Horácio e Fernando Pessoa de Silva Bélkior. Companhia Brasileira de Artes Gráficas. Brasil, s.d., 90 págs. B.
Este livrinho, que não é de crítica literária, visa ape-nas a contribuir com elementos úteis à compreensão de um fenômeno digno de aprofundamento: a postura dos poetas HORACIO e Fernando PESSOA face ao amor e às figuras femininas das Odes ricardianas, réplicas ho-mônimas de três cortes?s que animam e adornam os Carmina do clássico latino. Nele serão feitas incursões nos textos do venusino e de Pessoa Reis, ou seus co-mentaristas, sem parcimônia de transcrições, em atenção à dificuldade de, no Brasil, ter o leitor a seu alcance as obras desses mestres. Lamentavelmente, sequer puderam ser consultados, por ex., livros e artigos que, por certo, haveriam de ser proveitosos ao desenvolvimento do te-ma, como o de W. Teuffel “De Horatii amoribus” (1840), além de outros, de data mais recente
José Cardoso Pires de Maria Lucia Lepecki. Moraes Editores. Lisboa, 1977, 178 págs. B.
A colecção “MARGENS DO TEXTO” que com este volume sobre JOSÉ CARDOSO PIRES se inicia, procura fornecer aos estudantes e ao público em geral textos de análise sobre a obra dos mais representativos autores da literatura portuguesa de todos os tempos.
José Cardoso Pires: Representações do Mundo Social na Ficção (1958-82) de Eunice Cabral. Edições Cosmos. Lisboa, 1999, 323 págs. B.
Os primeiros romances de José Cardoso Pires (1925-98) já não se inscrevem no código neo-realista tal como foi formulado pelo movi- mento literário que, a partir de meados dos anos 30, produziu uma coesa doutrina ideológica e cultural em oposição frontal ao Presencismo. Sob a influência de Ernest Hemingway e de Roger Vailland, a sua ficção indica novos rumos para a narrativa portuguesa, como o Existencialismo e o Nouveau Roman. Em O Anjo Ancorado (1958) e O Delfim (1968), a subtil transição cultural, económica e social operada no país durante as décadas de 50 e 60 é configurada dum modo extremamente original e único. A estas obras, atentas ao inacabamento da modernidade social do pós-guerra, segue-se Balada da Praia dos Cães (1982), romance sobre o Portugal salazarista já narrado a partir de um tempo sem censura.
Interpretações Literárias de João Gaspar Simões. Editorial Arcádia. Lisboa, 1961, 204 págs. B.
Em INTERPRETAÇÕES LITERÁRIAS incluem-se trabalhos escritos nos últimos dez anos por João Gaspar Simões, um dos ensaístas mais conhecidos da geração presencista. Quatro autores estrangeiros Tolstoi, Balzac, James Joyce e Jorge de Lima – e dois autores portugueses – Jullo Dinis e Afonso Duarte – são estudados na série de ensaios que formam essas INTERPRETAÇÕES LITERÁRIAS, que de verdadeiras interpretações se trata, e algumas delas pela primeira vez empreendidas em Ungua portuguesa. Entre os estudos mais apreciáveis deste volume contam-se os dois prefácios – um inédito, outro publicado no Brasil – à última obra poética do grande poeta da Túnica Inconsúptil, esse Jorge de Lima que legou à literatura brasileira um dos seus mais notáveis poemas. Cosmogonia se intitulava na sua primeira versãgo poema que veio à luz sob o título de Invenção de Orfeu. Escrevendo a pedido do autor um prefácio para aquele poemn, João Gaspar Simões teve de interromper eprimeiro estudo em face das profun das modificações que entretanto sofreu o referido poema. E escreveu um segundo prefácio. aquele que acompanha em livro a Invenção de Orfeu. Reunindo-os neste volume, proporciona aos leitores de Jorge de Lima uma nova perspectiva dessa discutida obra. Trata-se, realmente, de cum volume de ensaios susceptível de fornecer ao leitor algumas interpretações novas de consagrados escritores.
Iniciação aos Mistérios da Poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen. Vega. Lisboa, 1997, 171 págs. B.
