Amadeo de Mário Claúdio. Imprensa Nacional – Casa da Moeda. Lisboa, 1985, 115 págs. Mole.
Muito estimado e importante estudo sobre uma das figuras cimeiras da pintura portuguesa moderna, trabalho a que foi atribuído o prémio da Associação Portuguesa de Escritores.
Com ilustrações a cores de alguns dos trabalhos de Amadeo, fotografias a negro de retratos e outros elementos iconográficos.
A ação central da obra é a viagem de Vasco da Gama para a Índia. Dela se serve o poeta para nos oferecer a visão épica de toda a História de Portugal até à sua época, ora sendo ele o narrador, ora transferindo essa tarefa para figuras da viagem. Para outras figuras – as míticas – transfere os discursos que projetam a ação no futuro em forma profética.
Livro dos Amantes de José Jorge Letria. Oficina do Livro. Lisboa, 2011, 219 págs. E.
Nos grandes amores, existe sempre alguma coisa que os faz vencer as barreiras do tempo e do espaço. É assim que se eternizam e se tornam universais.
Adão e Eva, Pedro I e Inês de Castro, Napoleão e Josefina, Almeida Garrett e a viscondessa da Luz, Oscar Wilde e Lord Alfred Douglas, John Lennon e Yoko Ono, Francisco Sá Carneiro e Snu Abecassis são alguns dos pares que ganharam lugar cativo na galeria dos grandes amantes.
Lisboa Galante: Episódios e Aspectos da Cidade de Fialho de Almeida. Editorial Vega. Lisboa, 1994, 191 págs. B.
Livro de crónicas e contos de Fialho de Almeida, subintitulado “Episódios e aspetos da cidade”, em que os textos oscilam de facto entre a narrativa, como em “Amor de velhos”, “A chávena da China”, “A condessa” ou “A verruga”, e a descrição de Lisboa, como em “De noite”, “Madrugada de inverno” ou “Lisboa velha e Lisboa nova”. “Sentimental Journey”, cujo título remete intertextualmente para a obra de Sterne, oferece uma série de notações de viagem.
«A sua obra fecha um ciclo que a Peregrinação do Fernão Mendes Pinto abrira. E inicia outro que os nossos filhos verão cumprir-se. Ao otimismo expansivo do Mendes Pinto, os Emigrantes opuseram a reflexão pungente que a abordagem do real hoje suscita. À ascensão, a depressão. Aos damascos opulentos, a lã ancestral dos tosquiadores de Viriato.»
Mário Sacramento
Poucos autores da prosa portuguesa contemporânea serão tão comunicativos como o Vitorino Nemésio dos contos aqui publicados, a que não são estranhos o seu humanismo e poesia. Em várias das histórias incluídas nesta edição se reflecte o ambiente ilhéu da juventude de Nemésio, «açoriano de treze gerações».
Jantar Muito Original de Alexander Search. Relógio d’Água. Lisboa, s.d., 60 págs. B.
Um Jantar Muito Original e A Porta são dois contos escritos entre 1906 e 1907 por Fernando Pessoa, usando a língua inglesa e o heterónimo de Alexander Search, por ele próprio definido como «um habitante do inferno». São contos fantásticos, centrados na perversidade, no mistério e na loucura e em ambos pode ver-se alguma influência de Poe. Um Jantar Muito Original teve uma discreta divulgação em 1978. De A Porta, que permaneceu muito tempo inédito, publica-se a parte decifrável. O trabalho de recolha e tradução dos textos foi feito por Maria Leonor Machado de Sousa, conhecida investigadora da obra de Pessoa e da literatura fantástica portuguesa.
Há Sempre uma Primeira Vez de Margarida Rebelo Pinto Clube do Autor. Lisboa, 2013, 252 págs. E.
Escrito ao jeito do bestseller A Minha Casa é o Teu Coração, neste novo livro a escritora Margarida Rebelo Pinto volta à análise das, por vezes complicadas, relações entres homens e mulheres. A partir daí, através de pequenas narrativas, a escritora descreve com humor as várias fases que um relacionamento pode ter.
Do enamoramento à paixão e desta ao desencanto, Margarida Rebelo Pinto revela neste livro, sem subterfúgios ou rodeios, a habitual intensidade emocional e o apurado sentido de humor que tão bem caracterizam a sua escrita.
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Do enamoramento à paixão e desta ao desencanto, Margarida Rebelo Pinto revela neste livro, sem subterfúgios ou rodeios, a habitual intensidade emocional e o apurado sentido de humor que tão bem caracterizam a sua escrita.
