Uma Noite na Guerra de Carlos Coutinho. Editorial Caminho. Lisboa, 1978, 134 págs. B.
Uma “Noite na Guerra pertence, segundo creio, a uma categoria de obras que descortinam o caminho a outras obras: (que) constituem ou assumem o destino (sempre ingrato) de iniciadores de uma estrada – semideiro que se rasga, de desbrava toscamente se perde na voragem de outras necessidades e de novas urgências”. Baptista-Bastos
Julgamento Sumário de Francisco Alves da Costa. Editorial Minerva. Coimbra, 1956, 60 págs. B.
«É noite. Eu vou, sòzinho, olhando o firmamento E prestando atenção às ondas agitadas, Enquanto o vendaval, que sopra nas ramadas, Passa com rapidez e morre num lamento.»
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Os Deuses Voltaram de Joaquim Leitão Ed. Autor. Lisboa, 1943, 308 págs. B.
Joaquim Leitão (1875–1956) foi um escritor, jornalista e historiador português nascido no Porto. Estudou Medicina, mas destacou-se na vida cultural e intelectual, ocupando cargos como secretário-geral da Academia das Ciências de Lisboa. Colaborou em vários jornais e revistas e dirigiu publicações. Autor prolífico, escreveu romances, contos, teatro e ensaios históricos. Recebeu condecorações oficiais pelo seu contributo cultural
D. Francisco Manuel de Rui Chianca Livraria Clássica. Lisboa, 1914, 184 págs. E.
Ainda que muito até hoje se haja escripto – n’estes últimos tempos – sobre a longa cadeia de martyrios que foi a vida de D. Francisco Manuel, não me parece desarrazoado lembra-la n’um rápido esboço para que a saibam como devem todos aquelles portuguezes quea não conheçam e a recordem como merce os que já n’ella encontraram a tranquila tristeza que nos vem da leitura de velhas máguas alheias.
O nosso author foi prosador e poeta. Como poeta, è elegante e mimoso no seu estilo, e gracioso na frase: como prosador não tem menos direto á apreciação dos eruditos. Os amadores da nossa boa lingoagem teen-no em muito apreço. Compoz elle um Livro, que intitulou de Menina e Moça, e só veio à estampa…
O Mundo Proibido de Daniel V. de Maria Luísa Castro. Prima-Donna Edições. Lisboa, 2012, 306 págs. B.
Verónica é uma jornalista recém-divorciada na casa dos 30 anos. Para trás deixa um casamento, uma promessa de felicidade que nunca foi concretizada e um marido que nunca foi um amante ou companheiro. Tudo muda quando a fragilizada Verónica conhece o enigmático e sensual Daniel Vasconcelos. Bonito e dono de um olhar penetrante, Daniel envolve-se com ela levando-a ao limite do prazer, a uma vertigem de sentimentos que se julgava incapaz de sentir. A vida de Verónica nunca mais será a mesma: prazer, desejo, sexo e luxúria passarão a fazer parte do seu dia-a-dia. Mas estes não serão os únicos sentimentos que experimentará ao lado de Daniel: a insegurança e a dor serão também uma constante, levando-a a questionar se valerá a pena tentar entrar num mundo tão intenso e proibido no qual chega a correr perigo de vida. Será Verónica capaz de mudar este homem para quem o prazer pessoal não tem limites, que se diz incapaz de amar mas que, ao mesmo tempo, não consegue estar longe de si? Serão eles capazes de viver uma história de amor com final feliz?
História Castelhanas de Domingos Monteiro. Sociedade de Expansão Cultural. Lisboa, 1955, 179 págs. B.
O dom natural de contar histórias, a noção do ritmo, a sábia preparação do clímax, a possibilidade de criar um espaço imaginário em que o real se apresenta, simultaneamente, mo mais patente e no mais simbólico, são porventura, as características que definem, imediatamente a arte de Domingos Monteiro. António Quadros As Histórias Castelhanas constituem uma obra ímpar na história literária do seu autor e, também, na história da novelística portuguesa
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Conjunto de ensaios, críticas, entrevistas, antologia e inéditos que permite uma invulgar panorâmica sobre a obra de Júlio Conrado – escritor, ficicionista, ensaísta, poeta, dramaturgo, cronista e tradutor, autor de vinte e dois livros, entre os quais nove romances, a par de um trabalho crítico disperso por jornais e revistas –, graças ao olhar atento…
João Pedro Palma-Ferreira foi um ficcionista e crítico literário português, nascido em Lisboa em 1931 e falecido na mesma cidade em 1989. Licenciado em Filologia Germânica, ele lecionou no ensino liceal e no ensino superior, atuando na Universidade de Salamanca e na Universidade Nova de Lisboa. Trabalhou como consultor literário em uma editora e foi…
Como já ficou dito em edições anteriores, à selecção dos textos presidiu um critério simultâneamente literário e educativo, o que limitou muito o campo de escolha. Na verdade, os nossos mais consagrados escritores não destinaram os seus contos à juventunde e, por outro lado, ainda hoje não abunda entre nós uma literatura juvenil onde possam…
De todos os romances da escritora Emi Bulhões Carvalho da Fonseca, é êste, sem dúvida o mais intenso de vida e emoção. Não encerra somente um, mas vários romances, pois narra a história de três gerações, começando com o comovente drama de Conceição e Diogo, que perdem a única filha, Siá Menina, e a imortalizam…
Os dias já foram tão grandes, as horas que não passavam, o vagar do mundo, tudo a demorar-se eternamente, o tempo que se deicava ficar, pachorrento o tempo deitado sobre nós (…)
Casamento Perfeito de Diogo Paiva de Andrada. Livraria Sá da Costa. Lisboa, 1944, 206 págs. Dura.
Prefácio e notas de Fidelino de Figueiredo. Uma obra que se debruça sobre o tema do casamento, no seio da sociedade do século XVII, o qual só se começou a teorizar e a exprimir literariamente a partir da revalorização renascentista da figura do Homem. Diogo de Paiva de Andrada mostra, através deste livro, amentalidade do homem instruído da sua época, baseando-se numa perspectiva idealista da vida conjugal, resultante do equilíbrio entre a “vida viva” e os “dogmas da vida ascética”. Enquanto retrato fiel de uma época, o livro representa um importante testemunho da mesma, além de suscitar, ainda hoje, grande interesse já que aborda um dos tópicos mais polémicos das sociedades de todos os tempos. «O tratado de Paiva de Andrada, instrumento nobre de dignificação do matrimónio à luz das doutrinas fixadas em Trento, pertence mais à história das ideias morais e dos métodos de acção da Contra-Reforma do que à literatura. O que de mais literário contém – não falando na mestria da composiçãointrínseca – é o sólido conhecimento das velhas letras gregas e romanas, trazido muito a propósito na sua exposição apologética, e o domínio da língua portuguesa, que demonstra nas traduções dos lugares selectos desses velhos textos.»
“Com raizes profundadas, teluricamente, num cerro alcandorado do Alentejo alto, este Fragmentos de Silêncios, quais voos planados de altaneiro gavião, ao sabor de um soão escaldante de inspiração, como que se transformam, por força de algum milagre, em voos descansados de gaivota, ao sabor da travessia da que, na planície penicheira, ensaia bailados de algas…
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