Cartas Políticas a João de Barros de Manuela de Azevedo.
Imprensa Nacional Casa da Moeda. Lisboa, 1982, 424 págs. B.
Este livro, que se pretendeu feito à margem das flutuações que influenciaram as perspectivas políticas portuguesas, depois que foi lançado o primeiro volume das Cartas a João de Barros (as literárias), desejaria a responsável pela sua organização que não fosse mais do que o situar João de Barros no seu tempo, não ultrapassando a moldura do quadro em que se recortou o perfil político e literário do autor de Sísifo. Lutando contra as consequências educativas e públicas de uma paralisia de ideais inertes, estáticos e hierárquicos, o Portugal de João de Barros sofria, e espera-se que jamais venha a sofrer, dos erros do poder pessoal e providencialista, sem perspectivas, sem iniciativas individuais, sem horizontes que não fossem continuar Portugal-, quando o Poeta reclamava um Portugal Novo, para o Homem Novo, intensamente preconizado pela República.
E dentro desse quadro de virtualidade da Pátria, tão obscurantista mente desfiguradas, que o optimismo do cidadão e do Poeta de sentido universalista (Ribeiro Couto dizia-lhe: quanto mais ando pelo mundo, mais verifico a obscuridade em que vivem os nossos poetas) sempre descobre novas fontes de energia, culminando uma obra cadenciada pelo ritmo do seu próprio coração, repartido entre Portugal e Brasil.
As Cartas Políticas a João de Barros constituem, assim, um documento de presença em muitos actos e factos que ensombraram, nos seus últimos trinta e quatro anos, a vida portuguesa. Mas a actividade política de João de Barros vem de mais longe, vem da juventude, que é lá a forja da tempera democrática.
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