Primeiro livro de ficção depois de Os Clandestinos, Resposta a Matilde, que o autor classificou intencional e ambiguamente de divertimento, é um conjunto de situações romanescas diferentes entre si na técnica narrativa, mas todas elas articuladas por um mesmo desafio: o incomum ou o insólito da vida quotidiana.
Cruzando a lógica da literatura com a lógica da vida – desafio proposto desde o início, levando o leitor, interveniente activo através de um diálogo e de uma trama que o convidam a participar na criação das personagens e no desenrolar da acção, a tornar-se seu cúmplice, para subitamente o ludibriar, introduzindo elementos inesperados. numa técnica de aproximações e distanciações sucessivas- Namora dá-nos um livro em que o inverosímil e o excêntrico se integram no real, tornando histórias aparentemente vulgares -um caso de adultério, uma enigmática compra de ovos, uma viagem de avião, uma suposta herança ou um chapéu-de-chuva -mais imprevistamente alicia- doras do que a mais complicada e astuciosa das telas romanescas.
Os leitores de Fernando Na- mora encontrarão neste livro o virtuosismo e o domínio de linguagem a que estão habituados, mas ficarão constantemente surpreendidos com o jogo que lhes é proposto, em que se conjugam o próprio jogo da vida e o jogo subjacente a toda a criação literária.
Repentinamente, (em Março de 1866), começaram a aparecer uns FOLHETINS assinados «Eça de Queiroz». Ninguém conhecia a pessoa designada por estes apelidos que, por algum tempo, se supôs serem um pseudónimo. Os FOLHETINS de Eça de Queiroz foram, todavia, notados; mas como novidade extravagante e burlesca. Geral hilaridade os acolheu desde a própria Redacção da…
Júlio Dinis: um Diário em Ovar (1863-1866) de Maria Adelaide Godinho Arala Chaves. Campo das Letras. Porto, 1998, 230 págs. B.
Maria Adelaide Godinho Arala Chaves, natural de Ovar, licenciou-se em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Tem vivido em Ovar, onde lecionou Língua Portuguesa, Estudos Sociais e História do 2.º Ciclo do Ensino Básico. Na continuidade de uma equiparação a bolseira do INIC entre 1978-1981, tem-se dedicado à investigação e levantamento etnográfico da região. Especialmente no âmbito da sua atividade docente, desenvolveu inúmeros projetos e ações de defesa do Ambiente e Património locais.
Fausto: Tragédia Subjectiva de Fernando Pessoa. Editorial Presença. Lisboa, 1988, 222 págs. B.
«Apesar da sua polifonia característica, Fausto, o poema dramático de Pessoa, é um solilóquio que se desenrola no terror metafísico da solidão e da acção empenhada. A abstenção é loucura, mas é-o também a acção que exclui os gestos e as paixões humanos do santuário do eu privado. Em trechos profundamente influenciados por Schopenhauer, Pessoa identifica a salvação com o sono, um sono tão profundo que acaba, para além do inconsciente e da vaidade dos sonhos, por reduzir a silêncio o tumulto vão do pensamento. Uma dolorosa contradição insolúvel atormenta o mago de Pessoa. Persuadido da irrealidade do mundo, quer, apesar de tudo, decifrar os seus fenómenos (a “Vontade” e a “Representação” de Schopenhauer). O niilismo metafísico não pode negar o impulso no sentido do conhecimento. O monólogo dramático de Pessoa reitera, uma e outra vez, um horror de pesadelo: possuído por uma reflexão vã, mas imperiosa, Fausto sufoca no interior da sua própria alma. A indagação metafísica induz o enterramento em vida. (…)
Mais do que a própria filosofia, é a linguagem da literatura ou, mais precisamente, da filosofia tornada literatura, como em Kierkegaard ou Nietzsche, que articula a extremidade patológica, a vanglória compulsiva, do empreendimento e da vocação filosóficos. Tal é a intuição que o tema de Fausto encerra. Pessoa avança um passo mais longe do que Hegel e define a especulação metafísica como não sendo mais do que uma “ansiedade infinita”.»
Crónica dos Bons Malandros de Mário Zambujal. Círculo de Leitores. Lisboa, 1981, 146 págs. E.
Sinto-me sequestrado por estes bons malandros”. Aos livros que fui escrevendo, e outros que venha a escrever, não lhes valem possíveis méritos. Mais de trinta anos depois de saltarem à cena, sem outra pretensão do que fazer sorrir circunstanciais leitores, os bons malandros não arredam pé e ganharam a afeição de gerações sucessivas. Nada mais surpreendente, para quem lhes deu vida, esta longevidade que permite divertir jovens de hoje, tal como acontecera com seus pais e mesmo avós. Aqui se apresenta uma nova (e esmerada) edição de um livro que já galgou pelo cinema e pelo teatro e ameaça novos estrondosos cometimentos. Entretanto, o que o autor ambiciona é o mesmo de sempre: proporcionar prazer de leitura a quem se dispõe à descoberta das singulares aventuras destes bons malandros. Se eles vos divertirem, cumprem o seu destino.”
Vida do Arcebispo de Fr. Luiz de Souza. Seara Nova. Lisboa, 1961, 96 págs. B.
Cheio de pureza, de graça, de religiosa gravidade, de compassado movimento, sensível à ironia branda do moralista, exacto na expressão das ideias, animado de uma bondade que o embebe de finura e de modéstia, o estilo de Fr. Luís de Sousa aparece-nos como um dos que mais apuraram a nossa língua e contribuíram para a fazer abandonar de todo as asperezas e incertezas de 500, tornando-a um instrumento maleável e sólido nas mãos dos futuros escritores.
