Fanny Owen de Agustina Bessa-Luís
Público Comunicação Social. Porto, 2002, 222 págs. E.
«Não significa tal que este livro não arda. O que acontece dentro é um desses fenómenos cuja potência afunda um continente ou levanta das cinzas uma ilha. Pois nele se realiza aquele encontro, proibido pelas leis do devir físico, entre Camilo Castelo Branco e Agustina. Este, sim, é um encontro de alto risco. Se a sua grandeza não fosse de maneira a obrigar-nos a guardar a distância, mandaria a prudência que a guardássemos.
«(…) Está claro que teriam de nascer em dois tempos diferentes, pois a coexistência arrastaria um desastre, no sentido sideral desta palavra. Ainda assim, a relação entre eles é turbulenta, visceral, excitante. Vê-se o quanto Agustina admira o homem, como o entende, como o desmascara, como se irrita quase que domesticamente com as suas fraquezas de carácter. Se existe um par na literatura é este, não a Sand e o Musset, a quem o próprio espectáculo do amor prejudicou.»
Explicações de Português de Miguel Esteves Cardoso Assírio & Alvim. Lisboa, 2001, 398 págs. B.
«Sair dos dias. Não dormir. Não falar com ninguém. Ficar de fora do lá de fora. Ocupar o coração. À força. Ser como ele. É muito bom e faz muito bem.
Sair de nós. Cair nos outros. Não escrever. Ler. Não pensar. Lembrar. Os amigos quietos. O murmúrio do riso que riram. A família parada. O colo onde cabe a cabeça. O amor adormecido. Estas coisas acordam. E sossega saber que nós não somos nada sem eles.
É muito bom e faz muito bem.»
Escrítica Pop: um quarto da quarta década do Rock (1980-1982) de Miguel Esteves Cardoso.
Assírio & Alvim. Lisboa, s.d., 2003, 378 págs. B.
«Aconselho os leitores a lerem um dos textos do livro: “Como Ser Um Crítico de Rock – Um Guia Prático”, publicado em 1981 na revista Música & Som. É delicioso, ainda agora, lê-lo e imaginar a cara de muitos dos que na época escreviam sobre música e pensar, até, como o que lá está escrito se mantém ainda hoje tão verdadeiro, não apenas na música, mas também em muitas outras coisas. Outro texto incontornável, antes de sermos arrastados nas páginas seguintes para a voragem dos anos 80, é “O Livro Negro da Música Pop: Os Piores de ‘70”.
A Desumanização de Valter Hugo Mãe
Porto Editora. Porto, 2014, 238 págs. B. 👨🏻🎨 Ilustrações de Cristina Valadas
Passado nos recônditos fiordes islandeses, este romance é a voz de uma menina diferente que nos conta o que sobra depois de perder a irmã gémea. Um livro de profunda delicadeza em que a disciplina da tristeza não impede uma certa redenção e o permanente assombro da beleza.
Crónica de D. Manuel I de Damião de Góis Amigos do Livros. Lisboa, 1977, 2 vols. E. Il
Damião de Góis (1502-1574) foi uma das maiores figuras do Humanismo português. Entrou cedo na corte e, como diplomata e secretário em Antuérpia, viajou pela Europa, convivendo com humanistas como Lutero, Erasmo, Melanchthon e Dürer. Regressou a Portugal em 1545, tornando-se guarda-mor da Torre do Tombo e cronista régio. As suas críticas à expulsão dos judeus e a outros temas polémicos levaram-no a ser perseguido pela Inquisição. Destacou-se ainda como historiador, escritor, músico e tradutor.
O Cemitério das Raparigas de Miguel Esteves Cardoso Assírio & Alvim. Lisboa, 1996, 317 págs. B. Colecção: A Phala | 11
Durante o mês de Dezembro de 1996, grandes cartazes anunciaram, desde Braga a Portimão, o novo livro de Miguel Esteves Cardoso. Foi uma ideia pioneira, na área editorial, da Assírio & Alvim. E dizemos-lhe com convicção, “O Cemitério de Raparigas” é o melhor romance de Miguel Esteves Cardoso. É triste e divertido, afectuoso e cruel, amargo e solitário, como o é o quotidiano dos dias que submergem um homem só, a quem a mulher matou todas as namoradas. Se ainda há quem não perceba como MEC vende tantas dezenas de milhares de livros, deve ler este para aplacar os seus injustificáveis cepticismos.
📕 1ª Edição.
✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
A Causa das Coisas de Miguel Esteves Cardoso
Círculo de Leitores. Lisboa, 1987, 412 págs. E.
