Hard de Raffaela Anderson. Editorial Notícias. Lisboa, 2001, 348 págs. B.
Em 1994, uma jovem de 18 anos, nascida num dos bairros suburbanos de Paris, responde a um anúncio para um casting. Não passa de uma fachada é ainda virgem que irá rodar o seu primeiro filme pornográfico. Durante quatro anos será prisioneira voluntária do inferno do hard, o cinema X. Raffaela Anderson não nega o prazer que, por vezes, experimentou. O seu testemunho debruça-se sobre os basti- dores. Dá conta do que viu: acrobacias sexuais, sem dúvida, mas também trabalhos forçados, até mesmo em horas nocturnas suplementares; dinheiro fácil. sem dúvida, mas um medo omnipresente da sida e da escravatura sexual; cinema de sedução, sem dúvida, mas de um género em que o corpo é desprezado, negado, esquartejado. Aceitar tudo? Para Raffaela, acabou. Ela quebra, aqui, a lei do silencio e conta, sem complacências, a odisseia de uma escrava do prazer, enfim livre.
A Boda do Poeta de Antonio Skármeta. Editorial Teorema. Lisboa, 2000, 278 págs. B.
A história de um amor lendário, num registo de intriga e humor, um olhar inteligente e satírico sobre a Europa do pré-guerra, mas também a crónica de uma estirpe de imigrantes que chega ao Chile nos princípios do século XX.
«Durante as primeiras semanas e embora contrariado, o pessoal mais consciencioso pesava os livros nas balanças da cozinha e das casas-de-banho e efectuava longas somas em bocados de papel.»
Piquenique no Paraíso de Frank Ronan. Gradiva Publicações. Lisboa, 1992, 210 págs. B.
Até que ponto não serão as relações entre as pessoas suportadas pela rotina do quotidiano? Quem pode realmente amar, quando não existe qualquer obstáculo ao amor?
Uma rapariga humilde que conquista pela bondade a estima de pobres e ricos, um rei que descobre entre camponeses o tesouro da sua pátria, um músico arrogante que encontra a redenção nas palavras de uma velha misteriosa, dois irmãos inseparáveis fascinados pelos voos de Júlio Verne. São estas e muitas outras as personagens que Selma Lagerlöf transporta da memória do mundo rural da província de Värmland da sua infância para os nove contos reunidos em O Livro das Lendas, título originalmente publicado em 1908. Histórias simples, repletas de ensinamento e inspiração, onde se dilui a fronteira entre sonhos e realidade.
Abelha Contra o Vidro de Gilbert Cesbron. Livraria Tavares Martins. Porto, 1967, 331 págs. B.
Esta obra, agora presente de forma directa, frontal, o problema da solidão.
O drama de Isabelle Devrain, a figura central do livro, assenta em três pontos: tem 28 anos, é virgem e é feia. O seu diário, o caderno preto que era «para queimar sem ler depois da tentativa (falhada) de suicídio da sua autora, dá-nos a evolução da personalidade de Isabelle, desnuda uma alma sensível que sofre por acreditar que a fealdade lhe nega o lugar ao sol a que, como ser humano, a jovem entende ter direito.
Uma Abelha Conta O Vidro, a história de uma rapariga feia, (tema delicado que um escritor da envergadura de Cesbron consegue manter sempre dentro das fronteiras da dignidade literária) é um patético grito de alarme sobre os dramas anónimos de seres humanos que, escarninhamente, a sociedade moderna tornou Robinsons em ilhas superpovoadas e é afinal mais uma tomada de posição do autor perante os grandes problemas gerados pela maneira de viver actual – falha de espiritualidade.
Na Praia de Chesil de Ian Mc Ewan- Gradiva Publicações. Lisboa, 2007, 128 págs. B.
Um pequeno romance de profundidade e perspicácia notáveis, de um escritor no auge do seu talento.
Estamos em Julho de 1962. Edward e Florence, jovens inocentes casados naquela manhã, chegam a um hotel na costa de Dorset. Ao jantar na suíte reservada a casais em lua-de-mel, esforçam-se por dominar os medos íntimos da noite de núpcias que se avizinha…
Com Na Praia de Chesil Ian McEwan dá-nos mais uma obra-prima – uma história de vidas transformadas por um gesto não feito ou uma palavra não dita.
A Inveja – Mal Secreto de Zuenir Ventura. Palavra. Lisboa, 2005, 286 págs. B.
Aos navegantes. Aos que pretendem empreender essa viagem, o autor pede que levem consigo, para o caso de se perderem, três distinções básicas: ciúme é querer manter o que se tem; cobiça é querer o que não se tem; inveja é não querer que o outro tenha. E que prestem atenção: a inveja é um vírus que se caracteriza pela ausência de sintomas aparentes. O ódio espuma. A perguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. O orgulho brilha. Só a inveja se esconde.
