Aranha de Henri Troyat. Editorial Inquérito. Lisboa, s.d., 236 págs. B.
Henri Troyat (1911–2007), nascido Lev Aslanovich Tarasov em Moscovo, foi escritor, ensaísta, novelista e historiador francês de origem arménia. Exilado com a família após a Revolução Russa, fixou-se em Paris em 1920, onde estudou Direito e iniciou carreira literária. Vencedor do Prémio Goncourt em 1938, publicou mais de 100 obras, incluindo biografias de Tolstói, Catarina, a Grande e Rasputin. Membro da Academia Francesa desde 1959, destacou-se com La neige en deuil, adaptado ao cinema em 1956.
Amor Inesperado de Susan Lewis. Porto Editora. Porto, 2008, 476 págs. B.
Natalie, a filha adolescente de Jessica e Charlie Moore, morre num estranho acidente em França.
Pai e mãe ficam destroçados. Mas Jessica sente que ficou algo por explicar, enquanto Charlie se recusa a discutir o que aconteceu naquele fatídico dia.
Então, o casamento de ambos é abalado por mais um choque, e Jessica parte para França, sozinha, em busca de respostas. Quando chega a uma paradisíaca vinha no coração da Borgonha, descobre muito mais do que esperava: um amor completamente proibido e uma verdade que mudará a sua vida¿ para sempre.
Tendo como cenário um verão quente e um enfeitiçante mundo de aromas, paladares e romance, Um Amor Inesperado é uma história íntima e apaixonada de amor e desilusão, de lealdade e traição.
Ménone e Parménides de Platão. Cosmos. Lisboa, 1945, 180 págs. B.
Ménone, discipulo de Górgias, pregunta a Socrates se a virtude se adquire pelo ensino, pelo exercicio, ou de qualquer outra maneira. Sócrates, simulando ignorância, como de costume, começa por notar que só depois de se saber o que é a virtude se podem conhecer as suas qualidades. O seu interlocutor, surpreendido com a ignorância de Sócrates a este respeito, expõe, a pedido dêle, a opinião de Górgias. Mas, em vez de definir a virtude, disso desdobra-a em várias espécies conforme as pessoas (homem, mulher, criança, escravo) que a praticam. Socrates protesta contra este método, que não permite aprender a essência da virtude, e insiste na distinção do particular e do geral, levando Ménone a tentar uma definição geral: a virtude é a capacidade de mandar. Todavia, esta definição é demasiado estreita, porque não abrange a criança nem o escravo que devem obedecer, e vaga porque não estabelece como se deve mandar. Deve mandar-se justamente?
Estranha História de Oliver Twist de Charles Dickens. Romano Torres. Lisboa, 1952, 411 págs. Mole.
A saga do órfão Oliver Twist na sua progressão por um mundo desumano onde, mesmo assim, existe sempre a esperança.
Oliver Twist é um órfão numa sociedade britânica em plena Revolução Industrial. Até ao final da sua infância, Oliver é vendido, transacionado e usado como se de um produto ou um escravo se tratasse. Da sua passagem pelo orfanato gerido por um regime opressivo é vendido como aprendiz de cangalheiro. Os maus-tratos sucedem-se e Oliver consegue fugir para a metrópole, Londres, a capital do maior império à face da terra e onde a vida humana continua a valer menos do que a mais pequena das moedas.
Para sobreviver, Oliver junta-se a um grupo de miúdos carteiristas que percorrem as ruas de Londres ao serviço do pérfido Fagin.
Apesar de tudo há sempre espaço para a amizade e a esperança, e quando tudo parece perdido vê-se uma luz ao fundo do túnel.
Contos do Don de Cholokov. Editora Arcádia. Lisboa, 1965, 381 págs. Dura.
«CONTOS DO DON» foi exactamente a primeira obra de Cholokov, mas nela se patenteia já um pleno domínio de processos e valores literários, tornando-a uma das melhores do autor. Em pleno clima de guerra, nas aldeias cossacas, no período que se segue à revolução russa de 1917, o entrechoque de interesses e vontades, de ideais e apetites, transformam a região num verdadeiro quadro de epopeia. E aí Cholokov é espantoso na humanidade que empresta aos heróis que cria.
