Elegia para um Caixão Vazio

Um homem quer escrever sobre uma revolução que se perdeu a si mesma. Não sabe, ainda, que a História é uma deusa cega, e também desconhece que escreve sobre os desencantos da sua geração. Ele julgou que tudo era permitido, porque tudo possuía à altura dos sonhos dos homens.

Escreve a noite, o homem, com a tenacidade de quem acreditou na construção de um novo laço social. Escreve na noite, rodeado da família, recupera a memória das coisas e, por vezes, essa memória é um desfile de sujidade, de medos, de álcool e de sexo, como fugas ninguém sabe muito bem para onde.

Crónica de uma geração, Baptista-Bastos juntou, ao mural da sua época, um outro quadro, no qual a dignidade humana se identifica com a identidade pessoal e a identidade social. Elegia para um caixão vazio é uma elegia para todos nós.

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informação do livro

Elegia para um Caixão Vazio de Baptista-Bastos. Edições ASA. 2001. 151 págs. Encadernado.

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Baptista-Bastos
(1934-2017)

Armando Baptista-Bastos (Lisboa, 27 de fevereiro de 1934 – Lisboa, 9 de maio de 2017) foi um jornalista e escritor português.

Baptista-Bastos iniciou a sua carreira profissional, aos dezanove anos, em O Século, após ter realizado os estudos secundários na Escola de Artes Decorativas António Arroio e no Liceu Francês. Em 1953, subchefe de redacção de O Século Ilustrado, assinou uma coluna de crítica, «Comentário de Cinema», iniciando, assim, um estilo jornalístico inovador, polémico e polemizante. Pertenceu, também, aos quadros redactoriais de República, O Diário, Europeu, Almanaque, Seara Nova, Gazeta Musical e de Todas as Artes, Época e Sábado. Desempenhou funções de redactor da Agence France Press em Lisboa. Trabalhou no vespertino Diário Popular durante duas décadas, tendo assinado reportagens, entrevistas e crónicas, segundo Adelino Gomes, «com um estilo inconfundível». Colaborou, como cronista, em diversos periódicos, nomeadamente Jornal de Notícias, A Bola, Tempo Livre e, como crítico, em Jornal de Letras, Artes e Ideias, Expresso, Jornal do Fundão e Correio do Minho. Fundou o semanário O Ponto, periódico que registou uma série de entrevistas seminais. Aos microfones da Antena Um e da Rádio Comercial leu algumas das suas crónicas. Actualmente é colunista do Público e do Diário Económico. «Conversas Secretas» é o título de um seu programa, iniciado em 1996, no canal de televisão SIC.

Publicou o seu primeiro livro de ensaio, O Cinema na Polémica do Tempo, aos vinte e cinco anos de idade. As Palavras dos Outros, obra sobre jornalismo, foi considerada por Fernando Dacosta «uma referência obrigatória na profissão», tendo sido recomendada no curso de Jornalismo organizado pelo sindicato da classe. Este livro mereceu ainda o comentário de Luiz Pacheco: «Jornalismo feito literatura. Isto é, ascendendo ao plano da literatura: na contensão irónica, na sua capacidade de denúncia e intervenção, obrigando-nos à exploração psicológica dos tipos, no humor dos circunlóquios, principalmente no poder de síntese.» A convite do jornal Público, realizou uma série de dezasseis entrevistas sob a designação «Onde é que você estava no 25 de Abril?», posteriormente publicadas em CD-ROM. Simultaneamente, a direcção do Diário de Notícias convida Baptista-Bastos a escrever a apresentação e enquadramento do capítulo «O Efémero», da edição O Milénio da responsabilidade daquele jornal. Em 1973 editou o disco O Sinal do Tempo (crónicas) com música de António Victorino de Almeida. Baptista-Bastos é autor do texto e da entrevista do filme Belarmino, realizado por Fernando Lopes. Recebeu inúmeros prémios, dos quais se referem os seguintes: Prémio Feira do Livro (1966), Prémio Artur Portela (1978), Prémio Nacional de Reportagem/Prémio Gazeta 1985, Prémio Casa da Imprensa(1986), Prémio «O Melhor Jornalista do Ano» (1980 e 1983), Prémio Pen Clube (1987) e Prémio Cidade de Lisboa (1987).


Um homem quer escrever sobre uma revolução que se perdeu a si mesma. Não sabe, ainda, que a História é uma deusa cega, e também desconhece que escreve sobre os desencantos da sua geração. Ele julgou que tudo era permitido, porque tudo possuía à altura dos sonhos dos homens.

Escreve a noite, o homem, com a tenacidade de quem acreditou na construção de um novo laço social. Escreve na noite, rodeado da família, recupera a memória das coisas e, por vezes, essa memória é um desfile de sujidade, de medos, de álcool e de sexo, como fugas ninguém sabe muito bem para onde.

Crónica de uma geração, Baptista-Bastos juntou, ao mural da sua época, um outro quadro, no qual a dignidade humana se identifica com a identidade pessoal e a identidade social. Elegia para um caixão vazio é uma elegia para todos nós.

Peso 265 g

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