Uma Noite

Augusto de Castro

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Título: Uma Noite
Autor: Augusto de Castro
Edição: Editorial Organizações
Colecção | Nº: Novela | 26/7
Ano: s.d.
Páginas: 79
Encadernação: Mole
Capa: Paulo Guilherme

SOBRE
Acompanhei ontem ao cemitério o corpo do des graçado Rodrigo. Sepultei com ele o segredo doloroso da minha própria vida. Esse segredo nem ele próprio o suspeitou. Durante toda a sua inglória e triste existência ele foi o protagonista dum drama-que até ao fim ignorou. Esse drama é o meu drama. Tenho a consciência de ter integralmente cumprido o meu dever para com o meu nome e para com a memória da única mulher que amei e que me traiu.
Durante vinte e oito anos guardei no fundo de mim próprio, amargamente, o mistério do amor e do ódio sobre o qual desde ontem pesa uma fria pedra tumular. Sou livre agora. Sou livre e só no mundo. Posso falar. Sinto-me velho, e perto também da Eterna Jornada, que não deve tardar-perto de Deus e longe, cada vez mais longe, dos homens. De tudo o que foi a minha longa passagem na terra restam em torno de mim espectros-nada mais. Esses espectros viveram vinte e oito anos comigo, em torno de mim, dentro de mim. Sofri a agonia exasperante da traição que sobrevive a si própria, da mentira que de si própria se oculta, da vergonha, do rancor que não podem confessar-se que é mister todos os dias recalcar e todos os dias ver renascer na nossa própria alma.


SOBRE O AUTOR

Augusto de CastroAugusto de Castro de Sampaio Corte-Real. Diplomata, jornalista, cronista, dramaturgo e ficcionista, foi, durante algumas décadas, sobretudo como director do Diário de Notícias, uma figura influente no nosso meio intelectual e social. Concluiu o curso de Direito em Coimbra, em 1903, dirigindo, aos 20 anos, no Porto, o diário “A Província”, de que fora colaborador influente Oliveira Martins. Ainda no Porto fundou e dirigiu a “Folha da Noite”, na qual deu mostras do seu talento de cronista. Foi redactor principal do “Jornal do Comércio” e, depois, de “O Século”, no qual criou a secção de crónicas «Fumo do meu cigarro», que constituiu, com justiça, um grande êxito.  Da sua bibliografia destacam-se:  Amor à Antiga (1907); Chá das Cinco (1909); Fantoches e Manequins (1917).

 


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