Degraus do Parnaso de M. S. Lourenço. O Independente. Lisboa, 1991, 110 págs. B.
Entre Janeiro e Agosto de 1989 M.S. Lourenço publicou textos com o título Os Degraus do Parnaso num semanário, publicados em volume com esse título em 1991.
A edição que agora se apresenta é integral, podendo o leitor constatar que alguns textos foram acrescentados e outros retirados, em relação à anterior edição. Estes textos, embora possam ser lidos separadamente, constituem uma reformulação narrativa de Nada Brahma (Assírio & Alvim, 1991), e assim uma reafirmação do mesmo ideal. Este ideal emerge pela primeira vez na cultura ocidental no círculo dos poetas órficos e, segundo o autor, tudo o que existe (sânscrito brahma) é Som (sânscrito nada), de tal modo que só a percepção auditiva — e não a percepção visual — pode ser a origem de toda a experiência, e assim de todo o conhecimento.
Gente Feliz com Lágrimas de João de Melo. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1988, 486 págs. B.
Uma saga que irresistivelmente arrasta o leitor ao longo de cinco mundos, vividos e pensados através da obsessiva busca da felicidade que move os seus protagonistas. Concebida polifonicamente como a descrição dos vários modos de viver a amargura que medeia entre o abandono da terra e o retorno ao domínio do que é familiar, esta peregrinação possível em tempos de escassez de aventura é a definitiva lição de que o regresso se não limita a perfazer o círculo e constitui uma visão fascinante do Portugal que todos, de uma maneira ou de outra, conhecemos.
📕 1ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Estranho em Goa de José Eduardo Agualusa.
Edições Cotovia. Lisboa, 2000, 171 págs. B.
Um escritor parte para Goa à procura de uma lenda – o Comandante Maciel, de seu verdadeiro nome Plácido Afonso Domingo, antigo comandante de guerrilhas, em Angola, ou, segundo outras versões, um agente infiltrado da polícia política portuguesa. O que encontra é uma lenda maior, e muitíssimo mais fascinante. Um Estranho em Goa é um roteiro por um território antiquíssimo, onde a realidade e a magia se passeiam de mãos dadas.
“O Diabo nunca anda muito longe do Paraíso” – lembra um dos personagens. Neste maravilhoso romance – que é, também, uma biografia do Diabo -, ele pode estar em toda a parte. O que une, afinal, um traficante de relíquias religiosas, uma bela e misteriosa historiadora de arte, especializada na recuperação de livros antigos, ou um sedutor empresário neopagão? E quem é Plácido Domingo?
📕 3ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Escrava Isaura de Bernardo Guimarães. Guerra & Paz. Lisboa, 2021, 206 págs. B.
Escrito em 1885, A Escrava Isaura é um dos romances que mais notoriedade granjearan ao seu autor.
Através do drama da jovem Isaura, o autor soube fixar e verberar a infamante condição dos escravos. Perpassa através de toda a obra o sopro de romantismo que caracteriza a produção do autor. Mas a própria história de amor, que linearmente se desenvolve através das suas páginas, longe de atenuar, serve para acentuar ainda mais o libelo acusatório que esta obra constitui contra a escravatura.
Crónicas Imagens Proféticas e Outras (1º Volume) (2002-2003) de João Bénard da Costa.
Assírio & Alvim. Lisboa, 2010, 413 págs. B. Il.
«Divino no sentido de divo, que ele sem o ser plenamente foi, como seu porte de velho senhor, o mesmo riso de demiurgo que quase juramos haver já visto fixado pelos romanos em alguma estatuária, o brilho hiperbólico, a inteligência analogamente intensa, o timbre cavo, a curiosidade, a coquetterie, o enigma e, por fim, surpreendentemente ou não, a inocência.
E divino também no sentido literal, na medida em que essa era a natureza do seu olhar. Quando João Bénard explicava aos incautos (osmesmos que, semo saber ou dizer, chegamtão cautos) que o seu tempo não era este, não era o deles, era o da maria cachucha, que reivindicava ele? Uma imperdoável apostasia: a de um contemporâneo que se coloca na pré-história.
Ciclo do Caranguejo de Josué de Castro. Brasília Editora. Porto, 1965, 185 págs. B.
Em romance e a ele fiel Josué de Castro versa um dos aspectos que constituirá tema quase exclusivo da sua obra científica e acção mundial: o problema da fome.
Um mangue do Recife é o seu ponto de análise e, sem dúvida, o início da sua experiência preocupada. O mangue – terra semiflutuante onde vivem, confundidos, o Homem e o Caranguejo foi por ele observado e sentido.
Nas suas águas paradas são lama ou nas suas águas excitadas que serão lama, reverbera–se a complexidade do drama humano, com todas as suas forças em choque: a luta inumana de interesses, mas, também, a solidariedade quente de todos a quem a segregação económica e social uniu.
É a vida no mangue envergonhada e gritante, isolada e atenta que teima em sobreviver mas, agora, com a certeza de que não deveria existir.
Che de Manuel Alegre.
Editorial Caminho. Lisboa, 1997, 42 págs. B. Il.
Poema de Che. Talvez um dia ele volte o general dos pobres / talvez um dia ele volte a Ñancahuazú / pouco importa se bem ou mal escolhido mas um lugar do espírito / outro lado da alma e a busca de um sentido / rumor de escrita / à luz de uma fogueira onde cintilam armas / […]
Campo de Feno com Papoilas de Manuel Corrego. Círculo de Leitores. Lisboa, 1998, 233 págs. E.
