Quando o Velho Fauno Sentiu o Empurrão da Morte de Orlando Ferreira Barros. Publicações Pena Perfeita. 2006. 90 págs. B.
Fausto Bezerra Velho, professor primário e apreciador das putinhas da ladeira do Senhor do Alívio, manteve-se solteiro até à idade de 48 anos. O que leva este homem a casar com Maria do Resgate, 32 anos mais nova? E depois, por que se envolve, sucessivamente, com mais três criaditas, todas elas mal atavia- das na sua adolescência, até que um dia a morte lhe faz sentir o empurrão inevitável?
Desenrolando-se nos anos 30, quando Salazar começava a algemar a liberdade dos portugueses, esta novela é a memória de um tempo passado e dos seus equívocos.
Ouviam-se Vozes ao Longe de Fausto Lopo de Carvalho. Parceira A. M. Pereira. Lisboa, Janeiro de 1974. 175 págs. B.
Os doze contos deste volume consti- tuem uma nova dimensão da arte literária de Fausto Lopo de Carvalho, que atinge o completo domínio das situações humanas esteticamente recreadas e o desenvolvi mento da sua acção em planos diferencia- dos no tempo e no espaço que, realçando os contornos contrastantes da realidade no seu devir permanente, mantêm, e parado- xalmente reforçam, a unidade fundamental do tema.
«Senhor, não posso com o amor de neve fria
a pesar sobre os juncos do meu peito.
Os peixes do meu sangue mordem desde o leito
a brisa em concha que vertia
seu nome grande como um dia.»
A obra de Fernando Namora, onde o escritor e o médico se confundem, para dar lugar “a um dos mais perduráveis livros do realismo moderno”. Na primeira série, é o físico que prepondera; na segunda série, é o psicólogo, o observador e estilista que se se revelam.
Lisboa num Cravo de Papel de Azinhal Abelho. Câmara Municipal de Lisboa. Lisboa, 1968, 157 págs. B.
“(…) Antes de haver Portugal já esta urbe se levantava para o Sol. (…) Mas na polifonia deste nome e dos seus aspectos há uma sedução mediúnica de que, a Lisboa mais Lisbela, é a registada na graça da sua condição popular, vista e revista na vagabundagem de quem gosta de andar na rua. Nesta feição a vimos, em roteiro lírico a escrevemos, como uma redondilha poética num cravo de papel.”
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A Capital Federal: Impressões de um Sertanejo de Coelho Netto. Livraria Chardon. Porto, 1924, 271 págs. E.
A Capital Federal (Impressões de um Sertanejo) é um romance do escritor brasileiro Coelho Neto, publicado quase diariamente, de 18 novembro de 1892 a 7 de fevereiro de 1893, como folhetim, assinado pelo pseudônimo Anselmo Ribas, na primeira página do jornal O Paiz. Pouco antes do lançamento do livro, a revista literária A Semana, na edição de 19 de agosto de 1893, revelava o verdadeiro autor do folhetim: Coelho Netto.
“Coelho Netto era, a essa altura, um jovem escritor de talento já reconhecido por seus pares.” “Nessa obra é retratada a paisagem urbana da capital no início da República. Contribuem a esse panorama as ideias de um personagem, Dr. Gomes de Almeida, advogado, livre pensador, que tece suas opiniões acerca das consequências que advieram da mudança de regime no país.
Luiz Beira, também conhecido como Armando Luiz Clemente de Bayão Marçal Corrêa, nasceu em Macequece, Moçambique, em 25 de novembro de 1941. Após servir na Marinha como Oficial Fuzileiro Naval, trabalhou como comissário de bordo na TAP em Portugal e DETA em Moçambique. Fixou residência em Portugal a partir de 1976, onde se licenciou em…
Ilustrado por Haroldo Mattos, esta obra de Fritz Teixeira de Salles, profundo conhecedor da História mineira, tem esta obra o condão de fazer remontar o leitor às primeiras manhãs violentas da História das Minas, e em especial de Vila Rica do Pilar. Assim, acompanharemos o nascimento e povoamento de Ouro Preto, a Guerra dos Emboabas,…
Quatro Reis de Mária Braga. Arcádia. Lisboa, 1978, 137 págs. B.
Quatro Reis foi a sólida barca a que me agarrei para resistir, nessa árdua pasagem literária dos anos quarenta, às solicitações de Cila e Cariidas, fechando os ouvidos a tantas e maviosas vozes que nos incitavam a despedaçar o futuro das nossas ingénuas vocações nos escolhos do compromisso fácil e efémero – Mário Braga.
Pele Branca das Acácias de Filipe Leandro Martins. Editorial Caminho. s.d. 320 págs. B.
As acácias não têm a pele branca e o leitor, provavelmente, é dos que lhe não desconhecem a qualidade rugosa e escura. Mas há quem não saiba, num tempo em que de árvores percebemos cada vez menos. Os jovens, principalmente os adolescentes, ignoram do mundo as suas dúzias de faces. Mas experimentam-no, arriscam-se nele e dele falam e, aprendendo, acabam por conquistá-lo, descascá-lo, saboreá-lo mesmo, se entretanto não lhe perderam o gosto. Assim era também nos anos 60, quando até de pele se conhecia pouco, quanto mais de árvores, imersa a floresta em densa e silencio- sa bruma. Visitemos algumas clareiras. – Filipe Leandro Martins
Chega Ai Que Vamos Falar de Amor de Francisco Sexto Sentido. Planeta Editora. Lisboa, 2018. 195 págs. B.
