O Bobo de Alexandre Herculano. Círculo de Leitores. Lisboa, 1987, 272 págs. E.
Neste romance, Alexandre Herculano alia a capacidade de “invenção”, ou ficcional, com o conhecimento da época a reconstituir, revelando um extremo cuidado com cenários e personagens e inserindo-os nas questões políticas e tensões sociais, situações que dominava enquanto historiador.E assim faz evoluir, em papéis complementares, personagens que têm referentes reais, como Afonso Henriques, mas dando o protagonismo a “heróis” saídos da sua imaginação, como Egas e Dulce.
Viagem à Minha Infãncia de Silva Tavares.
Ed. Autor. Lisboa, 1950, 96 págs. B. Il.
“Este é o livro feito há muito mas que nunca fora escrito. É o menino esquecido que o menino lembrou ao homem e que o se apressou a coligir, procurando-se noutra cidade. Poesia? Sem dúvida… mas nada de ficção. Nem, talvez, nada de novo… Só a Vida. Querer ser original é não saber que tudo se repete, por outras palavras… A hora exacta não se procura — procura-nos. E a originalidade nunca foi nem será — como alguns pretendem insinuar — a arte de tornar confuso o que é simples por natureza. As ideias, de igual modo que as pessoas, podem ofender o pudor apresentando-se nuas.”
Sete Virtudes de Odette de Saint-Maurice. Livraria Figueirinhas. Porto, 1960, 121 págs. E.
Odette de Saint-Maurice (Lisboa, criada no Porto) destacou-se como escritora, produtora e realizadora radiofónica. Estreou-se aos 10 anos com “O Anel da Princesa” e publicou “O Canto da Mocidade” (1938). Colaborou com o Rádio Clube Português e a Emissora Nacional, adaptando obras literárias premiadas. Escreveu dezenas de romances juvenis e discos infantis. Autora da primeira telenovela portuguesa, “Vila Faia”, viveu os últimos anos em Óbidos com o marido, frei Vicente do Nascimento.
Saga de Erico Veríssimo. Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 294 págs. B.
Vasco Bruno atravessa o oceano e luta na Guerra Civil Espanhola como voluntário da Brigada Internacional. Após a vitória do general fascista Francisco Franco, é enviado a um campo de concentração e deportado ao Brasil. De volta a Porto Alegre, Vasco se depara com novo campo de batalha: em vez de fuzilamentos e bombardeios, os golpes baixos da sociedade burguesa; em vez das vilanias da guerra, as pequenas torpezas do cotidiano, as traições que também podem terminar em tragédia. Ao mesmo tempo, o jovem sente renascer a antiga chama de seu amor pela prima Clarissa.
O crítico Antonio Candido afirmou que um dos temas da obra de Erico era “o problema da barreira que a sociedade cria para a expansão e a realização do que há de mais honesto e puro no homem”. Publicado em 1940, no início da Segunda Guerra Mundial, Saga é um libelo humanista, um romance que denuncia a miséria social e ao mesmo tempo aponta uma luz de esperança em meio às nuvens escuras que chegam da Europa.
Este romance fecha o ciclo urbano da obra de Erico Verissimo – composto de Clarissa, Caminhos cruzados, Música ao longe, Um lugar ao sol, Olhai os lírios do campo e Saga.
Resto é Silêncio de Erico Veríssimo. Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 329 págs. B.
O Resto É Silêncio é um romance escrito por Erico Veríssimo e publicado em 1943. O livro narra o suicídio de uma moça, que cai do décimo andar de um edifício em Porto Alegre. Vários personagens passam pelo local: Doutor Lustosa, um desembargador aposentado; Norival, um homem de negócios à beira da falência; Tônio Santiago, um romancista; Aristides Barreiro, um ex-deputado e rico advogado; “Sete”, um vendedor de jornais; “Chicharro”, um boêmio; e Marina, uma mulher angustiada. Descrevendo as reacções dessas pessoas antes e após o suicídio, Érico Veríssimo analisa o comportamento humano, ao mesmo tempo que traça o perfil de uma época.