Guerras de Alecrim e Mangerona de António José da Silva. Círculo de Cultura Teatral. Porto, 1957, 120 págs. B.
Publicando as GUERRAS de António José e levan-do-as à cena (ao que supomos, pela primeira vez em Portugal depois da primeira representação no século XVIII), estamos certos de continuar a obra de cultura que, como primeira obrigação, a si próprio se impós o Teatro Experimental do Porto. Se tivermos conseguido, além disso, como ambiciosamente espera-mos, realizar obra viva com esta necessária ressurreição, crescerá com isso o nosso gosto, justificadamente.
As Farpas de Ramalho Ortigão. David Corazzi, Editor. Lisboa, 1887. E.
A presente edição d’AS FARPAS, publicação que primeiro appareceu em fasciculos mensaes, tem por objecto colligir methodicamente em alguns volumes de prosa tumultuaria mas honesta, como n’uma HISTORIA ALEGRE DE DEZESETE ANNOS DA VIDA BURGUEZA, alguns dos aspectos da politica, da litteratura, da arte, da religião, da pedagogia, dos costumes na sociedade portugueza contemporanea. O texto primitivo achar-se-ha conglobado na materia muito mais desenvolvida da edição actual, figurando em tomos separados os artigos de cada um dos dois fundadores d’esta chronica.
Tomo I:
A Paizagem; Os Campos; As Praias; Os Monumentos.
Contos e Lendas de L. A. Rebelo da Silva Livraria Bertrand. Lisboa, s.d., 308 págs. B.
Assim nasceram em um recanto obscuro da aldeia estes Contos e Lendas, escritos sem emendas e com admirável rapidez, em letra grada, direita e garrafal, para regozijo dos compositores, que cegam a miúdo os negalhos de missanga de certos autores, muito nossos conhecidos, aos quais Deus não castigue em desagravo de suas vítimas.
Incluí:
A Torre de Caim; O Castelo de Almourol; A Camisa de Noivado; A Última Corrida de Touros em Salvaterra; A Tomada de Ceuta; A pena de Talião.
Contos de Eça de Queiroz. Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 268 págs. B.
No prefácio dos “Azulejos do Conde de Arnoso”, emite Eça a sua opinião sobre o conto: “No conto tudo precisa de ser apontado num risco leve e sóbrio: das figuras deve-se ver apenas a linha flagrante e definidora que revela e fixa uma personalidade; dos sentimentos, apenas o que caiba num olhar, ou numa dessas palavras que escapa dos lábios e traz todo o ser; da paisagem somente os longes, numa cor unida”. O enredo é simples, linear. Não é analítico. Há neles concentração de ação, tempo e espaço. Eça realiza-se também como contista.
Avenida Paulista de João Pereira Coutinho. Edições Quasi. Vila Nova de Famalicão, 2007, 153 págs. B.
As crónicas deste livro foram publicadas na Folha de S. Paulo entre 2005 e 2008. Publicadas na edição impressa (FSP) e da edição on-line (FOL). É uma escolha, limitada e pessoal de João Pereira Coutinho. Salada farta e colorida, que faria as delícias de Carmen Miranda. Temos política e literatura, cronistas e artistas. Viagens, malandragens. E algumas declarações de amor. Se pedirem muito, ainda há espaço para um encore.
A Cidade e as Serras de Eça de Queiroz. Lello & Irmão – Editores. Porto, 1945, 307 págs. E.
Nesta obra, Eça sugere o tema clássico do elogio da “aurea mediocritas”, quando mostra que nem é o fausto, nem o conforto, nem a ciência que fazem o homem feliz, mas sim uma vida calma, simples e natural.
A descrição que faz da vida do campo é mais uma forma de idealização à maneira de Júlio Dinis. Revela-se um extraordinário paisagista. As descrições de A Cidade e as Serras concretizam o pensamento de Fradique Mendes: “a arte é um resumo da Natureza feito pela imaginação”.
O Incesto de Mário de Sá-Carneiro. Edições Rolim. Lisboa, 1987, 80 págs. B.
Haverá limites para o amor? Em “Incesto”, Mário Sá-Carneiro faz-nos reflectir sobre esta questão, que é abrangente, fragilizante e sobretudo problemática; através dos sentimentos de um pai que acaba por chegar à conclusão de que, por vezes, o sacrifício supremo poderá ser também uma grande prova de amor e redenção, poendo chegar ao limite do suicídio.
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