«Há uma instituição portuguesa que é única no mundo inteiro. É o já agora. Noutras culturas, tratar-se-ia de um pleonasmo. Na nossa, faz parte do pasmo.
O já agora, e a variante popular “Já que estás com a mão na massa…”, significam a forma particularmente portuguesa do desejo. Os portugueses não gostam de dizer que querem as coisas. Entre nós, querer é considerado uma violência. Por isso, quando se chega a um café, diz-se que se queria uma bica e nunca que se quer uma bica. Se alguém oferece, também, uma aguardente, diz-se: “Já agora…”. Tudo se passa no pretérito, no condicional, na coincidência.»
Canções do Rio Profundo de Y. K. Centeno
Edições ASA. Porto, 2002, 52 págs. B. Colecção: Pequeno Formato 👨🏻🎨 Com uma pintura de Jacinta Andrade
Yvette K. Centeno nasceu em Lisboa, em 1940, numa família de origem germano-polaca. É casada, tem quatro filhos, e em sua casa a música e a literatura estiveram sempre presentes. Licenciou-se em Filologia Germânica com uma dissertação sobre O homem sem qualidades, de Musil, e doutorou-se com uma tese sobre A alquimia no Fausto de Goethe. É desde 1983 Professora Catedrática da Universidade Nova de Lisboa, onde fundou o Gabinete de Estudos de Simbologia, actualmente integrado no Centro de Estudos do Imaginário Literário. Ainda em estudante interessou-se por teatro, escreveu peças e rábulas, fundou o CITAC em Coimbra. Tem publicado literatura infantil, ensaio de investigação, poesia, teatro e ficção, com romances como Três histórias de amor (1994), Os jardins de Eva (1998) e Amores secretos (2006), tendo parte da sua obra traduzida em França, Espanha e Alemanha. Entre os autores que traduziu contam-se Shakespeare, Goethe, Stendhal, Brecht, Celan e Fassbinder.
📕 1ª Edição 📖 Exemplar por abrir ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Baile de Máscaras de Lourenço Pereira Coutinho
Oficina do Livro. Lisboa, 2008, 326 págs. B.
1805. revelações intensas da vida e dos ambientes da corte de D. João, Príncipe regente, sob ameaça das invasões napoleónicas.
Portugal, 1805. O general Junot chega à corte portuguesa com instruções claras de Napoleão: vedar o porto de Lisboa aos ingleses, sob pena de ser declarada guerra ao reino de Portugal. Num país que permanece sob constante ameaça, o tenente Vicente Gonzaga envolve-se em missões secretas na corte de Madrid, frequenta bailes em Queluz, luta contra as tropas francesas e apaixona-se por uma misteriosa mulher.
Baile de Máscaras reúne personagens ficcionadas e figuras históricas, como o infeliz príncipe regente D. João, o talentoso pintor Domingos Sequeira, o inconstante General Junot ou o astuto ministro Araújo de Azevedo. Um quadro da época que recria a atmosfera de um período fascinante, onde convivem emoções intensas e contraditórias, próprias dos grandes romances, da vida… e do amor.
O Amor é Fodido de Miguel Esteves Cardoso
Assírio & Alvim. Lisboa, 2009, 187 págs. B. Colecção: A Phala | 6
«O sobressalto começa no título. Mesmo o leitor menos experiente suspeita que, embora escritores de todos os tempos e lugares se tenham dedicado a tentar definir o amor, talvez seja improvável que alguém alguma vez tenha optado por terminar uma frase começada pela expressão «o amor é» com a palavra «fodido». O amor costuma ter, apesar de tudo, boa imprensa – o que, pensando bem, é incompreensível. Dizer que o amor é fodido é, finalmente, tratá-lo como ele merece. É resumir, para quem não quer perder tempo com eufemismos eruditos, a etimologia da palavra paixão.
Mas talvez O Amor É Fodido seja menos uma história do que uma tese. Uma sugestão acerca de um modo de falar. Uma hipótese sobre o modo de lidar, literariamente e não só, com o amor. Uma proposta que questiona se será apropriado descrever uma doença aterradora com metro e rima e que propõe, por isso, uma espécie de antilirismo. Ou, talvez mais exatamente, um lirismo antilírico. De acordo com esta tese, dizer que o amor é fogo que arde sem se ver é que é obsceno. Notar que é fodido é mera candura.»
Do prefácio de Ricardo Araújo Pereira
As Três Vidas de Joâo Tordo
Quidnovi. Matosinhos, 2009, 303 págs. B.
