PRISIONEIRO DE ERICO VERÍSSIMO Livros do Brasil. Lisboa, s.d. 246 págs. B.
O testamento literário de Erico Veríssimo assume a forma de uma poderosa parábola sobre a condição humana face à violência e ao preconceito. Através de uma narrativa incisiva, o aclamado autor gaúcho expõe as amarras que convertem o indivíduo num peão de engrenagens políticas e sociais opressivas. Entre o rigor do documento histórico e o alcance universal da fábula, esta obra derradeira ergue-se como um manifesto intemporal contra o absurdo da guerra, o ódio racial e as
────────────────── Características do Exemplar ✅ Sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Peso: 370g
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Noite de Erico Veríssimo.c Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 243 págs. B.
Noite é um livro diferente, estranho, que nos coloca na presença e na intimidade de figuras que, arrancadas às sombras nocturnas, parece pertencerem a um mundo à parte. Entre essas figuras, avulta a do «Desconhecido», personagem patológica, cujo desenho de vigorosos traços denuncia e consagra a garra de um romancista excepcional. Começando por nos intrigar, o «Desconhecido» acaba por nos provocar um sentimento de piedade.
História Trágico-Marítima de Bernardo Gomes de Brito. Círculo de Leitores. Lisboa, 1994, 206 págs. E.
Compiladas no século XVIII, por Bernardo Gomes de Brito, este livro traz relatos verídicos de alguns dos mais terríveis naufrágios sofridos por naus portuguesas – sobretudo as da ‘Carreira das Indias’ – com a descrição dos sofrimentos de seus sobreviventes em terra. Cada relato foi escrito diretamente por um dos sobreviventes do naufrágio, e em todos eles estão presentes a ambição desmedida, a corrupção, o sofrimento e a morte, de braços dados com as glórias, que mais frequentemente são lembradas.
Cavaleiro da Esperança de Jorge Amado. Publicações Europa-América. Mem Martins, 1976, 330 págs. B.
«A primeira vez que prometi escrever este livro foi em 1938, num ónibus que ia de Estância a Aracaju, em Sergipe. O chofer havia sido da Coluna Prestes. Fora depois da Aliança. Falávamos de Prestes e ele me perguntou porque eu não escrevia a vida do Herói. Desde esse dia tenho sentido cada vez mais urgente essa necessidade. Como uma necessidade do povo. E a realizo hoje, feliz de ter cabido a mim a tarefa de falar sobre o maior dos homens do meu país […].
Falo dele com admiração, com entusiasmo e com fé. Não falaria sobre ele se não o amasse, não confiasse nele. Falo dele como um escritor do povo sobre um condutor do povo. Com liberdade e com amor.»
Histórias do Fim da Rua de Mário Zambujal. Livraria Bertrand. Lisboa, 1983, 152, págs. B.
Depois ia para a janela fazer olhinhos à rua. Sim, é precisamente o que faz: olhinhos. Bem o vejo. Fita-a da mesma maneira vagarosa, quente, enlevada, o que fazia comigo antes de nos mudarmos para este rabo da cidade. Ora, ora, não se trata de ciúmes, nem faltava mais, ciúmes de uma rua como esta, a fealdade em pessoa. Faço apenas a constatação de um facto singular: Sérgio tomou-se de amores por esta enfiada de casas pequenotas e sem graça, traiu-me, mantém uma relação disfarçada mas notória, mira-a com o prazer e a sensualidade que me pertenciam antes. Há muito os olhos não lhe param em mim. Passam como transeuntes apressados.
📕 6ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Auto dos Danados de António Lobo Antunes. Círculo de Leitores. Lisboa, 1986, 249 págs. E.
A Vida de uma grande família portuguesa em 1975. quando, em Portugal, «a época das cerimónias morreu». Um casal e o irmão do marido viajam até Reguengos de Monsaraz porque o patriarca (o avô) está moribundo. Em Monsaraz vive o resto do clã, que inclui um filho e uma filha, ambos casados, e uma terceira filha, solteira e mongolóide. O velho morre durante as festas da vila, que terminam com a morte do touro. Não há herança, há dívidas. A família foge do país.
Pastores da Noite de Jorge Amado. Publicações Europa-América. Lisboa, 1971, 339 págs. B.
