Cinq-Mars de Alfred de Vigny. Amigos do Livro. s.d. 379 págs. E.
Enquanto a França trava uma guerra contra Espanha, o jovem Henri d’Effiat, Marquês de Cinq-Mars, deixa o castelo da família de Chaumont para ir para o cerco de Perpignan, onde Richelieu, amigo de seu pai recentemente falecido o espera. O cardeal, cujas relações com o rei Luis XIII se deterioraram, espera manobrar Cinq-Mars, mas rapidamente se desilude porque Luís XIII traz o jovem com ele para Paris, onde se torna seu favorito e gradualmente se convence de que o cardeal exerce um poder prejudicial . A conspiração de 1642 contra Richelieu foi armada por Cinq-Mars, com a ajuda de Gaston d’Orléans, o irmão do rei, que estava determinado a eliminá-lo.
Chapéu de Três Bicos de Pedro Antonio de Alarcón. Publicações Europa-América. 1973. 142 págs. B.
Uma novela pícara tardia mas fulgurante de Pedro Antonio de Alarcón. A sua história andava pendurada em romances de cordel, recitada em versos das feiras e das praças públicas, obscenizada até à graça que convivia mal com excessos de uma grosseria muito popular.
Alarcón puxou-a para cima e para a decência, fez correr nela uma metáfora. O êxito foi tanto, que ele simulou um tédio. Tinha-a feito no tempo de uma semana, dizia, e muitas vezes sentiu «desdém pela obra pícara que ninguém impugnava», chegou a escrever.
O Chapéu de três bicos é um símbolo da autoridade degradada por modas políticas vindas do exterior, mas a história não ilude um transtorno do Génesis com a serpente chegada de fora, o Adão na árvore, a Eva indiferente à maçã e a substituí-la pelas uvas de uma parreira que não oferece folhas à ocultação da vergonha.
Ao lado, o sistema social e político absolutista saborosamente levado à deformação grotesca. E aragens de uma Espanha e de uma raça que escolhe impensáveis resistências quando vê em jogo os valores da sua identidade nacional.
A Noite em Bombaim de Louis Bromfield. Editorial Século. s.d. 366 págs. B.
Louis Bromfield, um escritor norte-americano, nasceu a 27 de dezembro de 1896 numa quinta em Mansfield, Ohio. Estudou no Instituto Agrícola de Cornell entre 1914 e 1915. Em 1916, ingressou na Universidade de Columbia como aluno de Jornalismo.
Recebeu uma licenciatura honorária militar dessa instituição em 1920. Durante a Primeira Grande Guerra, alistou-se no Corpo de Ambulâncias norte-americano, integrado no Exército francês, pouco após a declaração de guerra dos Estados Unidos à Alemanha.
Serviu de 1917 a 1919 e foi condecorado pelos seus esforços.
Na véspera de uma cirurgia da mulher, o médico Harry Corbett vai visitá-la no hospital em busca de reconciliação ?, após semanas de distância? . Subitamente, porém, Evie mor?re . A polícia suspeita de assassinato. E aponta o Dr. Harry Corbett como ?o ? potencial assassino. ?Em seu romance de suspense mais angustiante, Palmer revela…
Swift foi declarado louco em 1742, dezasseis anos após a publicação de Viagens de Gulliver, mas o livro, escrito quando ainda possuía as suas faculdades, é perigosamente são e causa desconforto, precisamente por ser inspirado por uma enorme lucidez e uma grande racionalidade. […] As Viagens de Gulliver são escritas para dissipar a nossa cegueira,…
Uma narrativa que combina heroísmo e romance com uma crítica poderosa da destruição da Natureza e da tradição. No cenário do cerco francês e indío do Fort William Henry em 1757, relata a história de duas irmãs, Cora e Alice Munro, filhas do Comandante inglês, que lutam para poder voltar para junto do seu pai….
Espelho de Lida Sal de Miguel Angel Asturias. Publicações Europa-América. 1969. 185 págs. E.
