Rainha do Sul de Arturo Pérez-Reverte. Círculo de Leitores. Lisboa, 2003, 438 págs. E.
Acho que há sonhos que matam… Mais ainda do que as pessoas, a doença ou o tempo.
Teresa Mendoza sabe do que fala. Em tempos, foi a namorada submissa de um narcotraficante. Pobre, analfabeta e a correr risco de vida, seria obrigada a fugir do México com apenas um revólver e um bloco de notas cuja leitura lhe estava interdita. Nessa altura, ela estava longe de imaginar que se converteria numa lenda do narcotráfico espanhol. Contra todas as expectativas, esta mulher solitária constrói um império a partir do nada, num mundo implacável inteiramente dominado por homens. Agora, doze anos após a fuga, Teresa está de regresso à sua terra natal. E quer ajustar contas com o passado.
Arturo Pérez-Reverte, o “mestre do thriller intelectual” (Chicago Tribune), criou Teresa Mendoza, a Mexicana, heroína improvável de uma saga que abarca décadas e continentes – do México à costa de Marrocos, a Gibraltar e Espanha. Uma história onde não há bons nem maus, em que cada gesto encerra um mundo. De amor ou traição. De vida ou morte.
Os quatro poetas que hoje trazemos a um público de língua diversa, momentos da evolução, de que falámos, pertencem a uma época que nos é mais próxima, são marcos dessa luta permanente pela sobrevivência e pela dignidade iniciada há séculos, desde os tempos longinquos em que o território era apenas povoado pelos Trácios, esse povo de Orfeu que trabalhava o ouro e cuja cultura altamente desenvolvida precedeu a cultura helénica, num território destinado a ser atraves-sado por guerreiros das mais diversas nacionalidades, devastado pelo fogo e o sangue das ambições, das conquistas, do heroísmo e do desespéro; quatro homens, quatro poetas, quatro símbolos, pois que toda a história da Búlgaria se funda na fusão maravilhosa de duas componentes constantemente aliadas: o heroísmo e a cultura.
Primeiro Amor de Turgueniev. Editorial Presença. Lisboa, 1965, 283 págs. B.
O Primeiro Amor é uma narrativa sobre o amor adolescente. Voldemar, um jovem de dezasseis anos, apaixona-se pela filha do seu vizinho, a bela Zinaída, alguns anos mais velha que ele e a quem não faltam pretendentes. O leitor é arrastado pelas inconstantes emoções de Voldemar: exaltação, ciúme, desespero, ódio, renúncia e, de novo, devoção. No final, Voldemar sente-se destroçado ao descobrir a identidade do seu verdadeiro rival – uma revelação esmagadora, que, no entanto, lhe abre as portas para a compreensão dos abismos da paixão.
Um romance histórico fascinante dedicado à Mãe de Todas as Rebeliões Irlandesas que ocorre no século XIV e relata a vida fascinante do Pirata Rebelde que corria a costa inglesa e vinha até ao porto de Lisboa e de Cádis comercializar e levar as novidades trazidas do Oriente pelos portugueses e espanhóis.
À medida que o tumultuoso século XVI caminha para o seu fim, Isabel I sente-se cada vez mais cansada, esgotada pelo violento conflito com os indómitos Irlandeses, e estranhamente sozinha apesar de toda a agitação da vida cortesã. Tudo se altera, no entanto, quando ao porto de Londres chega o navio com as cores da Rainha Grace O’Malley, a lendária pirata irlandesa, que vem interceder pela vida do filho. Embora defendendo posições opostas num conflito cruel e sangrento, estas duas poderosas mulheres, que apenas vêm a conhecer-se perto do final das suas longas e extraordinárias vidas, reconhecem uma na outra a mesma inteligência, coragem e capacidade de liderança. O seu olhar devolve-nos de forma dramática as cruéis e emocionantes circunstâncias que rodearam a rebelião irlandesa.
Papisa Joana de Donna Woolfolk Cross. Editorial Presença. Lisboa, 2001, 458 págs. B.
Personagem histórica envolta em lenda, a papisa Joana protagoniza a notável ascensão de uma mulher que não aceita as limitações que a sua época lhe impõe. Dotada de uma inteligência esclarecida e de uma imensa força de carácter, atinge o mais elevado grau da hierarquia religiosa católica. Apoiado numa investigação rigorosa, este é um romance magnífico, cativante, que prende o leitor nas complexidades da luta pelo poder, das conspirações e segredos políticos e dos fanatismos sangrentos. O livro que inspirou um grande filme épico realizado em 2010.
