Unidade do Intelecto Contra os Averroístas de São Tomás de Aquino Edições 70. Lisboa, 1999, 205 págs. B.
Colecção: Textos Filosóficos | 45
Em cinco capítulos, São Tomás de Aquino refuta a interpretação que os averroístas propuseram do tratado de Aristóteles intitulado De Anima. Neste tratado, Aristóteles designava por intelecto potencial (ou possível) a faculdade de adquirir formas inteligíveis novas a partir da experiência sensível. Ora, Averrois via no intelecto potencial uma realidade única para todos os homens e, portanto, radicalmente separada das almas individuais.
Considerando esta interpretação incompatível com a doutrina cristã da imortalidade da alma individual, São Tomás de Aquino afirma aqui a identidade do intelecto e da alma, a qual deve ser compreendida, em conformidade com o que indica Aristóteles, como acto e forma do corpo. Assim, o intelecto é próprio de cada um e, mesmo se está intimamente ligado ao corpo, sobrevive-lhe eternamente, devido à sua natureza supracorporal.
Este tratado, de carácter nitidamente político, teve a sua importância no largo debate sobre a definição da alma e das suas relações com o corpo, que agitaria a segunda metade do século XIII.
Texto à Acção: Ensaios de Hermenêutica de Paul Ricoeur Rés Editora. Porto, s.d., 407 págs. B.
Fenomenologia hermenêutica. Crítica hermenêutica do idealismo husserliano. No rasto de Schleiermacher e de Dilthey. Da epistemologia à ontologia – Heidegger e Gadamer. A função hermenêutica da distanciação. Hermenêutica filosófica e bíblica. Da hermenêutica dos textos à hermenêutica da acção. Hegel. Habermas. Para uma hermenêutica crítica.
Sobre a Terceira Crítica de Dominique Janicaud [Dir.] Instituto Piaget. Lisboa, 2007, 95 págs. B.
Colecção: Pensamento e Filosofia | 119
Durante muito tempo subavaliada pela tradição exegética, a Crítica da Faculdade de Julgar (1790) ressurge hoje por aquilo que é na verdade: o coroamento do criticismo, ao mesmo tempo que uma das obras mais profundas que a reflexão filosófica fez nascer. Organizando a sua reflexão em torno de três eixos (a finalidade da natureza, a experiência estética. as individualidades biológicas). Kant afrontava o problema do irracional que, através do desafio lançado por Jacobi às Luzes, fazia vacilar a todo-poderosa razão. Recolhidos e apresentados por Dominique Janicaud, três excelentes textos, «Reflexões sobre a estética», «O paradoxo da ideia estética» e «Ciência e opinião em A Faculdade de Julgar, escritos respectivamente por Frank Manfred, Jean-Paul Larthomas e Alexis Philonenko. magníficos filósofos contemporâneos, convidam-nos a uma leitura da Terceira Crítica e conduzem-nos a compreender que, para Kant, consolidar a racionalidade era. também, salvar a unidade da filosofia pelo evidenciar da articulação entre razão teórica e razão prática. A Terceira Crítica constituiu, sobretudo, a resposta mais subtil da modernidade ao anti-racionalismo nascente.
Pascal de Alban Krailsheimer Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1983, 145 págs. B.
Colecção: Mestres do Passado | 7
Figura dominante do pensamento científico e filosófico da sua época, Blaise Pascal (1623-1662) foi também o primeiro grande prosador da Literatura Francesa. As suas obras mais famosas, as Lettres Provinciales e Les Pensées, causaram na altura profundas polémicas religiosas. Mas igualmente como físico e matemático nos deixou um legado de excepcional interesse.
O presente livro de Alban Krailsheimer, conceituado especialista inglês de Pascal, sintetiza os aspectos essenciais da vida e da obra do grande filósofo, revestindo-se assim de indiscutível utilidade para todos aqueles (nomeadamente o público escolar) que pretendem uma introdução acessível e rigorosa às grandes linhas do seu pensamento.
Nietzsche – Os vinte anos fundamentais a partir das suas cartas xx de António Marques Círculo de Leitores. Lisboa, 1996, 136 págs. B.
Esta obra pretendeu dar a conhecer melhor o Nietzsche nos 20 anos que mediaram entre 1869, altura em que aos 24 anos foi nomeado para a cadeira de Filologia Clássica na Universidade de Basileia, sendo a pessoa mais jovem a ter alcançado esta posição e 1889, altura em que sofreu um colapso e uma perda completa das suas faculdades mentais. O autor António Marques, Professor Catedrático do Departamento de Filosofia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com diversas obras publicadas no âmbito da Filosofia em Portugal e no Estrangeiro, analisou estes 20 anos decisivos na vida de Nietzsche através de algumas das suas cartas, não porque apresentem melhor o homem do que a sua obra filosófica, mas porque “marcam melhor o ritmo das mudanças do espírito, da intensidade dos envolvimentos com aquelas personagens que entram e abandonam a cena em que ele foi evoluindo,” (tirado da página 5) – deu a conhecer material das cartas do Nietzsche a que o leitor teria dificuldade em aceder
A Natureza de Ralph Waldo Emerson.