O carácter imediato dos processos narrativos de Cholokov transforma o livro numa visualização permanente da matéria narrada. Temos a sensação de assistir, ou até de participar na acção, dentro aliás duma constante dos grandes escritores russos.
Contos de Graham Greene. Livraria Agir Editora. Rio de Janeiro, 1959, 350 págs. Mole.
Os contos de Graham Greene cor-rem paralelos à sua obra de romancista. Fazem pequeno volume, assim como a sua obra teatral que consta apenas de duas peças. Foram primeiro publicados em 1935, em número de dez, sob o título de The Basement Room (A Sala do Porão) que é, aliás, o conto inicial do presente volume e do qual foi tirado o argumento para o filme The Fallen Idol. Em 1947, Estes mesmos contos acrescidos de mais nove formaram o volume das Nineteen Stories, dezassete dos quais foram retomados em Twenty-One Stories, publicado em 1954.
Cônsul Honorário de Graham Greene.
Livraria Bertrand. Amadora, 1973, 385 págs. Mole.
Graham Greene considerava-o como o seu melhor romance e simultaneamente o que lhe mais custou a escrever. A obra tem como cenário uma cidade da Argentina, mas o pano de fundo é ocupado pela ditadura do general Alfredo Stroessner, que governou o Paraguai durante 35 anos. Um grupo de guerrilheiros paraguaios decide raptar um embaixador americano para exigir como resgate a libertação de presos políticos. Mas quem acaba por ser raptado por engano é Charley Fortnum, um cônsul honorário britânico e bêbado diplomado, sem o mínimo valor de troca em termos políticos. O Governo britânico não está interessado em salvar o seu cônsul, criando uma situação extremamente grave para Fortnum. Tal como todos os livros de Greene, O Cônsul Honorário é um romance de acção, de espionagem e, acima de tudo, um drama moral. O seu enredo engenhoso e o seu humor subtil inspiraram, em 1983, um filme com Michael Caine no magnífico papel de cônsul.
Segundo a crítica, o romance contemporâneo ocupa o lugar do poema. A narrativa em verso – épica ou cómica – cedeu o passo ao relato em prosa, a que, por vezes, nem falta o ritmo poético. Colas Breugnon, livro singular entre as obras de Romain Rolland, documenta exuberantemente essa tese. É um poema em vários cantos, que evoca a terra da Borgonha e o viver do seu povo. Tem o seu herói: Colas Breugnon, símbolo da grei, com raízes fundas nesse solo úbere de colinas túmidas de vinhedos e pomares. Nesse poema em prosa, avultam os lances essenciais da vida do Homem: a infância e a velhice, o amor e a morte, as pestes e as guerras, os folguedos e desvairos da plebe, as crenças e as crendices populares, o bom vinho e a boa mesa: a vida em suma.
Chaves do Reino de A. J. Cronin. Círculo de Leitores. Lisboa, 1974, 369 págs. Dura.
Entre a obediência e a compaixão, um homem escolhe o caminho mais solitário — e mais verdadeiro.
Francis Chisholm nunca foi um padre comum. Desde cedo, recusou-se a aceitar as regras sem alma e os dogmas sem misericórdia. Quando é enviado para uma missão na China, em pleno caos político e social, leva consigo pouco mais do que a fé — e a firme convicção de que o amor vale mais do que a autoridade.
Numa terra estranha, entre doenças, pobreza e resistência cultural, Chisholm constrói, passo a passo, uma nova ideia de Igreja — feita de entrega, escuta e humildade. Mas o preço da coerência é alto, e os inimigos nem sempre estão longe.
Uma narrativa poderosa sobre fé vivida com humanidade, sobre o valor do sacrifício e a força silenciosa da bondade. Um romance intemporal que continua a tocar leitores geração após geração
Capitão e o Inimigo de Graham Greene. Círculo de Leitores. Lisboa, 1990, 182 págs. Dura.
