Clépsidra de Camilo Pessanha. Editorial Nova Ática. Lisboa, 2003, 211 págs. B.
Clepsidra, título simbólico que se refere a um relógio antigo, de origem egípcia, que media o tempo pelo escoamento de água num recipiente graduado, é um importante testemunho do acolhimento português da poesia europeia finissecular, sobretudo o Simbolismo, articulado com a sensibilidade decadentista. É, na verdade, uma construção poética «cultivada como fragmento e representação difusa de uma realidade fugidia, a par do impulso para uma unidade remota, a consubstanciar na construção do livro». Trata-se, portanto, de uma obra que nos remete para as temáticas da efemeridade da vida, da perda, da inutilidade do que se faz ou se vive, da desistência, do receio e da ambiguidade.
Açafate de Canela de José Alberto Silva de Miranda Boavida. Centro Municipal de Cultura e Desenvolvimento. Idanha-a-Nova, 1993, 58 págs. B.
Em belas e encantadoras páginas da poesia portuguesa, Miranda Boavida espelha a nobreza dos seus sentimentos e o amor acrisolado que devota aos bens paisagísticos, culturais e espirituais da sua querida e inolvidável região raiana.
ANTÓNIO SILVEIRA CATANA
Para além da sua linguagem absolutamente pessoal, para além de uma temática abordada com incontroversa originalidade, José Gomes Ferreira continua a revelar-se-nos poeta com perfeita cons- ciência de si, mesmo quando se expande na fase mais aguda do conflito, um poeta que nada es- conde de si mesmo, nem escamoteia nenhum dos seus problemas. Daqui,…
A Índia é Nossa de Victor de Sousa Vasconcelos. Coimbra Editora. Coimbra, 1955, 84 págs. B.
Benditos os homens puros e generosos que nos comandam, os lúcidos intérpretes do sentir de todos os portugueses de fina raça, que têm sabido informar o mundo e conduzir este drama de forma a mostrar a verdade que ele no fundo apresenta: -uma aventura de salteadores e de homens esfomeados que se vendem.
Compus este pequeno livro em homenagem aos heróis que tombaram e se bateram valentemente.
[Acompanham o livro um Bilhete Postal e uma Missiva na qual o autor do livro informava que a venda do livro se destinava à “Campanha de Solidariedade” a favor dos nossos soldados que nessas paragens (Índia) nos representam)]
Poesias de Mário de Sá-Carneiro. Editorial Ática. Lisboa, 1946, 190 págs. B.
O volume reúne a produção poética de Mário de Sá-Carneiro. A edição integra as obras Dispersão e Indícios de Oiro, além do poema Manucure. A publicação pertence à Coleção Poesia da Editorial Ática. O texto fixa a herança literária do autor após o seu falecimento em 1916. A recolha textual deste exemplar serviu de base para a divulgação do modernismo em Portugal.
Metade Iluminada de José Jorge Letria. Ulmeiro. Lisboa, 1998, 124 págs. B.
«É preciso que nos deixemos impregnar pela música torrencial, pelo ritmo por vezes alucinante destes poemas, onde abundam figuras incandescentes, para nos inebriarmos com todas as ressonâncias e significações que delas brotam. Elas são o fruto maduro de uma consciência profunda da lingua portuguesa cujos segredos José Jorge Letria tão bem sabe decifrar”.» José Augusto Seabra
Poesias de Álvaro de Campos. Editorial Ática. Lisboa, 1969, 325 págs. B.
A produção poética do engenheiro naval Álvaro de Campos encontra-se compilada neste tomo. Sob a chancela da Editorial Ática, esta reedição de 1969 preserva o legado das grandes composições sensacionistas e futuristas do heterónimo. O grafismo da capa reproduz um desenho original de Almada Negreiros. O texto oferece aos investigadores e leitores a totalidade das odes e poemas curtos fixados pelas equipas críticas da editora. A obra permanece como uma peça central no estudo do modernismo nacional.
O que será a poesia senão o discurso interior do pensamento que busca, permanentemente, o roteiro do essencial, sem medo do sentimento, da polémica, da irreversibilidade de tornar cúmplice quem a ouve e sobre ela reflecte?!
Isaac de Manuel Fernando Gonçalves. Imprensa Nacional – Casa da Moeda. Lisboa, 1985, 23 págs. B.
Saindo de haran fiquei
com o mundo em frente
súbito o alcancei:
a palestina era ali
ao alcance do gesto
quase me detinha sedento
junto ao carvalho de moré
dono do tempo e do tempo
ansioso escravo
montei à noite entre colinas
a tenda e o altar
não orei nesse crepúsculo
Antologia Poética de José Gomes Ferreira.
Incluí as obras:
Eléctrico (1943-1944-1945);
Tu piedade (1945);
Província (1945);
Ruas Desertas (1946-1947);
Gomes Leal (1948);
Cinzas (1948-1949-1950)
De Amor Louco… Todos Sofremos um Pouco de Hélder Travado. Ed. Autor. Lisboa, 1999, 197 págs. E.
E porquê, também, o Amor como tema fulcral deste livrinho despretencioso? Porque acredito muito sinceramente, como o escrevo num poema desta Colectânea, que esse profundo sentir, “essa febre alta” do desejo, em que tantas vezes se envolve a Amizade, esse sim, o mais puro e inestimável sentimento da condição humana, é de facto a força motora que move a humanidade. Amor, esclareça-se, sublimado de muitas maneiras, por bem ou por mal, para o melhor ou para o pior, muitas vezes imperceptíveis, outras profundamente contraditórias. Se em tal não acreditasse, estes versos que aqui vos deixo, não teriam razão para ver a luz do dia. E essas páginas do meu passado ficariam, para sempre, em branco…
Mahalia de Vasco de Lemos Mourisca. Ed. Autor. Lisboa, 1961, 70 págs. B.
Vasco de Lemos Mourisca nasceu em Albergaria-a-velha em 1911. Fez o curso secundário num colégio do Porto e iniciou os estudos universitários na Faculdade de Direito, em Lisboa. Depois de ter deixado a vida das tertúlias e do Parque Mayer de Lisboa e o curso inacabado de Direito, Vasco Mourisca fixa-se em Albergaria, na casa de seus pais. No final dos anos quarenta, continuando a residir em Albergaria, apaixonou-se pela vida académica de Coimbra e deslumbrou-se com os Mestres da Universidade, tornando-se amigo de alguns deles. Concluiu então a licenciatura em Direito e abriu banca de advogado à qual veio a dedicar pouca atenção, porque a sua vocação voltava-se para a literatura.
Julgamento Sumário de Francisco Alves da Costa. Editorial Minerva. Coimbra, 1956, 60 págs. B.
«É noite. Eu vou, sòzinho, olhando o firmamento E prestando atenção às ondas agitadas, Enquanto o vendaval, que sopra nas ramadas, Passa com rapidez e morre num lamento.»
📕 1ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Inéditos IV de Mário Viegas. Público Comunicação Social. Porto, 2006, 72 págs. B.
Mário Viegas deu-se também a conhecer também pela sua admirável forma de dizer poesia, gravando extensa discografia, em que deu a conhecer ao grande público a obra de alguns dos principais poetas portugueses do século XX, como António Gedeão, Fernando Pessoa, Guerra Junqueiro, Cesário Verde, Camilo Pessanha, Jorge de Sena, Ruy Belo ou Eugénio de Andrade, mas também Luís de Camões, Bertolt Brecht, Pablo Neruda, entre outros
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