«não dou por ela e nem ela por mim e ambos caminhamos em direcção a nós tão sós
feitos barcas rasgando os caminhos do submundo de um destino sem fim
como se a quem se cobrasse o silêncio como se a quem se cobrasse o sentido imóvel»
Escrevendo estas breves páginas à frente dos Sonetos de Anthero de Quental tenho a satisfação íntima de cumprir o dever de tonar conhecida do público a figura talvez mais caracteristica do mundo litterario portuguez, e decerto aquella sobre a lenda mais tem trabalhado. Estou certo, absolutamente certo, de que este livro, embora sem écco no…
Vem Aí o Cometa! de Alberto Vaz da Silva Gradiva Publicações. Lisboa, 62 págs. B. Il.
Este é o texto das vinte e cinco exortações ao meu anjo, cometa de Halley, proferidas desde 21 de Outubro até 22 de Novembro de 1985 a bordo da Rádio Comercial. Destinadas a ser uma rubrica diária comemorativa da efeméride, não eram, pela sua própria natureza e brevidade, lugar próprio para maiores expansões. Agora vêm mais a público com o intuito de ajudar quem lhes for sensível a compreender todo o impacte do regresso até nós do mais célebre de todos os cometas.
✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados. ✍🏻 Edição autografada pelo autor.
>Dos artistas como Pina d’Emarghi, pintora de sensibilidade, que pinta agora em vocábulos, com a paleta do verbo, os instintos e as almas, a carne e o sonho, os clarões e os abismos. São momentos cruciais da vida. Momentos que não passam, porque a artista os recriou. Em palavras nuas, descarnadas, vibrantes. Por vezes rudes…
O escritor, nos seus momentos de evasão à vida quotidiana, inventa um universo pontuado de luminosidades, de fantasias e de sonhos. Às vezes, como em «Vazio», o próprio acto da escrita é um devaneio. (Luís Dantas)
Manhã de verão. O trem de sete horas ainda não desceu. Certamente descarrilou em Paripe, ou senão faltou energia. Ou senão alguém botou um despacho na curva de Paripe. Ninguém sabe o que aconteceu ao trem das sete. Também aqui na sede da CIT (Companhia dos Inimigos do Trabalho) ninguém está interessado em saber. Aliás, ninguém pintou por aqui. Nem Dau, que madruga todos os dias. Nem Dau. Dez horas e Toinho nem se fala. Só chegam aqui quando o sol já está bastante quente. Caminham devagar, olhando o mundo e pensando no futuro que eles aguardam.
Naquela manhã antiga acordei com medo. medo de acordar, dormir novamente, braços cruzados, escutando a chuva. De camisola. Semi-morta. Acordei com a mão acordadno a outra mão, com medo de ter acordado mais tarde.
Baseado em documentos autênticos, este teledrama não tem a pretensão de ser a reconstituição exacta e rigorosa do segmento da vidade de Camilo preenchido pelos onze anos que decorreram entre o conhecimento de Ana Augusta Plácido e o desfecho do julgamento a que ambos foram submetidos pelo crime de adultério e que rematou pela absolvição….
(…) São ondas poéticas que o absorvem neste passado/presente no qual se envolve, já que a História, essa, não se afunda: ‘em sagres depositei o coração de um império/ nas muralhas de diu/…/recortei eu a alma ou ‘valeu a pena morrer por ormuz’; mas, também de imediato, sente o presente na desvinculação entre o viver…
Viagens na Minha Terra de Almeida Garrett. Editorial Verbo. Lisboa, 1983, 255 págs. E. Il. 📷 Ilustrado Lima de Freitas
Esta é a odisseia que Almeida Garrett fez pelas terras do seu país. Aí visitou as ruas e os cafés, as igrejas e os túmulos, ouvindo pelo caminho uma história de amor em tempos de guerra, vivida por Carlos, que luta pelos liberais, e sua prima, Joaninha, a menina dos rouxinóis. Neste impressionante relato sem igual na história da literatura portuguesa, o autor não deixa dúvida sobre os seus intentos: «protesto que de quanto vir e ouvir, de quanto eu pensar e sentir se há-de fazer crónica». Quanto tempo permeia então uma ida de Lisboa a Santarém? Quanto tempo baste para se percorrer uma e outra vez as Viagens na Minha Terra. Publicado em volume em 1846, com este texto Almeida Garrett desenhou não só uma deambulação entre as duas cidades portuguesas, mas pelo Portugal dos homens e das ideias do século XIX.
