O OUTRO LADO DO ESPELHO DE PAULO CASTILHO Editorial Notícias. Lisboa, 1984. 164 págs. B.
Primeiro romance de Paulo Castilho, diplomata de carreira, distinguido com o Prémio Literário Diário de Notícias em 1984. Em Lisboa, no fim de uma tarde de chuva de 1973, Pedro reencontra Joana, dando início a uma narrativa que cruza duas viagens, entre Londres e Paris no presente e entre as memórias obsessivas de um passado por completar, um romance sobre a impossibilidade de recomeçar e a persistência do que não se consegue esquecer.
────────────────── Características do Exemplar
✅ Sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
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Mónica de Aquilino Ribeiro. Livraria Bertrand. Lisboa, s.d., 311 págs. B.
«Da Costa do Castelo e Graça sentia-se como que a rajada sísmica no ato de varrer para a Baixa as agulhas estroncadas e os arcaboiços rotos das igrejas e palácios. Raro esta e aquela silhueta – as torres da Sé, as volutas brancas do Carmo, o corpanzil verde de D. José em cima do cavalo de que já se não via o pedestal, e os seus palacetes empoleirados nos altos do Torel – quebravam a impressão de assombro que se recebia na varanda ante a floresta de pedra das duas colinas.»
Xerazade e os Outros de Fernanda Botelho. Editores Associados. Lisboa, s.d., 205 págs. Mole.
O romance português atinge, com «Xerazade e Os Outros, de Fernanda Botelho, um nível universal. Segurança, lucidez e inteligência assistem a uma análise rigorosa de caracteres e conflitos, que a autora leva a pontos quase nunca atingidos, entre nós. Os homens e as mulheres que atravessam o seu livro, gente oriunda de meios diversos, vivem a angústia e as dúvidas de um tempo conturbado, cujas raízes se prendem ao após-guerra de 1945. Fernanda Botelho organiza, em palco geome- tricamente equilibrado, um jogo» terrível e revelador: o das relações humanas, que desmonta e desmistifica, de modo impiedoso. Onde começa e acaba a verdade de cada pessoa? Onde começa e acaba a liberdade de cada pessoa? Quando é que o encontro acontece para lá do preconceito, já em plena simplicidade e autenticidade? A técnica novelística de Fernanda Botelho deve considerar-se, ainda, corajosamente revolucionária e originalíssima. Em mais do que um plano, Fernanda Botelho abre novos caminhos ao romance português.
Memória Doutro Rio de Eugénio de Andrade. Limiar. Porto, 1978, 66 págs. B.
Memória Doutro Rio
Um dia, numa língua de areia, avistei dois corpos que se penetravam exasperados. Fiquei aterrado: primeiro pensei que ele a estava a matar, a seguir, que ambos estivessem a morrer, só depois percebi o que se passava, e o meu próprio corpo se exasperou. Quando acabaram, a mulher chorava e o homem quase lhe mijava em cima. Afastaram-se cada um para seu lado, sem trocarem palavra.
Contei o que vira a um pastor que encontrei mais abaixo. Pouco mais velho era do que eu, mas mostrou-me como o prazer não tem forçosamente que ver com a culpa. Quem não sabe que os corpos também podem ser conjunção de águas felizes?
Vertentes do Olhar
Composto por poemas em prosa, «Vertentes do Olhar» é composto por poemas que abarcam mais de quarenta anos de produção poética do autor. «Entre o mais antigo poema deste livro (“Fábula”, 1946) e o mais recente (“A Sereia do Báltico”, 1988) passaram mais de quarenta anos. É uma vida à procura de uma voz. A melodia do homem nasce dessa busca incessante: descobre-se quando nos descobrimos. Não foi fácil: desaprender custa mais do que aprender. Estarei agora, ao menos, mais perto desse dizer que ajude outros a falar?».
Esta não é só uma história de adolescência, de cumplicidade e de amor. E porque se está a passar ali, aqui, por todo o lado, cresce em importância com a actualidade. Do David vislumbramos a magreza, aliás uma magreza como consequência, e a roupa, que falam claramente do cenário onde ele se movimenta e que…
Voz da Minha Solidão de Lúcia Vaz Pedro. Ideias e Rumos Edições. Lisboa, 2007, 133 págs. B.
«Num sobressalto, a mulher acordou e, cambaleante, desceu até à sala, onde se sentou ao piano, brincou com as teclas como quando era criança até iniciar rápida e eximiamente Étincelles de Moskowski. A música possui o pesadelo e transformou-o numa apoteose de loucura. Percorreu a praia descalça, arrefecida por uma ventania-insónia, que lhe esvoaçou os cabelos como serpentes vadias. Aves de rapina surgiram da pauta, tomando conta das teclas que tocaram uma melodia-águia de lábios pálidos. Gritos sonâmbulos misturavam-se na sinfonia, cerrando-lhe as pálpebras cegas de feiticeira perdida. No final, os dedos esmoreceram, desencarnados.»
‘Trovas do meu pensar e do meu sentir’ é mais um hino à simbologia da arte poética. A Editorial Minerva lançou esse ‘Trovas do meu pensar e do meu sentir’, escrito por Roberto Durão. Páginas de palavras conjugadas entre si em harmonia perfeita, que revestem cada sentimento de um toque muito especial.
