O segundo romance do ciclo A Velha Casa, As Raízes do Futuro (1947), medeia entre o retorno de Lelito (Manuel Trigueiros, o segundo de quatro filhos do casal Maria Teresa e Martinho Trigueiros) e a morte de madrinha Libânia, a matriarca da família e a proprietária efectiva da casa. Se Uma Gota de Sangue não dava qualquer pista que permitisse compreender a época em que decorria a acção romanesca, o segundo informa que se estava em 1920. Esta indicação não é despicienda para a compreensão da trama narrativa. Está-se no início dos chamados loucos anos 20. Não é que numa aldeia rural, Azurara, do concelho de Vila do Conde haja referência existencial ao modo de vida que a expressão consagra, mas de uma maneira ou de outra o Zeitgeist haveria de encontrar maneira de ali se reflectir, ainda que de forma imperceptível para os próprios habitantes.
Processo Violeta de Inês Pedrosa. Porto Editora. Porto, 2018, 229 págs. B.
No Portugal festivo e individualista do fim da década de 80, Violeta, uma professora de 32 anos, engravida de Ildo, um aluno de 14 anos, filho de uma mãe solteira cabo-verdiana. O Insubmisso, novo jornal de uma elite em ascensão, perseguirá a história e descobrirá que o pai de Ildo é um cavaleiro tauromáquico aristocrata. O escândalo do chamado processo Violeta contrastará com o silêncio absoluto através do qual Ana Lúcia, amiga de Violeta, oculta a sua violação por um outro aluno de 14 anos da mesma escola. Este romance apaixonante interroga, com inteligência, imaginação e humor, os interditos de uma sociedade que se diz livre e despida de preconceitos. O processo Violeta é, afinal, o de um país de hábitos clandestinos, esconsos, sacrificiais e crepusculares.
O Pescador Urashima é um conto tradicional japonês recontado por Wenceslau de Moraes. A história segue Urashima, um jovem pescador que salva uma tartaruga e, como recompensa, é levado ao palácio submarino do Rei Dragão. Lá, vive momentos de encantamento ao lado da bela princesa Otohime. No entanto, ao regressar à terra, descobre que séculos se passaram. Uma fábula sobre o tempo, o destino e a efemeridade da vida.
A PEGA AZUL DE CLARA PINTO CORREIA Parque Expo 98. Lisboa, 1996. 51 págs. B.
Narrativa de Clara Pinto Correia publicada no âmbito da Expo 98 de Lisboa, que conta a história da pega-azul portuguesa e das lendas associadas à sua distribuição geográfica, incluindo a explicação popular de como um marinheiro terá levado um casal desta ave para o outro lado do mundo, espécie que tinha até então sido exclusiva do território português.
────────────────── Características do Exemplar ✅ Sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Peso: 30g
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Esta antologia reúne oito séculos de poesia em língua portuguesa sobre o Natal. Inicia-se com Afonso X, o Sábio, cujas Cantigas de Santa Maria foram escritas em galego-português no século XIII e termina com autores do século XXI. Inclui 202 textos de 130 poetas, tendo o organizador dado preferência aos autores do século XIX e do XX. “(…) A extrema variedade de formas e registos dentro da unidade temática considerada justifica se tenha lançado mão do título de um poema de Cabral Nascimento, «Natal… Natais», para designar o conjunto das peças aqui recolhidas”. São antologia dos poetas como Gil Vicente Ribeiro chiado, Diogo Bernardes, António Ferreira, Frei Agostinho da Cruz, Abade de Jazente, Correia Garção, Bingre, Almeida Garrett, Herculano, João de Lemos, João de Deus, Guerra Junqueiro, António Feijó, Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Fernando Pessoa, Vitorino Nemésio, José régio, Miguel Torga, Álvaro Feijó, Sophia de Mello Breyner, José Saramago, Mário Cesariny de Vasconcelos , Sebastião da Gama, Manuel alegre, Nuno Júdice, etc. Etc.
Menina e Moça de Bernadim Ribeiro. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1990, 161 págs. B.
