Confissões de uma Liberal de Maria Filomena Mónica. Quasi Edições. Vila Nova de Famalicão, 2007, 152 págs. B.
Inéditas em livro, estas crónicas de Maria Filomena Mónica, revelam a sabedoria de um olhar – inconformista, liberal e céptico – sobre a realidade portuguesa e estrangeira.
Coração Acordeão de Alexandre O’ Neill. O Independente. Lisboa, 2004, 189 págs. E.
Aos meus 17 anos cheios de fumaças, poeticamente alimentados pelas últimas novidades em papagaios brasileiros e já «ameaçados pela descoberta precoce de um Lope de Vega, de um Hölderlin, de um Rilke, a presença de Pascoaes (eu sabia, vagamente, que o Sr. Dr. Joaquim era um dos velhos» poetas portugueses mais celebrados…) preocupava seriamente… É que, afinal, aquele passado revelava-se muito mais presente do que o meu revolucionário futuro… Aquela velhice muito mais jovem e brincalhona do que a minha juventude….
Eu: – Então neste restaurante, que está numa quinta tão bonita, não há rabanetes para pôr na salada, como eu pedi? Empregada: – Não! Aquí só há árvores e talheres.
A arte é desregra permanente. Uma fórmula na mão só nos garante que seremos capazes de nos repetir ad infinitum para os basbaques, a começar pelo basbaque que há em nós. Uma fórmula não abre caminhos; fecha caminhos. Deixem que cada um dos vossos momentos felizes não se repita mais.
A alegria de ser eleito
a alegria de ser notado
a alegria de ser perfeito
a alegria de ser devorado
Como Lisboa Seria Mais Bela de Ramalho Monteiro. Tipografia Ideal. Lisboa, 1957, 29 págs. B.
Esta separata constituída por sete artigos publicados em «O Debate» de Dezembro de 1956 e que tiveram sua origem quando do começo das obras do Metropolitano na Avenida da Liberdade, deve-se à circunstância de muitos amigos de Lisboa me terem falado de um ou outro artigo isolado, mostrando o mais vivo interesse em conhecerem os restantes, quando lhes disse ser de sete o número total das crónicas sujeitas ao mesmo título: Como Lisboa Seria Mais Bela.
Crónicas de Londres de Eça de Queiroz. Editorial Aviz. Lisboa, 1944, 266 págs. B.
O presente volume é o primeiro de uma série de obras de Eça de Queiroz, algumas inéditas, outras dispersas em revistas ou publicações contemporâneas do escritor e, portanto, quási, senão inteiramente, desconhecidas do público ledor português do nosso tempo. Publicadas de acordo com a família de Eça de Queiroz e a Comissão organizadora das comemorações do primeiro centenário do glorioso romancista, essas obras, não tendo talvez a categoria dos seus trabalhos principais, são, no entanto, indispensáveis do conhecimento completo da personalidade do escritor que é hoje considerado em todo o mundo a figura literária mais representativa do século XIX português.
📕 1ª Edição.
🔢 Edição Numerada: 02328.
📝 Assinatura de posse.
CInco Reis de Gente de Aquilino Ribeiro. Livraria Bertrand. Lisboa, s.d., 318 págs. B.
O livro é uma memória dos primeiros anos de vida de autor no qual nos apresenta a sua Beira natal, nomeadamente Sernancelhe, que está bem presente na sua novelística, retratando de forma pitoresca e realista as suas paisagens e personagens. É uma narrativa que parte de episódios autobiográficos, onde as peripécias vividas em criança são recordadas e que constitui um documento de grande valor para a compreensão da educação e da escola portuguesa nos fins do século XIX.
Antologia Poética de Raul Bopp. Editora Leitura. Rio de Janeiro, s.d., 103 págs. Mole.