Melodia do Adeus de Nicholas Sparks. Editorial Presença. Lisboa, 2009, 363 págs. B.
Com apenas dezassete anos, Verónica Miller – ou «Ronnie», como é carinhosamente chamada – vê a sua vida virada do avesso quando o casamento dos pais chega ao fim e o pai se muda da cidade de Nova Iorque, onde vivem, para Wrightsville Beach, uma pequena cidade costeira na Carolina do Norte. Três anos não são suficientes para apaziguar o seu ressentimento, e quando passa um Verão na companhia do pai, Ronnie rejeita com rebeldia todas as suas tentativas de aproximação, ameaçando antecipar o seu regresso a Nova Iorque. Mas será na tranquilidade que envolve o correr dos dias em Wrightsville Beach que Ronnie irá descobrir a beleza do primeiro amor, quando conhece Will, e vai afrouxando, uma a uma, todas as suas defesas, deixando-se tomar por uma paixão irrefreável e de efeitos devastadores. Nicholas Sparks é, como sabemos, um mestre da moderna trama amorosa, e, em A Melodia do Adeus, usa de extrema sensibilidade para abordar a força e a vulnerabilidade que envolvem o primeiro encontro com o amor e o seu imenso poder para ferir… e curar.
“O Médico do Deserto”, de Heinz Konsalik, é uma obra que narra as experiências de um médico alemão como prisioneiro de guerra na Rússia, focando na sua dedicação aos seus companheiros em campos de concentração. O livro destaca a sua coragem e o seu juramento de Hipócrates, mesmo em condições extremas. A história também explore o impacto moral e espiritual que o exemplo do médico teve nos outros prisioneiros e em outros médicos, incentivando-os a seguir o mesmo caminho de abnegação.
Mancha Humana de Philip Roth. Sicidea. Espanha, 2008, 279 págs. B.
Estamos em 1998, ano em que a América é lançada num furor libidinoso pelo processo de impugnação de um presidente e numa pequena cidade de Nova Inglaterra decorre o último ano da vida de Coleman Silk, um professor compulsivamente reformado, aviltado e viúvo e cujo trágico desmascaramento se desenrola contra o pano de fundo das revelações sobre Clinton. Este romance pungente, avassalador e completamente absorvente não tem paralelo em nada do que Philip Roth jamais escreveu: é um magnífico sucessor da “Pastoral Americana” e “Casei com um Comunista”.
Joias de Tessa Kent de Judith Krantz. Edições ASA. Porto, 2019, 495 págs. B.
Tessa Kent tem catorze anos quando dá à luz uma bebé. A pequena Maggie ameaça ser um obstáculo à sua ambição de se tornar atriz e é considerada uma afronta pelos seus pais, católicos devotos. Mas serão estes a evitar o escândalo, ao aceitarem criar Maggie como se fosse filha deles. Bela e talentosa, Tessa fica livre e inicia então um meteórico percurso rumo ao estrelato.
Enquanto isso, Maggie vai crescendo, sempre ansiosa pelas raras visitas da glamorosa irmã. A pequena vai sofrer um duplo desgosto quando – após a morte inesperada dos pais num acidente de carro – Tessa a entrega a um parente afastado. Mas o pior golpe é desferido no dia em celebra dezoito anos e recebe uma carta que revela toda a verdade. Maggie decide renegar Tessa para sempre.
Cinco anos depois, Tessa está desesperada. Não suporta viver sem a filha. Só há uma coisa a fazer: uma vez que Maggie trabalha na leiloeira Scott & Scott, a fabulosa atriz decide leiloar a sua valiosa coleção de joias. A única condição? Terá de ser Maggie a trabalhar com ela…
Com o glamour de Hollywood e a elegância da elite nova-iorquina como pano de fundo, As Joias de Tessa Kent conta-nos a história de duas mulheres unidas pelo sangue e separadas pela ambição. Um romance prodigioso.
Conta a lenda que um escritor árabe fora condenado à morte e ia ser executado por ordem do rei de Tunes. Foi, no entanto, agraciado com uma condição: escrever um livro capaz de reacender as paixões do seu decrépito soberano. O escritor foi poupado à morte e o livro que lhe mereceu tal graça foi O Jardim Perfumado.