“Tenho agora vinte e dois anos e, contudo, o único aniversário que distingo claramente de todos os outros é o dos doze, porque foi naquele dia húmido e enevoado de Setembro que conheci o Capitão. Ainda me lembro das pedras molhadas sob os meus sapatos de ginástica no pátio do colégio e de como as folhas mortas tornavam escorregadio o claustro junto da capela quando corria imprudentemente para fugir aos meus inimigos entre uma aula e a seguinte. Escorreguei e fiz uma paragem brusca enquanto os meus perseguidores se afastavam assobiando, porque no meio do pátio se encontrava o nosso temível director, conversando com um homem alto que usava um chapéu de coco, um espectáculo raro já nessa altura, que o fazia parecer-se com um actor – impressão esta não muito errada, porque nunca mais o vi de chapéu de coco.”
Ambições Frustadas de Alberto Moravia. Editora Arcádia. Lisboa, 1971, 575 págs. Dura
Ambições Frustradas, que foi o segundo romance de Morávia, é talvez dos melhores exemplos dessa faceta tragedizante do autor e também da faculdade de transpor os termos tradicionais da tragédia-conflito individual para os do enquadramento social dos personagens, da sua oposição a um destino isolado.
Em ‘Ambições Frustadas’, Alberto Moravia retrata a alta burguesia, que vê o mundo e a vida a partir de seus interesses imediatistas, raramente legítimos. Comparando a burguesia a uma fauna humana alienada pelo esnobismo, fixação no poder financeiro, falta de ética e de moral, o autor faz indagações sobre as causas dessa realidade social. Um interessante historia sobre a sociedade romana da década de 30. Personagens cujas vidas se entrelaçam de modo curioso servem de foco para a ferrenha crítica de Morávia. A futilidade, superficialidade e valores de uma classe são retratadas com uma linguagem que lembra a do cinema moderno.
Agente Secreto de Graham Greene. Empresa Nacional de Publicidade. Lisboa, s.d., 336 págs. Mole.
D., um ex-professor de Literatura Medieval, foi enviado a Inglaterra com a incumbência de adquirir carvão… a qualquer preço. Falhar significaria a derrota… a derrota para um governo continental com uma guerra civil entre as mãos. Escrito em cerca de seis semanas durante o ano de 1938, O Agente Secreto é uma brilhante antevisão dos dramas que iriam assolar a Europa e o mundo nos anos subsequentes.
1934 de Alberto Moravia. Editorial Presença. Lisboa, 1984, 211 págs. B.
Romance de Alberto Moravia, publicado em Itália em 1982 e traduzido por Mário de Brito para esta edição portuguesa. Passado em 1934, acompanha Lucio, jovem intelectual antifascista, numa viagem a Capri onde se envolve com Beate Müller, jovem alemã de espírito melancólico casada com um simpatizante nazi. A intriga, marcada por jogos de identidade e pela presença da irmã gémea de Beate, serve de pano de fundo a uma reflexão sobre o desespero existencial e a ascensão do totalitarismo na Europa dos anos trinta.
────────────────── Características do Exemplar ✅ Exemplar limpo de anotações e marcas de posse ──────────────────
Depois do extraordinário êxito de repercussão internacional alcançado pelo primeiro livro desta trilogia, A Queda dos Gigantes, retomamos a história no ponto onde a deixámos. A segunda geração das cinco famílias cujas vidas acompanhámos no primeiro volume assume pouco a pouco o protagonismo, a par de figuras históricas e no contexto das situações reais, desde a ascensão do Terceiro Reich, através da Guerra Civil de Espanha, durante a luta feroz entre os Aliados e as potências do Eixo, o Holocausto, o começo da era atómica inaugurada em Hiroxima e Nagasáqui, até ao início da Guerra Fria. Como no volume anterior, a totalidade do quadro é-nos oferecido como um vasto fresco que evolui a um ritmo de complexidade sempre crescente.
Os Thibault é um romance cíclico que focaliza uma época decisiva para a configuração do mundo moderno, através da narração da história de uma família francesa durante os dois primeiros decênios do século XX. Anos que se caracterizaram pela solidificação de novas ideologias, pela tomada de consciência de determinados grupos sociais, pela derrubada de regimes políticos e pela primeira conflagração mundial.
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