PUBLICAMENTE DE LUÍS CAMPOS E CUNHA Assírio & Alvim. Lisboa, 2010. 407 págs. B. 📃 Com prefácio de João Salgueiro e posfácio de José Manuel Fernandes
Compilação de crónicas e ensaios de opinião com foco na análise crítica da realidade política, económica e social portuguesa. O autor, economista e antigo Ministro das Finanças, examina os desafios nacionais nas vertentes fiscal e orçamental, bem como as dinâmicas associadas ao sistema partidário, à Administração Pública, à justiça, ao ensino e aos projetos estratégicos do país. O volume reúne textos estruturados para o debate e intervenção no espaço público.
────────────────────────────────── Características do Exemplar ✍️ Exemplar autografado pelo autor.
Peso: 550g
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Gente Singular de Manuel Teixeira Gomes. Ediclube. Amadora, 2007, 188 págs. E.
«Os dias corriam-me tão serenos, tão iguais, naquele ermo dos Pegos Verdes, que pouco a pouco o espírito se me tranquilizava e como um líquido repousado que deposita, por fim, no fundo do vaso, todas as impurezas que o embaciavam, passadas algumas semanas fazia-se-me no cérebro a limpidez necessária. […]
Em uma dessas temporadas de purificação, já quando pensava em a dar por finda para voltar às obrigações da vida social, uma tarde que o calor me levara ao preferido retiro da alfarrobeira, veio-me o tio Elisiário dizer que chegara ao convento uma senhora em minha busca.
— É uma verdadeira madama!…»
Fogo Morto de José Lins do Rego.
Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 246 págs. B
Neste belíssimo romance, José Lins do Rego volta ao Nordeste, áspero e primitivo cenário dos seus romances de estrela. Livro de evo cação, a rudeza das suas personagens dá-lhes um relevo estranho, Mestre José Amaro e o capitão Vitorino Carneiro da Cunha são fi guras que jamais se esquecem. Embora de intenso colorido regional, transcendem, todavia, esse regionalismo e encarnam aspectos irredutíveis da alma humana. São criações de grandeza shakespereana, têm o valor dos símbolos eternos.
Fanga de Alves Redol.
Publicações Europa-América. Lisboa, 1958, 257 págs. B.
“Fanga (1943) espécie de primeira síntese na minha obra, nela se investiu e remoçou a experiência iniciada em 1938, que até aí (e ainda hoje) não passara de combate ou diálogo, quantas vezes dramático, entre um homem emotivo, a viver no sangue as evidências mais cruéis do seu tempo, e um escritor insatisfeito que procurava dar àquele a lúcida voz de razões clarificadas num meio danado pelas trevas.
Fanga – sombra da Idade Média projectada nos nossos dias.
Senhores vivendo da terra sem nada lhe darem. Servos fecundando a terra sem nada receberem.”
Eterno Efémero de Urbano Tavares Rodrigues. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 2005, 140 págs. B.
Visitação de uma vida escondida, que existe na tranquila, burguesa cidade de Lisboa, um inquérito à volta de um crime, romance psicológico e romance policial, com mistérios por esclarecer e com janelas abertas para o mundo da pobreza e da violência, de ocultas e expostas dores em que vivemos, O Eterno Efémero é um dos livros mais envolventes de Urbano Tavares Rodrigues, em que se misturam o conhecimento dos abismos humanos, um erotismo aberto ou dissimulado, o amor que se procura, se recusa ou se desdenha. Tudo isto na escrita plástica, rica, sensual e por vezes poética de Urbano Tavares Rodrigues.
📕 1ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Engrenagem de Soeiro Pereira Gomes. Publicações Europa-América. Lisboa, 1961, 169 págs. B.
