As Ideias de Eça de Queirós de António José Saraiva.
Livraria Bertrand. Lisboa, 1982, 166 págs. B.
Eça de Queirós aceita certo número de ideias bem definidas e nitidamente formuladas; com essas ideias constrói os seus contos e os seus romances, dominando inteiramente os personagens.
Ao contrário portanto do que sucede com Balzac ou Stendhal, e à semelhança do que acontece com Camões, não há uma filosofia implícita na sua obra; há. pelo contrário, afirmações bem explícitas de uma doutrina claramente formulada. Os personagens não se afirmam a si, mas são fiéis intérpretes do autor. Eça de Queirós, em resumo, é um estilista; vale a pela fórmula nova que encontrou para ideias correntes.
Discurso do Texto de Maria Alzira Seixo.Livraria Bertrand. Amadora, 1977, 371 págs. B. Crítica do Texto | 2
Capítulos consagrados a Garrett, Camilo, Maria Judite de Carvalho, Maria Velho da Costa, João Palma-Ferreira, Almeida Faria, Agustina Bessa Luís, Rogério de Freitas, Fernanda Botelho, Álvaro Guerra, Vergílio Ferreira, Faure da Rosa, Augusto Abelaira, Rodrigues Miguéis, Alçada Baptista, Isabel da Nóbrega, Baptista-Bastos, Irene Lisboa, Casimiro de Brito e outros.
Dicionário de Lusíadas de Manuel dos Santos Alves.
Parceria A. M. Pereira. Lisboa, 1971, 200 págs. B.
Na sua primeira edição, o Dicionário visa apenas ser um auxiliar de leitura d’Os Lusiadas, e não a discussão de formas controversas com que algumas edições se perdem. É possível que posteriormente venha a ter maior profundidade. Para já foi nosso intuito reunir num volume o trabalho de alguns anos, por forma que servisse principalmente de meio eficaz para os leitores de cultura não especializada.
Do Pícaro na Literatura Portuguesa de João Palma-Ferreira.
Instituto de Cultura e Língua Portuguesa. Lisboa, 1981, 152 págs. B.
A literatura picaresca, de fundas raízes castelhanas, teve ampla representação em escritores portugueses desde o século XVII até aos nossos dias.
Muitos deles ficaram esquecidos e até inéditos, apesar da qualidade literária e da fidelidade expressiva do que é essencial no género, desde o sentido de rebelião contra os quadros estabelecidos pela moral convencionalizada numa sociedade rígida, até às implicações de contraponto moralístico que é acentuado em vários autores.
Língua e Estilo de Eça de Queiroz de Ernesto Guerra da Cal.
Livraria Almedina. Coimbra, 1981, 403 págs. B.
“O Autor de Linguagem e Estilo de Eça de Queiroz é justamente considerado um dos maiores especialistas de temas queirozianos. É também, dentro da cultura galega e das Letras hispânicas, um lusófilo de primeiro plano. (…) A obra que editamos pela primeira vez em língua portuguesa é tradução rigorosa do original castelhano, editado pela Universidade de Coimbra e acrescentou, à obra já em provas, algumas notas bibliográficas”.
O Espírito e a Graça de Camões de Luís de Oliveira Guimarães. Edição Romano Torres. Lisboa, 1979, 136 págs. B.
Ao falar-se de Camões lembra-se logo o «épico» porque “Os Lusíadas” se tornaram uma obra épica mundial. Nada mais justo que assim acontecesse, dadas as excepcionais qualidades que exornam o poema. Mas a obra épica não ensombra a obra lírica e satírica de Camões. Quer os sonetos, quer os madrigais, quer as peças de teatro, quer as cartas, quer as próprias réplicas irónicas em prosa e em verso, merecem a justa admiração, tanto dos eruditos como dos simples leitores do grande poeta.
A Passagem de Mitla de Leon Uris.
Publicações Europa-América. Mem Martins, 1989, 347 págs. B.