Preparada pelo Professor Helder Macedo, a presente edição vem colocar ao alcance do grande público uma versão fidedigna da Menina e Moça, de Bernardim Ribeiro, porventura o mais representativo dos romances sentimentais portugueses do século XVI.
A obra identifica-se, no dizer de António José Saraiva e Óscar Lopes, «com as tendências mais profundas do Renascimento, de que constitui uma das mais significativas expressões em Portugal».
Líricas Portuguesas (1ª Série) de José Régio. Portugália Editora. Lisboa, s.d., 408 págs. B.
Apreciada antologia, cuja selecção esteve a cargo de José Régio, Cabral do Nascimento, Jorge de Sena e António Ramos Rosa. No dizer de Sena: “Não há qualquer comparação possível entre estas três séries da ‘Líricas Portuguesas’ a não ser ser a relativa subordinação de três personalidades intectualmente a artìsticamente muito diversas — os antologizadores — a um editorial desígnio comum.
Uma obra em que Fernando Namora revela todas as suas capacidades de verdadeiro romancista para escrever sobre o amor, a morte e os pequenos nadas da vida humana. Por muitos considerada como a obra-prima deste autor. Um brilhante romance psicológico.
Gaveta de Nuvens de José Gomes Ferreira. Diabil. Lisboa, 1975, 238 págs. B.
Após uma decisiva prova de marginalidade como cônsul, entreguei-me ao jornalismo ou, com mais exatidão, a colaborar em jornais e revistas (com três ou quatro artigos por semana), onde aprendi a alinhar prosas com tanta facilidade de caneta a deslizar no papel que, a certa altura, quando reparei nessa virtude de ofício, desmaiei de terror. E tratei logo de praticar com afinco a ginástica da Dificuldade. Isto é:
impedir que as palavras corressem em forma de fonte óbvia, não me importar de perder tempo, cinco, dez, vinte minutos para desencantar o adjetivo justo, substituir lugares-comuns já muito coçados por novos lugares-comuns, semear obstáculos de propósito, antes de principiar a escrever. Como, por exemplo, dizer de mim para mim: hoje durante seis linguados não empregarei uma única vez os verbos ser, ter, haver, fazer, etc.
Gaibéus de Alves Redol. Editorial Caminho. Lisboa, 1989, 310 págs. B.
«O romance Gaibéus foi publicado pela primeira vez em 1939. É o ponto de partida da obra romanesca de Alves Redol. Mas é também o ponto de chegada de uma longa reflexão do autor sobre o significado e o papel da arte, o primeiro edifício do programa de uma literatura nova. Dessa reflexão de Redol ficou uma série de artigos publicados em jornais de Vila Franca de Xira, onde vivia — Vida Ribatejana (entre 1927 e 1934) e Mensageiro do Ribatejo (entre 1934 e 1940). De destacar ainda a conferência sobre arte, proferida em Vila Franca em 1936. Fiel ao seu ideário, Redol, antes de escrever Gaibéus, realizou um amplo “trabalho de campo” — deslocou-se repetidas vezes à lezíria, chegou mesmo a instalar-se no campo para recolher dados sobre o trabalho nos arrozais. Os seus blocos de apontamentos contêm numerosas indicações técnicas sobre o cultivo do arroz. As próprias relações familiares lhe serviram de documento — o pai de Redol era oriundo da região de origem dos gaibéus. Hoje Gaibéus é comummente aceite como o romance que marca o aparecimento do neo-realismo em Portugal.
Eis o mundo que Alves Redol nos apresenta no seu primeiro romance. História da alienação de uma comunidade de trabalhadores, ficamos a saber até que ponto são explorados, e até que ponto essa exploração se deve à falta de união com outras comunidades de jornaleiros. Gaibéus é, assim, o romance do divórcio entre ganhões, uns procurando resgatar algumas bouças ou sulcos que ainda lhes pertencem, outros alheios ao que seja possuir qualquer chalorda ou mesmo canteiro. História simbólica do embate de duas diferentes mentalidades, a desunião entre gaibéus e rabezanos é triste e profético paradigma das oposições, ainda hoje bem marcadas, entre os camponeses dos minifúndios e os dos latifúndios. Redol acreditava que seria possível o “casamento” entre uns e outros quando descobrissem que a mesma fome os une. É disso exemplo simbólico a parábola dos quatro jovens rabezanos e dos três jovens gaibéus.» – Alexandre Pinheiro Torres
Gloria in Excelsis: Histórias Portugueses de Natal de Vasco Graça da Moura. Público Comunicação Social. Porto, 2003, 317 págs. E.
