Lady Susan de Jane Austen. Relógio d’Água Editores. Lisboa, 2014, 107 págs. B.
Lady Susan é uma novela epistolar e a primeira obra completa escrita por Jane Austen.
Bela, provocante, e viúva recente, Lady Susan Vernon procura um novo e vantajoso casamento. Ao mesmo tempo, tenta manter uma relação com um homem casado e persuadir a filha a comprometer-se com um jovem que detesta. Através de hábeis manobras, Lady Susan preenche a sua agenda com longas visitas a familiares e alguns conhecidos — em busca da realização do seu plano.
Com o desenrolar da acção, as personagens vão sendo conhecidas e o suspense aumenta, tudo através de cartas trocadas entre Lady Susan, a sua família, amigos e inimigos.
Descrita pelos seus rivais como a «mais refinada coquete de Inglaterra», dotada de uma «certa dose de artifício que é cativante», Lady Susan mostra-se uma figura notável — com intrigas e maquinações que conduzem a desastrosos resultados.
Lady Susan é uma novela sofisticada do ponto de vista da sua construção. Aborda os costumes e tradições do período da Regência e tornou-se uma das obras favoritas dos leitores de Jane Austen.
O Ensaísmo Trágico de Eduardo Lourenço de José Gil
Relógio d’Água Editores. Lisboa, 1996, 75 págs. B.
É bom recuperar uma espécie de infância. Não há nada menos filosófico que querer a vida toda filosófica, dizia já Leopardi. E era um pessimista. O efémero, nesse sentido, não é tão negativo como se possa imaginar. A sua consideração corresponderia a uma certa humildade em relação a fases de exigência e de titanismo herdades do Romantismo e que fracassaram. Poderá corresponder também a uma espécie de sabedoria como a de Heráclito, que recebendo um seu amigo na cozinha dizia: os deuses também habitam aqui. Santa Teresa repetia a mesma coisa. Deus também está presente na cozinha. Isso não altera nada o facto de que, para o homem viver com o mínimo de sentido, comporta a impossibilidade de aceitar que o não-sentido seja vivido como tal. Parece-me, de resto, uma experiência absolutamente impossível. Na medida em que há sentido a celebração do efémero, do frágil, mesmo sem ser no sentido pascaliano como à primeira vista parecia, é um sintoma de que abdicámos de um certo tipo de exigência metafísica e ética. Estou convencido de que, na verdade, essa vontade de euforia contínua que banha a vida contemporânea, é o sintoma de uma grande desesperação.
Portugal Hoje Medo de Existir de José Gil Relógio d’ Água Editores. Lisboa, 2005, 142 págs. B.
«Num livrinho de 150 páginas, quase de bolso, José Gil teve a humildade de libertar o seu discurso do jargão académico e filosófico e descer à terra. O resultado é fascinante porque há muito se não via, entre nós, um filósofo falar do real quotidiano de modo tão inteligente e, ao mesmo tempo, tão simples.»
Rodrigues da Silva, JL, Janeiro de 2005
Sociedade Digital: do homo sapiens ao homo digitalis de José B. Terceiro
Relógio d’ Água Editores. Lisboa, 1997, 253 págs. B.
Obra que analisa, de forma rigorosa e acessível, o impacto da transição do átomo para o bit, antecipando a passagem do homo sapiens para o homo digitalis. O autor explora o papel da Internet, das redes e dos computadores, bem como os efeitos das tecnologias digitais no trabalho, na medicina, educação e media. Aborda ainda implicações políticas, legais e económicas, incluindo o dinheiro electrónico e as transformações sociais associadas.
Sobre a Revolução de Hannah Arendt
Relógio d’ Água Editores. Lisboa, 2001, 398 págs. B. Colecção: Antropos
Sobre a Revolução permite uma compreensão histórica da diferente natureza dos sistemas políticos actuais nos EUA e na Europa. Neste livro, Hannah Arendt debruça-se sobre os princípios que subjazem a todas as revoluções, começando pelos grandes primeiros exemplos da América e de França e mostrando como a teoria e a prática da revolução evoluíram desde então.
Margarita e o Mestre de Mikhail Bulgákov
Relógio d’ Água Editores. Lisboa, 2007, 359 págs. B.