Bem ao estilo de Gabriel García Márquez, este livro reúne sete histórias mágicas que reflectem a cultura sul-americana. As primeiras, um conjunto de seis contos fantásticos onde se misturam acontecimentos surreais e detalhes do quotidiano, contam-nos as alterações sofridas por pequenas e pobres povoações após estranhos acontecimentos que mudam a vida de todos os habitantes. A última, a novela curta que dá título ao livro, conta a história de Eréndira, uma adolescente obrigada a prostituir-se pela própria avó para a recompensar das perdas decorrentes de um incêndio acidental – um bizarro mas poderoso exemplo do realismo mágico de García Márquez.
História de Amor como Outra Qualquer de Lucía Etxebarría. Editorial Notícias. Lisboa, 2004, 299 págs. B.
Histórias banais ou inverosímeis, mas que se poderiam passar com a vizinha do lado, revelando a solidão e a alienação nas grandes cidades. São as heroínas do quotidiano, de vidas aparentemente pouco brilhantes por oposição às que, à primeira vista, têm uma vida cor-de-rosa, de êxito social, mas que, na realidade, é catastrófica e medíocre. É o desfilar de histórias sobre mulheres sem as reduzir aos estereótipos literários, mediáticos e sociais, numa colecção de 20 ficções em que propõe uma série de variações que escapam a qualquer visão convencional da condição feminina.
ESQUECER PALERMO conta uma história, várias histórias, repletas de graça, de drama, de imprevisto, e apresenta personagens diversas e atraentes. É um romance pleno de calor e emoção, sufi- cientemente rico para ficarmos presos a um ou outro dos seus elementos constituintes.
O meu nome é Elizabeth Cuttner e tenho 14 anos de idade. Sei que ficariam mais interessados na minha história se eu fosse uma pessoa de meia idade, mas peço-lhes que se lembrem de como eram quando tinham 14 anos. E possível, que nessa altura fossem mais perceptivos do que o são hoje? Certamente, nessa…
Nesta nova série, Krentz oferece um electrizante passeio numa montanha russa de emoções, bem como romance e suspense, num drama que nos envolve e surpreende. O romance mais intenso e imprevisível de Krentz revela os segredos e o passado chocante de uma famosa desenhadora de interiores que oferece aos clientes aquilo que desejam: um lar…
Oração da Coroa de Demóstenes. Imprensa Nacional – Casa da Moeda. Lisboa, 1987. B.
Tradução do grego da obra A Oração da Coroa, de Demóstenes, apresentada à Academia Real das Ciências de Lisboa e precedida de uma extensa e erudita introdução, que constitui um historial da cultura e da civilização gregas, desde as origens até à época do orador Demóstenes, analisando factos referentes à história, à mitologia e à arte, explicando as doutrinas dos seus filósofos, refletindo sobre a oratória política e focando até o influxo do génio grego sobre a civilização cristã. Na conclusão desta introdução, Latino Coelho explicita o objetivo que presidiu à sua iniciativa, numa passagem que é ao mesmo tempo paradigma do seu estilo: “Contemplemos em Demóstenes o que pode valer a eloquência, como a última expressão nas artes da palavra, e aprendamos na Grécia do seu tempo como degeneram e se abatem e perecem as válidas nações e as florentes democracias, quando subindo a civilização e desregrando-se os costumes, a luz intensa da sua máxima cultura apenas serve a pôr de manifesto em sua hedionda fealdade a depravação dos seus governos e a indiferença dos cidadãos.”
Pessoas Felizes Lêem e Bebem Café de Agnès Martin-Lugand. Guerra e Paz. Lisboa, 2014, 207 págs. B.
Depois da morte do marido e da filha num brutal acidente de automóvel, Diane fecha-se em casa durante um ano, imersa em recordações, incapaz de reagir. Mas, quando já nada parece poder mudar, é precisamente uma dessas recordações que a faz escolher Mulranny, uma pequeníssima aldeia na Irlanda, como destino.
Instalada numa casa em frente ao mar, Diane é gentilmente recebida por todos os habitantes – todos menos um. Será Edward, o bruto e antipático vizinho, a resgatar Diane da apatia em que parece estar novamente a mergulhar. Primeiro, pela ira e pelo ódio. Mas depois, contra todas as expectativas, pela atracção. Como enfrentar este turbilhão de sentimentos? O que fazer com eles?
Jovens Corações em Lágrimas de Richard Yates. Quetzal Editores. Lisboa, 2009, 462 págs. B.
Michael Davenport e Lucy Blaine são um casal jovem e atraente. Michael formou-se em Harvard e tem a ambição de uma carreira literária; Lucy é bonita, discreta, culta e muito rica. Recém-casados, mudam-se para Nova Iorque no início do anos 1950. Michael trabalha no seu primeiro livro de poemas, enquanto sustenta a família com um medíocre emprego diurno. Lucy, por seu turno, fora do ambiente em que foi criada, e na indefinição das suas verdadeiras apetências, parece não saber bem qual é o seu lugar no mundo. Ambos sonham com uma vida vibrante de ideias, novas experiências, emoções e realização pessoal — e aparentemente tudo têm para o conseguir. Nesses anos, em que a contracultura Beat começa a dar os primeiros sinais, Michael e Lucy descobrem a nova boémia artística nova-iorquina. Porém, o curso dos acontecimentos e das relações deixá-los-á sempre algo aquém das suas expectativas.
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