Último dos poetas modernistas a ter sua obra completa organizada, Raul Bopp é conhecido dos leitores pelo célebre poema Cobra Norato, publicado originalmente em 1931 e cuja importância vem sendo desde então ressaltada. Na avaliação de Carlos Drummond de Andrade, “os mitos, a sintaxe, a conformação, o sabor, a atmosfera – não há nada ‘tão Brasil’ em nossos cantores como este longo e sustentado poema.”
📝 Assinatura de posse.
📝 Sublinhados a lápis na introdução.
“Dedico esta peça — sem espírito de camaradagem, mas com uma fortíssima gargalhada — a todos os que, pela própria natureza do regime prisional a que estejam, ou venham a estar sujeitos, se considerem, em consciência, obrigados a proibi-la.”
O Que Rasga o Céu de Mafalda Dama Revés. Guerra e Paz. Lisboa, 2019, 179 págs. B.
Pelas vozes dos membros de uma família, vivemos esperanças, amores e alegrias, mas também medos, infortúnios e mágoas, num Alentejo coreografado como nunca o viu. Arnaldo é caldeireiro numa fábrica de cortiça; João não quer ser apenas o trabalho que faz; Lucinda sonha com independência; Luís, adolescente, navega entre campo e fábrica, fascinado pelos sobreiros, numa história de busca pessoal; Josefa, a braços com uma vida clandestina e um amor considerado tabu, é confrontada com um dilema quase impossível. A organização de uma greve e um delator vão alterar a rotina de todos e marcar para sempre a família com um acontecimento trágico. Este livro é uma imersão total no Alentejo, uma viagem livre de dogmas e de militâncias exaustas. Um romance para quem se interessa pelas aventuras e desventuras da condição humana.
Memorial do Convento de José Saramago. RBA Editores. Espanha, 1994, 351 págs. E.
«Um romance histórico inovador. Personagem principal, o Convento de Mafra. O escritor aparta-se da descrição engessada, privilegiando a caracterização de uma época. Segue o estilo: “Era uma vez um rei que fez promessas de levantar um convento em Mafra… Era uma vez a gente que construiu esse convento… Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes… Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido”. Tudo, “era uma vez…”. Logo a começar por “D. João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de sua mulher, D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa a até hoje ainda não emprenhou (…). Depois, a sobressair, essa espantosa personagem, Blimunda, ao encontro de Baltasar. Milhares de léguas andou Blimundo, e o romance correu mundo, na escrita e na ópera (numa adaptação do compositor italiano Azio Corghi). Para a nossa memória ficam essas duas personagens inesquecíveis, um Sete Sóis e o outro Sete Luas, a passearem o seu amor pelo Portugal violento e inquisitorial dos tristes tempos do rei D. João V.» (Diário de Notícias, 9 de outubro de 1998)
Margem do Rio de Piedra Eu Sentei e Chorei de Paulo Coelho.
Pergaminho Editora. Lisboa, 1994, 232 págs. B.
Uma lição de vida, um incitamento a que se corram riscos para que o inesperado aconteça?
Uma mensagem de fé: “Deus dá-nos todos os dias – junto com o Sol – um momento em que é possível mudar tudo o que nos deixa infelizes”?
Um empolgante e belissímo relato, pelo sortilégio da pena de um escritor humano e espiritualmente tão forte como é Paulo Coelho, internacionalmente aclamado pela crítica.
Falar é Fácil de José Diogo Quintela. Tinta-da-China. Lisboa, 2005, 271 págs. B.
«Estão aqui representadas algumas das minhas opiniões sobre vários assuntos. Tenho outras opiniões diferentes sobre os mesmos assuntos, mas achei que não fazia muito sentido estar a contradizer-me no próprio livro.»
José Diogo Quintela
Diário do Farol de João Ubaldo Ribeiro. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 2003, 188 págs. B.
