Contos Exemplares de Sophia de Mello Breyner Andresen. Figueirinhas. Porto, 1993, 188 págs, B.
Esta colectânea de contos foi pela primeira vez publicada em 1962 e o título faz uma referência explícita a uma citação presente no início do livro, às «Novelas Exemplares» de Cervantes. Inclui os contos «O Jantar do Bispo», «A Viagem», «Retrato de Mónica», «Praia», «Homero», «O Homem» e «Os Três Reis do Oriente».
Como nos diz Federico Bertolazzi no seu prefácio, «”Não aceitar o escândalo”, não “ceder ao desastre”, é esta a lição de Sophia. A sua clara integridade atravessou as turbulências políticas e sociais com a firmeza de quem procura a verdade e quer desmascarar a mentira. Num tempo em que a palavra tinha sido profanada, Sophia reagiu para lhe restituir a sua sacralidade e o seu condão: revelar ao homem o seu próprio rosto.».
Bufo & Spallanzani de Rubem Fonseca. Sextante Editora. Porto, 2010, 227 págs. B.
«Quando chegou ao local do encontro, Guedes já sabia que Delfina não estava a dormir, como chegaram a supor as pessoas que a encontraram, devido à tranquilidade do seu rosto e à postura confortável do corpo no assento do carro. Guedes, porém, havia tomado conhecimento, ainda na delegacia, do ferimento letal oculto pela blusa de seda que Delfina vestia.»
Contos e Diário de Florbela Espanca. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1985, 157 págs. B.
Apesar de Florbela Espanca ser conhecida como poetisa, ao longo da sua vida tentou várias vezes o conto. Neles, encontramos frases de grande beleza e energia, expressões de desejo, carregadas de erotismo, que exprimem as suas contradições na transição para a libertação da mulher.
«Toda a poesia de Camilo é a vida, mas toda se nos apresenta como uma metavida. A decadência incessante que foi a sua passagem por este mundo exprimiu-se pois naturalmente numa estética simbolista da decadência, sem o esforço ou o artifício que se verifica na maioria dos poetas da escola. Camilo Pessanha foi realmente ele,…
Crónica de uma Travessia: A Época do Ai-Dik-Funam de Luís Cardoso. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 2010, 140 págs. B.
Livro de viagem, autobiografia e romance, Crónica de Uma Travessia transmite o encanto exótico de um lugar remoto e desconhecido, um pedaço da Ásia que teimosamente quer preservar as características essenciais da cultura europeia com a qual esteve em contacto, apesar da enorme distância e do massacre que dura desde a invasão indonésia de 1975.
Com uma escrita lírica, fluida, rica em imagens poéticas, capaz de transmitir sensações, cores e situações melhor do que qualquer reportagem de viagens, Crónica de Uma Travessia é uma leitura inesquecível.
Contos para a Infância de Guerra Junqueiro. Parceria A. M. Pereira. Lisboa, 1931, 192 págs. E. Il.
“A alma de uma criança é uma gota de leite com um raio de luz (…) Para educar as crianças é necessário amá-las. As escolas devem ser o prolongamento dos berços. Por isso os grandes educadores, como Froebel, teem uma espécie de virilidade maternal. O leite é o alimento do berço, o livro o alimento da escola. Entre ambos deverá existir analogia: pureza, fecundidade, simplicidade (…)”. — retirado de Duas Palavras.
Ilustrado e negro e a cores em folhas intercaladas no texto.
Contos e Lendas da Língua Portuguesa de Armindo Reis [Sel.]. Europress Editores. Lisboa, 1994, 194 págs. B.
Uma selecção de Contos e Lendas da Lusofonia, oriundos de todas as comunidades, que pretende valorizar esse elemento comum, a Língua, e os elementos particulares de cada uma das culturas.
Anos Perdidos (Crónicas 1995-2001) de Miguel Sousa Tavares. Oficina do Livro. Lisboa, 2001, 358 págs. B.
No final de 1995, o PS, pela mão de António Guterres, formava o XIII Governo Constitucional. O que é que se podia esperar de um governo socialista? Um maior sentimento social? A moralização das funções do Estado? Coragem para contrariar os interesses instituídos? Durante os últimos 6 anos, Miguel Sousa Tavares seguiu os destinos do país nas páginas do “Público”, procurando respostas para as questões que se colocavam. Mas ao rever o que escreveu, diz-nos que desistiu muito cedo de se interessar pela gestão corrente da política, preferindo coisas que lhe pareceram menos inúteis. O período socialista poderá não ter acabado, mas a desilusão está definitivamente instalada. e organizou os textos deste livro, optando por seguir uma ordem cronológica valorizada com algumas notas pessoais. Como diz na introdução, “…uma espécie de agenda dos anos passados, relembrando o essencial daquilo que nos ocupou…”.
«E que história a sua! – pícara, ingénua, maliciosa, safada, trágica, ao fim, porque em tragédia sempre morrem os mitos. […] E, no entanto, que mais português que o Ventura, na sua peregrinação, entre mortos e feridos, miséria e grandeza, amores e traições, fomes e febres, e alegrias – entre o Oriente, Tatiana e Penedono?…
Reino de Caliban III de Manuel Ferreira. Plátano Editores. Lisboa, 1997, 506 págs. B.