Uma nova voz fresca e provocadora na narrativa portuguesa que destrói algumas mentiras que nos andam a contar sobre o amor e a capacidade de amar num mundo em que tudo é frágil e efémero.
Esquece tudo o que te têm dito sobre o Amor. Eles não sabem o que dizem. Devo gostar de mim, sim, mas antes e mais do que tudo? Não. Se eu não gostar de mim ninguém gostará? Treta. As mulheres são espectaculares, mas nunca vamos perceber como funcionam? Disparate. O Amor requer coragem e um grande coração? Sim. Mas já sabemos que não há almoços grátis. Francisco Sexto Sentido vai guiar-te na viagem mais importante da tua vida: o Amor. Preparado?
«É verdade, amo-te mais do que a mim mesmo. Não sei muito bem qual é a utilidade de vir ao mundo para me amar a mim em primeiro lugar. Sinceramente, acho que é uma actividade bastante desinteressante. Já me conheço. Estou aqui neste corpo e nesta cabeça desde que nasci.»
Lugar da Palavra: Poesia Reunida 1956-2019 de Fernando Guimarães. Edições Afrontamento. Porto, 2019, 615 págs. E.
“Discóbulo
A medir devagar o equilíbrio, livremente persiste no esforço. Só o seu gesso parte. o disco fica junto das suas mãos, recomeçando. Estátua de pugilistas Cansados, separa-os apenas a nudez. Cada músculo se curva e o mar avança nos seus corpos para que a luta principie sempre.”
A Gata e a Fábula de Fernanda Botelho. Livraria Bertrand. 1973. 327 págs. B.
O caso de A Gata e a Fábula implica ainda o regresso a uma obra que tem no seu cerne a própria revisitação das origens, do mundo da infância das suas personagens, representantes, aquando da sua publicação, de uma geração que então se afirmava e questionava no suspenso mundo do pós-guerra português – tal como uma nova geração de escritores que então procurava novos caminhos para a nossa literatura. […]Talvez uma das características fundamentais de todo o percurso de Fernanda Botelho seja a forma como a sua obra sempre conseguiu escapar a rótulos e a apreciações convencionais, revelando uma integridade inexcedível na sua constante e pessoalíssima busca por uma expressão justa da condição humana nesse Portugal da segunda metade do século XX. Reflectindo o carácter inovador da sua escrita, a reacção crítica aos seus romances foi sempre plural, ainda que virtualmente unânime a considerar a autora um talento excepcional no panorama da literatura portuguesa contemporânea. Na sua crítica original a A Gata e a Fábula, Gaspar Simões, com efeito, salientaria a forma como Fernanda Botelho, desde o seu primeiro livro, se apresentara “com os pés bem assentes na terra e os olhos bem abertos para uma condição social da mulher que de maneira alguma se compadece com idealizações”.
A epigrafe é um exemplo claro e inequívoco do destino americano. Os Estados Unidos são um pais de imigrantes e uma miríade de vozes que na sua dissonância ecoam o grito de um povo cuja riqueza alicerça se na sua diversidade. E que a própria palavra diversidade tem uma conotação diferente nos Estados Unidos. Num contexto americano, a variedade de etnicidades, religiões e culturas tornam a terra do Tio Sam num espaço pluralista, distinto, e até mesmo dividido. Mas, e paradoxalmente, tal como acreditava Ralph Ellison, é esta diversidade que torna o pais não apenas único, mas, sobretudo e ironicamente, o que une o povo americano. A presente coletânea de crónicas, publicadas em vários jornais dos Açores e da diáspora açoriana nos Estados Unidos de Junho de 1997 a Janeiro de 2000, tem por objetivo analisar a diversidade americana.
O Concerto das Buzinas de Virgílio Martinho. Seara Nova. Lisboa, 1976, 174 págs. B.
«A sala de prisão tem trinta e seis passos por doze de extensão, uma retrete e dois anexos: um grande e outro pequeno. É neste que dormem Passão e Graça. Passão está meio surdo e de vez em quando urina sangue. Graça tem a voz entaramelada e nem sempre encontra as palavras ajustadas para exprimir o que pensa; mas está a recuperar, já consegue ler uma coluna de jornal sem que esta se transforme numa ilegível mancha negra.»
Nos Braços da Exígua Luz de Nuno Júdice. Editora Arcádia. Lisboa, 1976, 70 págs. B.
Integrado na «Colecção Licorne», este livro vem acompanhado de um interessante texto de Gastão Cruz intitulado «O Espírito da Prosa», onde acerca do autor diz: “Os poemas de Nuno Júdice são, frequentemente, histórias curtas cujo tema é o próprio dizer e cujas personagens são todos aqueles que usam as palavras, os teóricos e os professores, os oradores, os filósofos, os poetas, escritores, autores.”
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