Visão de Deus

Nicolau de Cosa

10,00 

Visão de Deus de Nicolau de Cosa
Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa, 1988, 242 págs. E.

“Na tradição do ser como olhar, que, ao ver-se, vê especulativamente toda a realidade e numa realização-limite da ideia aristotélica de que só o olhar incolor vê todas as cores, o De Visione Dei tem de ser lido no duplo sentido de genitivo subjetivo e objetivo. No primeiro sentido, o ver é absoluto, infinito, reflexivo e envolvente, abarcando tudo e todos, permanente na mutabilidade das coisas vistas, criador, enquanto “complicatio” e “explicativo”, dos seres-imagem, força “complicativa e explicativa”, que une e separa, palavra, que é gerar e conceber, falar e criar. Ao contrário da Unidade de Proclo, a unidade do Olhar Absoluto ou da Visão de Deus, no sentido de genitivo subjetivo não exclui o múltiplo mas desenvolve projetos de mundo como explicitações do Ver Absoluto, que relativamente ao mundo é liberdade. No sentido do genitivo objetivo, o De Visione Dei é o ver finito e múltiplo, a contração limitativa e singularizada do Ver Absoluto, sempre presa do ângulo parcial de uma perspetiva e, portanto, conjetural e mutável. É a “explicatio” enquanto participação da pureza e simplicidade da “complicatio”, é um ver plural, que é ser visto pelo mesmo Olhar envolvente, é um olhar singular e coletivo, que jamais pode fugir à incidência do Ver Absoluto. O Ver invisível do Absoluto manifesta-se nas imagens teofânicas e, sobretudo, nos olhares finitos dos homens, que acende, criando. O Ver Absoluto, ao fundar a visão de si no ver criado, é por “complicatio” o próprio ser-visto pelo olhar do outro e se, uma vez fixado na pintura, parece mudar com as nossas mudanças e seguir-nos como sombra, nós é que somos as sombras vivas e as verdades mudadas e agitadas pelo desejo, enquanto Deus é a coincidência da sombra e da verdade, da imagem e do paradigma, como ensina o De Visione Dei. O encontro destes dois olhares no duplo sentido do genitivo objetivo e subjetivo é relação dialógica imagem-paradigma, pintura-pintor, livro-autor, espelho conjetural – espelho do Olhar Absoluto, iluminação-comunicação vinda do mais fundo da Luz, que é “muro” e noite.” in Prefácio por Miguel Baptista Pereira

Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.

  • Check Mark Satisfação garantida
  • Check Mark Pagamentos seguros
  • Check Mark Envios rápidos
Métodos de Pagamento
REF: P136_157040 Categoria: Etiqueta: Marca:

Descrição

Visão de Deus de Nicolau de Cosa
Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa, 1988, 242 págs. E.

Informação adicional

Peso 415 g