Publicado originalmente com o título “Os Trabalhadores do Mar” e com tradução de Machado de Assis, o livro de Victor Hugo tem como protagonista Gilliat, um marinheiro que vive na ilha de Guernesey, no canal da Mancha, um marginal social, que se enamora de Deruchette, sobrinha do armador Lethierry. Quando o navio de Lethierry naufraga…
Julius Malanga, um médico banto, propõe-se restabelecer a paz no Sul do Uganda. Vendo nisso a única possibilidade de encontrar a familia desaparecida, Corina Sander decide acompanhá-lo. Uma persona- gem misteriosa e fascinante, um caçador aventureiro atraído pelos ris- cos da expedição, Hendrik, junta-se a eles. Amor, vingança, traição: no momento em que as suas…
A Mafia mudou. É o início de uma nova era: para trás ficam os anos da violência, os assassínios e atentados, as extorsões e chantagens, as guerras entre as «famílias» sicilianas. Agora, o objectivo é atingir o décimo quarto zero nos colossais «lucros» da organização, através dos investimentos “legais” feitos na banca, hotelaria, meios de…
Árvore dos Sentidos de Ooooya Kempadoo. Edições ASA. Porto, 2000, 198 págs. B.
A Árvore dos Sentidos conta-nos a história de uma adolescente, Lula, que descobre ao mesmo tempo a sexualidade e os segredos brutais da sociedade em que nasceu. Tudo se passa nos anos 70, na Guiana, dominada por um ditador e pela sua burocracia omnipresente. A pobreza exacerba os conflitos raciais entre os habitantes de origem indiana, portuguesa e negra. É nesse contexto, de uma enorme violência – interior ou exterior -, que iremos acompanhar Lula, a sua irmã e as suas jovens amigas num percurso iniciático que a fará passar da infância à idade adulta, da inocência à tomada de consciência do mundo que a rodeia. Numa linguagem exuberante e única, A Árvore dos Sentidos transporta-nos para um mundo mágico e perigoso, em que a Natureza transborda, feita de água, de lama, de ervas, de calor tórrido e de árvores de frutos sensuais – como essas mangas que acompanham Lula no seu processo de crescimento…
1989: Pânico na Bolsa de Paul Erdman. Círculo de Leitores. Lisboa, 1987, 285 págs. E.
Paul Mayer, um dos principais especialistas mundiais em problemas bancários, agora numa semi-reforma na Universidade de Georgetown, em Washington, é chamado de novo à actividade pelo presidente do Fundo da Reserva Federal. Está-se em Dezembro de 1988 e o mandato do presidente Reagan aproxima-se do fim, enquanto o novo presidente eleito, um democrata, aguarda a tomada de posse. Apesar do dólar se encontrar bem valorizado, há um crescente ambiente de apreensão em Washington. Surgem especulações acerca do segundo maior banco da América se encontrar com problemas e Mayer é enviado para Londres para descobrir se os rumores são verdadeiros.
Quartéis de Inverno de Osvaldo Soriano. Edições ASA. Porto, 2000, 159 págs. B.
Humor negre acção vertiginosa, dialogos breves e fulgurantes, um estilo rápido e seco como o de um Hemingway berdico-cómico, fazem deste romance uma leitura apaixonante”, escreveu Halo Calvino a propósito de um outro livro do autor. As mesmas palavras poderiam aplicar-se a Quartéis de Inverno, a obra mais importante de Osvaldo Soriano.
Quando, em plena ditadura militar, o exército argentino promove uma grandiosa festa para celebrar o novo status quo, as figuras inesquecíveis de um boxeur e de um cantor de tangos emergem como símbolos universais de um combate tremendo pela sobrevivência e pela dignidade.
Diferente da maior parte dos autores latino -americanos, Soriano escreve como uma testemunha de um período negro da bistória do seu país, sem no entanto jamais cair no babitual “folclore” da literatura comprometida e panfletária. Dal que Quartéis de Inverno nos transmita de um modo excepcional a crueldade que a violência possul quando se torna quotidiana e inexplicável.
Até que ponto não serão as relações entre as pessoas suportadas pela rotina do quotidiano? Quem pode realmente amar, quando não existe qualquer obstáculo ao amor?
Paisagens Originais de Olivier Rolin. Edições ASA. Porto, 2000, 123 págs. B.
“Esta ideia das paisagens originais surgiu-me de imprevisto: escrevi num romance (O Cerco de Cartum) uma frase onde referia que, ao longo da vida, nunca deixamos as paisagens da infância – qualquer coisa semelhante a isto. (…) Essa é uma verdade que se pode aplicar à literatura: os lugares dos anos de aprendizagem devem emitir, ao longo de toda a obra de um escritor ( e para além da sua imagem explícita), qualquer coisa de comparável àquilo que em astrofísica se chama, creio eu, uma irradiação fóssil: uma espécie de assinatura do original.”
É neste contexto que Olivier Rolin esboça traços das infâncias de cinco grandes nomes da literatura mundial: Hemingway, Nabokov, Borges, Michaux, Kawabata…. Cinco escritores nascidos há um século nos cinco cantos do mundo e as paisagens iniciais (e iniciáticas) dos seus anos de formação – cujo eco se continuará a fazer sentir mesmo nas páginas mais tardias.