O Mestre e Margarita é a última obra de Mikhaíl Bulgákov. O seu processo de criação foi extremamente conturbado, tendo as ideias iniciais surgido na primeira metade da década de 1920. Após incontáveis vicissitudes, o romance viria a ser concluído por volta de 1940 e publicado vinte e seis anos mais tarde. Inspirado pelos dois temas que marcavam a sociedade russa da época, uma campanha antirreligiosa acérrima e uma forte repressão da produção criativa livre, Bulgákov escreve uma obra que é, em termos de composição, um romance dentro do romance, onde espaços e ambientes se interpenetram com naturalidade. O romance interior, a história da crucificação de Jesus, escrito com um realismo rigoroso, comporta um significado universal e eterno do bem e do mal, da traição, da fidelidade e da tirania, temas que se reproduzem com um carácter mais concreto no romance de moldura – a realidade da grande capital da Rússia soviética, que o autor trata recorrendo a um realismo fantástico profundamente satírico e humorístico. O Mestre e Margarita viria a ser reeditado quinze vezes na Rússia e traduzido para cerca de 180 línguas.
A Evidência da Possibilidade: a questão modal na fenomologia de Husserl de Nuno Nabais
Relógio d’ Água Editores. Lisboa, 1998, 336 págs. B.
A teoria fenomenológica da evidência depende da explicação recíproca da possibilidade do fenómeno e do fenómeno da possibilidade. Segundo Husserl, descrever aquilo que aparece à consciência como um fenómeno evidente, isto é, um aparecer completo não apenas daquilo que aparece mas do critério de verdade do aparecer, implica também descrever a condição de possibilidade do aparecer. Só há evidência, só há uma verdade sem resto, se na actualidade do fenómeno se manifestar a própria possibilidade da sua manifestação. Esta tese é profundamente paradoxal. Ela faz da possibilidade do fenómeno algo que também é fenómeno, algo que aparece enquanto possibilidade do aparecer. Mas, apesar de paradoxal, esse é o mais importante corolário da condição descritiva da fenomenologia. A verdade só se deixa pensar no esclarecimento do vínculo entre os conceitos de evidência e de possibilidade.
Primeiros Contos e Outros Contos de Agustina Bessa-Luís Relógio d’ Água Editores. Lisboa, 2020, 199 págs. B. 𓂃🖊Prefácio Mónica Baldaque
Este livro reúne dezassete contos, quinze dos quais inéditos.
«Agustina sempre gostou do conto, das histórias contadas à lareira, ou na sombra da ramada. Todos sabiam contar histórias, e a atenção dos ouvintes era captada com uma sabedoria magistral. Agustina foi ouvinte, e aprendeu. Mesmo nos seus romances, por vezes deparamo-nos com umas páginas que poderiam ser isoladas num conto. E o que sinto é que, embora uns desses contos estejam loca- lizados numa cidade, como na Coimbra dos anos 40, por exemplo; numa época, que pode ser a medieval, ou o século XIX, ou a de hoje; num contexto que já é memória, como a infância; é certo que, se despirmos os contos desses sinais, se despirmos as personagens da sua roupagem, se lhes retirarmos as máscaras, e ficar apenas a fala, o conto permanece intacto e eternamente actual.»
Emma de Jane Austen.
Relógio d’ Água Editores. Lisboa, 2016, 435 págs. B.
«O romance conta a jornada de uma jovem de vinte anos para o autoconhecimento e maturidade intelectual e sentimental, através de discussões instrutivas, da (circunscrita) variedade das relações pessoais e experiências vividas.»
A Abadia de Northanger de Jane Austen Relógio d’ Água Editores. Lisboa, 2016, 227 págs. B. Colecção: Clássicos para os Leitores de Hoje | 3
Durante uma temporada em Bath, a jovem e ingénua Catherine Morland conhece pela primeira vez a sociedade mundana. Fica deliciada com os seus novos conhecimentos: a sedutora Isabella, que apresenta a Catherine os prazeres dos romances góticos, e os sofisticados Henry e Eleanor Tilney, que a convidam a visitar a casa do seu pai, a Abadia de Northanger.
Ali, influenciada pelos romances de terror e mistério, Catherine começa a imaginar terríveis crimes cometidos pelo General Tilney, arriscando a perda da afeição de Henry. E terá então de aprender a diferença entre ficção e realidade, amigos verdadeiros e falsos. Com amplo sentido de humor e a sua irreprimível heroína, A Abadia de Northanger é o mais juvenil e o mais optimista dos trabalhos de Jane Austen.
