Último Salazarista: a Outra Face de Américo Thomaz de Orlando Raimundo Publicações Dom Quixote. Lisboa, 2017, 286 págs. B. Il.
Américo Thomaz, o último Presidente da República do Estado Novo, é frequentemente recordado como uma figura patética: o caricato corta- -fitas do regime fundado por Salazar com o apoio dos militares que cometia gafes e falava com exasperante lentidão.
Bastará, porém, acompanhar a biografia que lhe traça Orlando Raimundo para perceber que essa é uma perspectiva manifestamente redutora e que o seu papel como facilitador das manobras da ditadura ao longo de quase quarenta anos de vida política teve consequências bastante mais nefastas do que as anedotas que sobre ele se contam fariam adivinhar.
Entre muitos episódios em que participou e que condicionaram a história portuguesa do século xx, a sua intervenção foi determinante quando traiu o general Botelho Moniz, fazendo abortar o golpe que iria derrubar Salazar, e no momento em que obrigou Marcello Caetano a assumir o compromisso solene de não abrir mão das Colónias. Como nos diz o autor do presente volume, «na procissão dos devotos do salazarismo [Thomaz] esteve sempre na linha da frente, a segurar o andor».
Deste modo, justifica-se amplamente dar a conhecer essa outra face de Américo Thomaz e revelar dados menos conhecidos deste Presidente da República que – pasme-se – era um adepto da monarquia. Até para evitar que a tragédia possa dar lugar à farsa.
Metamorfoses de Agustina Bessa-Luís Publicações Dom Quixote. Lisboa, 2007, 103 págs. E. Il. 👨🏻🎨 Ilustrações de Graça de Morais.
Um livro com texto inédito de Agustina Bessa–Luís e 50 pinturas de Graça Morais.
Agustina Bessa-Luís, inspirando-se nas Metamorfoses de Ovídio, revisita os seus romances e biografias, um mundo à parte povoado exclusivamente por mulheres de variadas vocações e destinos.
O que é a Metamorfose? É aquilo que faz de nós alguma outra coisa. Talvez por isso, este mundo de Agustina seja implacável para as mulheres que o habitam. O património genético reina; nem a educação, nem a vontade chegam para lhe fazer frente. “Sempre acabamos por ser o que somos na pluralidade dos nossos sonhos”.
Graça Morais escolheu cerca de 50 telas que permitem ler de outra maneira o tema da Metamorfose. São imagens de mulheres poderosas e temíveis mas, ao mesmo tempo, desamparadas.
São estes os ingredientes para a edição de uma obra bela e de grande qualidade, fruto do trabalho assinalável de duas mulheres admiráveis, dois nomes de absoluta referência na cultura portuguesa contemporânea. Nesta obra podemos percorrer a humanidade inteira através de duas dimensões que se complementam na perfeição: o texto e as imagens.
Escuta Zé Ninguém de Wilhelm Reich Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1981, 111 págs. B.
Escrito no Verão de 1945, Escuta, Zé Ninguém! foi o resultado de tumultos e conflitos íntimos de um cientista e pensador profundamente inconformista. Lido por milhares de leitores ao longo de várias gerações Escuta, Zé Ninguém! É ainda hoje um livro de culto que pela sua actualidade continua a despertar grande interesse.
Uma Abelha na Chuva de Carlos de Oliveira. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1971, 192 págs. B.
Álvaro Rodrigues Silvestre vive um casamento falhado e estéril, gerado pela conveniência de antigos interesses familiares, na pequena aldeia de Montouro, espaço provinciano onde todas as biografias se cruzam e coscuvilham vidas alheias. Enquanto uns esperam a benevolência dos dias para revelar segredos do passado, outros entrevêem a oportunidade certeira para silenciá-los de uma vez por todas. Assim, levada pela chuva e lama de um Outono implacável, a vida dos protagonistas da terra afunda-se num ciclo trágico de mentiras, vingança e amores frustrados, que põe a nu a estrutura social do Portugal pobre e desamparado do século xx. Uma Abelha na Chuva viria a dar origem ao filme homónimo do realizador Fernando Lopes e está recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para leitura autónoma no Ensino Secundário.
O Último Cabalista de Lisboa de Richard Zimler Publicações Dom Quixote. Lisboa, 2011, 383 págs. B.
Em abril de 1506, durante as celebrações da Páscoa, cerca de dois mil cristãos-novos foram mortos num pogrom em Lisboa e os seus corpos queimados no Rossio. Reinava então D. Manuel, o Venturoso, e os frades incitavam o povo à matança, acusando os cristãos-novos de serem a causa da fome e da peste que flagelavam a cidade.
Berequias, sobrinho e discípulo de Abraão Zarco – iluminador e membro respeitado da célebre escola cabalística de Lisboa -, vai encontrar o tio e uma jovem desconhecida mortos na cave que servia de templo secreto desde que a sinagoga fora encerrada pelos cristãos-velhos. Um valioso manuscrito iluminado também desapareceu do seu esconderijo. Estarão os dois incidentes relacionados? Terá sido um cristão ou um judeu, como os indícios fazem crer, a assassinar o tio? Quem será a rapariga morta?
