Poesias de Sá de Miranda de Rodrigues Lapa. Textos Literários. Lisboa, 1942, 88 págs. B.
Desde o século XIX, na expressão de Almeida Garrett, que é assegurada a Francisco Sá de Miranda a honra de “pai da poesia portuguesa”. Responsável pela introdução de novas formas e novo metro na poesia portuguesa, o poeta quinhentista escreveu vilancetes, cantigas, esparsas, glosas e formas novas como o soneto e a sextina. A presente antologia pretende resgatar das malhas do tempo o autor renascentista ímpar e o seu trabalho poético comprometido com um tempo passado, mas que permanece vivo no presente, capaz de deleitar e instruir.
Anoitecer da Vida de Camilo Castelo Branco. Publicações Europa-América. Mem Martins, 1999, 133 págs. Mole.
«Vejo-te ainda qual eras
nesses fugitivos dias
de saudosas alegrias
dum amor, belo ao nascer.Vejo-te ainda qual eras,
terna amiga, carinhosa,
cara irmã, luz milagrosa
nas trevas do meu viver.Linda eras, tinhas alma
como poucos ter podiam;
e teus olhos me diziam
mil segredos que esqueci.Linda eras, tinhas alma,
mas queimada pelo lume
dum frenético ciúme
que me fez fugir de ti.»
nas trevas do meu viver.Linda eras, tinhas alma
como poucos ter podiam;
e teus olhos me diziam
mil segredos que esqueci.Linda eras, tinhas alma,
mas queimada pelo lume
dum frenético ciúme
que me fez fugir de ti.»
Babel em Redondilhas de Luís de Camões [et al.] Edições Ática. Lisboa, 2010, 75 págs. Mole.
No limiar do seu trabalho editorial, Babel entendeu editar estas três obras, não obstante todas as diferenças que separam o seu próprio conceito daquela outra Babel que os nossos clássicos abordaram a partir de uma diferente gama de preocupações. Com efeito, a salvação do homem, hoje, está na construção da mais alta torre a partir da diversidade inumerável das línguas e obras de Babel
Poemas de Nicola Vaptsarov. Limiar. Porto, 1980, 66 págs. B.
Ele deixou-nos dois ensinamentos: a sua própria poesia, escrita com «palavras simples», da qual foram extraídas definitivamente as raízes da poesia abstracta e do formalismo da Europa e ainda o mandamento incluído na poesia «História», que sempre viverá no futuro. Neles está representado o perfil moral das gerações vindouras, o seu destino, o destino dos elementos que, como a natureza, criam o mundo e a civilização. Graças a este poeta os italianos interessaram-se pela literatura búlgara, ainda pouco conhecida e por aprenderem de Vaptsarov sobre a vida social do homem, tal como foi, como é e como não será. No entanto é preciso salientar o dramatismo de Vaptsarov nas sua obras épicas. A sua experiência como escritor confirma-se através de relações constantes com a língua viva, à qual aspiram todos os poetas do mundo. Não esqueçamos também o homem Vaptsarov, a sua força moral, o seu heroismo espontâneo e a abnegação, com os quais serviu o seu povo. E desiludamos aqueles que acreditam na morte, em nome daquela morte que é “lógica” para o poeta.
A ação central da obra é a viagem de Vasco da Gama para a Índia. Dela se serve o poeta para nos oferecer a visão épica de toda a História de Portugal até à sua época, ora sendo ele o narrador, ora transferindo essa tarefa para figuras da viagem. Para outras figuras – as míticas – transfere os discursos que projetam a ação no futuro em forma profética.
Os quatro poetas que hoje trazemos a um público de língua diversa, momentos da evolução, de que falámos, pertencem a uma época que nos é mais próxima, são marcos dessa luta permanente pela sobrevivência e pela dignidade iniciada há séculos, desde os tempos longinquos em que o território era apenas povoado pelos Trácios, esse povo de Orfeu que trabalhava o ouro e cuja cultura altamente desenvolvida precedeu a cultura helénica, num território destinado a ser atraves-sado por guerreiros das mais diversas nacionalidades, devastado pelo fogo e o sangue das ambições, das conquistas, do heroísmo e do desespéro; quatro homens, quatro poetas, quatro símbolos, pois que toda a história da Búlgaria se funda na fusão maravilhosa de duas componentes constantemente aliadas: o heroísmo e a cultura.
Augusto Gil (Porto, 1873 – Lisboa, 1929) passou a infância na Guarda e estudou Direito em Coimbra, onde contactou com várias correntes literárias. Exerceu advocacia e foi diretor-geral das Belas-Artes.
A sua poesia reflete influências do parnasianismo, simbolismo e realismo, com destaque para um lirismo tipicamente português, muitas vezes irónico. Foi exímio na quadra popular e tornou-se popular com Luar de Janeiro. Ladislau Patrício reuniu inéditos seus em 1942.
Espirituais de Oliva Guerra. Ed. Autor. Lisboa, 1922, 100 págs. B.
Oliva Correia de Almada Meneses Guerra, natural de Sintra, foi poetisa, musicóloga e cronista, destacando-se na promoção cultural do concelho. Como presidente do Instituto de Sintra, ajudou a revelar talentos e dinamizar a cultura local. Publicou obras como Passos ao Longe e Roteiro Lírico de Sintra e colaborou com jornais como Diário de Lisboa e Diário Popular. Conviveu com figuras ilustres da cultura e política portuguesa e europeia.
Terceiro edição deste importante livro de Carlos Queiroz distinguido pelo Secretariado de Propaganda Nacional com o ‘Prémio de Poesia – Antero de Quental’, nesta edição, acrescentada com 20 poemas e ilustrada com um retrato fotográfico do Poeta.
Aurora da Nossa Poesia de Ester de Lemos. Campanha Nacional de Educação de Adultos. Coimbra, s.d., 147 págs. B.
“(…) Este livrinho que vão ler, leitores amigos, fala dos primeiros versos que em Portugal se escreveram (…) Por eles verão os leitores que houve, antes de nós, muito antes de nós, homens capazes de fazer belas coisas; por eles verão como em Portugal se começaram a fazer versos. Por eles verão também que, se alguma coisa é belo de verdade, não há força de tempo capaz de lhe tirar o encanto (…)”
Lusíadas de Luís de Camões. Imprensa Nacional de Lisboa. Lisboa, 1931, 375 págs. B.
Foi esta edição de Os Lusíadas feita por iniciativa de Afonso Lopes Vieira e por amor de Portugal e do poema.
O texto reproduz o da edição prínceps de 1572, com a ortografia e a pontuação reformadas, e foi revisto pelo mestre camonista Dr. José Maria Rodrigues também responsável pelas «Notas filológicas, históricas, geográficas, mitológicas e cosmológicas» apresentadas no fim. Ilustrado com um retrato do autor e um mapa intitulado “CARREIRA DA INDIA NO SEO DESCOBRIMENTO POR VASCO DA GAMA.. O prefácio é transcrito com autorização da falecida e eminente professora D. Carolina Michaelis de Vasconcelos.
O retrato foi gravado sobre a iluminura quinhentista oriental, pertencente ao Marquês de Rio Maior.
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