Quando um dia ouvi dizer que sobre esta poesia seria impossível escrever um estudo crítico, porque a sua “pureza” impedia qualquer exercício deste tipo, restando ao leitor extasiar-se perante obra tão original. desconfiei com o olho esquerdo e acreditei com o direito. Mais tarde, depois de três anos de investigação e leituras cerradas dos textos poéticos de Sophia de Mello Breyner Andresen, cheguei à conclusão de que devia ter aberto ambos os olhos à desconfiança, embora muitas crenças positivas tivessem permanecido. O mais importante foi ter concluído que nenhum texto, nenhuma obra, pode ser impenetrável ou ficar isenta de leitura crítica. Quase sempre um texto que se anuncia “puro” ou “imaculado” contém em si gérmenes de contradições insustentáveis, ou então a pureza de tal texto é feita de aparências que escaparam de certeza à intenção e à consciência do autor. Significa este princípio que, para ler as profundezas de uma obra/texto, é necessário primeiro ultrapassar a barreira ilusória da verdade que alguém diz ser absoluta ou visível. O presente livro constitui o trabalho propedêutico de conquista da ilusão sofística da obra poética de Sophia de Mello Breyner Andresen.
Neste livro, Stefan Zweig conduz-nos por uma viagem profunda e envolvente através das vidas e das obras de três dos maiores génios da literatura mundial: Honoré de Balzac, Charles Dickens e Fiódor Dostoiévski. Mais do que simples biografias, Zweig oferece retratos vívidos e sensíveis destes escritores, revelando não apenas os acontecimentos marcantes das suas existências, mas também os conflitos interiores, as obsessões criativas e os contextos históricos que moldaram as suas personalidades e produções literárias.
O problema do exercício da análise literária, pelo que contém de complexo e controverso, não pode ser devidamente dilucidado sem a prévia explanação de certas premissas relacionadas não só com as características específicas do objecto da sua atenção, mas também com o próprio processamento prático que ela implica.
Regresso à Inteligência: Temas Literários de Taborda de Vasconcelos. Ed. Autor. Porto, 1962, 193 págs. B.
Reúnem-se aqui alguns ensaios de importância muito diversa e cuja índole pretende tão somente acentuar a presença da critica que se exerce ao mesmo ritmo duma actividade editorial excitada pelas circunstâncias de meio e de tempo que nos assistem hoje. Quer dizer que se o fenómeno literário ocupa, de novo, e a exemplo do que sucedeu nas imediações do último conflito, uma larga margem de interesse geral, a verdade é que, para acompanhá-lo na sua função de estudo, nenhum outro sector adquiriu, como a crítica, as proporções amplas que hoje comporta, na efervescência em que se encontra e nas inúmeras zonas de controvérsias que abrange, suscitadas justamente pelos complexos valores da literatura que a solicitam e de perto acompanha.
Apresentamos aqui brevissimos dados sobre 359 dramaturgos portugueses, cujas datas de morte se situam entre o século XIX e o século XX.
Não é completo, nem o poderia ser, este trabalho, visto a tipologia desta colecção.
No entanto, consultando as páginas desta obra, pode-se calcular o trabalho de investigação a que nos entregamos por longos anos.
Noutros volumes que preparamos, também para serem editados por esta editora, remediamos muitas das faltas que neste se poderão notar, como é o caso da apresentação aprofundada
das biografias aqui incluídas, em forma de enciclopédia ou em edições individuais.
Como em todos os trabalhos editoriais, fazer uma selecção implica estabelecer critérios.
Gil Vicente – o autor e a obra de Paul Teyssier. Instituto de Cultura e Língua Portuguesa. Lisboa, 1982, 177 págs. B.
Como outras obras fundamentais da literatura universal os autos de Gil Vicente exigem periodicamente uma nova leitura que leve em conta os resultados de muitos trabalhos críticos que lhes têm sido dedicados, tanto em Portugal como no Estrangeiro, e que ao mesmo tempo tente lançar sobre eles um olhar novo, moderno e desmistificador, propondo criativamente uma interpretacão global apta a satisfazer as exigências de entendimento crítico dos homens do nosso tempo.
