Catedral de Vicente Blanco Ibañez. Livraria Bertrand. Lisboa, s.d., 338 págs. B.
O romance “A Catedral”, de Vicente Blasco Ibáñez, publicado originalmente em 1903. Não se trata de uma catedral real, mas sim de uma obra literária que utiliza a Catedral de Toledo como cenário principal e símbolo da sociedade espanhola do início do século XX.
Nora vive o sonho burguês do final do século XIX: casada com um quadro superior num banco, tem 3 filhos e vive uma vida desafogada. No entanto, esconde um segredo que, se descoberto, pode destruir este idílio e atirá-la para as mãos da justiça, condenando assim a família à desgraça. O terror anunciado chegará através de um homem sinistro, impondo uma revolução indesejada, mas inevitável, na vida e na consciência desta mulher.
Levada à cena pela primeira vez em 1879, Casa de Bonecas chocou a sociedade da época pela exploração realista que faz do lugar da mulher na sociedade e na família, e pela denúncia da falsa moralidade que lhe é imposta. A discussão em torno da ação transbordou dos palcos para os jornais e salões da época e confirmou Ibsen, obreiro de uma extraordinária modernização do teatro, como um dos dramaturgos mais influentes da literatura ocidental.
“Sagesse é o título do livro. Obviamente não posso traduzi-la por sabedoria, desarticular a palavra em saberes práticos, no plural, que torna obscura a unidade. Abro o sentido do livro, a ondulação fluente dos contrários e, através dele, quase encontro Verlaine, como ele gostaria de ser reconhecido por mim — num alto, olhando uma cidade, sentado debaixo de uma árvore. Nada sei do Paraíso, vejo apenas um ponteiro girando no mostrador das horas, seccionando o dia em ramos frondosos de poemas. Que fazer senão tornar as imagens cada vez mais simples, Sageza é diferente se sabedoria, e contém mais – contém mais o que? Sagaz na sabedoria é o caminho por onde vai a palavra – e encontra uma clareira onde eu suponho que alcancei estes poemas, com o desejo profundo de obedecer às suas regras.”
Em Recordações da Casa dos Mortos, Dostoievski narra a sua experiência de cinco anos de prisão siberiana. Ele fora preso em Abril de 1849 e condenado à morte por actividades contra o governo como membro do Círculo Petrashevski. A 22 de Dezembro, colocado diante de um pelotão de fuzilamento, viu a ordem de execução comutada no último momento por trabalhos forçados na Sibéria.
Os acontecimentos são contados do ponto de vista de Aleksandr Petróvitch Goriántchikov, que assassinou a mulher no primeiro ano de casamento e vai descrevendo as conversas, experiências e sentimentos dos outros presos. Dostoievski fala da perda de liberdade, da solidão, do frio, dos trabalhos forçados e do carácter daqueles com quem conviveu, que, apesar de criminosos, descreve com humanidade, demonstrando admiração pela sua energia, engenhosidade e talento. Isto apesar dos seus ódios, astúcias, falta de escrúpulos e delações.
A vida na prisão é particularmente dura para Aleksandr Petróvitch, mais educado e sensível do que a maioria dos outros detidos. Dostoievski conclui que a existência de prisões como aquela, com as suas práticas administrativas e os cruéis castigos corporais, é um facto trágico tanto para os prisioneiros como para a Rússia. É como se previsse também o gulag dos tempos de Estaline, que viria a ser narrado, entre outros escritores, por Varlam Chalamov nos Contos de Kolimá
Graças e Desgraçadas de um Casal Ventoso de Rimbaud.
Hiena Editora. Lisboa, 1993, 133 págs. B.
“Graças e Desgraças de um Casal Ventoso” é uma obra que reúne a correspondência entre Arthur Rimbaud e Paul Verlaine, dois poetas franceses conhecidos por sua relação tumultuada
Currito de la Cruz de P. Lugin.
Portugália Editora. Lisboa, s.d., 2 vols. B.
Currito é um jovem órfão que sonha tornar-se toureiro — e consegue. Inspirado pelo lendário Manuel Carmona, acaba por se apaixonar por Rocío, a filha do seu ídolo. Mas o amor não é correspondido: Rocío entrega-se ao charme do seu rival, o famoso toureiro Romerita. Desiludido, Currito vê a sua vida e carreira entrarem em declínio. Tudo muda quando decide ajudar Rocío, agora mãe solteira, abandonada por Romerita. Ao recuperar a coragem e o amor, Currito reencontra o sucesso nas arenas e conquista finalmente o coração da mulher que sempre amou.
Condenação à Morte de Aragon. Portugália Editora. Lisboa, 1966, 492 págs. B.