Gideon Zadok, jovem e talentoso autor de romance famoso sobre a segunda guerra mundial, sucumbe ao fascínio de Hollywood, destruindo-se. Desesperado para fazer reviver a sua carreira como romancista, parte com a família para Israel, decidido a encontrar material para um novo livro. Aí conhece Natasha Solomon, uma sobrevivente do Holocausto, e juntos vão viver uma pertubadora paixão. Despedaçado pelo amor que sente pela mulher que apoiou ao longo dos primeiros anos de fracasso e rejeição e pelo desejo incontrolável que nutre pela sua alma gémea, Gideon debate-se com uma ambivalência de sentimentos. Na véspera da Guerra do Sinai de 1956, Gideon evacua a família, deixa Natasha e junta-se às forças de Israel. É largado de pára-quedas na junção da Passagem de Mitla, muito perto das linhas inimigas.
Origens do Romantismo em Portugal de Álvaro Manuel Machado.
Instituto de Cultura Portuguesa. Lisboa, 1979, 95 págs. B.
“o pré-romantismo em Portugal limitou-se praticamente ao domínio da poesia, quase nunca ousando transpô-lo para, noutros domínios, tentar uma fusão de géneros que está nas origens masi fundas do Romantismo de repercussão universal. Imbuído de retórica classicizante e barroca, não vai muito além de exercícios de estilo importado e de valor literários relativo, com muito pouco da pureza estética renovadora europeia.”
Camões: o Homem e o Mito de Metznet Leone.
Amigos do Livro. Lisboa, 1970, 278 págs. E. Il.
A figura de Luís de Camões condensa como nenhuma outra o esplendor e a tragédia do século XVI português. Entre o homem real, o poeta imortal e o mito que dele nasceu, este livro procura compreender a alma de uma época — a grandeza e o cansaço de um império que se reconhece no seu maior génio literário. Uma leitura que revisita o mito para reencontrar o homem e, com ele, o próprio destino de Portugal.
Praia da Vitória: Sua vida no quotidiano aquando «O Mau Tempo no Canal» de Francisco Ernesto de Oliveira Martins. Câmara Municipal da Praia da Vitória. Praia da Vitória, 1994, 95 págs. B.
Pretende a Câmara Municipal prestar homenagem a um dosno filhos mais ilustres do Concelho – Vitorino Nemésio, no momento em que se cumprem cinquenta anos sobre a publicação de «Mau Tempo no Canal». A presente edição, onde a escrita se alia à imagem, retrata a Praia de Há Cinquenta Anos e constitui mais um significativo e importante trabalho com que Francisco Ernesto de Oliveira Martins contribui para o conhecimento, o enriquecimento e a divulgação da cultura açoriana permitindo que, conhecendo melhor os Açores, nos conheçamos melhor a nós próprios.
Estudios sobre Pessoa de Angel Crespo. Editorial Bruguera. Barcelona, 1984, 311 págs. B.
Fernando Pessoa, pese a estar reconocido como uno de los grandes poetas de nuestro siglo, sigue siendo un enigma. El presente libro, que reúne una serie de ensayos de Angel Crespo, prestigioso investigador de la obra pesoana, representa un importante intento de síntesis. Paso a paso, nos va abriendo las puertas que conducen a la comprensión de un poeta tan complejo como Pessoa, de una obra en que la pluralidad y multiplicidad de mundos constituyen el elemento clave. Partiendo de los heterónimos. Angel Crespo analiza los temas y fundamentos de la obra pesoana: el sebastianismo, el neopaganismo, así como los motivos básicos del Libro del desasosiego, conjunto de fragmentos en que Pessoa (o, más bien, su heterónimo B. Soares) va desmenuzando, con alucinante frialdad, su mundo: los heterónimos, el desarrollo de una pluralidad pagana, el rechazo del amor y de las pasiones, el paisaje subjetivo, la búsqueda del sosiego.
Estilos de Época na Literatura de Domício Proença Filho. Ática. São Paulo, 1981, 335 págs. B.
