Anarquistas, Graça a Deus de Zélia Gatai Círculo de Leitores. Lisboa, 1983, 298 págs. E.
Publicado em 1979, Anarquistas, Graças a Deus é a estreia de Zélia Gattai. A autora narra a história da sua família de imigrantes italianos e a infância em São Paulo, cruzando memória e imaginação. Influenciada por Jorge Amado, afirma-se como memorialista, valorizando a experiência vivida. A obra destaca-se pelo registo afectivo e pelo olhar atento sobre um Brasil em transformação.
Adeus Princesa de Clara Pinto Correia Círculo de Leitores. Lisboa, 1988, 235 págs. E.
Numa vila alentejana uma rapariga do liceu, Mitó, é a principal suspeita da morte do seu namorado, um alemão da Base Aérea de Beja. Um jornalista e um fotógrafo de um jornal de Lisboa tentam, localmente, recolher informações, testemunhos e elementos sobre um caso que está longe de ser simples. Na verdade, cada um tem uma versão muito pessoal dos factos e os diversos pontos de vista revelam-se contraditórios. Os dois jornalistas acabam por ir inesperadamente ao encontro de uma história de amor e morte no coração do Alentejo. E se tudo isto parece estranhamente familiar e moderno, é porque o drama terrível que, em 1985, dizia estritamente respeito ao Alentejo se apoderou hoje do país inteiro.
485224 de Horácio Tavares de Carvalho Círculo de Leitores. Lisboa, 1984, 289 págs. E.
Veneza, final dos anos 80. No Palazzo Lorendan uma reunião internacional que termina. Chove, o nevoeiro é cerrado e falta uma semana para o Natal. Tudo parece estar na mesma, o Quadri com a sua orquestra, a trattoria do Angelo, os pombos da Praça de São Marcos, as montras com os cristais de Murano. Só ele mudou. O mau tempo desvia o voo para Pedras Rubras. E até 26 de Dezembro será o regresso às origens, à casa velha da infância, será o historiar da sua ascensão até ministro, o evocar das anteriores viagens a Veneza, as mulheres que essa cidade lhe lembra (… nem todas as mulheres merecem visitar terras como Veneza.): a Inês, a Leonor, a Alexandra, a francesinha morena com a 4L.
Essa secreta peregrinação às paixões, aos sonhos e às aventuras de outrora, vai conduzi-lo a uma descoberta singular: ele aceitara sempre o desafio de viver intensamente cada dia… Mas era tempo de mudar e começar de novo.
Versos de Camões de Vitorino Nemésio [Esc.]
Direcção-Geral do Ensino Primário. Lisboa, 1962, 307 págs. B. Colecção Educativa, Série G, número 6
A Colecção Educativa, criado no Estado Novo, almejava servir de apoio à educação de adultos, procurando ao mesmo tempo sublinhar os valores e lealdade pátrios: cada volume continha uma citação do Chefe da Nação, Salazar. Dividia-se em séries temáticas: A – Doutrina, B – Informação e Propaganda, C -Educação Supletiva de Adultos, D – História Pátria, E – Geografia de Portugal, F – Arte Portuguesa, Etnografia e Folclore, G – Literatura e Pensamento Português, H – Educação Moral e Cívica, I – Educação Familiar, J – Educação Sanitária, Educação Física e Desporto, L – Aperfeiçoamento Profissional, M – Organização, Previdência Social e segurança e no Trabalho, N – Agricultura, Pecuária, Indústrias Caseiras e Artesanato e, por fim, O – Livros Recreativos.
Remorso de Baltazar Serapião de Valter Hugo Mãe
Quetzal Editores. Lisboa, 2008, 174 págs. B.
Prémio José Saramago, 2007
As mulheres assistem ao mundo como presas dos homens. A história do mundo revela tempos em que a mulher mais não é do que um instrumento da vida do homem. Neste romance, valter hugo mãe torna impossível ignorar este facto.
Criador de uma linguagem exuberante, e deitando mão à mais rica imaginação, o autor explica o amor a partir do ponto de vista tremendo do machismo. Esta é a aventura de um homem que, casando com a moça mais bonita da sua terra, se deixa corromper pelo preconceito e pela pobre tradição.
Entre ser divertido e cruel, o remorso de baltazar serapião é um marco fundamental na literatura portuguesa contemporânea.
Refúgio Perdido de Soeiro Pereira Gomes Edições Avante. Lisboa, 1975, 149 págs. B.
Foi escrito em 1948 e publicado em 1950, no ano seguinte à morte do seu autor, Soeiro Pereira Gomes.
Refúgio Perdido reúne um conjunto de contos e crónicas do autor, integrando também uma breve entrevista primeiramente publicada a 10 de Fevereiro de 1943.
Em 1951, os Serviços de Censura requisitaram à editora responsável – Sociedade Editora Norte – uma justificação para o livro não ter sido submetido e directamente publicado.
O facto do autor ser um escritor de ficção (e não versar sobre assuntos políticos e sociais) e da obra ser uma compilação de outros materiais já submetidos a censura prévia foram as explicações dadas.