Contos do prosador e poeta guatemalteco, diplomata e vencedor do Prémio Nobel de Literatura em 1967. Os escritos de Asturias combinam o misticismo dos maias com o impulso épico expressivo de protesto social. O seu romance mais famoso, O Senhor Presidente (1946), é sobre a vida sob o domínio de um ditador implacável. Asturias passou a maior parte de sua vida no exílio, devido à sua oposição pública ao governo ditatorial.
Didufri morreu assassinado, vítima de intrigas palacianas. O seu irmão Quéfren, considerado como herdeiro legítimo, é então coroado. Desposa a bela Persenti e adopta o filho que ela teve de Djedefhor, o seu outro irmão. A princípio é completamente arrebatado pelas sua nova função. O seu orgulho leva-o a iniciar a construção de uma pirâmide capaz de rivalizar com a do seu pai, Quéops. Leva uma existência dissoluta, chegando mesmo a apaixonar-se pela filha de um taberneiro, transformando-a na sua quarta esposa. Mas tramam-se conluios em redor de Quéfren – persistentes rancores familiares, vinganças póstumas contra Quéops. Ao querer reencontrar o amor do marido graças a um filtro mágico, Persenti tornar-se-à o joguete inconsciente de uma terrível conspiração…
O Plano Infinito de Isabel Allende. DIFEL. 1998. 371 págs. B.
Explorando pela primeira vez uma realidade distante do mundo sul-americano que lhe é tão familiar, Isabel Allende conduz-nos até à Califórnia da segunda metade do século XX, seguindo os passos de duas famílias: a do pregador Reeves que percorre o Oeste num velho camião, anunciando um Plano Infinito que justifica a existência humana; e a dos Morales, imigrantes mexicanos que vivem num bairro hispânico Zarcado pela violência.
Gregory Reeves, a personagem central do livro, cresce à sombra da pobreza e da negligência. Quando decide que o futuro só pode estar longe do bairro hispânico onde vive, e onde não passa de um gringo, parte em busca de algo melhor. O plano de que o seu pai tanto falava parece ser mais real do que Gregory gostaria de acreditar, e tudo acontece como se o destino estivesse traçado, sem que ele consiga evitar a sucessão de más decisões que afetam a sua vida.
Depois de um casamento falhado, da guerra do Vietname, da dor de perder um amigo e ver morrer tanta gente, Gregory regressa ao seu passado, sem aprender nada com os erros cometidos. Só mais tarde, quando é obrigado a enfrentar a realidade, começa a perceber que o seu destino depende apenas de si mesmo, e que o Plano Infinito pode afinal ainda estar em aberto.
Em Outubro Será Tarde de Fred Hoyle. Círculo de Leitores. 1987. 224 págs. E.
O famoso cientista John Sinclair e seu velho amigo de escola Richard, um compositor célebre, estão desfrutando de uma expedição de escalada nas Highlands escocesas quando Sinclair desaparece sem deixar vestígios por treze horas. Quando ele ressurge sem explicação para seu desaparecimento, ele sofreu uma alteração estranha: uma marca de nascença nas costas desapareceu. Mas eventos mais estranhos ainda estão por vir: as coisas são normais o suficiente na Grã-Bretanha, mas na França é 1917 e a Primeira Guerra Mundial está em fúria, a Grécia está na Idade de Ouro de Péricles, a América parece ter revertido para o século 18, e Rússia e China são milhares de anos no futuro.
Nesse cenário macabro de esferas de tempo coexistentes, os dois jovens arriscam suas vidas para desvendar a verdade. Mas a verdade está na mente de quem vê, e quem pode dizer qual dessas linhas do tempo é a ‘real’? Em outubro, o primeiro é tarde demais (1966), o astrofísico mundialmente famoso Sir Fred Hoyle (1915 a 2001) explora conceitos fascinantes de tempo e consciência na forma de uma emocionante aventura de ficção científica que está entre as melhores.