Publicado originalmente em Portugal, O Último Cabalista de Lisboa é um extraordinário romance histórico, que catapultou o seu autor para um sucesso internacional, tendo sido publicado em toda a Europa, nos Estados Unidos e Brasil, onde depressa se tornou um bestseller.
À Procura de Sana de Richard Zimler Publicações Dom Quixote. Lisboa, 2012, 253 págs. B.
Em fevereiro do ano 2000, Richard Zimler desloca-se à Austrália para participar no Encontro de Escritores de Perth. Aí, conhece Sana, uma bailarina brasileira que lhe diz que o seu livro O Último Cabalista de Lisboa influenciou profundamente a sua vida. Um dia depois, o inesperado acontece: a mulher suicida-se, atirando-se da janela do hotel em que ambos estão hospedados.
Zimler torna-se então personagem do seu romance e, simultaneamente, investigador e narrador. As suas buscas levá-lo-ão a Paris, onde conhece Helena, amiga de infância de Sana. Porém, à medida que vai desenrolando o fio da vida de ambas – que começa em Haifa, numa época em que a convivência pacífica entre uma palestiniana e uma judia era ainda possível –, vê-se envolvido numa teia de ilusões, crueldade e vingança que culminará no 11 de Setembro de 2001.
Um livro surpreendente e corajoso que é, sem dúvida, um ponto alto na obra de Richard Zimler.
✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados. 📕 1ª Edição.
Meia-Noite ou o Principio do Mundo de Richard Zimler Publicações Dom Quixote. Lisboa, 2010, 512 págs. B.
Portugal, início do século XIX: John Zarco Stewart, filho de uma judia portuguesa e de um escocês, é uma criança endiabrada, sensível e profundamente curiosa, herdeira sem o saber de uma fé amortalhada em três séculos de secretismo. Mas um período de perda e amargas revelações põe um fim abrupto à sua inocência, e só a misteriosa intervenção de um carismático curandeiro, trazido de África para o Porto pelo pai, consegue salvá-lo. Profundo conhecedor da sabedoria milenar do seu povo e antigo escravo, Meia-Noite tornar-se-á o maior amigo de John e determinará o curso do seu destino.
Quando as tropas de Napoleão invadem Portugal, a violência vem perturbar a frágil paz de John. À medida que tudo em volta parece ruir, John desvenda as verdades e mentiras escondidas por aqueles que mais amava e em quem mais confiava. E, já adulto, descobre o ato de imperdoável traição que em última instância devastou a sua família – e que ameaça destruir a sua fé. Para redimir crimes passados, John percebe que deve fazer uma viagem longínqua e perigosa aos Estados Unidos da América.
Com um raro poder de observação e um talento inato para o pormenor histórico – dos vibrantes mercados do Porto às sonolentas plantações do Sul dos Estados Unidos, do judaísmo que John Zarco descobre durante a juventude à mítica África que Meia-Noite lhe desvenda -, Richard Zimler confirma o seu lugar de excelência no panorama do romance histórico.
Ilha Teresa de Richard Zimler Publicações Dom Quixote. Lisboa, 2011, 228 págs. B.
A vida de Teresa muda radicalmente quando os pais deixam Lisboa para irem viver em Nova Iorque. Não estando preparada para a vida na América, com dificuldade para se exprimir em inglês, Teresa encontra refúgio no seu particular sentido de humor e no único amigo, Angel, um rapaz brasileiro de 16 anos, bonito, mas desastrado, que adora John Lennon e a sua música. Mas o mundo de Teresa desmorona-se completamente quando o pai morre e a deixa, a ela e ao irmão mais novo, com uma mãe negligente e consumista.
Os problemas de Teresa confluem para um clímax de desespero no dia 8 de Dezembro de 2009 – aniversário da morte de John Lennon – quando ela e Angel fazem uma peregrinação ao Memorial Strawberry Fields Forever em Central Park. Aí, um terrível acontecimento que nunca poderia ter previsto devolve-a à vida e ao amor.
Em Ilha Teresa, Richard Zimler conta-nos num estilo inteligente, irreverente e com uma certa dose de humor negro a história de Teresa, uma rapariga de 15 anos, sensível e espirituosa, cujo equilíbrio e sentido de identidade se vêem ameaçados quando a sua família deixa Lisboa para ir viver nos subúrbios de Nova Iorque.
Num registo um pouco diferente do habitual, mas igualmente brilhante, Richard Zimler continua a maravilhar-nos pela forma convincente como nos transporta para o admirável mundo das suas personagens.
Goa ou o Guardião da Aurora de Richard Zimler Publicações Dom Quixote. Lisboa, 2011, 367 págs. B.
Na Goa de finais do século XVI, e apesar dos enormes esforços da Inquisição no sentido de proibir nativos hindus e imigrantes judeus de praticar as suas crenças religiosas, a família Zarco, a viver nos limites do território colonial, mantém-se fiel às suas raízes luso-judaicas. Tiago e a irmã Sofia gozam uma infância serena, aprendendo com o pai a arte de ilustrar manuscritos e com a cozinheira Nupi o mundo inebriante das festividades hindus.
