A turma das gémeas recebe um novo aluno que vem transferido de outra escola. Chama-se Eduardo, é giríssimo e tem talentos especiais, como por exemplo o de fabricar castelos com papel mastigado.
Também montou uma rádio pirata no sótão, de onde emite programas-surpresa que incluem entrevistas e imitação de vozes. Quando convida o grupo para visitar o estúdio sintoniza por acaso uma conversa em que se fala de um tesouro escondido há duzentos anos num monumento de Lisboa. Mas qual, se há tantos monumentos em Lisboa? A resposta está num enigma difícil de decifrar e que a quadrilha dos AL também ouviu.
A caça ao tesouro leva-os a passar uma noite trancados na Torre de Belém e a dar um mergulho nas águas geladas e lodosas do Tejo.
Gaibéus de Alves Redol. Editorial Caminho. Lisboa, 1989, 310 págs. B.
«O romance Gaibéus foi publicado pela primeira vez em 1939. É o ponto de partida da obra romanesca de Alves Redol. Mas é também o ponto de chegada de uma longa reflexão do autor sobre o significado e o papel da arte, o primeiro edifício do programa de uma literatura nova. Dessa reflexão de Redol ficou uma série de artigos publicados em jornais de Vila Franca de Xira, onde vivia — Vida Ribatejana (entre 1927 e 1934) e Mensageiro do Ribatejo (entre 1934 e 1940). De destacar ainda a conferência sobre arte, proferida em Vila Franca em 1936. Fiel ao seu ideário, Redol, antes de escrever Gaibéus, realizou um amplo “trabalho de campo” — deslocou-se repetidas vezes à lezíria, chegou mesmo a instalar-se no campo para recolher dados sobre o trabalho nos arrozais. Os seus blocos de apontamentos contêm numerosas indicações técnicas sobre o cultivo do arroz. As próprias relações familiares lhe serviram de documento — o pai de Redol era oriundo da região de origem dos gaibéus. Hoje Gaibéus é comummente aceite como o romance que marca o aparecimento do neo-realismo em Portugal.
Eis o mundo que Alves Redol nos apresenta no seu primeiro romance. História da alienação de uma comunidade de trabalhadores, ficamos a saber até que ponto são explorados, e até que ponto essa exploração se deve à falta de união com outras comunidades de jornaleiros. Gaibéus é, assim, o romance do divórcio entre ganhões, uns procurando resgatar algumas bouças ou sulcos que ainda lhes pertencem, outros alheios ao que seja possuir qualquer chalorda ou mesmo canteiro. História simbólica do embate de duas diferentes mentalidades, a desunião entre gaibéus e rabezanos é triste e profético paradigma das oposições, ainda hoje bem marcadas, entre os camponeses dos minifúndios e os dos latifúndios. Redol acreditava que seria possível o “casamento” entre uns e outros quando descobrissem que a mesma fome os une. É disso exemplo simbólico a parábola dos quatro jovens rabezanos e dos três jovens gaibéus.» – Alexandre Pinheiro Torres
Estudos sobre: Jaime Cortesão; Fernando Pessoa; Carlos Selvagem; Ferreira de Castro; Vitorino Nemésio; Alves Redol; Manuel Tiago; Vergílio Ferreira; Fernando Namora; Sophia de Mello Breyner Andresen; Jorge de Sena; Maria Judite de Carvalho; Egito Gonçalves; Agustina Bessa Luís; José Saramago; Urbano Tavares Rodrigues; António Ramos Rosa; Bernardo Santareno; José Cardoso Pires; Augusto Abelaira e Almeida…
Tempos de Revolução de José Mattoso. Editorial Caminho. Lisboa, 1995, 203 págs. B.
Com este trabalho pretendeu-se sensibilizar e cativar os jovens para a História de Portugal.
Longos anos de experiência a diversos níveis levaram-nos a concluir que a abordagem inicial da História deve ser narrativa, cro-nológica, centrada em acontecimentos e nas personagens que os protagonizaram. Assim se adquire um quadro de referências simples e linear mas tão sólido que servirá de alicerce à construção de um saber mais profundo, complexo e multifacetado, à medida que avan-cem os anos, as leituras, as etapas da escolaridade. Só então se poderá passar a um estudo satisfatório dos aspectos económicos, sociais e mentais necessários a uma rigorosa compreensão do passado.
Primeiros Reis de José Mattoso. Editorial Caminho. Lisboa, 1993, 187 págs. B.