Escrito às vésperas do golpe militar de 1964, este romance modelar se constrói em três partes autônomas, interligadas por personagens comuns: prostitutas, boêmios, vigaristas, a comunidade notívaga de Salvador, com suas leis e valores próprios: o culto à cachaça, o ódio à polícia, o horror ao trabalho.
Na primeira parte, o cabo Martim, craque dos baralhos marcados e dos dados viciados, sedutor cobiçado, aparece com companheira fixa e planos de constituir um lar. A notícia cai como uma bomba entre os pastores da noite. A segunda narrativa trata do batizado do filho de Massu, negro musculoso que ganha a vida fazendo pequenos fretes. O padrinho do menino é o próprio Ogum, e assim o batizado mobiliza a noite da cidade, embaralhando candomblé e catolicismo. Na última parte, a ocupação do morro do Mata Gato por desabrigados desencadeia um conflito social e político. O dono do terreno recorre à polícia, mas entram em cena outras forças e interesses: autoridades governamentais, imprensa corrupta, banqueiros do jogo do bicho.
Bahia de Todos os Santos de Jorge Amado. Publicações Europa-América. Mem Martins, 1974, 390 págs. B.
Bahia de Todos-os-Santos é um hino de louvor à mais velha de todas as cidades brasileiras, mãe urbana dos grandes centros modernos e berço da especialíssima cultura das terras do Brasil.
Só Jorge Amado poderia ter escrito este livro, simultaneamente exótico, frívolo, amargo e violento. É que Jorge Amado, cronista da Bahia, conhece-lhe todos os recantos e lendas, a sua gente e história, a capoeira, o candomblé, os vagos mistérios dos seus estranhos mitos e culto. E, sobretudo, Jorge Amado ama e redescobre os seus dramas, as histórias dos velhos mestres saveiros, das mães-de-santo» como Mãe Senhora e Tia Massi, dos trovadores populares como Cuica de Santo Amaro.
Bahia de Todos-os-Santos é, pois, uma epopeia de imensa ternura da grande e velha cidade, a cidade de Jorge Amado.
Agonia da Noite de Jorge Amado. Livraria Martins Editora. São Paulo, 1971, 299 págs. B.
Agonia da Noite, segundo volume da trilogia Subterrâneos da Liberdade, aborda o período em que o regime de Vargas já estava instaurado, mostrando que as promessas não foram cumpridas, deixando o povo sem opção.
Seara Vermelha de Jorge Amado. Publicações Europa-América. Mem Martins, 1979, 304 págs. B.
Em Seara Vermelha, Jorge Amado descreve a tragédia dos retirantes e jagunços através da história da família de Jucundina e Jerônimo que retrata a injustiça e o desamparo dos pobrees explorados pelos senhores feudais do nordeste brasileiro. A lúcida perspectiva da personagem feminina, exemplo de esperança, contrapõe-se ao mundo masculino, questionando as decisões que afastam a tríplice resposta que pode ser dada à crueldade dos poderosos: José vinga-se pela via do cangaço, João procura as respostas messiânicas e Juvêncio, o grande herói deste romance, reage aderindo às lutas sociais.
Deus na Palma da Mão DE Josué da Silva
Edições Plexa. Lisboa, 1973, 368 págs. B.
Josué Augusto da Silva (1930–1997) iniciou a carreira no “Diário de Lourenço Marques” em 1955 e colaborou com títulos como “O Século”, “Jornal do Fundão” e “Diário de Lisboa”. Chefiou a redacção da revista “Verlag Zeit im Bild” e foi correspondente do “Diário de Notícias”. Viveu em Macau desde 1990, onde colaborou com vários órgãos de imprensa. Autor de 17 livros, estreou-se com Salto no Vácuo (1958) e publicou a sua última obra em 1997. Sócio do Sindicato dos Jornalistas, deixou um legado notável.
Praça da Canção de Manuel Alegre. Centelha Editora. Coimbra, 1975, 155 págs. B.
Sem grande margem para dúvidas, pode dizer-se que este livro marcou para sempre toda uma geração de jovens portugueses que ao longo dos anos 60 se empenharam na contestação estudantil nas Universidades e lutaram contra a guerra nas ex-colónias africanas.
Aparecido em Coimbra e incluindo muitos poemas que rapidamente se divulgaram graças às canções de Manuel Freire, José Afonso, Adriano Correia de Oliveira ou Luís Cília (entre outros), “Praça da Canção” recorre à História de Portugal para através desse passado colectivo interrogar o presente e o futuro do país, conseguindo aliar um poderoso sopro épico e um lamento pela condição dos portugueses no tempo em que foi escrito.
