Villette ou num Colégio de Raparigas de Charlotte Bronte. Portugália Editora. Lisboa, s.d., 511 págs. E.
Alegadamente a mais refinada e profundamente sentida obra de Brontë, Villette inspira-se na sua profunda solidão, após a morte dos seus três irmãos: Lucy Snowe, a narradora de Villette, foge a um triste passado em Inglaterra para começar uma nova vida como professora em Villette, uma capital cosmopolita. Em breve os esforços de Lucy para se tornar independente são ensombrados pela sua amizade com um elegante médico inglês e os seus sentimentos por um autocrático professor. A heroína extraordinariamente moderna de Brontë deve decidir se entre os seus conhecimentos existe um homem com quem possa viver continuando a ser livre. Marcadamente autobiográfico e resultado de uma dor de existir, o livro de Brontë marca-nos pela vital paixão e sabedoria. A experiência dolorosa é transformada num romance que tem um final construído de forma comoventemente feliz; e as prováveis conexões com a experiência pessoal da autora não constituem o elemento mais importante do romance. É a bonita história de amor entre a heroína e o seu professor, as admiráveis personagens femininas com dimensão poética, o desenvolvimento orgânico de uma narrativa cativante e a profundidade no tratamento das personagens que garantem a qualidade estética do livro.
Aeroporto de Arthur Hailey. Livraria Civilização Editora. Porto, 1969, 651 págs. E.
Decorrida em um espaço de sete horas, a história do romance desenrola-se no agitado Aeroporto Internacional Lincoln, em Chicago, vítima de uma tempestade que estende-se também, por boa parte do centro-oeste dos Estados Unidos. O administrador-geral do aeroporto, Mel Bakersfeld — o protagonista —, enfrenta junto à sua equipe uma série de adversidades — a maioria gerada devido à nevasca, como pistas obstruídas, voos atrasados etc. O personagem principal também lida, paralelamente aos problemas do aeroporto, com problemas pessoais — especialmente com sua mulher, a qual estava bastante distante, e com seu irmão Keith Bakersfeld, controlador de voo, vítima de forte depressão devido a um desastre aéreo que podia ter evitado — e com a atração sexual por sua colega Tânia Livingston. O clímax do romance ocorre quando um passageiro embarca em uma aeronave com uma bomba, com o ideal de explodi-lo — suicidando-se — entregando à sua família 300 000 dólares americanos, de seu seguro de vida. Após investigações em terra, a tripulação do Caravela de Ouro — o avião em que o suicida embarcara —, voo dois, toma decisões de emergência na tentativa de pousar a aeronave a bordo.
A mulher de um piloto sabe que precisa estar preparada para batidas à porta no meio da madrugada. Mas, quando Kathryn Lyons recebe a notícia de que o avião pilotado pelo seu marido explodiu perto da costa da Irlanda, vê-se confrontada com o insondável: uma revelação alarmante atrás da outra.
Em pouco tempo, Kathryn está no centro de um turbilhão mediático, alimentado por rumores de que Jack, o seu marido, levava uma vida secreta. Determinada a descobrir a verdade a qualquer custo, ela mergulha numa investigação que a leva a questionar tudo o que julgava saber sobre ele.
Este romance apaixonante desafia-nos a refletir: será realmente possível conhecer alguém por completo?
Uma Mulher Determinada de Sulitzer. DIFEL. Lisboa, 1989, 443 págs. B.
Paul Loup Karl Sulitzer é um financiador e autor francês. Antes de completar 17 anos, ele já era milionário. Sulitzer usou sua experiência financeira e conhecimento em seus livros, que frequentemente se relacionavam ao mundo dos negócios.
Mentiroso de Goldoni. Contraponto. Lisboa, s.d., 79 págs. B.
O Teatro, na Itália do século XVII, estava quase exclusivamente nas mãos dos cómicos «dell’arte». Espantosos cómicos, sem dúvida, mas não suficientes para colocarem a Itália num lugar de destaque no plano teatral europeu, lugar que já ocupara e que perdera há muito. A comédia «dell’arte» invadira de tal forma os palcos italianos, que só a muito custo se podiam desenvolver outros géneros. Apenas a Ópera, em grandes centros como Veneza, Roma e Nápoles conseguia uma certa populuridade e, mesmo assim, só desde que os <<«libretti começaram a ser confiados a Pietro Trapassi, dito Metastasio, verdadeiro mago da palavra e da cena.