Com este trabalho pretendeu-se sensibilizar e cativar os jovens para a História de Portugal.
Longos anos de experiência a diversos níveis levaram-nos a concluir que a abordagem inicial da História deve ser narrativa, cronológica, centrada em acontecimentos e nas personagens que os protagonizaram. Assim se adquire um quadro de referências simples e linear mas tão sólido que servirá de alicerce à construção de um saber mais profundo, complexo e multifacetado, à medida que avancem os anos, as leituras, as etapas da escolaridade. Só então se poderá passar a um estudo satisfatório dos aspectos económicos, sociais e mentais necessários a uma rigorosa compreensão do passado.
Erguido o edifício quantitativo, completámos a sua interpretação com informações recolhidas na leitura de cerca de um milhar de processos das três Inquisições do reino, em que se incluíram todos os processos dos condenados à fogueira em Évora; cerca de 15000 páginas manuscritas (todas as páginas) dos 15 Cadernos do Promotor da Inquisição de Évora; livros de denúncias e de contas; livros, regimentos, cartas, repertórios, relatórios do Conselho Geral (…)”, etc. Obra exaustiva e da maior importância para o conhecimento das mentalidades e forças do poder estabelecidos na época, em particular na cidade de Évora, um dos mais importantes centros cultuaris e artísticos do Reino.
Rama Verdadeiramente de Artur Portela. Editorial Caminho. Lisboa, 1988, 179 págs. B.
Rama, Verdadeiramente é um «Novo Romance» de amor. Uma voz livre, extensa, barroca, “uma poderosa inteligência emotiva, uma insólita força imagética — colocam Rama, Verdadeiramente entre os mais lúcidos e ricos livros de amor da nossa ?cção actual.” Edição original, integrada na «Colecção Nova Vaga».
Lisboa Cidade de Abril de A. Silva Graça Editorial Caminho. Lisboa, 1979, 134 págs. B.
“Lisboa Cidade de Abril” não é mais um livro sobre Lisboa, descritivo, turístico ou que nos fale só de problemas de urbanismo. Livro impossível antes do 25 de Abril de 1974 – nem o seu nome seria o que é – nele se pretende fazer uma primeira abordagem sociopolítica, necessariamente insuficiente, desta realidade onde habitam cerca de 900.000 pessoas e para onde se deslocam todos os dias – a maioria em condições precárias – mais de 200.000 trabalhadores vindos dos “dormitórios” que rodeiam a Cidade.
Alice aos 80 de David R. Slavitt. Editorial Caminho. Lisboa, 1991, 213 págs. B.
Romancista, contista e poeta, David R. Slavitt é autor de uma obra considerável e original, em que a erudição ganha uma vida intensa e se ilumina de modo novo. Características bem vincadas neste seu romance Alice aos 80, em que a personagem Alice Lidell é a «Alice do País das Maravilhas», a arrebatadora e fabulosa obra de Lewis Carroll. Alice, Glenda e Isa, três das rapariguinhas que Carroli fotografava, revêem o passado através das suas personalidades bem diferentes e que o tempo moldou irreversivelmente. Tudo se refracta de maneiras inesperadas, tudo ganha contornos fugidios, e às vezes ásperos, tudo no livro, enfim, nos seduz e nos intriga, e nos convence também, como uma obra de ficção conseguida é capaz de nos convencer: com a verdade brilhante da arte romanesca. A verdade de um excelente romance.
Kikia Matcho: O Desalento do Combatente de Filinto de Barros. Editorial Caminho. Lisboa, 1999, 152 págs. Mole.
Filinto de Barros nasceu em Bissau a 28 de Dezembro de 1942. Fez estudos secundários no Colégio Nuno Álvares, em Tomar, e estudos superiores na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e no Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa. Depois da independência da Guiné-Bissau foi embaixador em Lisboa, entre 1978 e 1981. Na Guiné-Bissau exerceu vários cargos políticos, entre os quais ministro da Informação e Cultura (1981-1983), ministro dos Recursos Naturais e Indústria (1984-1992) e ministro das Finanças (1992-1994). Kikia Matcho, sua primeira obra literária, é, nas palavras do autor, um pequeno exercício de ficção. Nem história, nem sociologia, nem etnologia, nem política, tão-somente uma abordagem que se pretende dinâmica e existencial do processo de síntese sociocultural de um Povo.
Ao longo de dois séculos eles percorreram o mundo.
