Peregrinação de Fernão Mendes Pinto.
Edições Afrodite. Lisboa, 1980, 2 vols. B.
Versão para português actual de Maria Alberta Menéres; maqueta da colecção de Paulo-Guilherme; arranjo gráfico do volume de José Marques de Abreu.
Volume II com comentários de Almeida Faria, Armando Castro, Armando M. Janeira, Eduardo Lourenço, Eduardo P. Coelho e Vítor Silva Tavares.
«Quando às vezes ponho diante dos olhos os muitos e grandes trabalhos e infortunios que por mim passaram, começados no principio da minha primeira idade, e continuados pela maior parte e melhor tempo da minha vida….»
Assim começa Fernão Mendes Pinto o relato espantoso de sua peregrinação ao longo de tantas e tão longinquas partes do mundo, de «tais estranhas coisas que viu e ouviu no reino da China, no da Tartária, no do Sornau, que vulgarmente se chama Sião, no do Calaminhan, no de Pegu, no de Martavão, e em outros muitos reinos e senhorios das partes orientais, de que nestas nossas do ocidente há muito pouca ou nenhuma notícia» – o relato espantoso de sua peregrinação ao longo não só dos Lugares a que ocasionalmente pertenceu ou de que teve conhecimento, como também do tempo que foi seu, dos homens e costumes que andou encontrando no trajecto daquela inteira linha quebrada que foi a sua vida, de vez em quando de euforia ou miséria, de sorte ou desventura, mas sempre de admiração e expectativa, que outra não foi a sua própria vida de homem vivo, de português aventureiro de Quinhentos-o espantoso relato de sua peregrinação ao longo de si mesmo, ou seja da capacidade enorme que um homem tem de saber ver, ouvir, tocar, cheirar e provar, de usar atenta e intensamente todos os seus sentidos, de inventar, de intervir, de dizer.
✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.