“É um livro sério e original (…). E quando dizemos sério, estamos encarecendo nele o que julgamos essencial numa obra didática: a inteira honestidade de propósitos e de execução, a preocupação de atingir a meta sem hesitações ou desvios, a fundamentação ampla e segura.”
Espírito da Obra de Nuno Sampaio. Edições Ática. Lisboa, 1961, 188 págs.B.
Nos ensaios que figuram neste pequeno volume, colectânea de trabalhos publicados em di- versas revistas de cultura, a maioria profunda- mente remodelados, um ou outro levemente retocado, abordam-se autores tão notáveis e tão difíceis como Tolstoi, Proust, Joyce, Kafka, Constant, Claudel, e quatro dos nossos mais ilus- tres poetas contemporâneos. Cada um deles merecia e exigia um tratado; não podem, por- tanto, sair engrandecidos das escassas páginas que thes foram consagradas. Nestas breves tentativas de interpretação, que são também páginas de homenagem, procurou-se apenas jnão se trair o espírito de obras suficientemente valiosas para reclamarem do crítio uma atitude de lealdades.
Indice
O Tempo na «Guerra e Paz de Tolstoi
Fontes étnicas de Proust
Ulisses, de James Joyce temas e perspectivas
O inconsciente e o absurdo na obra de Kafka
Reflexões sobre a obra de Benjamim Constant
A obra poética de Paul Claudel
A frustração na obra poética de Mário de Sá-Carneiro
O tema da complexidade nas «Poesias» de Álvaro de Campos
A evolução da poesia de Sofia de Mello-Breyner Andresen
A poesia de Eugénio de Andrade
Entre Trovar e Turvar: A Encenação da Escrita e do Amor no Cancioneiro Geral de João Amaral Frazão. Editorial Inquérito. Mem Martins, 1993, 127 págs. B.
A identidade entre os planos da escrita e do amor poder fazer de um texto de casuística amorosa – como aquele com que abre o Cancioneiro de Resende – uma referência fundamental quando se pretende saber de que modo a sociedade cortesã da segunda metade do século XV encarava a sua produção poética e de que forma se relacionava com e no espaço da linguagem. Num lugar teatral como o da corte, este debate de amor, que ocupou os serões do paço entre 1483 e 1484, procede a uma quase encenação da própria escrita: processos argumentativos e forças de tensão da lírica tornam-se personagens de um debate só aparentemente sustentado por figuras reais.
Eça de Queirós: Uma Estética da Ironia de Mário Sacramento. Coimbra Editora. Coimbra, 1945, 286 págs. B.
“(…) Procurei responder, entre outras, às seguintes questões: Será possível definir uma linha de pensamento e uma mensagem artística através da obra esquiva e para alguns leviana de Eça de Queirós? Por que caminhos e à custa de que esforços alcançou exprimi-las? Qual, a tê-la, a significação cultural dessa mensagem? Irão latentes nas respostas outras possibilidades discursivas que só um dia será profícuo desenvolver, quando a história das idéias em Portugal puder fazer-se com método e dignidade (…)”.— retirado da Nota Prévia.
Ensaios de Exegese Literária e Vária Escrita de Teixeira de Pascoaes.
Assírio & Alvim. Lisboa, 2004, 271 págs. B.
O presente volume visa a compilação de escritos de exegese, de natureza ensaística e literária. A compilação abrange oito módulos, os primeiros três de tema único, os restantes de temas vários, agrupados em módulos unificantes: Fernão Lopes [ensaio sobre a teoria da história à luz de uma exegese da obra de Fernão Lopes]; Guerra Junqueiro [duas conferências proferidas em 1950 e editadas em opúsculos]; Portugal e a Guerra [módulo de natureza sociológico-política]; Prefácios [para obras de diversos poetas]; Recensões Bibliográficas; Apologias e Perfis; Saudações à Academia Coimbrã [discursos celebrativos da Academia de Coimbra]; Entrevistas [concedidas a jornalistas]; Marginália [textos sobre Pascoaes].
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