Os que ficaram perenémente na História e os que, tendo ficado nela, raramente são lembrados. Portugueses que venceram e foram vencidos. Verdadeiras histórias de aventuras tendo por protagonistas os heróis dos mais extraordinários feitos dos séculos XV e XVI
Jangada de Pedra de José Saramago. Editorial Caminho. Lisboa, 1986, 330 págs. B.
«O romance que então escrevi [A Jangada de Pedra] separou do continente europeu toda a Península Ibérica para a transformar numa grande ilha flutuante, movendo-se sem remos, nem velas, nem hélices em direção ao Sul do mundo, “massa de pedra e terra, coberta de cidades, aldeias, rios, bosques, fábricas, matos bravios, campos cultivados, com a sua gente e os seus animais”, a caminho de uma utopia nova: o encontro cultural dos povos peninsulares com os povos do outro lado do Atlântico, desafiando assim, a tanto a minha estratégia se atreveu, o domínio sufocante que os Estados Unidos da América do Norte vêm exercendo naquelas paragens… Uma visão duas vezes utópica entenderia esta ficção política como uma metáfora muito mais generosa e humana: que a Europa, toda ela, deverá deslocar-se para o Sul, a fim de, em desconto dos seus abusos colonialistas antigos e modernos, ajudar a equilibrar o mundo. Isto é, Europa finalmente como ética. As personagens da Jangada de Pedra – duas mulheres, três homens e um cão – viajam incansavelmente através da península enquanto ela vai sulcando o oceano. O mundo está a mudar e eles sabem que devem procurar em si mesmos as pessoas novas em que irão tornar-se (sem esquecer o cão, que não é um cão como os outros…). Isso lhes basta.»
José Saramago
📕 1ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
História do Cerco de Lisboa de José Saramago. Editorial Caminho. Lisboa, 1989, 348 págs. B.
«Há muito que Raimundo Silva não entrava no castelo. Decidiu-se a ir lá. O autor conta a história de um narrador que conta uma história, entre o real e o imaginário, o passado e o presente, o sim e o não. Num velho prédio do bairro do Castelo, a luta entre o campeão angélico e o campeão demoníaco. Raimundo Silva quer ver a cidade. Os telhados. O Arco Triunfal da Rua Augusta, as ruínas do Carmo. Sobe à muralha do lado de São Vicente. Olha o Campo de Santa Clara. Ali assentou arraiais D. Afonso Henriques e os seus soldados. Raimundo Silva “sabe por que se recusaram os cruzados a auxiliar os portugueses a cercar e a tomar a cidade, e vai voltar para casa para escrever a História do Cerco de Lisboa. Uma obra em que um revisor lisboeta introduz a palavra “não” num texto do século XII sobre a conquista de Lisboa aos mouros pelos cruzados.» (Diário de Notícias, 9 de outubro de 1998)
📕 1ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Vozes e Ruídos: Diálogos com Adolescentes de Daniel Sampaio. Editorial Caminho. Lisboa, 1993, 214 págs. B
«Quem quiser encontrar neste livro longas teorias científicas, revisões de literatura sobre o tema ou novas descobertas teóricas, deve fechá-lo imediatamente.»
É com estas palavras que o Professor Daniel Sampaio abre este seu novo livro – Vozes e Ruídos. Diálogos com Adolescentes. Já o anterior – Ninguém Morre Sozinho – sendo embora uma tese de doutoramento, alcançou um enorme êxito junto dos leitores.
O Professor Daniel Sampaio sabe aliar o rigor científico, que dá ao leitor a confiança no que lê, com a simplicidade da exposição, que fez do texto uma janela aberta, amplamente aberta.
Vozes e Ruídos. Diálogos com Adolescentes é isso mesmo: uma janela aberta, sem cortinas, pela qual nos vemos a nós próprios, jovens ou adultos.
Eça de Queiroz – Fotobiografia – Viagem pela Vida e Obra alicerça-se numa ordenação cronológica, com capítulos temáticos específicos que enriquecem a informação que se pretende transmitir: as viagens, as relações comos editores, elementos autobiográficos, as dissimulações, o drama do dinheiro, o drama da doença, o casamento, o retrato que dele fizeram os contemporâneos, os prazeres da mesa, a vida diplomática, etc. Grande parte deste manancial fotográfico encontra-se no arquivo de Tormes, outros documentos pertencem à Biblioteca Nacional, sendo muitos outros do arquivo do autor.
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