Manhã de um Senhor por Leão Tolstoi. Editorial Inquérito. Lisboa, s.d., 245 págs. B.
TOLSTOI, por muito tempo desconhecido ou mal conhecido entre nós, começa agora, mais de um século depois de escritas algumas das suas obras-primas, a obter em Portugal aquela consagração junto do público que um Dostoievski, seu émulo mais novo, muito mais cedo conquistara. E as circunstâncias tardias desta consagração não se explicam fàcilmente, uma vez que o génio tolstoiano, graças ao seu saudável equilíbrio, parecia destinado a uma compreensão muito mais imediata que o génio dostoievskiano, por natureza desequilibrado e infinitamente mais complexo. in Prefácio de João Gaspar Simões
Uns Olhos Bizantinos de Ivan Bounine. Edições Sirius. Lisboa, 1942, 132 págs. B.
Ivan Bunin nasceu numa família de proprietários de terras em Vorónezh, na Rússia Ocidental, e passou a sua infância no campo, nas propriedades da família. A sua mãe, Lyudmila Alexandrovna, apresentou-o ao folclore russo, e ele começou a escrever poesia e prosa ainda jovem. Viajou pela Rússia, sul da Europa, norte da África, Oriente Médio e Bálcãs. Em 1909, foi eleito membro da Academia Russa de Ciências. Por causa do regime bolchevique, deixou a Rússia em 1920 e viveu o resto de sua vida na França.
Não Me Olhes nos Olhos de Tina Grube. Editorial Presença. Lisboa, 2003, 325 págs. B.
Subdirectora de marketing de uma grande empresa, Stella Madison esconde um enorme segredo – a cor dos seus olhos: um azul e outro castanho. Stella é uma jovem atraente, criativa e bem-humorada mas de repente a sua vida irá tornar-se muito atribulada pondo em risco a própria carreira. Além de se apaixonar por um homem irresistível, tem que omitir o terrível segredo de todos os que a rodeiam. Até ao dia em que concebe a brilhante ideia de aproveitar o facto de possuir olhos com cores diferentes para criar uma nova linha de cosmética que certamente lhe trará um enorme sucesso na empresa. Quem melhor do que ela para dar a cara a uma mega campanha publicitária?
Não é o fim do Mundo é o primeiro livro de contos de Kate Atkinson. Jocosos e profundos, exploram o mundo que julgamos conhecer, oferecendo-nos, ao mesmo tempo, a visão de outro mundo que jaz logo por baixo da superfície da nossa consciência, um mundo em que os mitos que baníramos das nossas vidas estão espantosamente presentes e em que a imaginação tem o poder de transformar a realidade. Quando o mundo da existência material colide com a imaginação, tudo se torna possível. Vibrantemente moderno, plausivelmente implausível, refrescantemente original, Não é o fim do mundo é uma oportuna meditação acerca da mitologia e da transformação e comprova que Kate Atkinson é uma das mais inventivas e absorventes escritoras contemporâneas.
Mándálá é um romance de excepcional intensidade, que virá, certamente, contribuir para que os inúmeros admira dores de Pearl Buck possam en contrar novos motivos de pre dilecção por uma obra que não cessa de se enriquecer.
Jogo do Acaso de Penny Vicenzi. Porto Editora. Porto, 2010, 607 págs. B.
Uma fração de segundo foi quanto bastou para que o caos se instalasse na congestionada autoestrada que liga Londres ao País de Gales. Um acidente de viação de grandes proporções gera o pânico, substitui a confiança pelo medo e a impotência toma conta dos presentes.