Terra dos vinhedos e milheirais, com encostas de mato e tesos de castanheiro, Vila Nova da Azinheira ła à vida descalça. Nos dias santos presunçava a chinela bordada e o tamanco de ferra, olhe lá o luxo de uma botas de atanado. A banda não desmentia essa marca de origem: antes que por artes e feitiços ficasse assinalada como a Rainha do Norte, a filarmónica dava pela alcunha de “Tamancos e Castanholas”. O senome não era tão desbocado como isso: devia-se aos arruamentos do começo, com a formação de tamancos a bater o compasso no saibro do macadame: quanto às castanholas, que bem ficavam elas nas Bodas de Luis Alonso!
Amadis de Gaula de Rodrigo Lapa. Seara Nova. Lisboa, 1968, 88 págs. B.
O texto aproveitado por nós é o da edição de Veneza, de 1533, republicado por Gayangos em 1875. Seleccionámos os episódios que nos pareceram mais característicos do romance e ligámo-los por um argumento, que se lê no começo de cada capítulo. Tivemos especial cuidado em cingir-nos ao texto e conservar a feição antiga da linguagem do Amadis.
Pão dos Pobres (Vol. I) de Padre Américo. Gráfica de Coimbra. Coimbra, 1942, 279 págs. E.
Afinal de contas, sem de tal me acordar, dei eu mesmo o nome ao livro na hora em que o anunciei – «Pão dos Pobres». Assim me sugeriram, por carta e de viva voz, pessoas amigas da Obra: «seja padrinho e paix. Será por conseguinte assim chamado o livro que vai correr mundo.
(…) Quantas vezes não faço eu esta nota de semana rentinho à cama onde sofrem. Por isso te feres nas letras e vens acusar a tua presença, no lugar onde eu estiver. Sim; há-de ser o teu livro de horas.
Será dedicado ao Pobre; ao Pobre com letra maiúscula, sentido absoluto que abrange a legião dos Famintos e dos Escorraçados, por amor de quem tenho feito sangue nos pés e desejaria dar todo o das veias para melhor os servir e mais perfeitamente os amar. Chama-se «Pão dos Pobres», o que vais saborear.
Não tem prefácio. Eu podia ir ter com um senhor grande e falado, a pedir os dizeres do estilo; mas não. O Pobre é coisa tão santa, e tão divina a missão de o servir, que unicamente sabe o que diz quem for pobre ou servo deles; as experiências não se transmitem.
Crónica de D. Fernando de Fernando Lopes. Livraria Clássica Editora. Lisboa, 1945, 130 págs. B.
Uma exemplar selecção das melhores páginas dos grandes escritores portugueses de todos os tempos, reproduzidas segundo os textos autênticos das edições originais e anotadas pelos mais categorizados professores, criticos e historiadores da nossa literatura: eis o que é a Colecção CLÁSSICOS PORTUGUESES (Trechos escolhidos).
A Cidade e as Serras de Eça de Queiroz. Círculo de Leitores. Lisboa, 1993, 244 págs. E.
Numa manhã de um Inverno frio e pessimista em Paris, o cosmopolita Jacinto decide regressar à sua Tormes natal, pacata vila das serras portuguesas, acompanhado por Zé Fernandes, narrador-personagem desta história. «Novela fantasista», assim lhe chamou Eça de Queiroz, A Cidade e as Serras faz um retrato dos contrastes entre a excitação da vida citadina e a genuína beleza da vida no campo.
Escrita na fase final da vida do autor, esta obra viria a ser publicada apenas em 1901, um ano após a morte de Eça de Queiroz.
Cenas de um ano da minha vida. Apontamentos de viagem de Alexandre Herculano. Círculo de Leitores. Lisboa, 1986, 202 págs. E.
Passados dezanove anos de repouso sôbre a última novidade literária de Herculano,— o II volume das “Cartas” — trago comovidamente um livro novo do mestre às sôfregas mãos do seu público, que se compõe de quantos em Portugal e Brasil sentem um inefável tremor ao violarem, com a faca embotada por tantas fôlhas estéreis, as páginas vivas, plásticas, dos grandes escritores portugueses. (…) Completam êste volume os Apontamentos de Viagem publicados por Pedro Azevedo no Arquivo Histórico Português, e anteriormente sumariados por Rodrigues Cordeiro no Almanach de Lembranças para 1879. (…)”.— retirado de Vitorino Nemésio.
Carlota Angela de Camilo Castelo Branco. Parceria A. M. Pereira. Lisboa, 1924, 228 págs. E.
A novela passional propriamente dita: um casal amoroso, uma conspiração contra eles, uma bela heroína, um tio muitíssimo malvado, o poder do dinheiro, a justiça enfim e particularíssimas observações sobre Junot as invasões francesas.
Um Canto Para Mussuemba de José Luís Mendonça. Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Lisboa, 2002, 111 págs. B.
Ó mãe dos gafanhotos
sentados na lavra
da boca deserta:
quantos comboios pariu
a tua fome
sobre tijolos gravados
ao corte da língua?
O abecê do tempo sangra
no pilão
e a chuva de Abril nos
cafeeiros
é a mulher kilombo,
dizem
morreu um leão no fogo do
teu ventre
onde caminhei de animais
na mão.
Cascata de Brilhantes de Maria Pinto Figueirinhas. Livraria Editora Educação Nacional. Porto, s.d., 110 págs. E.
A irmă de Marta veio viver com a nova princesa, E naquele palácio maravilhoso, Marta, sempre amada do príncipe, gozou a felicidade conquistada pela sua coragem. [Excerto)
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