Almeida Garrett – Correspondência Inédita do Arquivo do Conservatório (1836-1841) de Duarte Ivo Cruz. Imprensa Nacional – Casa da Moeda. Lisboa, 1995, 76 págs. B.
Publica-se aqui, pela primeira vez, um importante conjunto de textos desconhecidos de Almeida Garrett, escritos pelo seu próprio punbo ou, em certos casos pontuais, redigidos por colaboradores burocráticos sob a sua obvia orientação. Trata-se da correspondência e outros documentos do periodo em que Garrett, sob o título de Inspector-Geral dos Teatros, centralizou no por ele recém-criado Conservatório desde o início logo instalado, tal como ainda boje, no velbo Convento dos Caetanos-toda a actividade de criação e organização da estrutura teatral, desde o ensino à criação dramatúrgica, da organização da companhia -normal isto é, modelo ou modelar à censura prévia a textos e espectáculos e à atribuição de subsídios. Se acrescentarmos a esta febril actividade, desenvolvida entre 1836 e 1841, a edifição do Teatro Nacional, inaugurado em 1846, o lançamento das bases juridicas do sistema de direitos autorais, só consagrado em lei datada de 1851, e sobretudo a criação dramatúrgica, a doutrinação estética, a vida politica, diplomática e profissional, a intensa vida intima perceberemos até que ponto Garrett constitui um caso excepcionalissimo de superdotado dispersivo, impar na bistória e na cultura do romantismo português.
A obra de uma das grandes referências da literatura portuguesa analisada por um dos mais prestigiados ensaístas nacionais da actualidade. Resultado de um trabalho que o autor tem vindo a desenvolver há cerca de 25 anos a esta parte, os ensaios nesta obra reunidos provêm de épocas, circunstâncias e envolvimentos ideológicos distintos. Repartidos em três secções distintas, estes Estudos Queirosianos, revelam-lhe, a partir da análise da generalidade da produção textual de Eça de Queirós, um retrato surpeendente da época em que viveu e da geração a que pertenceu, dos discursos escamoteados em cada uma das suas personagens e uma dissecação rigorosa do engenho com que construiu a sua obra.
As relações literárias entre Eça de Queiroz e Camilo Castelo Branco, não muito amistosas, nunca foram objecto de uma análise tão exaustiva como a que A. Campos Matos realizou neste livro.O humor e a ironia dos extraordinários textos onde reciprocamente Eça e Camilo se avaliam tornam esta obra um divertido e inédito documento para quem se interessa pela literatura portuguesa do séc. XIX.
Volume I: A Vida do Poeta, O Cânone da Lírica, A formação do poeta, Os temas do poeta e as confidências do homem, O príncipe dos poetas portugueses.
Volume II: O ambiente histórico em que surgiu o poema, O assunto d’Os Lusíadas, A estrutura clássica d’Os Lusíadas, O estilo épico n’Os Lusíadas, A realidade objectiva no poema, o maravilhoso n’Os Lusíadas, a substância épica n’Os Lusíadas, a substância trágica, A personalidade de Camões através da obra Lírica e Épica.
Joio e o Trigo de Aurélio Domingues. Tipografia Leuzinger. Rio de Janeiro, 1915, 204 págs. B.
E’ constituído por uma série de diversos trabalhos litterarios, escriptos em varios logares e sob a acção de estados d’alma.
Sua sequencia apenas pode ser observada pelas datas em que foram feitos, coisa aliás a que se não obedeceu na sua reunião em volume, por assim não ter querido o auctor.
Enfeixando-os num volume, não foi outra a intenção do auctor que evitar o possivel extravío de todos, pois que alguns, que aqui vão, já foram reconstituídos de memoria.
Gil Vicente de Matilde da Rosa Araújo. Ministério da Educação e Cultura. Lisboa, 1974, 173 págs. B.
Na transição da Idade Média para o Renascimento, mas já imbuído do experimentalismo desta época, a obra dramática de Gil Vicente constitui, na heterogeneidade das suas características e para além do seu valor literário, um insuperável documento histórico cujo conhecimento urge incentivar.
Do Fim de Século ao Tempo de Orfeu de José Carlos Seabra Pereira.
Livraria Almedina. Coimbra, 1979, 199 págs. B.
Apenas umas poucas de palavras do autor, como diria Tomaz de Figueiredo, para reconhecer a discontinuidade inerente a toda a colectânea de textos críticos sobre diferentes escritores e temas e para juntamente sublinhar factores de homogeneidade nos capitulos deste conspecto Do fim-de-século ao tempo de Orfeu.
Embora com ambições desiguais, e de redacção às vezes imediatamente suscitada por razões circunstanciais (no centenário do nascimento de Júlio Dantas e de Manuel Laranjeira, na morte de Alfredo Pedro Guisado, etc.), os textos que a seguir reunimos correspondem todavia a momentos conexos de um programa de estudos sobre a poesia portuguesa desde os finais do século XIX
Fernando Pessoa et le Drame Symboliste de Teresa Rita Lopes.
Fondation Calouste Gulbenkian. Porto, 1985, 583 págs. B.
Obra de referência na vasta bibliografia passiva pessoana, documentada com fac-símiles de manuscritos do poeta impressos em folhas à parte. Integrada na importante colecção «Cultura Medieval e Moderna» da Fundação Calouste Gulbenkian.
Fernando Pessoa – O Eu Estranho de Georges Guntert.
Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1982, 230 págs. B.