Coitas de Amor de Magnus Bergstrom. Empresa Nacional de Publicidade. Lisboa, 1937, 200 págs. B.
O Tempo, sempre a fugir, sobre ruínas, vitórias e benções de santidade, conseguiu construir o monumento que aos homens indica o Passado, com as suas misérias e grandezas, – a História. Nas páginas desta ficam estampadas as tempestadas da alma humana, desde a ambição de glória que foi vertigem, até àquelas alucinadas paixões que, transformadas em lágrimas de saudade, orvalham as velhas campas do Amor.
Inéditos IV de Mário Viegas. Público Comunicação Social. Porto, 2006, 72 págs. B.
Mário Viegas deu-se também a conhecer também pela sua admirável forma de dizer poesia, gravando extensa discografia, em que deu a conhecer ao grande público a obra de alguns dos principais poetas portugueses do século XX, como António Gedeão, Fernando Pessoa, Guerra Junqueiro, Cesário Verde, Camilo Pessanha, Jorge de Sena, Ruy Belo ou Eugénio de Andrade, mas também Luís de Camões, Bertolt Brecht, Pablo Neruda, entre outros
A Falha de Luís Carmelo. Editorial Notícias. Lisboa, 1998, 199 págs. B.
Elvas, vinte e cinco anos após a conclusão do liceu. Um grupo de antigos alunos decide reunir-se para um almoço de confraternização, na esperança de reavivar memórias e de apaziguar os conflitos do passado. Mas o epicentro narrativo ocorre após a prova de vinhos e um passeio a uma pedreira de mármore, em Vila Viçosa.
Eis então que uma inusitada falha na pedreira fará com que os antigos colegas se vejam presos dentro de uma gruta obscura, onde irão permanecer durante dois dias, testando os limites do ser humano e lutando entre a vida e a morte, entre as ilusões do presente e os fantasmas do passado, entre um destino fatal e a fatalidade do destino, entre o racional e o irracional.
A Falha, considerado por muitos como o melhor romance até hoje publicado pelo autor e adaptado ao cinema por João Mário Grilo (2002), é certamente uma hábil análise da natureza dos seres humanos e da sociedade portuguesa pós-25 de Abril, uma incisiva metáfora do destino de um povo.
📕 1ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Contos do Tempo do Ódio de António de Almeida Santos. Editorial Notícias. Lisboa, 2001, 221 págs. B.
A nota dominante em Almeida Santos é o seu realismo, aureolado duma poesia sedenta de justiça social. Em A Rã no Pântano ele vem contribuir de maneira nova e pessoal para a interpretação da vida portuguesa – europeia e africana – dos nossos dias. Numa literatura que, aparte alguns casos actuais e em particular o de Castro Soromenho, tem sacrificado a tensa verdade dramática às seduções do exotismo, as narrativas de Almeida Santos revestem-se de um significado de assinalável importância pela preocupação de surpreender o fundo comum do drama individual e social do nosso tempo, onde quer que surja. As figuras humanas que molda nos seus contos não esquecem facilmente a quem com elas venha a contactar, pois que, adentro da sua singularidade exterior, são portadoras dum drama – e duma esperança – que é de todos um pouco. E são sobretudo exemplares, representativas – isso que dá precisamente a grandeza testemunhal da Literatura.
Romance de Amadis de Afonso Lopes Vieira. Ulmeiro. Lisboa, 1983, 157 págs. B.
Batalhas, guerreiros, monstros fantásticos, feiticeiros, donzelas em apuros e intrigas amorosas – este é o romance de Amadis, o cavaleiro mais formoso e intrépido de toda a Gaula! Sobre a sua glória escreveram-se sagas em todas as línguas e a sua história foi contada por muitos… Mas não só sobre as bravas façanhas de Amadis fala este livro, pois o que seria de um cavaleiro sem a sua amada? O nosso herói é tão devoto à espada como à bela Oriana, e não descansará até fazer dela a sua rainha!
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