul D’ Andrade. Europress. Lisboa, 1995, 300 págs. B.
É a história dum rapaz, pobre, autodidacta, que se debate angustiadamente contra a mediocridade da sua condição de caixeiro e que, para sair dela, acaba por tomar um caminho que a sua consciência condena, mas que satisfaz o seu ego de Dom Juan.
Bichinho de Conta de Rocha Martins.
Editorial Inquerito. Lisboa, 1942, 274 págs. B.
Francisco José da Rocha Martins (Lisboa, 1879 — Sintra, 1952), mais conhecido por Rocha Martins, foi um jornalista, historiador e activista político, um dos mais prolíficos escritores da primeira metade do século XX, publicando uma vasta obra de divulgação histórica. Foi também autor de um notável conjunto de biografias e ainda de algumas novelas e romances históricos. Jornalista profissional, trabalhou em diversos jornais de Lisboa.
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