Ensaísmo Trágico de Eduardo Lourenço, O
José Gil
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O Ensaísmo Trágico de Eduardo Lourenço de José Gil
Relógio d’Água Editores. Lisboa, 1996, 75 págs. B.
É bom recuperar uma espécie de infância. Não há nada menos filosófico que querer a vida toda filosófica, dizia já Leopardi. E era um pessimista. O efémero, nesse sentido, não é tão negativo como se possa imaginar. A sua consideração corresponderia a uma certa humildade em relação a fases de exigência e de titanismo herdades do Romantismo e que fracassaram. Poderá corresponder também a uma espécie de sabedoria como a de Heráclito, que recebendo um seu amigo na cozinha dizia: os deuses também habitam aqui. Santa Teresa repetia a mesma coisa. Deus também está presente na cozinha. Isso não altera nada o facto de que, para o homem viver com o mínimo de sentido, comporta a impossibilidade de aceitar que o não-sentido seja vivido como tal. Parece-me, de resto, uma experiência absolutamente impossível. Na medida em que há sentido a celebração do efémero, do frágil, mesmo sem ser no sentido pascaliano como à primeira vista parecia, é um sintoma de que abdicámos de um certo tipo de exigência metafísica e ética. Estou convencido de que, na verdade, essa vontade de euforia contínua que banha a vida contemporânea, é o sintoma de uma grande desesperação.
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Descrição
O Ensaísmo Trágico de Eduardo Lourenço de José Gil
Relógio d’Água Editores. Lisboa, 1996, 75 págs. B.
Informação adicional
| Peso | 155 g |
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