Jonathan, um obstetra carismático e bem-sucedido; Toby, o noivo com um segredo obscuro a caminho do seu casamento, e o seu leal amigo Barney; Georgia, uma jovem aspirante a atriz, desesperada por chegar a Londres para uma audição importante que poderá lançar a sua carreira; Mary, a viúva que percorre centenas de quilómetros para reencontrar o seu primeiro amor, que não vê há mais de 50 anos; William, o agricultor que presencia o drama que se desenrola no outro lado da encosta; e Emma, a atraente médica do hospital da zona que presta assistência aos sinistrados.De um momento para o outro, ver-se-ão enredados num poderosíssimo jogo de ação-consequência, cujos efeitos mudarão as suas vidas irremediavelmente. Mas será para melhor ou para pior?
Poderá alguém resistir à inevitabilidade do Acaso?
Noite dos Elfos de Jean-Louis Fetjaine. Publicações Europa-América. Mem Martins, 2003, 213 págs. B.
O mundo mergulhou no caos quando os homens exterminaram os últimos reinos anões. Só os elfos se podiam opor a eles, mas estes refugiaram-se nas suas imensas florestas, inconscientes do perigo que também os ameaçava.
Para impedir o duque Gorlois de expandir o domínio dos homens sobre a terra, em nome de Deus, o druida Merlim junta-se ao cavaleiro Uter, o amante de Lliane, rainha dos elfos.
Investido do poder de Lliane, Uter torna-se Pendragon, chefe de guerra de todos os povos livres, e passa a reter doravante nas suas mãos o poder de restaurar a antiga ordem. Mas ele é obrigado a escolher entre o amor de duas rainhas. Lliane, inacessível, refugiada na ilha de Avalon; ou Ygraine, tão real, tão humana…
DANIEL GRAY é a romancista cujo nome aparece mais frequentemente citado na imprensa francesa no decorrer do ano, pois chega a ter nove dos seus romances em publicação simultânea nos principais jornais e revistas de França, neles se incluindo o FIGARO, FRANCE-SOIR e a grande revista ELLE.
O seu agudo espírito de observação aliado a uma sensibilidade profundamente romantica e à sua permanente deslocação através da Terra, dão às suas obras um sabor especial, pois o leitor assiste interessado à constante mudança do cenário onde são vividos os seus romances inesquecíveis.
Pequeno Mundo Antigo de António Fogazzaro. Civilização Editora. Porto, s.d., 468 págs. E.
Na segunda metade do século XIX, enquanto os patriotas do Lombardo-Vêneto lutam contra o domínio austríaco, floresce no “pequeno mundo” do Valsolda, uma cidadezinha no Lago de Lugano, norte da Itália, o amor entre Franco e Luísa: ele, poético e sonhador, nobre e religioso, mais apegado ao “mundo antigo”, porém com ideias liberais; ela, firme e decidida, dotada de um forte e altivo sentimento de justiça, de origem burguesa e filha de um intelectual com tendências iluministas, mais inclinada para o “mundo moderno”. Por causa da oposição da avó de Franco, os dois se casam secretamente e, apesar do forte sentimento que os une, diante de um acontecimento trágico serão obrigados a tomar uma atitude que dividirá os dois mundos.
Três de Máximo Gorki. Edições Quasi. Vila Nova de Famalicão, 2008, 93 págs. B.
Estas narrativas, tal como grande parte da obra de Gorki, trazem para o primeiro plano o povo miúdo e miserável, como os mendigos, os vagabundos e os operários, captados e retratados com a ternura, a humanidade e o conhecimento de quem, como o autor russo, vagueou profundamente pela Rússia e exerceu as mais diversas profissões.
A luz da Itália é muito clara e permite ler o que está escrito de través nos palimpsestos. Quem pode ter algum sentimento de permanência quando vai todos os dias para o trabalho pisando sobre imperadores mortos?
Com conceitos assim, o grande escritor que é Morris West se debruça sobre a cena contemporânea italiana para apresentar uma trama estremamente rica de fatos e de pessoas em torno de uma conspiração para restaurar um regime facista na recém-conquistada democracia da península.
A parte objetiva faria a qualquer romancista pela sua movimentação, pelas qualidades de suspense e mistério que impregnam os momentos sucessivos da história e pelo seu interesse intrínseco de coisa quase vista e de acontecimentos inteiramente situados na raia no possível.
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