Fernando Pessoa: o Eu Estranho constituiu, em 1970, a tese de doutoramento do Prof. Georges Güntert, actualmente catedrático de literaturas românicas na Universidade de Zurique. A sua publicação em tradução portuguesa coloca agora ao dispor dos estudiosos de Pessoa e do público em geral um trabalho que, como acentuou o Prof. Georg Rudolf Lind, abunda em análises subtis e pontos de vista originais sobre a obra do maior vulto da moderna literatura nacional.
O Espinho de Sócrates: Expressionismo e Modernismo – Ensaios de Litatura Comparada de João Barrento. Editorial Presença. Lisboa, 1987, 133 págs. B.
A tese central destes ensaios de João Barrento é a de que o modo de ser moderno reside numa tensão criativa entre cerebralismo e desejo. A partir dela, o autor faz uma interessante comparação entre o sensacionalismo português e o alemão, analisa as figuras da poesia urbana em Baudelaire, Pessoa e nos expressionistas, bem como a questão da alteridade e da heteronímia. No ensaio final, João Barrento aprofunda o papel das vanguardas artísticas, de um ponto de vista sociológico.
Espaço Ascético-Místico da Poesia de Vitorino Nemésio de Maria de Lourdes Belchior. Revista Brotéria. Lisboa, 1972, 32 págs. B.
[Separata da Revista «Brotéria» de Fevereiro de 1979]
O universo religioso que a poesia de V. Nemésio evoca e desvenda tem raízes fundas na sua infância. Festa Redonda (de 1950), livro de «décimas e cantigas de terreiro», oferecidas ao povo da Ilha Terceira, é uma espécie de reconstituição desse mundo. Nesta reconstituição se podem detectar e recuperar duas zonas dominantes: a das imagens-recordação da terra evocada, descritivas e coloridas, e a das imagens-recordação da infância, profundamente radicada num ambiente religioso. [Excerto]
Existe, portanto, uma ligação familiar do Poeta com o Ribatejo e no sangue que lhe corria nas veias haveria possivelmente, transmitido pelas gerações, qualquer coisa que o levaria nas horas amarguradas do exilio em Constância, a compor com inteira com preensão aquelas éclogas, elegias e sonetos, onde a região transparece em alusões à terra e…
Garrett de João Gaspar Simões. Livraria Tavares Martins. Porto, 1954, 172 págs. B. Colecção: Poetas de Ontem e de Hoje | 1
De muito pouco vale o que um poeta diz ou pensa dos seus próprios versos, seja qual for o grau de acuidade da sua inteligência critica, desde que o não auxiliem luzes susceptiveis de iluminar a sus obra para além do gosto e das tendências estéticas do seu tempo. Não podemos esquecer que ao poeta Garrett devemos a introdução do gosto romântico na poesia portuguesa, campanha em que se empenhou antes por imperativos de cultura e sociabilidade que por tem peramento propriamente dito.
Santarém Cidade do Camonismo de Justino Mendes de Almeida. Academia Portuguesa de História. Lisboa, 2007, 158 págs. B.
Um quarto de século se completa entre a feitura deste livro e a hora em que o texto vê a luz da publicidade, por vontade do respectivo autor, o Prof. Doutor Justino Mendes de Almeida, doutorado em Filologia Clássica e actual Reitor da Universidade Autónoma Luis de Camões. Presidindo eu à comissão instaladora do Instituto Politécnico de Santarém, toda a minha ambição consistia em criar condições favoráveis à implantação do Ensino Superior no distrito de Santarém. À semelhança do que já ocorrera na Covilhã e em Braga, o meu desejo orientava-se na transformação legal de um Instituto Politécnico num outro de cariz universitário. Tinha-se sobretudo em conta que muitos jovens da província do Ribatejo não possuíam condições económicas para se fixar em Lisboa ou em Coimbra, pelo que o nascente Instituto poderia abrir-lhes as portas de um futuro promissor.
Para uma Leitura de O Judeu de Bernardo Santareno de José Oliveira Barata. Contraponto. Porto, 1983, 124 págs. B.
A produção dramática de Bernardo Santareno ultrapassa de longe o significado do seu posicionamento na história do nosso mais recente teatro. Assume a força de documento social expresso através do vigor da sua dramaturgia. Iniciada em 1957 e chegando até 1980, a obra de Santareno reflecte a coerência do escritor de teatro, em Portugal, lutando contra todos os condicionalismos que se avolumavam em torno dos criadores artísticos. Desde obras integralmente proibidas, outras inicialmente toleradas e logo mandadas retirar de cena, até à desilusão e desespero da auto-censura», a obra deixada por Santareno reflecte, nas suas grandezas e debilidades, as vicissitudes por que passou o teatro português nos últimos vinte e cinco anos. Reflecte, por outro lado, a pesquisa de uma temática intrinsecamente portuguesa, mergulhando as suas raízes nos ricos terrenos das realidades populares, nos seus costumes, hábitos, grandezas e misérias.
Os Lusíadas: Sublimação do Género Épico de Reis Brasil. Hugin Editores. Lisboa, 2001, 380 págs. B.
Esta obra de cariz enciclopédico tem como titulo “Os Lusíadas: Comentários e Estudo Crítico”: Atrevo-me a considerá-lo um poema em que está sublimada a antiguidade o presente e o futuro. É um exame de todas as fontes camonianas, em perfeito equilíbrio com a singular metodologia de que se serve o Vate luso em cada um dos cantos do seu poema; direi mais ainda em cada um dos seus versos, ou até em cada um dos vocábulos nele contido.
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