Destinando-se este volume a estudantes e a professores de literatura portuguesa, procurámos escolher textos representativos da poesia mirandina e dispô-los segundo um critério didáctico de ordenação. Havia limites a respeitar e dai o termos prescindido de textos igualmente valiosos, embora, porventura, menos importantes do que estes
Poetas Pré-Românticos de Jacinto do Prado Coelho [Sel.]. Atlântida, 1961, 90 págs. B.
A poesia portuguesa quadram as palavras de Díaz-Plaja sobre a poesia lírica espanhola: «O neoclassicismo, que surge, em alguns manuais simplistas, como um bloco de rígida orientação literária, aparece-nos literalmente minado, nos seus começos, pela tradição barroca que perdura, não obstante o gosto oficial, e, na segunda fase, por toda uma série de temas e concepções que recebem o nome de pré-romantismo. Isto em grau tão acentuado que diríamos que, sob o neoclassicismo, se dão as mãos as últimas derivações barrocas e os primeiros pressentimentos românticos». Xavier de Matos é um bom exemplo desta confluência.
Poemas Lusitanos de António Ferreira. Atlântida Editora. Coimbra, 1973, 133 págs. B.
Defensor da língua pátria e da sua ilustração, talvez no entanto (exceptuada a Castro) o seu maior serviço literário tenha sido o de, na busca patriótica duma epopeia, haver levantado uma voz que Luís de Camões ouviu. Mas nem por isso iremos minimizar o seu consciencioso e diligente labor de doutrinação clássica, nem, apesar de não respeitarem directamente à arte literária, o valor e o alcance das suas ideias e sentimentos. Foi, aliás, a respeito destes que Garret, um dos que mais cedo atentaram crítica e esteticamente nas composições de António Ferreira, escreveu: Quanto à pureza da moral, ao nobre patriotismo, àquele generoso sentimento da honrada liberdade dos nossos avós, àquele entusiasmo da virtude – esse respira, mostra-se e resplandece em todas as suas obras.
Menos por Menos de Pedro Mexia. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 2011, 120 págs. B.
Em Menos por Menos – Poemas Escolhidos, uma antologia pessoal, Pedro Mexia oferece-nos uma selecção de poemas retirados dos seus seis livros de poesia escritos entre 1999 e 2007. 100 poemas que traduzem o que demelhor existe na obra de um dos mais conceituados autores da nova geração da poesia portuguesa contemporânea.
Casa de Meu Pai de Ana de Castra Osório. Instituto Piaget. Lisboa, 1998, 93 págs. B.
Plasmado no ambiente rural, o conto «Casa de Meu Pai» orienta-se por alguns princípios e práticas da pedagogia popular portuguesa, a qual, através de histórias, ao mesmo tempo de proveito e exemplo, foi ensinando a língua e transmitindo alguns valores da nossa identidade nacional. Talvez por isso, haja interesse em as novas gerações vivenciarem uns e questionarem outros, também à luz da modernidade e mesmo da pós-modernidade.
A sua apresentação, agora em diversas línguas, apoia-se em pressupostos de modernas correntes pedagógicas do ensino-aprendizagem da leitura e da escrita através de histórias.
Fernando Vale
Viúvas de Vivos de Joaquim Lagoeiro. Guimarães & Cª Editores. Lisboa, 1947, 276 págs. B.
Joaquim Henriques Pereira, de seu verdadeiro nome, nasceu e cresceu em terras de emigrantes e foi educado num seminário, factos que lhe influenciaram, naturalmente, a obra literária.
Com Viúvas de Vivos, Madre Antiga e Milagre em São Bartolomeu, construiu o chamado «tríptico de Terra» sobre a emigração; com Os Fraldas, Corda Bamba, Almas Danadas e Santos Pecadores, contou a vida dos que a sociedade considera sub-homens; com Mosca na Vidraça, Manto Diáfano e As Castigadas, retrata a estada numa grande capital.
Para Urbano Tavares Rodrigues, «em Madre Antiga mostra-nos o seu domínio da linguagem rural, a sua familiaridade com provérbios e sentenças, a sua capacidade para colorir a frase e confeccionar um diálogo vivo, lesto, com rompantes de violência, assomos picarescos e estos de sensibilidade.»
A Vida em Lisboa, de Júlio César Machado, é um daqueles poucos «romances contemporâneos» oitocentistas apostados em provar que não éramos um país sem costumes, e afazê-lo, como ao tempo ajuizava a Nação, com os recursos e liberdades de um extenso folhetim. A subordinação da acção e do enredo aos caracteres e aos usos não…
Versos de Adolfo Casais Monteiro. Editorial Inquérito. Lisboa, 1944, 257 págs. E..
Edição de grande cuidado gráfico, com retrato do autor por Cícero Dias, impresso em separado.
Figura central da modernidade literária portuguesa, Adolfo Casais Monteiro ocupa um lugar singular na poesia do século XX. Entre o lirismo inquieto e a rutura formal, a sua escrita dilui fronteiras entre prosa e poesia, antecipando caminhos decisivos do verso moderno. Como sublinharam Óscar Lopes, Gastão Cruz e Eugénio Lisboa, trata-se de uma obra marcada pela tensão entre pensamento e emoção, liberdade rítmica e rigor intelectual.
Últimos Versos de Eugénio de Castro. Livraria Bertrand. Lisboa, 1938, 87 págs. E.
Primeira edição deste livro consagrado à memória de dois entes queridos, como o autor nos elucida na abertura: “No dia 29 de Junho de 1930, morreu minha adorada neta Zèzinha, e onze dias depois, a 10 de Julho do mesmo ano, morria a mãi dela, que era a minha também adorada filha Violante, Viscondessa das Mercês, pelo seu casamento. à puríssima memória de ambas consagro estes versos, que escrevi regando-os com as mais amargas lágrimas da minha vida”.
📕 1ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
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