«[…] a festividade religiosa (do presépio à missa do Galo) e a sua paralela celebração secular e jubilante quase sempre no plano da família; o contraste mais ou menos chocante entre Graça e desgraça, ou entre grupos e condições sociais; o regresso de alguém que, regra geral, estava ausente havia muito; a evocação do tempo e das vivências do passado; a reconciliação entre os homens; por vezes o sofrimento, a tragédia ou a violência numa quadra que não deveria comportá-los; quase sempre a ruralidade do meio em que a acção decorre (nesta colectânea, todavia, com algumas excepções nítidas); como cenário de fundo, é frequente a contraposição do mau tempo (chuva, frio, neve, ventania) a um ambiente aconchegado e familiar.»
A Filha do Papa de Luís Miguel Rocha. Porto Editora. Porto, 2012, 428 págs. B.
Será o antissemitismo a verdadeira razão para o Papa Pio XII não ter sido beatificado?
Quando Niklas, um jovem padre, é raptado, ninguém imagina que esse acontecimento é apenas o início de uma grande conspiração que tem como objetivo acabar com um dos segredos mais bem guardados do Vaticano – a filha do Papa Pio XII.
Rafael, um agente da Santa Sé fiel à sua Igreja e à sua fé, tem como missão descobrir quem se esconde por detrás de todos os crimes que se sucedem e evitar a todo o custo que algo aconteça à filha do Papa.
Conseguirá Rafael ser uma vez mais bem-sucedido? Ou desta vez a Igreja Católica não será poupada?
Espirituais de Oliva Guerra. Ed. Autor. Lisboa, 1922, 100 págs. B.
Oliva Correia de Almada Meneses Guerra, natural de Sintra, foi poetisa, musicóloga e cronista, destacando-se na promoção cultural do concelho. Como presidente do Instituto de Sintra, ajudou a revelar talentos e dinamizar a cultura local. Publicou obras como Passos ao Longe e Roteiro Lírico de Sintra e colaborou com jornais como Diário de Lisboa e Diário Popular. Conviveu com figuras ilustres da cultura e política portuguesa e europeia.
Terceiro edição deste importante livro de Carlos Queiroz distinguido pelo Secretariado de Propaganda Nacional com o ‘Prémio de Poesia – Antero de Quental’, nesta edição, acrescentada com 20 poemas e ilustrada com um retrato fotográfico do Poeta.
Aurora da Nossa Poesia de Ester de Lemos. Campanha Nacional de Educação de Adultos. Coimbra, s.d., 147 págs. B.
“(…) Este livrinho que vão ler, leitores amigos, fala dos primeiros versos que em Portugal se escreveram (…) Por eles verão os leitores que houve, antes de nós, muito antes de nós, homens capazes de fazer belas coisas; por eles verão como em Portugal se começaram a fazer versos. Por eles verão também que, se alguma coisa é belo de verdade, não há força de tempo capaz de lhe tirar o encanto (…)”
Catarina ou o Sabor da Maçã de António Alçada Baptista. Editorial Presença. Lisboa, 1995, 86 págs. B.
Nesta interessante análise dos comportamentos humanos que informa toda a trama novelesca, o narrador desdobra-se em observador, distanciando-se do vivido, e em participante, envolvendo-se, para melhor compreender. Assim nos dá a conhecer Catarina, doce e adorável mulher que no entanto abriga em si uma perigosa atracção pelo abismo. A leitura deste romance é sempre renovado pelo prazer de saborear a prosa de Alçada e, simultaneamente, experiência de inquietação, o que, de resto, caracteriza toda a obra do autor.
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