Introdução, tradução e notas de José Nuno Pereira Pinto Os séculos XVI e XVII constituem na Literatura Portuguesa dois momentos significativos, o primeiro deles, por certo, o mais relevante. Todavia, paralelamente a esta, uma outra Literatura, escrita em Latim, se desenvolveu. O facto de ser escrita na língua de Cícero, não obstava, então, à sua…
Quando senti os primeiros fervores de O Sabor das Trevas nos caldeirões e retortas da minha oficina-laboratório de velho operário de palavras e paixões, pensei que este livro fosse diferente dos meus anteriores e, confundindo diferença com melhoria de qualidade, logo resolvi dedicar-lho para satisfazer um sonho que trazia, há muito, no sangue: o de…
O Reino Circular: A História Maravilhosa do Croniosta de Akalino, sentinela e inventor do Reino da Katalónia de Mário Braga. Parceria A. M. Pereira. Lisboa, 1971, 134 págs. B. 𓂃🖊Prefácio de Alberto Ferreira.
“O Reino Circular é não só um novo passo na carreira de Mário Braga — dos nossos escritores mais originais e fecundos — , como também uma corajosa e oportuna experiência para a literatura portuguesa. Mário Braga, neste livro, recorrendo à alegorização, talvez na esteira das novelas filosóficas de um Voltaire mais concreto, conta-nos, num estilo forte e poético, a história maravilhosa do cronista de Akalino, sentinela e inventor do reino da Katalónia, que passou a juventude encerrado a sete chaves numa torre de marfim (…)”
Poesias de Joaquim Costa. Biblioteca Municipal. Moura, 1992, 366 págs. E.
Na antiguidade, o louro era considerado sa grado e utilizava-se para coroar os heróis e poetas. Surgiu daí o costume de outorgar a certas pessoas, que se tivessem distinguido por seus dotes artísticos, um símbolo que representasse o reconhecimen to público do seu mérito. Mas, nem sempre assim foi acontecendo, houve homens com seu valor, e por se esconderem atráz da sua humildade, enfrentavam as críticas aos seus trabalhos com um exército de frases culturais a servirem de escudo para os ataques da inveja. Esses foram esquecidos pelos laureadores, talvez porque traziam sempre consigo a marca de contrastaria de um metal menos luzidio, ignorando-lhe por razões inexplicáveis o seu valor.
Letícia de Paulo de Gardenia. Portugal-Brasil Sociedade Editora. Lisboa, s.d., 240 págs. B.
Elles subiam pela Avenida Rio Branco. Para traz ia ficando o rumor, o movimen- to, a agitação da cidade. Já podiam andar, lado a lado, sem encontrões nem desvios. Passavam automoveis celeres, na aza do vento. A tarde morria velludosa…
Dobraram o Monroe e entraram na Avenida Beira-Mar. Agora, em frente, era o mar immenso recolhido na bahia trans- lucida. E no ceu desmaiado da tarde as primeiras sombras da noite appareciam. (Excerto)
Eva de Santos Nazaré. Imprensa Nacional – Casa da Moeda. Lisboa, 1987, 246 págs. B.
Este livro não nega nem afirma: duvida. E não digam que prega a dúvida; que grita à mocidade: não creias, sê desconfiada. Conta simplesmente uma história verdadeira, e quer indicar o mal que pode fazer uma mulher, a devastação que pode produzir um desengano nos espíritos moços, delicados e melindrosos, sem força nem estoicismo para lutar.
Têm as mulheres, à maneira das pedras preciosas, faces diferentes: variam de cores e aspectos, conforme o lado por onde são observadas. Em Eva todas poderão reconhecer-se, conquanto nenhuma seja ela propriamente.
Os Cem Anos da Avó Ricardina de Otílio Figueiredo. Imprensa do Douro. Régua, 1976, 222 págs. B.
Para todos os seres humanos constitui quase um dever pensar que o que já se tiver realizado é sempre pouco, em comparação do que resta por jazer, a fim de reajustar os organismos de produção, as associações sindicais, as organizações profissionais, os sistemas de previdência, as organizações judiciais, os regimes políticos, as organizações culturais, sanitárias, desportivas, etc., às dimensões próprias da era do átomo e das conquistas espaciais: era, na qual já entrou a humanidade, encetando esta nova perspectiva de injinda amplidão. Papa João XXIII (Citação escolhida pelo autor para abrir a sua obra)
Cartas a uma Noiva de Maria Amália Vaz de Carvalho.
Empresa Literária Fluminense. Lisboa, 1923, 280 págs. B.
Do índice, destacamos os seguintes capítulos: Da Iniciação Conjugal; Vida social e Vida domestica; Conflictos interiores; O paradoxo da igualdade; Educação pratica; Amigas intimas; A felicidade pelo amor; A Instrucção feminina; Na semana santa; O Ciúme; A moralidade d’um livro condenado [Mme. Bovary]; Os Velhos; No Campo; Figuras de mulheres; Dos nossos filhos; Pequenas misérias da civilização; A maior dôr humana.
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