Antologia Panorâmica da Poesia Africana de Expressão Portuguesa
3º Volume – Moçambique
Raras vezes um autor e uma obra terão estado desde o início e por definição destinados a tão íntima e lógica associação como, neste caso, Manuel Ferreira e No reino de Caliban.
Autor desde sempre profunda e exemplarmente vinculado ao estudo e divulgação da problemática cultural africana de expressão portuguesa; ele próprio favorecido por uma vivência pessoal africana de doze anos, responsável por algumas das melhores páginas da novelística cabo-verdiana (Hora di Bai, Terra trazida, Voz de prisão, aos quais haverá que acrescer o ensaio A aventura crioula), acreditamos não ser talvez errado, e muito menos audacioso, avançar que em Portugal e hoje, somente Manuel Ferreira seria capaz de cumprir a tarefa de organizar e apresentar um instrumento de cultura como este No reino de Caliban: Não será por acaso ter sido o autor, depois de 25 de Abril, convidado para reger, na Faculdade de letras de Lisboa, a recém criada disciplina de literatura africana de expressão portuguesa.
Reino de Caliban II de Manuel Ferreira. Plátano Editores. Lisboa, 1997, 506 págs. B.
Antologia Panorâmica da Poesia Africana de Expressão Portuguesa
2º Volume – Angola e São Tomé e Príncipe.
Raras vezes um autor e uma obra terão estado desde o início e por definição destinados a tão íntima e lógica associação como, neste caso, Manuel Ferreira e No reino de Caliban.
Autor desde sempre profunda e exemplarmente vinculado ao estudo e divulgação da problemática cultural africana de expressão portuguesa; ele próprio favorecido por uma vivência pessoal africana de doze anos, responsável por algumas das melhores páginas da novelística cabo-verdiana (Hora di Bai, Terra trazida, Voz de prisão, aos quais haverá que acrescer o ensaio A aventura crioula), acreditamos não ser talvez errado, e muito menos audacioso, avançar que em Portugal e hoje, somente Manuel Ferreira seria capaz de cumprir a tarefa de organizar e apresentar um instrumento de cultura como este No reino de Caliban: Não será por acaso ter sido o autor, depois de 25 de Abril, convidado para reger, na Faculdade de letras de Lisboa, a recém criada disciplina de literatura africana de expressão portuguesa.
Crónicas de Fernão Lopes. Editora Ulisseia. Lisboa, 1993, 184 págs. B.
«Fernão Lopes é a perfeição do estilo simples, directo e nervoso na prosa portuguesa […]. É pela adequação do instrumento de que se serve às mais variadas exigências do seu assunto que ouso reclamar para Fernão Lopes nada menos que a primazia da prosa portuguesa.» William J. Entwistle
Criação do Mundo de Miguel Torga. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999, 593 págs. B.
Um romance autobiográfico na obra de Torga que é um clássico da literatura portuguesa contemporânea.
«Querido leitor: vais ler de uma assentada, se a maciez do texto te não desanimar, os seis dias desta «Criação do Mundo», que foram aparecendo nas montras separadamente, à medida que iam decorrendo. Livro temerariamente concebido na mocidade, imprevisível na trama e no rumo, só o tempo lhe podia dar corpo e remate, traçando-lhe o enredo e marcando-lhe a duração.»
Neste livro, Torga, primeiro escritor a receber o prémio Camões, narra as principais lembranças de sua vida, como a infância em Trás-os-Montes, as paisagens do campo, sua primeira viagem pela Europa dominada pelo fascismo, o encontro em Paris com exilados políticos portugueses, as rebeliões contra o Estado Novo, a guerra civil espanhola, e até a sua experiência nas cadeias de Salazar.
Constantino Guardador de Vacas e de Sonhos de Alves Redol. Publicações Europa-América. Mem Martins, 1975, 115 págs. B.
Com doze anos, o Constantino ainda não deitou corpo, mas lá esperteza não lhe falta.
O pior é a escola: gosta mais de andar aos peixes e aos pássaros. E acabou por apanhar uma raposa sem sequer ir à caça. Enquanto guarda as vacas, o Constantino sonha é em ser serralheiro de navios e fazer um barco que o leve até Lisboa.
Com Sentados na Relva (1986), integrado nos “Cadernos de Um Escritor”, Fernando Namora reata o diálogo com o leitor, interrompido em 1975. Toda a sua obra de não-ficção é um depoimento incontornável sobre a nossa época, sobre parte do século XX português. Sentados na Relva é um testemunho das inquietações, um relato das vivências –…
A Colecção Lendas de Portugal nasce do profundo gosto do seu autor pelas narrativas de tradição popular. Gentil Marques reconheceu a riqueza do património toponímico português e tomou a seu cargo a compilação de um conjunto valioso de Lendas dos Nomes das Terras, oriundas de uma tradição milenar, que, atravessando o fio do tempo, chega…
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