Esta lenda é uma das explicações para o aparecimento desta obra, escrita, tanto quanto se sabe, pelo xeque, Umar Ibn Mohammed al-Nezaui e em cuja data de composição os críticos ainda não acordaram: uns colocam-na no século XVI enquanto outros apontam para principios do séc. XV ou mesmo fins do século XIV.
Esta é uma obra-prima da literatura árabe, colocada ao lado do Kama Sutra e tida como um dos poucos e excelentes livros sobre a arte do amor. É uma celebração das múltiplas maneiras em que homem e mulher se podem unir no prazer físico. Um cântico à sensualidade.
O Ingénuo conta-nos a história de um índio hurão que desembarca na Bretanha, França, e que, depois de convertido ao catolicismo e baptizado, se apaixona pela sua madrinha, confrontando-se com os interditos e costumes religiosos e com a hierarquia social. De forte pendor filosófico, esta obra faz uma sátira, cheia de bom humor, ao catolicismo, à sociedade e à nobreza francesa.
Incontrolável de Sylvia Day. Quinta Essência. Alfragide, 2015, 325 págs. B.
São o casal mais escandaloso de Londres. Isabel, Lady Pelham, e Gerard Faulkner, marquês de Grayson, são iguais em tudo: nos seus apetites sexuais, nos seus amantes constantes, na sua inteligência, nas reputações provocadoras e na recusa absoluta de arruinar o seu casamento de conveniência apaixonando-se um pelo outro. Isabel sabe que um rapaz tão encantador jamais lhe interessará e que nunca conseguirá influenciar o coração de libertino dele. É uma farsa muito agradável… até que uma surpreendente reviravolta tira Gerard do seu lado.
Agora, quatro anos mais tarde, Gerard regressou a casa para junto de Isabel. Porém, o homem despreocupado e travesso que partiu foi substituído por um homem taciturno, poderoso e irresistível que está decidido a empregar a sedução para conseguir o seu afeto. Desapareceu o companheiro despreocupado que partilhava a sua amizade e nada mais, e no seu lugar está a própria tentação… um marido que deseja o corpo e a alma de Isabel, e que não se deterá diante nada para conquistar o seu amor. Não, este não é o homem com que se casou. Mas é o homem que pode por fim roubar-lhe o coração…
Giovanni Boccaccio (Paris, 1313 – Certaldo, 1375) foi um humanista renascentista do século XIV e é considerado ainda hoje um dos gigantes da literatura italiana. Detentor de uma criatividade extraordinária, produziu uma obra extensa e variada (escrita tanto em latim como italiano), da qual se destacam, entre outros, o romance Fiammetta e a verdadeira obra-prima da literatura Decâmeron, compilação de cem novelas narradas por dez jovens refugiados no campo devido à Peste Negra, de onde se extraem estas Histórias Eróticas. Desenhadas com realismo, as novelas deste livro transportam-nos para uma sociedade medieval ridicularizada, em que impera o humor, a fantasia, a volúpia e a malícia.
Herbert West: Reanimador (1922) é uma perturbante história sobre as experiências excêntricas e secretas de um médico em busca da solução química para reanimar a vida humana. Nesta busca, Herbert West faz diversas tentativas com cadáveres frescos e obtém os resultados mais inesperados e aterradores.
Em Gente de Dublin, Joyce desenha o espectro completo das suas raízes irlandesas e, dando meticulosa atenção aos pormenores, cria o retrato intimamente observado de uma cidade e das suas gentes numa época de grandes mudanças sociais e políticas.
Esta é uma obra-prima imprescindível não só para quem quiser compreender a vida na capital irlandesa na viragem do século mas também para quem pretender conhecer melhor o autor e a sua obra.
Esta narrativa breve apresenta-nos Mario Samigli, um literato de sessenta anos que escrevera um romance na juventude sem nenhuma aceitação da parte do público ou da crítica, mas que acreditava ter a glória como destino. Aproveitando esta presunção, um amigo caixeiro-viajante, afeiçoado ao embuste, convenceu-o de que um editor austríaco estaria interessado em traduzir a sua obra, o que despertou no literato o sonho do sucesso e da fama. Escrita primorosamente, esta história deliciosa e divertida fala-nos sobre a ilusão, a decepção e a dificuldade de nos equilibrarmos entre a fantasia e a realidade.
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