Ainda assim, Refúgio Perdido foi retirado do mercado.
Peregrinação de Fernão Mendes Pinto. Publicações Europa-América. Mem Martins, 1988, 2 vols. B. Colecção: Livros de Bolso Europa-América | 348-349
Edição cotejada com a 1ª edição de 1614
Leitura actualizada, introdução e anotações de Neves Águas
Edição comemorativa do 4º Centenário da Morte de Fernão Mendes Pinto
Peregrinação é, seguramente, um dos grandes clássicos da literatura de viagens. Uma obra de tal modo importante que cristalizou no panteão dos vultos estelares do cânone universal o nome de Fernão Mendes Pinto, uma das figuras mais extraordinárias de toda a nossa literatura. Editada em 1614, tornou-se logo num sucesso editorial notável, sendo ainda hoje um dos livros portugueses mais traduzidos no mundo. E o caso não é para menos: trata-se de um relato excecional não apenas pelo seu inegável merecimento literário, mas também por constituir um documento histórico de incalculável valor para se conhecer a vida e os costumes dos povos orientais no século XVI, bem como os meandros da presença portuguesa na Ásia, descrita sem condescendências por Fernão Mendes Pinto.
Nova Teoria do Sebastianismo de Miguel Real
Publicações Dom Quixote. Lisboa, 2014, 262 págs. E.
Nova Teoria do Sebastianismo é um ensaio que reflecte sobre o mito sebastianista como alucinação racionalmente falsa mas sentimentalmente verdadeira e nos dá a conhecer os autores que trataram o tema, desde Bandarra e Padre António Vieira até aos filósofos contemporâneos, passando por Fernando Pessoa, António Quadros, António Sérgio e Eduardo Lourenço. O presente título insere-se numa colecção na qual foram já publicados dois outros títulos de Miguel Real: Nova Teoria do Mal e Nova Teoria da Felicidade enquanto propostas para uma ética do século XXI. «Ser sebastianista hoje […] significa, não a esperança no indefinido regresso de D. Sebastião, nem acreditar neste como o Messias regenerador da sociedade portuguesa, […] mas ter plena consciência de que em Portugal só se atinge um patamar próspero de vida se algo (uma instituição) ou alguém dotado de elemento carismático nos prestar um auxílio que nos retire, por meios extraordinários, do embrutecimento e empobrecimento da vida quotidiana: a subserviência rastejante ao Partido, a cunha do «Senhor Doutor», a crença no resultado do totoloto ou do euromilhões, a promessa a Nossa Senhora de Fátima ou santo congénere… Esse algo ou alguém, quando negado em Portugal, impele à emigração, forçando o português a buscar no estrangeiro o que, devido às políticas de autofavorecimento das elites, lhe é negado na sua terra natal.»
Os Linhos da Avó de Rosa Lobato de Faria
Edições ASA. Porto, 2004, 220 págs. B.
Tal como a avó da história que dá título ao presente livro, que arrecadava os seus linhos em armários esquecidos e os perfumava com maçãs, também Rosa Lobato de Faria pegou em textos guardados na gaveta, sacudiu-lhes algum perfume de nostalgia e decidiu juntá-los em volume, para gáudio dos seus numerosos e fiéis leitores. São vinte e uma histórias que nos falam quase sempre de mulheres: dos seus amores, das suas traições, da sua preseverança, do seu combate por uma dignidade negada e reprimida. Mas que nos falam também dos homens que estão a seu lado, da vida dos casais, da sexualidade, da paixão e do ciúme, de Deus e da morte.
At Swim, Two Boys de Jamie O’Neill
Scribner. London, 2001, 643 págs. B.
Praised as a work of wild, vaulting ambition and achievement by Entertainment Weekly, Jamie O’Neill’s first novel invites comparison to such literary greats as James Joyce, Samuel Beckett and Charles Dickens. Set during the year preceding the Easter Uprising of 1916–Ireland’s brave but fractured revolt against British rule–At Swim, Two Boys is a tender, tragic love story and a brilliant depiction of people caught in the tide of history. Powerful and artful, and ten years in the writing, it is a masterwork from Jamie O’Neill. Jim Mack is a naive young scholar and the son of a foolish, aspiring shopkeeper. Doyler Doyle is the rough-diamond son–revolutionary and blasphemous–of Mr. Mack’s old army pal. Out at the Forty Foot, that great jut of rock where gentlemen bathe in the nude, the two boys make a pact: Doyler will teach Jim to swim, and in a year, on Easter of 1916, they will swim to the distant beacon of Muglins Rock and claim that island for themselves. All the while Mr. Mack, who has grand plans for a corner shop empire, remains unaware of the depth of the boys’ burgeoning friendship and of the changing landscape of a nation.
Roosevelt, Churchill e Salazar: A Luta Pelos Açores (1941-1945) de José Freire Antunes. Ediclube. Alfragide, 1995, 163 págs. B. Il.