Sublinhe-se ainda a capacidade de aproveitar os recursos da métrica e da rima para a criação de uma musicalidade sensível, por exemplo, na famosa “Trova do Vento que Passa”, e contribuindo para fazer de Manuel Alegre o trovador da sua geração.
Velhos Marinheiros de Jorge Amado. Publicações Europa-América. Lisboa, 1967, 324 págs. B.
Eu acho francamente belo o crescimento de um escritor como Jorge Amado, que vem desde um livro cheio de defeitos como «O País do Carnaval» até essa obra-prima que é A Morte e a Morte de Quincas Berro Dágua. Um crescimento verdadeiro como a vida, que vem de baixo para cima e sem se recusar às torpitudes; não um crescimento decorativo de araucária, mas de árvore que dá fronde e que dá frutos de polpa, que dá parasitas e dá passarinhos: uma gorda e resinosa mangueira.
«Saí da leitura dessa extraordinária novela, eu que andava no maior fastio de literatura, com a mesma sensação que tive, e que nunca mais se repetiu, ao ler os grandes romances e novelas dos mestres russos do século XIX. Pushkin, Dostoievski, Tolstoi, Gogol especialmente. Uma sensação de bem-estar físico e espiritual como só dão os prazeres do copo e da mesa, quando se está com sede ou fome, […]. Ela representa dentro da novelística brasileira, onde já há cimos consideráveis, um cume máximo».
Mar Morto de Jorge Amado. Publicações Europa-América. Mem Martins, 1966, 282 págs. B.
Romance de grande força lírica, Mar Morto conta histórias de velhos marinheiros, de mestres saveiros, de pretos tatuados e de malandros que contam e cantam essas histórias da beira do cais da Bahia.
«O povo de lemanjá tem muito que contar», dizia Jorge Amado.
Um dos mais populares romances de Jorge Amado, não só no Brasil como em muitos outros países.
Mar Morto inspirou a conhecida telenovela Porto dos Milagres.
Deus Passeando pela Brisa da Tarde de Mário de Carvalho. Círculo de Leitores. Lisboa, 1999, 296 págs. E.
Lúcio Valério Quíncio é o magistrado de Tarcisis, cidade romana da Lusitânia no século II d. C. Como dirigente máximo, cabe-lhe tomar todas as decisões, enquanto tumultuosos acontecimentos conduzem a pequena cidade ao descontentamento geral. No exterior, notícias de uma invasão bárbara iminente, proveniente do Norte de África, obrigam-no a drásticas medidas, enquanto, no interior das muralhas, uma nova seita, a Congregação do Peixe, põe em causa os valores da romanidade, evocando os ensinamentos de um obscuro crucificado. No plano íntimo, a paixão devastadora por uma mulher, Iunia, perturba-o e confunde-o, mas sem o afastar do cumprimento do dever.
Eu e as Mulheres da Minha Vida de Tiago Rebelo. Editorial Presença. Barcarena, 2009, 208 págs. B.
Trinta e cinco anos. A relação com o espelho começava a deteriorar-se. Zé, um jovem que em tempos tinha sido atlético, charmoso e divertido transformava-se agora num homem com contornos abaulados e uma calvície que o desesperava. Um bancário mediano, casado há uma década, com um belo carro e férias no Algarve todos os anos. Mas a vida era só isto? Zé questionava-se. Até que um dia a sua existência pacata foi invadida por Belluci, a mulher mais bonita, sexy e simpática do banco. Era um mundo fascinante que se abria diante dos seus olhos. O planeta estava repleto de mulheres lindas e sensuais e só agora Zé tinha começado a reparar nisso. De repente, descobria-se um outro homem, mais atraente, interessante, um sedutor nato. Mas por outro lado havia o casamento e o seu filho que não podiam ser abalados, sofrendo as consequências da sua nova forma de encarar a vida. O que ele nunca imaginou é que um dia tudo pudesse escapar ao seu controlo e se visse no papel, não de encenador, mas de protagonista de uma peça tragicocómica. Uma obra que nos faz pensar que, de um momento para o outro, a vida pode dar muitas voltas.
📕 3ª Edição ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
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