Vagabundo das Mãos de Ouro de Romeu Correia.
Editorial Notícias. Lisboa, 1989, 91 págs. B.
Inspirada nos romances de cordel que os mendigos vendiam nas feiras e romarias, “O Vagabundo das Mãos de Oiro” é uma farsa toda ela caricatura, cor e poesia ingénua. Das onze figuras que nela entram, apenas duas são figuras humanas (Mestre Albino e Zé Guia). As outras, são bonecos de trapos e serradura movidos por cordéis.
Edição comemorativa dos 50 anos da primeira edição do mais célebre e polémico livro de Tomás da Fonseca, pela primeira vez publicado em Portugal em 1909 e mais tarde proibido de circular. Edição destinada ao Brasil, ilustrada com um retrato do autor.
Música ao Longe de Erico Veríssimo. Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 211 págs. B.
A família Albuquerque se orgulha de ter recepcionado o imperador D. Pedro II numa suposta visita do monarca ao município de Jacarecanga. Apesar de terem sido proprietários da maior estância da região e de se considerarem benfeitores da população da cidade no passado, na década de 30 os Albuquerque estão atolados em dívidas e lutam para não perder o último casarão familiar. A ação é descrita através do olhar a um só tempo inquiridor e ingênuo da professora Clarissa, personagem surgida dois anos antes no romance de mesmo nome. A jovem não compreende o primo Vasco, um rebelde que vive às turras com a família, e não percebe que o primo personifica o amor ainda imaturo que, segundo um poeta que Clarissa aprecia, ‘tem o encanto fugidio e misterioso de uma música ao longe’.
Meio Dia de Faustino dos Reis Sousa.
J. Rodrigues & Cª Editores. Lisboa, 1918, 100 págs. E.
Nasceu na Ribeira de Santarém em 6 de Janeiro de 1883.
Poeta e publicista, desde cedo prestou a sua colaboração a jornais e revistas de carácter literário, nos quais se encontram, entre outros, “Damião de Góis”, “Vilafranquense”, “Ecos do Ribatejo”, “Mensageiro de Cira”, “Mensageiro do Ribatejo”, “Vida Ribatejana”, “A Verdade” e “Correio da Extremadura”.
Deu à estampa três livros de poesia. “Meio Dia (1918)”, “Fumo do Meu Casal (1938)” e “Luz da Tarde (1946)”.
📕 1ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Advogado, governador civil de Aveiro, deputado em várias legislaturas, jornalista, pintor e músico amador, escreveu comédias de um suave lirismo, atento à poesia do quotidiano, em que ressoam os últimos ecos do romantismo e que beneficiaram da interpretação dos melhores comediantes do seu tempo, de Lucinda Simões e Rosa Damasceno a Brasão, Ferreiro da Silva, João e Augusto Rosa.
“… A dialéctica da emancipação da mulher tem neste romance um dos seus mais vivos e vigorosos testemunhos. Natália Correia acompanha, passo a passo, a vida da mulher que, desenraizada da sua ancestralidade feudal, procura àvidamente o direito a uma existência própria, à possessão de um destino pessoal que lhe foi milenariamente sonegado…”
Envelhecer de Marcelino Mesquita. J. Rodrigues & Cª Editores. Lisboa, 1912, 162 págs. E.
Escriptorio luxuoso, em casa de Eduardo de Mello. Estantes com livros: sôbre o lambriz alto, fotografias, pequenos objectos de arte: sôbre as estantes, jarras, estatuetas: a um lado um grande espelho de Veneza; no outro um fogão: ao fundo (lado do fogão) um arco fechado por amplo reposteiro, cahido. Secretária, cadeiras, etc.)
Anjo Mudo de Al Berto. Contexto Editora. Lisboa, 1993, 111 págs. Mole.
O Anjo Mudo reúne quase todos os textos do autor publicados em revistas, catálogos de exposições de pintura e de fotografia, e ainda alguns inéditos – assim como uma boa parte dos textos que foram lidos em público e agora, pela primeira vez, se publicam.
O arrumo dos textos não teve em conta nenhuma cronologia; e, nalguns casos, não surgem aqui no grupo a que inicialmente pertenciam.
📕 1ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Verdade Nua de Carlos Malheiro Dias. Portugal-Brasil Sociedade Editora. Lisboa, s.d.
Crónicas.
Escritor português, da escola naturalista, nascido em 1875, no Porto, e falecido em 1941, em Lisboa. Licenciado em Letras pela Universidade de Lisboa, foi defensor convicto da causa monárquica, tanto em Portugal como no Brasil, onde publicou as suas primeiras obras de ficção. Ocupou alguns cargos políticos no Porto. Da sua vasta obra destacam-se Cenários – Fantasias sobre a História Antiga (1894), O Estado Atual da Causa Monárquica (1913), Exortação à Mocidade (1924) e O Piedoso e o Desejado (1925). A investigação historiográfica História da Colonização Portuguesa no Brasil (1921-24) é também digna de registo.