Entre 1940 e 1943, os generais de Roosevelt, Hitler e Churchill elaboraram dezenas de planos para a ocupação dos Açores que, em 1941, era aparentemente inevitável. A importância estratégica do arquipélago quase levou à ruptura de pactos e tratados e chegou a provocar a concentração de tropas para proceder à sua ocupação em 48 horas. Entretanto, Salazar (a quem Churchill considerava “intolerável”) manobrava nas três frentes, de modo a salvaguardar a soberania do império português. Como conseguiu esquivar-se aos desígnios das grandes potências beligerantes? Por que não foram afinal invadidos e ocupados os Açores? Como se desenvolveu toda a complexa intriga que envolveu a neutralidade de Portugal na II Guerra Mundial? O relato detalhado, documentos inéditos e as mais inesperadas revelações deste episódio são apresentados neste novo e empolgante livro de José Freire Antunes, resultado das exaustivas investigações a que procedeu junto dos arquivos norte-americanos e em que a verdade histórica nos surpreende a cada momento.
Portugal e as Potências Europeias (1807-1847) de António Pedro Marques Livros Horizonte. Lisboa, 1988, 147 págs. B.
A primeira metade do século XIX, período crucial na história da nossa vida colectiva, foi marcada por constantes ingerências externas nos assuntos internos de Portugal, ingerências levadas a cabo, não só pela “velha aliada” Grã–Bretanha, mas também por outras potências então dominantes no cenário político europeu, designadamente a França, a Espanha e a Áustria.
As interferências diplomáticas e as intervenções militares das potências europeias, que condicionaram a livre evolução da vida política portuguesa, foram originadas, fundamentalmente, pelos interesses económicos, pelas estratégias políticas, ou pelas rivalidades existentes entre essas potências, mas não deixaram de ser consentidas, ou mesmo, em alguns casos, solicitadas pelos governos e monarcas de Portugal.
Procura-se, pois, apresentar uma análise geral das relações de Portugal com a Europa, tentando-se explicar factores que condicionaram as ingerências estrangeiras em cada uma das principais fases da nossa evolução política no período em causa.
Orgulho e Preconceito de Jane Austen Relógio d’ Água Editores. Lisboa, 2014, 358 págs. B. 𓂃🖊 Prefácio Virginia Woolf
A chegada de vários jovens marca uma profunda transformação na vida de uma família de classe média rural, os Bennets, e em particular na das suas filhas.
Um desses jovens é Darcy, membro da alta sociedade que se distingue pelo seu orgulho. Desenvolve-se uma série de desafios, de equívocos, de julgamentos apressados, que conduzem à mágoa e ao escândalo, mas também ao auto-conhecimento e amor.
Olho de Vidro de Camilo Castelo Branco Parceria A. M. Pereira. Lisboa, 1904, 220 págs. E.
Brás Luís de Abreu, nascido em 1692 e que em 1714 tomou o grau de licenciado em medicina, viveu sempre assombrado pela implacável perseguição que o Santo Ofício moveu aos que dele cuidaram na meninice. A história da sua vida é também uma narrativa das desventuras do povo judaico em terras lusitanas.
É ele o ilustre autor desse tratado intitulado Portugal Médico, impresso em 1726, que parece dar razão aos que então exclamavam, desgostosos: «A ciência da medicina está de todo perdida em Portugal…!» O relato dos seus talentos neste sagrado mister, em grande medida assentes nas virtudes terapêuticas dos olhos de minhoca e do esterco de rato fresco, é também um testemunho da «crassa bruteza» dos conhecimentos médicos nesse tempo.
Diz-se desta obra de Camilo, originalmente publicada em 1866 e na qual se misturam livremente a verdade e a imaginação, que dá excessivo relevo ao desenrolar da intriga e aos efeitos dramáticos, pouco se ocupando com a descrição de locais e ambientes. Para os que gostam de romances históricos, talvez este não seja, afinal, um defeito.
📕 3ª Edição.
✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Olhar para Trás de Lou Andreas Salomé Relógio d’ Água Editores. Lisboa, 1987, 215 págs. B.
Nesta sua auto-biografia, Lou Andreas-Salomé fala-nos da sua vida e por isso também de Nietzsche, Rilke e Freud, a quem esteve ligada por paixão ou amizade e pela colaboração intelectual.
E lendo este livro depressa nos apercebe-mos que mais do que a lúcida descrição da sua existência que se situou para além do bem e do mal e em muitos aspectos antecipou as reivindicações femininas mais recentes – Lou Andreas-Salomé busca um sentido para a sua existência, reflecte sobre uma vida que foi profundamente religiosa no sentido etimológico do termo.
Minha Vida nos Garimpos de António de Padua Morse Edições Melhoramentos. Lisboa, 1968, 133 págs. B. 👨🏻🎨 Ilustrações de J. G. Villin
Relato autobiográfico sobre a vida nos garimpos brasileiros, onde o autor descreve o quotidiano duro, a busca do ouro e as relações humanas num ambiente marcado por risco, ambição e aventura. Um testemunho directo de um mundo pouco retratado na literatura.
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