Apreciações Literárias: Bosquejos e Esquemas Críticos de Fernando Pessoa. Editora Estante. Aveiro, 1990, 203 págs. Mole.
Esta antologia compreende a maior e melhor parte dos ensaios e esbocetos críticos de Fernando Pessoa, dispersos por obras e publicações de diversa índole, algumas tão raras, que certos bosquejos e até dos mais valiosos, se conservaram até hoje no inteiro desconhecimento dos seus mais íntimos admiradores e discípulos
Ilha dos Amores de Stephen Reckert. Fundação Calouste Gulbenkian. Paris, 1981. B.
Numa comunicação lida nos Colóquios de Toronto e Santa Bárbara em Abril, referi tangencialmente um motivo iconográfico relacionado com a Ilha dos Amores. Disse então que o tema poderia levar-nos muito longemais longe, de facto, do que o tempo disponível
Poesia de Nuestro Tiempo de J. M. Cohen. Fondo de Cultura Economica. México, 1963, 367 págs. E.
¿Qué han escrito los poetas en los últimos lustros? ¿Cuáles son las tendencias predominantes y hacia dónde se dirige la intención de su trabajo? Este Breviario responde ampliamente a esas interrogantes, con juicios que ayudan al lector a formarse una imagen muy clara de lo que hoy sucede en esa rama de la literatura occidental. Los nombres sobresalientes de países que van desde la URSS hasta México y la Argentina son analizados en los valores propios de su lengua original y de acuerdo con sus técnicas creativas: simbolistas, expresionistas, surrealistas o políticas. Las abundantes citas de la cincuentena de poetas que van estudiándose a través de todo el volumen con traducciones a nuestra lengua recogidas de obras ya publicadas, cuando esto ha sido posible da una idea de la preocupación del autor por no redactar simplemente un ensayo expositivo sino por mostrar ejemplos que inciten a la lectura.
Garrett Jornalista de Luís Cabral [Coord.] Biblioteca Pública Municipal do Porto. Porto, 1999, 54 págs. B.
Reuniram-se aqui trinta e oito referências de títulos de publicações periódicas, algumas extremamente raras, nas quais Garrett colaborou das mais diversas formas. As entradas deste catálogo foram anotadas a partir sobretudo dos apontamentos publicados por Ferreira Lima, completadas por observações pontuais da Prof. Doutora Isabel Vargues, da Faculdade Letras da Universidade de Coimbra.
O conjunto dos titulos de periódicos reunido nesta Exposição reflecte, como é lógico, as vicissitudes, “aventuras” e percursos da vida e da obra de Garrett e evidencia os múltiplos matizes da sua actividade como “jornalista”: de autor de textos literários (poesías, cartas, discursos…) e de artigos de natureza política e sobre reformas (por ex., do Teatro), até às funções de director ou de redactor de certos títulos.
Encontro da Palavra de M. Antunes. Livraria Morais Editora. Lisboa, 1960, 278 págs. B.
Ao Encontro da Palavra reúne vários ensaios de crítica literária, de índole geral e de índole particular. Uns completamente inéditos, outros já impressos, ao menos em parte. Os últimos só entraram, como regra mais comum, depois de refundidos. Mas este trabalho de actualização não o pôde levar o A. tão longe quanto desejava. Permanentemente devorado, há mais de dois anos, pela actividade escolar, não lhe tem sido consentida aquela margem de tempo para tanto indispensável.
Aparição de Vergílio Ferreira: Subsídios para uma Leitura de Maria Joaquina Nobre Júlio. Editora Replicação. Lisboa, 1997, 163 págs. B.
Para que o estudo de Aparição seja também uma introdução ao estudo mais vasto da obra do autor, além de uma breve apresentação da sua vida e da sua obra, sempre que vem a propósito remeto para outros romances, para os ensaios ou o diário, procurando esclarecer, com os seus próprios textos, questões de teoria literária ou de temática do romance. Ao mesmo tempo que se proporciona aos estudantes um conhecimento progressivo da obra do autor, pretende-se que essa remissão seja um incentivo a aprofundá-lo.
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