«Uma carta de amor de quinhentas páginas? É isso, enfim, Condenação à Morte? A carta à mulher de toda a sua vida de um homem eternamente apaixonado? Uma carta de amor… Um роеtа escrito na mais bela linguagem… Um romance sobre o ciúme… Tudo isto é fantástico, musical, humano, sublime. Romance? Poema? Ensaio? Carta de amor? Que importa, uma vez que é belo!» – André Maurois
Cuidada antologia traduzida por Eugénio de Andrade, volume inaugural da excelente colecção «As mãos e os frutos». Segunda edição, acrescentada com uma «Ode a Frederico Garcia Lorca», por Pablo Neruda.
Lourdes de Emile Zola. Bertrand. Lisboa, 1911, 524 págs. Dura
No romance Lourdes, Émile Zola acompanha o abade Pierre Froment numa peregrinação ao santuário mariano do sul de França, em busca de respostas espirituais para a sua crise de fé. Durante cinco dias intensos, o leitor é levado a percorrer os caminhos da dor, da esperança e da fé de milhares de doentes e devotos que ali acorrem em busca de cura e consolo. Com um olhar simultaneamente crítico e compassivo, Zola expõe o fervor popular, a organização do culto e as contradições entre ciência e religião no fim do século XIX. Mais do que uma crítica à fé cega ou uma defesa do racionalismo, Lourdes é um retrato humano e comovente da necessidade do milagre como resposta ao sofrimento.
Laurie Kenyon, uma estudante de 21 anos, é acusada do assassinato do seu professor Allan Grant. A evidência é irrefutável: profusas impressões digitais da jovem foram encontradas ao redor do corpo, brutalmente esfaqueado. No entanto, ela não se lembra de nada sobre o crime.
Durante a infância, Laurie foi sequestrada e submetida a terríveis abusos e humilhações, uma experiência horrível que a levou a desenvolver uma personalidade múltipla. Laurie não sabe quantas personalidades vivem dentro dela, e menos ainda que uma delas, Leona, escreveu ardentes cartas de amor ao professor assassinado e até visitou secretamente sua casa…
Cronista e testemunha da campanha da Rússia, Sven Hassel descreve magistralmente neste livro os sofrimentos e os feitos desses soldados entregues a um ambiente desumano devido à loucura de Hitler.
Por fim, vem a retirada. Morrendo de fome e de frio, fogem da tortura e do internamento nos campos russos. Encontrar-se-ão aqui heróis familiares: Porta, Heide, o fanático, o legionário saudoso de França, e esse sargento querido por todos a quem chamavam o Velho. Perdidos na imensa Rússia, em busca da ainda activa frente alemã, acabam por alcançar as linhas após um episódio dramático, cuja descrição é uma das mais comoventes escritas por Sven Hassel.
«Que é que para ti tem ainda importância?», pergunta , a dado passo deste livro, Elizabeth a Ernst. Ele responde: «Que ainda não estejamos mortos.»
A vida que se lhes oferece é um mero entreacto, um intervalo de de desesperada esperança. Tempo para amar e tempo para morrer conduz o leitor através dos campos de batalha de África e do leste ao seio de uma Alemanha destruída, aos dramas e preplexidades do povo alemão, á redentora augústia e á redentora esperança de um homem e de uma mulher que se amam.
Documento dramático de acontecimentos terríveis, a obra de Erich Maria Remarque é um grito corajoso e veemente contra a guerra que ele sofreu na alma e na carne.
O Som e a Fúria é a tragédia da família Compson, apresentando algumas das personagens mais memoráveis da literatura: a bela e rebelde Caddy, Benjy, o filho varão, o assombrado e neurótico Quentin; Jason, o cínico brutal, e Dilsey, o criado negro. Com as suas vidas fragmentadas e atormentadas pela história e pela herança, as suas vozes e ações enredam-se para criar o que é, sem dúvida, a obra-prima de Faulkner e um dos maiores romances do século XX. William Faulkner afirmou muitas vezes que O Som e a Fúria era o romance mais próximo do seu coração porque era o que lhe tinha causado mais sofrimento e angústia a escrever. Neste magnífico romance, publicado pela primeira vez em 1929, Faulkner criou a «menina dos seus olhos», a bela e trágica Caddy Compson, cuja história nos conta através dos monólogos separados dos seus três irmãos: Benjy, o idiota; Quentin, o suicida neurótico; e o monstruoso Jason.
Um Silêncio de Desejo é um ro-mance de amor e ciúme, de amar-gura e encantamento, que nos faz penetrar na intimidade de um casal de pequenos burgueses do Sul da India. Na rotina feliz de Dandekar e Sarojini insinua-se, no entanto, a breve trecho, o infortúnio.
Rua de Manfred Gregor. Publicações Europa-América. Lisboa, 1964, 311 págs. B. Século XX | 62
Na linha dos que o precederam, este novo romance, «A Rua», dá-nos um quadro tenso e desencantado dos caminhos de certa juventude de hoje, desviada por múltiplas solicitações, desamparada, vitima de ambientes familiares pouco edificantes, aprendendo na escola da rua» a fácil lição da delinquência e do crime.
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