No entanto, quando primeiro o pai e depois o filho são feitos prisioneiros pela Inquisição, a família desmorona-se e a desconfiança começa a grassar no peito de Tiago. Apenas alguém próximo os poderia ter denunciado. Determinado a vingar-se, Tiago vê-se obrigado a enfrentar a traição e a reavaliar as suas mais profundas crenças.
Um romance histórico magistral. Um hino à vida. Um grito contra a intolerância. Uma história de amor, ciúme e vingança narrada com a mestria a que Richard Zimler nos habituou desde o primeiro livro.
Pascal de Alban Krailsheimer Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1983, 145 págs. B.
Colecção: Mestres do Passado | 7
Figura dominante do pensamento científico e filosófico da sua época, Blaise Pascal (1623-1662) foi também o primeiro grande prosador da Literatura Francesa. As suas obras mais famosas, as Lettres Provinciales e Les Pensées, causaram na altura profundas polémicas religiosas. Mas igualmente como físico e matemático nos deixou um legado de excepcional interesse.
O presente livro de Alban Krailsheimer, conceituado especialista inglês de Pascal, sintetiza os aspectos essenciais da vida e da obra do grande filósofo, revestindo-se assim de indiscutível utilidade para todos aqueles (nomeadamente o público escolar) que pretendem uma introdução acessível e rigorosa às grandes linhas do seu pensamento.
Bar da Ressaca de Olivier Rolin Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1989, 164 págs. B. Colecção: Ficção Universal | 59
O Bar da Ressaca tenta pois o exercício de transcrição das obsessões da memória, a fixação do jogo de sentimentos que por vezes liga, de forma assaz misteriosa, o fascínio das cidades, dos livros ou dos rostos. E, ao mesmo tempo, narra-nos de modo subtil a história de uma quase iniciação, a tentativa de uma aproximação do Aleph, que faz o narrador participar do movimento infindável dos céus, dos sonhos, da água e das linguagens em que tudo isso finalmente se exprime.
O Bar da Ressaca: um romance lírico e encantatório, que confirma o seu autor como uma das vozes mais interessantes e inovadoras da moderna ficção francesa.
Último Verão na Ria Formosa de José António Saraiva. Dom Quixote. 2001, 260 págs. B.
Primeira incursão na ficção de José António Saraiva (n. 1948), arquitecto de formação e director do jornal “Expresso” desde 1983, “O Último Verão na Ria Formosa” passa-se em plena época marcelista, na zona de Tavira, com as salinas e pântanos da Ria Formosa, e é a narração de uma paixão. Jacinto é um médico que se apaixona por uma mulher que viu numa esplanada, Mariana Mendes. Esta perdeu um filho e vive um processo de destruição interior..
Vergílio Ferreira – Espaço Simbólico e Metafísico de J. L. Gavilanes Laso
Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1989, 348 págs. B. Colecção: Estudos Portugueses | 21
O livro “Vergílio Ferreira: Espaço Simbólico e Metafísico”, de J. L. Gavilanes Laso, é um estudo sobre a obra do escritor português Vergílio Ferreira, traduzido para o português por António José Massano e publicado pela primeira vez em 1989 pela Publicações Dom Quixote. A obra faz parte da coleção “Estudos Portugueses” e aborda o espaço simbólico e metafísico na literatura de Ferreira.
Portugal os Anos do Fim: a revolução que veio de dentro de Jaime Nogueira Pinto. Publicações D. Quixote. Lisboa, 2017, 582 págs. B. Il.
Conta-se a história dos erros cometidos por Marcello Caetano e seus partidários, que permitiram a ascensão das forças sociais e políticas que fizeram o 25 de Abril e puseram fim ao Estado Novo. Da importância da má condução política da guerra de África pelo regime e de como isso foi vital para que a Revolução fosse bem sucedida.
Como Proust Pode Mudar a sua Vida de Alain de Botton. Publicações D. Quixote. Lisboa, 2001, 235 págs. B.
Como Proust Pode Mudar a Sua Vida é um livro prático destinado a ajudar as pessoas a serem mais felizes: como amar a vida hoje? Como exprimir as emoções? Como ser um bom amigo? Estes são alguns dos temas tratados no livro. Botton parte do livro de Proust Em Busca do Tempo Perdido para falar sobre estes temas.
Alguns Eventos de Júlio Pomar Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1992, 71 págs. B.
Júlio Pomar (Lisboa, 10 de janeiro de 1926 — Lisboa, 22 de maio de 2018). Frequentou a Escola de Arte Aplicada António Arroio e a Escola de Belas-Artes do Porto. Lá, integrou um movimento que se autointitulava «Os Convencidos da Morte» e organizou a primeira Exposição da Primavera, no Ateneu Comercial, com a participação de artistas antifascistas. Em 1950, realizou em Lisboa uma exposição individual na Sociedade Nacional de Belas Artes, onde apresentou obras marcantes da pintura portuguesa. Até 1975, o seu trabalho incide principalmente no retrato, com recurso ao desenho e à pintura. Substituiu o óleo pelo acrílico. Tem uma Fundação com o seu nome.
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