História de amor, saga familiar, mistério policial, retrato de um mundo que ameaça resvalar da corda bamba, Três Vidas é um dos mais importantes romances de João Tordo, tendo-lhe valido o Prémio Literário José Saramago.
António Augusto Milhouse Pascal vive longe do mundo, num velho casarão alentejano, com os três netos pouco dados a regras e um jardineiro taciturno. O isolamento é quebrado pelas visitas de clientes abastados que procuram ajuda do velho patriarca, em tempos um importante espião e contra-espião, testemunha activa das grandes guerras do século XX. O nosso narrador – um lisboeta de origens modestas – entra na história quando Milhouse Pascal o contrata como arquivista dos segredos que envolvem os seus clientes. Não poderia adivinhar o rapaz, ao aceitar o trabalho, que este acabaria por consumir a sua própria vida. A partir do momento em que se apaixona por Camila, neta do patrão com sonhos de ser funambulista, que desaparece após uma viagem a Nova Iorque, o destino do narrador enreda-se irreversivelmente nos mistérios da família, partindo a sua existência em três.
O Segredo de Compostela de Alberto S. Santos
Porto Editora. Porto, 2013, 476 págs. B.
O dia 28 de janeiro de 1879 tinha tudo para ficar marcado na história da cristandade. Depois de dias suados de escavações na catedral de Compostela, foi encontrado o túmulo onde se acreditava que repousavam os ossos do santo apóstolo.
Mas… e se no destino final a que nos conduzem os místicos caminhos de Santiago se esconder um dos segredos mais bem guardados do Ocidente?
Prisciliano, líder carismático do século IV e pioneiro defensor da igualdade das mulheres e dos valores do Cristianismo primitivo, é a figura preponderante neste enigma secular. Comprometido com a força da sua espiritualidade, viveu no coração os sobressaltos de um amor proibido, envolto em ciúmes e intrigas.
Ainda que aclamado bispo pelo povo, Prisciliano tornou-se no primeiro mártir da sua Igreja, a quem a História ainda não prestou o devido reconhecimento.
O Que Aprendi com a Minha Mãe de Helena Sacadura Cabral
Objectiva Editora. Carnaxide, 2014, 204 págs. E.
Nestas páginas, Helena Sacadura Cabral partilha memórias ternas e reflexões inspiradoras sobre os vínculos que unem as mães aos seus filhos. Porque, afinal, todos somos marcados pelo que aprendemos com aquela que nos deu a vida. Diz a autora: «As figuras femininas que mais influenciaram a minha vida foram a minha mãe e a minha avó materna. A elas devo uma boa parte daquilo que sou.»
O Príncipe com Orelhas de Burro de José Régio
Círculo de Leitores. Lisboa, 1986, 215 págs. E.
O PRÍNCIPE COM ORELHAS DE BURRO não pode ser considerado em paralelo com qualquer outra obra do nosso tempo, em Portugal […], é uma obra destinada a ficar como uma grande data da nossa literatura. José Régio encheu o seu livro de quadros e retratos em que se revela toda a sua lucidez de moralista, e também toda a força da sua criação poética; quadros e retratos em que os mais diversos tipos de humanidade perpassam, mas que são sobretudos magníficos como sátira e como crítica de costumes. Régio pretendeu dar-nos um microcosmos em que cada paixão, cada tipo humano, tivesse a sua representação.
Poesias Inéditas (1919-1930) de Fernando Pessoa Edições Ática. Lisboa, 1963, 202 págs. B.
«Repousaram mais alguns meses, após a saída do primeiro volume de «Poesias Inéditas» de Fernando Pessoa, os poemas vindos agora a lume. Sentimo-nos como que tocados pelo mistério de desvendar o mais secreto da intimidade de tão grande poeta. Temos ainda a convicção de alguma coisa havermos feito para o melhor conhecimento, pelo menos em extensão, da maior parte possível dos documentos poéticos do autor.» Jorge Nemésio
Pessoas como Nós de Margarida Rebelo Pinto.
Oficina do Livro. Lisboa, 2005, 233 págs. B.
Nem todos os homens têm coração, mas há mulheres que também não. O que pode separar dias irmãs? E como se perde uma grande amizade?
Três mulheres entregues à solidão contam a sua história e acabam por revelar os segredos mais surpreendentes. Maria do Carmo não é o que parece, Verónica descobre o impensável e Julieta carrega a culpa de um violento e sórdido trauma.
Afinal, todas as pessoas são normais até as conhecermos melhor.
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