É em Engrenagem que o estudo da evolução da consciência social dentro das condições determinadas de trabalho, de relações de produção e de luta de classes, adquire proporções e uma profundidade nunca atingidas na literatura portuguesa. Aí a obra de Pereira Gomes é radicalmente revolucionária, veio abrir novos caminhos. É como se um laboratório (mas laboratório da vida) submetesse à experiência a consciência social de pessoas que, de súbito, entram num ambiente de trabalho que inteiramente desconheciam – o das relações de produção industriais.
📕 2ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Egypto de Eça de Queiroz. Livraria Lello & Irmão Editores. Porto, 1945, 352 págs. B.
Nesta viagem inaugural da abertura do Canal do Suez – Eça de Queiroz com o poderoso sentido de observação que o caracterizou, aguçado pela novidade mítica do Oriente (…) iniciou na sua carreira literária uma imediata revolução que o faz passar da prosa lírica dos primeiros folhetins, (…) para uma visão mais concreta da realidade. Esta viagem inclui além do Egipto e Terra Santa, o Líbano e a Síria (…) matéria com particular incidência para as suas obras futuras, de que destacamos A Relíquia e Correspondência de Fradique Mendes.
As primeiras XXVII págs. são ocupadas com a introdução de José Maria d’Eça de Queiroz, filho do autor. Inclui retrato de Eça impresso à parte.
📕 4ª Edição. 📝 Assinatura de posse. ❗ Lombada cansada.
Boca do Inferno de Ricardo Araújo Pereira. Tinta da China. Lisboa, 2007, 294 págs. B.
Boca do Inferno é uma composição de peças humorísticas com a assinatura inconfundível de Ricardo Araújo Pereira. Das crónicas que pervertem os assuntos mais banais às que colocam na berlinda políticos de ponta, o traço comum é uma ironia certeira, um olhar sempre inesperado, que nos surpreende de cada vez que julgamos nada mais haver para inventar.
No Posfácio Relativamente Interessantíssimo, de Manuel Rosado Baptista, pode ler-se: “Falar deste conjunto de crónicas de Ricardo de Araújo Pereira é, acima de tudo, perder tempo. Nada se poderá dizer delas que o leitor não descubra logo à primeira leitura – ou ainda antes. No entanto, poucas coisas serão mais estimulantes para os ociosos do que uma tarefa fácil.
Ciranda de Pedra de Lygia Fagundes Telles. Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 252 págs. B.
Esse é o primeiro romance de Lygia Fagundes Telles, escrito em 1954, é uma obra atual pois trata de temas recorrentes da obra da escritora, como o amor, a morte, a fragilidade da alma humana, a solidão, a loucura, a crueldade e o sonho. A autora conta a história de uma família que se desagregou com a separação dos pais. Uma das filhas, Virgínia, fica morando com a mãe doente e o segundo marido dela, numa casa pequena e desconfortável. As outras duas meninas acompanham o pai, que mora num casarão cercado de riqueza e conforto. As personagens do livro são apanhadas em situações aparentemente banais mas há, no entanto, algo que as desintegra e as vai desnudando até que mostrem suas fragilidades, seus medos, suas loucuras. Romance clássico, best-seller nacional, ”Ciranda de pedra” revelou Lygia Fagundes Telles como uma das mais representativas expressões da moderna ficção brasileira.
Alferes de Mário de Carvalho.
Círculo de Leitores. Lisboa, 1991, 116 págs. E.
Numa distante picada de África, um jovem alferes vê-se confrontado com um dilema de vida ou de morte e com o absurdo da própria guerra.
No Leste de Angola, urde-se uma trama de sedução, ciúme, traição e morte.
Num Timor mítico, ecoam os feitos e os sofrimentos da saga universal dos portugueses.
Três histórias onde um fio de humor, não raro armargo, percorre todas as cenas, mesmo as mais violentas ou sombrias.
Três narrativas, três sobressaltos, três momentos ímpares da literatura portuguesa.
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