Como já ficou dito em edições anteriores, à selecção dos textos presidiu um critério simultâneamente literário e educativo, o que limitou muito o campo de escolha. Na verdade, os nossos mais consagrados escritores não destinaram os seus contos à juventunde e, por outro lado, ainda hoje não abunda entre nós uma literatura juvenil onde possam…
De todos os romances da escritora Emi Bulhões Carvalho da Fonseca, é êste, sem dúvida o mais intenso de vida e emoção. Não encerra somente um, mas vários romances, pois narra a história de três gerações, começando com o comovente drama de Conceição e Diogo, que perdem a única filha, Siá Menina, e a imortalizam…
Os dias já foram tão grandes, as horas que não passavam, o vagar do mundo, tudo a demorar-se eternamente, o tempo que se deicava ficar, pachorrento o tempo deitado sobre nós (…)
Casamento Perfeito de Diogo Paiva de Andrada. Livraria Sá da Costa. Lisboa, 1944, 206 págs. Dura.
Prefácio e notas de Fidelino de Figueiredo. Uma obra que se debruça sobre o tema do casamento, no seio da sociedade do século XVII, o qual só se começou a teorizar e a exprimir literariamente a partir da revalorização renascentista da figura do Homem. Diogo de Paiva de Andrada mostra, através deste livro, amentalidade do homem instruído da sua época, baseando-se numa perspectiva idealista da vida conjugal, resultante do equilíbrio entre a “vida viva” e os “dogmas da vida ascética”. Enquanto retrato fiel de uma época, o livro representa um importante testemunho da mesma, além de suscitar, ainda hoje, grande interesse já que aborda um dos tópicos mais polémicos das sociedades de todos os tempos. «O tratado de Paiva de Andrada, instrumento nobre de dignificação do matrimónio à luz das doutrinas fixadas em Trento, pertence mais à história das ideias morais e dos métodos de acção da Contra-Reforma do que à literatura. O que de mais literário contém – não falando na mestria da composiçãointrínseca – é o sólido conhecimento das velhas letras gregas e romanas, trazido muito a propósito na sua exposição apologética, e o domínio da língua portuguesa, que demonstra nas traduções dos lugares selectos desses velhos textos.»
“Com raizes profundadas, teluricamente, num cerro alcandorado do Alentejo alto, este Fragmentos de Silêncios, quais voos planados de altaneiro gavião, ao sabor de um soão escaldante de inspiração, como que se transformam, por força de algum milagre, em voos descansados de gaivota, ao sabor da travessia da que, na planície penicheira, ensaia bailados de algas…
«não dou por ela e nem ela por mim e ambos caminhamos em direcção a nós tão sós
feitos barcas rasgando os caminhos do submundo de um destino sem fim
como se a quem se cobrasse o silêncio como se a quem se cobrasse o sentido imóvel»
Escrevendo estas breves páginas à frente dos Sonetos de Anthero de Quental tenho a satisfação íntima de cumprir o dever de tonar conhecida do público a figura talvez mais caracteristica do mundo litterario portuguez, e decerto aquella sobre a lenda mais tem trabalhado. Estou certo, absolutamente certo, de que este livro, embora sem écco no…
Vem Aí o Cometa! de Alberto Vaz da Silva Gradiva Publicações. Lisboa, 62 págs. B. Il.
Este é o texto das vinte e cinco exortações ao meu anjo, cometa de Halley, proferidas desde 21 de Outubro até 22 de Novembro de 1985 a bordo da Rádio Comercial. Destinadas a ser uma rubrica diária comemorativa da efeméride, não eram, pela sua própria natureza e brevidade, lugar próprio para maiores expansões. Agora vêm mais a público com o intuito de ajudar quem lhes for sensível a compreender todo o impacte do regresso até nós do mais célebre de todos os cometas.
✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados. ✍🏻 Edição autografada pelo autor.
>Dos artistas como Pina d’Emarghi, pintora de sensibilidade, que pinta agora em vocábulos, com a paleta do verbo, os instintos e as almas, a carne e o sonho, os clarões e os abismos. São momentos cruciais da vida. Momentos que não passam, porque a artista os recriou. Em palavras nuas, descarnadas, vibrantes. Por vezes rudes…
O escritor, nos seus momentos de evasão à vida quotidiana, inventa um universo pontuado de luminosidades, de fantasias e de sonhos. Às vezes, como em «Vazio», o próprio acto da escrita é um devaneio. (Luís Dantas)
Manhã de verão. O trem de sete horas ainda não desceu. Certamente descarrilou em Paripe, ou senão faltou energia. Ou senão alguém botou um despacho na curva de Paripe. Ninguém sabe o que aconteceu ao trem das sete. Também aqui na sede da CIT (Companhia dos Inimigos do Trabalho) ninguém está interessado em saber. Aliás, ninguém pintou por aqui. Nem Dau, que madruga todos os dias. Nem Dau. Dez horas e Toinho nem se fala. Só chegam aqui quando o sol já está bastante quente. Caminham devagar, olhando o mundo e pensando no futuro que eles aguardam.
Naquela manhã antiga acordei com medo. medo de acordar, dormir novamente, braços cruzados, escutando a chuva. De camisola. Semi-morta. Acordei com a mão acordadno a outra mão, com medo de ter acordado mais tarde.
Baseado em documentos autênticos, este teledrama não tem a pretensão de ser a reconstituição exacta e rigorosa do segmento da vidade de Camilo preenchido pelos onze anos que decorreram entre o conhecimento de Ana Augusta Plácido e o desfecho do julgamento a que ambos foram submetidos pelo crime de adultério e que rematou pela absolvição….
(…) São ondas poéticas que o absorvem neste passado/presente no qual se envolve, já que a História, essa, não se afunda: ‘em sagres depositei o coração de um império/ nas muralhas de diu/…/recortei eu a alma ou ‘valeu a pena morrer por ormuz’; mas, também de imediato, sente o presente na desvinculação entre o viver…
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