Sinais de Fogo. Cascais, 2001, 104 págs. B. 𓂃🖊 Prefácio de Clara Pinto Correia
A Natureza (1836), o primeiro trabalho publicado de Emerson, é a pedra angular do Transcendentalismo, uma das mais importantes expressões do pensamento americano do séc. XIX.
Inclui reflexões sobre a beleza, a linguagem, a disciplina, o idealismo e o espírito, que nos liga ao Eterno, abraçando uma visão viva e luminosa das possibilidades do mundo humano, radiosa de esperança.
Marx e Hegel (Marx e o Caso Hegel) de Vasco de Magalhães Viena. Livros Horizonte. Lisboa, 1985, 230 págs. B. Colecção: Dialéctica | 7
Cremos ser esta a primeira vez que se publica em língua portuguesa uma colectânea de estudos de especialistas de renome internacional (incluindo um investigador português), sobre Marx e Hegel. Mais precisamente sobre a posição crítica de Marx em relação a Hegel. Não se trata do desenvolvimento do pensamento de Hegel a Marx, mas de estudar alguns dos aspectos mais salientes da crítica de Marx e de Engels à filosofia de Hegel.
Locke de André-Louis Leroy.
Edições 70. Lisboa, 1985, 102 págs. B.
Colecção: Biblioteca Básica de Filosofia | 27
Com Locke, o problema do conhecimento põe-se com um acento decisivo, quer ao nível do método e da análise, quer dos resultados: ganha relevo o problema crítico e aprofunda-se o tema dos limites do entendimento.
História e Política no Pensamento de Kant de Viriato Soromenho Marques.
Publicações Europa-América. Mem Martins, 1995, 165 págs. B.
Colecção: Biblioteca Universitária | 72
Na passagem do segundo século sobre uma das mais importantes obras de Kant – Para a Paz Perpétua (1795) -, Viriato Soromenho-Marques apresenta-nos, neste estudo, um vasto fresco temático em torno de alguns dos temas mais cruciais do pensamento histórico e político do grande filósofo germânico.
A defesa de um estado de direito à escola internacional como única garantia para a paz entre Estados, o primado dos direitos humanos e da tolerância mútua como gramática comum dos povos e dos indivíduos, a aposta numa concepção crítica e responsável do progresso histórico são ideias-força actuais que conservam um inconfundível acento kantiano.
Interessado, preferencialmente, a um público académico de professores e estudantes, esta obra poderá ser útil, igualmente, a todos aqueles que neste final de milénio procuram – também na meditação dos grandes pensadores – alargamento dos horizontes políticos da liberdade – numa história que, em vez de se dobrar crepuscularmente sobre si própria, permita a abertura a novas possibilidades.
Hegel (Textos Escolhidos) de Roland Corbisier.
Civilização Brasileira. Brasil, 1981, 159 págs. B.
Retomando, a partir de 1974, sua atividade docente, Roland Corbisier tem ministrado, de maneira sistemática, inúmeros cursos livres de filosofia, aos quais imprime uma orientação hegeliano-marxista, contribuindo, desse modo, para a criação de uma consciência crítica da totalidade. Transcrevendo pensamentos basilares do magistral filósofo alemão, Roland Corbisier, com HEGEL Textos Escolhidos, pretende que o estudo da filosofia abandone a academicista tendência a ruminá-lo de problemas insolúveis e passe, pela dialética, a se preocupar com a efetiva transformação do mundo em que vivemos. Esta obra apresenta somente os textos, sem comentários.
Ensaio Acerca do Entendimento Humano de John Locke Nova Cultural. Brasil, 1991, 313 págs. B.
Ensaio sobre o Entendimento Humano é fruto de uma longa meditação sobre os problemas do conhecimento. Neste livro predomina a análise psicológica da gēnese das idéias que, segundo Locke, proviriam todas do contato sensível com a realidade. Além da profunda repercussão que teve em sua época, o Ensaio influenciou as tendências contemporâneas do Empirismo Lógico.
O Segundo Tratado sobre o Governo expõe uma das teorias políticas que estão na base do Liberalismo. Locke admite que a liberdade e os direitos à propriedade e a vida são prerrogativas naturais que cabe ao Estado preservar e assegurar que todos delas desfrutem.
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