Love Life, de Coração Aberto de Ray Kluun. Editorial Presença. 2009. 374 págs. B.
Dan e Carmen eram um casal feliz a viver uma vida despreocupada quando o diagnóstico de cancro da mama vem abalar as suas vidas. Revoltado com a crueza do destino e as limitações que daí para a frente marcarão o seu dia-a-dia, Dan reage recusando-se a abdicar de tudo e iniciando uma vida dupla: durante a semana acompanha a mulher aos tratamentos e aos fins-de-semana entrega-se ao álcool e ao sexo fortuito. Love Life – De Coração Aberto é um relato duro e sem concessões, que não deixará ninguém indiferente, de um homem dividido entre a lealdade à mulher e o desejo de viver a vida ao máximo.
Filmes Tristes de Mark Lindquist. Quetzal Editores. 1989. 184 págs. B.
Pobre Zeke: tinha Hollywood inteira a seus pés. Aos vinte e cinco anos tem na gaveta um guião quase acabado, uma namorada com tanta beleza como paciência, um trabalho de revisão na exploradora Big Gun Pictures, alguns cartões de crédito caducados, um porta-luvas cheio de folhetos de seitas religiosas e, pairando sobre a sua cabeça, o pavor da grande «Praga»… Não há assim, na sua opinião, razões para continuar a viver. Conduzindo devagar à sombra dos piores anúncios de Sunset Boulevard, Zeke descobre que nem a música aos berros consegue abstraí-lo do silêncio que existe entre pessoas que um dia se amaram. Sexo e droga não conseguem resolver este dilema, que exige um plano breve e radical e um seguro de vida. uma arma. É assim que Zeke inicia uma semana delirante de prazeres e remorsos que apenas será interrompida por… bem, o melhor é não contar o resto da história.
Manual de Infidelidade para Jovens Pais de Mark Barrowcliffe. Edições ASA. Porto, 2004, 334 págs. B.
Do autor de “A Namorada 44”, chega-nos agora este “Manual de Infidelidade para Jovens Pais”, um inteligente e divertido olhar sobre os desafios sexuais e a angústia emocional de um trintão londrino a braços com as escolhas da vida adulta.
Algo está errado na vida de Stewart Dagman. O mundo à sua volta avança e Dag quer avançar com ele. Afinal, os seus sonhos são até bastante concretizáveis: ele quer alguém a quem amar, constituir uma família e ter uma vida sexual indecorosamente estimulante. Quer, em suma, dar um sentido à sua existência. O que acontece então quando os seus sonhos se realizam? E no prazo de uma semana?
Uma obra que nos mostra inequívoca e despudoradamente a maneira como o homem moderno lida com as namoradas, a paternidade, a amizade, o casamento, os pais… e outros personagens nem sempre desejados, tais como gangsters com nomes tipo Dave, o Lésbico.
Uma Questão de Confiança de John Updike. DIFEL. Lisboa, 1998, 207 págs. B.
Em Uma Questão de Confiança, a nova colectânea de contos de John Updike, o tema subjacente a todas as histórias é a confiança, quase sempre traída: pais fazem os filhos correr perigos, maridos abandonam as mulheres, mulheres manipulam os maridos, um homem ama em segredo a irmã gémea de sua mulher e outra arranja um amante que se revela impotente. Estes e outros pequenos dramas ocorrem predominantemente em ambientes de desafogo financeiro e os seus protagonistas são burgueses de meia-idade, membros de uma classe cujos valores são constantemente postos em questão.
Noa Noa de Paul Gaugin. Ulmeiro. Lisboa, 2000, 59 págs. B.
“Noa Noa é sobretudo […] a sensação em palavras de um Tahiti que conhecemos vivo e pintado sobre telas. Um sonho que nunca existiu exterior àquela arte, um exercício autobiográfico transtornado nas verdades mais cruas pelos símbolos de um Paraíso: um paraíso de cores.”
Aníbal Fernandes
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