“Diário do Farol” é certamente o mais importante romance da literatura brasileira dedicado inteiramente à descrição e contemplação do mal: o mal que nos rodeia e nos atinge, mas preferimos ignorar. Contado na primeira pessoa, este livro é o relato da vida de um psicopata absolutamente amoral e destituído de qualquer escrúpulo que não os ditados pela sua astúcia e, mais do que isso, é o retrato de uma sociedade onde o mal encontra terreno fértil para medrar. João Ubaldo Ribeiro rompe barreiras, preconceitos e noções confortáveis, para nos confrontar com verdades incontornáveis. Um romance surpreendente e controverso que levará o leitor a pensar sobre a sua própria condição, a sociedade em que vive, a humanidade a que pertence.
Deriva de Urbano Tavares Rodrigues. Publicações Europa-América. Mem Martins, 1993, 179 págs. B.
«Um sabor a cinza na boca. E uma pergunta, também cinzenta, dentro da cabeça, a chocalhar? ‘Quem sou eu?’ Avariou-se o nónio com que media os seres e as coisas. O futuro até o da nossa espécie é incerto. E isso entranha-se-me na carne, rouba-me todos os dias um pouco mais de esperança e de energia.(…)
‘Quem sou eu?’ Não me reconheço. A força, o orgulho, a boa consciência vinham-me em parte dessa crença de estar do lado certo, do lado da justiça. Agora vejo tudo turvo e cada caso que se me apresenta tem de ser olhado ao microscópio da razão, das muitas razões parcelares que formam essa abstracção, a razão.»
Comedores de Pérolas de João Aguiar. Círculo de Leitores. Lisboa, 1993, 202 págs. B.
Jornalista de profissão e escritor nas horas vagas, Adriano descobre-se, de repente, na meia-idade. A vida não passa de um jogo extremamente cruel e ele dá consigo “sentado à beira da água opaca, a fumar o cachimbo e a morder um caule de erva que sabia a fénico”… O resultado do choque é um suicídio frustrado e uma fuga, sem esperança para Macau.
Em Macau, descobre um passado de que nunca suspeitara e descobre também a angústia sorridente da próxima reintegração na China. Mas a “pérola do Oriente” reserva-lhe uma outra surpresa: mergulhado brutalmente numa intriga que já fez vários mortos, Adriano é obrigado a esquecer as reflexões pessimistas sobre a vida e o mundo, para ceder ao instinto primitivo de lutar pela sua sobrevivência.
Clarissa de Erico Veríssimo. Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 218 págs. B.
Escrito em 1933, o primeiro romance de Erico Verissimo trata das descobertas de uma jovem de treze anos que se muda do interior para a capital do Rio Grande do Sul. Otimista e confiante, Clarissa mora em uma pensão familiar, onde convive com personagens que lhe apresentam as contradições da vida. Através do olhar de uma menina, um dos mais consagrados autores brasileiros retrata a Porto Alegre da década de 1930 e, ao mesmo tempo, as convulsões do país e do mundo naquele período.
Bolor de Augusto Abelaira. Livraria Bertrand. Lisboa, 1978, 169 págs. B.
Augusto Abelaira escapará sempre a qualquer classificação que lhe queiramos atribuir já que a sua invulgar criatividade o projecta para além de géneros, correntes, geração ou outro contexto em que tentemos perscrutá–lo. “Bolor”, datado de 1968, tem no entanto sido considerado um dos livros que marcaram a passagem à pós–modernidade na literatura portuguesa. O que é indiscutível, é que este título tanto vem confirmar a maturação literária do seu autor como o seu empenhamento em agir sobre um modelo de sociedade que tenta ainda aprisionar os comportamentos dentro de valores que já pouco ou nada têm a ver com aquilo que mudou no quotidiano e na consciência das pessoas. Neste romance, sem perder a transparência da sua escrita, Abelaira inventa uma nova configuração ficcional, subtilmente mais capaz de deixar expandir–se a sua ânsia de aprofundar o questionamento do real. Sob forma diarística, Humberto, Maria dos Remédios e Aleixo são misteriosamente e à vez autores deste romance, que tem tanto de realista como de lúdico, tanto de ironicamente céptico como de passional e provocante, expondo a desagregação de um casamento pela acção subversiva do terceiro pólo deste (afinal) triângulo amoroso.
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