Orgulho e Preconceito de Jane Austen Relógio d’ Água Editores. Lisboa, 2014, 358 págs. B. 𓂃🖊 Prefácio Virginia Woolf
A chegada de vários jovens marca uma profunda transformação na vida de uma família de classe média rural, os Bennets, e em particular na das suas filhas.
Um desses jovens é Darcy, membro da alta sociedade que se distingue pelo seu orgulho. Desenvolve-se uma série de desafios, de equívocos, de julgamentos apressados, que conduzem à mágoa e ao escândalo, mas também ao auto-conhecimento e amor.
Olhar para Trás de Lou Andreas Salomé Relógio d’ Água Editores. Lisboa, 1987, 215 págs. B.
Nesta sua auto-biografia, Lou Andreas-Salomé fala-nos da sua vida e por isso também de Nietzsche, Rilke e Freud, a quem esteve ligada por paixão ou amizade e pela colaboração intelectual.
E lendo este livro depressa nos apercebe-mos que mais do que a lúcida descrição da sua existência que se situou para além do bem e do mal e em muitos aspectos antecipou as reivindicações femininas mais recentes – Lou Andreas-Salomé busca um sentido para a sua existência, reflecte sobre uma vida que foi profundamente religiosa no sentido etimológico do termo.
A Condição Humana de Hanna Arendt Relógio d’ Água Editores. Lisboa, 2001, 406 págs. B.
« “A Condição Humana”, livro central do seu pensamento, afirma-se, nos primeiros capítulos, como uma crítica da modernidade, a partir da reflexão sobre ‘o que andamos a fazer’, e da discussão sistemática ‘do labor, do trabalho e da acção’, actividades que constituem traços essenciais da perenidade da condição humana. Arendt aponta para a recuperação de um mundo comum, a ágora, como espaço público do debate e do confronto entre iguais, pela reabilitação da política, a única resistência possível contra a alienação do mundo moderno, e, por inerência, do discurso, ‘pois é o discurso que faz do homem um ser político’.
Buddenbrook: Decadência de uma Família de Thomas Mann Relógio d’Água Editores. Lisboa, 2020, 664 págs. B.
Considerado um dos melhores primeiros romances da história da literatura, Os Buddenbrook foi publicado tinha Thomas Mann vinte e seis anos, em 1901, e marcaria indelevelmente as letras alemãs do século xx. Saga familiar que acompanha quatro gerações de uma família burguesa do norte da Alemanha no advento da modernidade, este é o retrato de um mundo em mudança, onde o respeito pelas ligações familiares e pelas tradições começa a ruir, a prosperidade dá lugar à decadência, a estabilidade moral se desfaz em perversão e loucura. Sucedem-se os nascimentos e os funerais, os casamentos e os divórcios, as festas e os investimentos cada vez mais questionáveis nesta história inspirada pelo ambiente em que o próprio Thomas Mann cresceu, aqui narrado com a musicalidade e a envolvência apenas ao alcance de um mestre da escrita.
Um Nómada no Oásis de Miguel Sousa Tavares
Relógio d’ Água. Lisboa, 1994, 318 págs. B.
«O que resta, como resultado palpável de oito anos de poder, são as estradas. E o que é mais impressionante é que atrás deste imenso vazio de projecto caminham todas as forças vivas da Nação e metade dos eleitores. Em direcção ao oásis prometido. Resta-me esperar, como dizia Francisco de Sousa Tavares, que “Deus queira, simplesmente, que eu me tenha enganado”.» – Do prefácio
A Poesia do Pensamento: do Helenismo a Celan de George Steiner
Relógio d’ Água Editores. Lisboa, 2012, 222 págs. B.
Em A Poesia do Pensamento, George Steiner apresenta-nos uma profunda análise da relação entre a filosofia ocidental e a sua linguagem.
De forma precisa e pormenorizada, Steiner analisa mais de dois milénios de cultura ocidental, entrelaçando filosofia e literatura. O resultado evidencia que em toda a filosofia existe literatura oculta.
Steiner acredita que «o génio poético do pensamento abstracto se ilumina, se torna audível. O próprio raciocínio analítico tem o seu ritmo percussivo. Torna-se ode. Haverá melhor expressão dos andamentos finais da Fenomenologia de Hegel do que o non, rien de rien de Edith Piaf, uma dupla negação que Hegel teria apreciado? Este ensaio é uma tentativa de escutar melhor», um esforço do autor para integrar tudo o que até hoje escreveu sobre cultura.
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