Cartas de Fernando Pessoa a Armando Côrtes Rodrigues. Editorial Confluência. Lisboa, s.d., 92 págs. B.
Introdução de Joel Serrão. Capa da autoria de Carlos Ribeiro. Ilustrado com uma fotografia a preto e branco de Fernando Pessoa e reproduções de cartas.
“(…) A publicação destas cartas que, me parece, alguma luz lançam sôbre a difícil personalidade de Pessoa, obedece, pois, a um único fim: contribuir para um mais lato e mais profundo conhecimento do homem que se chamou Fernando Pessoa e para um talvez melhor conhecimento da obra que nos legou (…)”.— retirado da Explicação.
Pela primeira vez, as cartas de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz são apresentadas em edição conjunta. Uma edição conjunta é a forma mais adequada para apresentar uma correspondência, que pressupõe sempre um diálogo, uma interação, a existência concreta de dois interlocutores. Cada carta é, em si mesma, ou a resposta a outra carta ou pretexto…
«Pessoa: Uma Biografia é um casamento feito no céu intelectual, a equilibrada união entre o génio literário de Fernando Pessoa e os poderes analíticos do seu biógrafo. Zenith consegue não apenas revelar convincentemente que Pessoa era um grande (e estranho) poeta como também um espantoso dramaturgo e filósofo. Pessoa é um triunfo de erudição e verve que é difícil de parar de ler.» – António Damásio
Fundamentos Filosóficos da Obra de Fernando Pessoa (Vol. I) de António Pina Coelho. Editorial Verbo. Lisboa, 1971, 331 págs. B.
A abordagem filosófica da obra pessoana é tão legítima e válida como seria a linguística, a estética, a psicológica, a político-sociológica, a religiosa, etc. Nenhuma destas visões abrange a obra em toda a sua plenitude, revelando-a como é, mas cada uma delas chama a atenção para este ou para aquele nível, explicitando nele o que era implícito ou virtual. A clarificação geral é meta da colaboração das diversas inteligências empenhadas no aprofundamento e na focagem, em diversos ângulos, da mesma obra. Pessoa tem muito de implícito e de virtual, que se pressente, mas com dificuldade se racionaliza, e precisaria de estudiosos da categoria de um K. Barth, de um Heidegger, de um Jaspers, que tão profunda e largamente explicitaram o que profeticamente estava contido no silenciado Kierkegaard. O campo está aberto e a atenção às intuições dos artistas e dos místicos é factor eficiente para o avanço da própria filosofia, pelo que nelas há de antecipação. […] Pessoa é talento e ao mesmo tempo esforço. A sua obra tem a gratuidade do incompromisso e o alto preço de uma vida consumida no estudo. As novas gerações sentem-se justamente atraídas e perplexas perante a sua profundidade e transcendência. Poeta actual tanto na rapidez estilizadora das imagens, no ritmo da linguagem, como na sinceridade da indefinição e da relatividade das coisas. Optimista ou pessimista? Tem o optimismo e o pessimismo próprios dos trágicos, dos místicos que não se contentam com a quotidianidade e a superfície das coisas. Ele será o Pessoa, o máscara esfíngico, sempre novo, sempre questionador, tràgicamente de olhos fixos num além indefinido.
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