Uma sala de estar numa moradia de gente rica nos arredo res de Lisboa, perto da linha de caminho de ferro, de onde se avista o Tejo. A sala é mobilada com conforto. Ao fundo duas janelas amplas que dão para o caminho de ferro e para o rio. No lado direito duas portas para o interior da casa. No lado esquerdo a porta que dá para o vestíbulo, que por seu turno comunica com o jardim. De longe a longe ouve-se o ruído, o apito e o estremecimento de um comboio que passa. Quando o pano se ergue está uma única pessoa na sala: uma mulher alta, de costas, apoiada a uma bengala. Conserva-se assim durante cerca de 20 segundos e depois volta-se lentamente. Tem cerca de 70 anos e é completamente cega. Dá uns passos hesitantes, apalpando com a bengala, como quem procura. Depois, tendo topado com uma mesa, apoia-se nela e vai girando em torno, até encontrar um maple
O protagonista é um homem de meia-idade, funcionário inferior do Arquivo do Registo Civil. Este funcionário cultiva a pequena mania de colecionar notícias de jornais e revistas sobre gente célebre. Um dia reconhece a falta, nas suas coleções, de informações exatas sobre o nascimento (data, naturalidade, nome dos pais, etc.) dessas pessoas. Dedica-se portanto a copiar os respetivos dados das fichas que se encontram no arquivo. Casualmente, a ficha de uma pessoa comum (uma mulher) mistura-se com outras que está copiando. O súbito contraste entre o que é conhecido e o que é desconhecido faz surgir nele a necessidade de conhecer a vida dessa mulher. Começa assim uma busca, a procura do outro.
Neste livro retrata-se a vida da família Palma, uma família simples e tradicional portuguesa, que habita num pequeno vilarejo onde a força das oligarquias (a GNR e as famílias ricas) oprime terrivelmente os camponeses e subverte as relações familiares.
Editada em 1932, esta é a obra de estreia de José Rodrigues Miguéis e, talvez, uma das suas criações mais pesadas, onde a alienação e a loucura do indivíduo ganham uma expressão que não se encontra noutros trabalhos do autor. Vítima de opressão social, humilhado e derrotado pela vida, o protagonista da história decide dedicar-se ao crime, roubando compulsivamente o patrão. Desligado do mundo e até da sua família, talvez porque ele próprio também cresceu órfão, acaba por cometer um assassinato quando os seus crimes são descobertos. A novela inicia-se já com o seu julgamento e revela toda a sua paranóia e esquizofrenia.
ONDE A NOITE SE ACABA DE JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS Estúdios Cor. Lisboa, 1959. 279 págs. B.
Colectânea de contos e novelas de José Rodrigues Miguéis, escritor de Lisboa expatriado nos Estados Unidos desde 1935, reunindo personagens de origens diversas, europeias, americanas e asiáticas, que se cruzam nos momentos em que forças opostas decidem o destino dos indivíduos, das famílias e dos povos. O conjunto retoma uma tradição da prosa portuguesa de representação da vida em vários pontos do mundo, desenvolvida numa escrita de grande densidade lírica e mordacidade social.
────────────────── Características do Exemplar
📕 1ª Edição Portuguesa (2ª edição revista; 1ª edição: Rio de Janeiro, 1946)
📝 Assinatura de posse.
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Morgadinha de Valflor de Manuel Pinheiro Chagas. Viúva Moré – Editora. Porto, 1872, 143 págs. Dura.
Drama em cinco atos, de Pinheiro Chagas, representado pela primeira vez no Teatro D. Maria II, em abril de 1869, e publicado no mesmo ano, que conheceu sucessivas reedições e foi traduzido em espanhol e italiano. A intriga, sentimental e ultrarromântica, desenrola-se na Beira, em finais do século XVIII, época conturbada de transformações políticas e sociais, e gira em torno do amor impossível, com desfecho trágico, entre Leonor, a morgadinha de Valflor, uma fidalga altiva, e Luís, um humilde pintor em quem ela reconhece a “incontestável superioridade sobre os filhos degenerados da gloriosa nobreza de outrora”.
📕 2ª Edição.
✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Léah de José Rodrigues Miguéis. Estúdios Cor. Lisboa, 1959, 351 págs. B.
Léah e Outras Histórias (1958), provavelmente o mais querido e conhecido livro de José Rodrigues Miguéis, dá-nos a síntese perfeita da vida e da obra deste autor. Dez retratos ambulantes, por entre a Beira Interior, Lisboa e a sua província, Nova Iorque, Bruxelas, ou algures num misterioso país europeu tomado pela autoritarite no ar dos tempos. Dez viagens de partida e chegada às memórias de um amor perdido ou preterido pelo dinheiro, às guerras de faca e alguidar camilianas, ao estudo sociológico das gentes da capital, das passeatas da burguesia regadas a vinho e petiscos, das aventuras de espiões ou das grandes recordações no exílio, aterrando por fim nesse nervo do passado como relíquia que é a Av. Almirante Reis: «Quem quiser saber a história toda deste sítio não tem senão que vir bater à minha porta.» Entremos, pois, neste universo de pura imaginação.
📕 2ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
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