Em Marca de Água, Joseph Brodsky apresenta-nos um gracioso, inteligente e variado retrato de Veneza. Observando os mais diversos aspetos da cidade, os canais, as ruas, a arquitetura, as pessoas e a gastronomia, Brodsky capta a magnificência, a fragilidade e a beleza da cidade. Ao mesmo tempo, desfilam as próprias memórias que Brodsky tem de…
O cadáver de um homem, nenhuma razão para o crime. É a primeira investigação de Sherlock Holmes, que fareja o assassino como um “cão de caça”. Lamentava-se de que “não há mais crimes nem criminosos nos nossos dias”, quando, nesse instante, recebe uma carta a pedir a sua ajuda — o cadáver de um homem…
Todo o livro é, sobretudo, uma descoberta do eu que mergulha através das constantes modificações oferecidas pelo tempo e pelo mundo, dividido em quatro partes, que se encadeiam mais logicamente do que à primeira vista parece. Na primeira parte, designada por “As Delícias de Cambrai”, o autor propõe-nos um breve romance de juventude, inacabado e…
Contos Eróticos de Alberto Moravia. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1986, 214 págs. B.
Contos de aparições e desaparições, assim se referiu Enzo Siciliano aos textos de que se compõe este volume de presenças e ausências, como se o narrador tivesse perseguido no teatro da própria fantasia fantasmas cujas feições, nome e origem, procurou deliberadamente evitar..
Este novo livro de Alberto Moravia confirma, se necessário, a qualidade estilística-agora liberta do hiper-realismo das suas ficções femininas dos anos setenta – de um dos mais importantes escritores italianos do século XX. “O erotismo», acrescenta ainda Enzo Siciliano, torna-se nestas páginas motivo de sofrimento e (…) de dialéctica entre razão e paixão».
Anões Gigantes de Gisela Elsner. Editorial Arcádia. Lisboa, s.d., 345 págs. D.
Os Anões Gigantes é uma narrativa contada por um jovem chamado Lothar é a visão de seu mundo grotesco. Este é um mundo um pouco exagerado que é mostrado na abertura quando ele observa seu pai se empanturrar de comida. Eu me lembrei de Homer Simpson e Bart às vezes nesta peça inicial. Lá está ele vendo o crescente mundo do consumismo. Como o livro é contado em uma série de capítulos que mostra Lothar observando e descobrindo o mundo como uma viagem à floresta que lhe deu seu primeiro vislumbre de comportamentos sexuais. Esta é uma visão da Alemanha na época em que a vida doméstica de Lothar é como muitos dos pequenos problemas que todos nós temos, como vemos com seu pai, que pode perder a paciência facilmente. Ele também tem uma estranha observação do médico falando sobre as ténias que parece passar por cima da cabeça do jovem Lothar na época.
Aldeia de William Faulkner. Editorial Arcádia. Lisboa, s.d., 456 págs. E
Jody Varner, filho do grande proprietário do Velho Domínio do Francês, está a cortar corda no armazém quando vê chegar um homem baixo, de chapéu de abas largas e casaco demasiado grande. «O meu nome é Snopes. Ouvi dizer que tem uma quinta para alugar. » Sobre os Snopes correm histórias de um passado sombrio, com indícios criminosos que à primeira vista os tornam vítimas fáceis em jogos de poder. Mas rapidamente a enigmática família de jornaleiros dá provas de que a sua presença naquela aldeia do sul dos Estados Unidos será tudo menos passiva. Numa sucessão de incidentes assustadores contados com humor retorcido, A Aldeia marca o arranque da trilogia construída por William Faulkner em torno da família Snopes. Um romance surpreendente e um empolgante predecessor de A Cidade, o segundo momento da saga.
O Oráculo de Mallory de Carol O’ Connell. Gótica 2000 – Sociedade Editora e Livreira. Lisboa, 2001, 286 págs. B.
Quando Kathleen Mallory tinha 10 anos era uma criança selvagem que vivia nas ruas e roubava para sobreviver. Foi então que um polícia chamado Markowitz a levou para casa, para a mulher, Helen, a civilizar…
Agora que Mallory, uma mulher lindíssima e sofisticada, é por sua vez detective da polícia e tem a seu cargo uma importante base de dados, alguém assassina o homem que ela considera seu pai – o único homem de quem alguma vez gostou.
Mais habituada à companhia dos computadores do que à das pessoas, Mallory desce ao pesadelo urbano de Nova lorque para apanhar o assassino.
O Oráculo de Mallory é uma perigosa perseguição pelo submundo da cidade, através dos cabos de fibra óptica das mais aperfeiçoadas redes de computadores e por detrás dos estores das elegantes residências de Gramercy Park.
Livro do Riso e do Esquecimento de Milan Kundera. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1986, 215 págs. B.
O Livro do Riso e do Esquecimento é uma narrativa entrecortada de erotismo e imagens oníricas. Em sete partes aparentemente autónomas, o autor lança um olhar agudo e amargo sobre o quotidiano da República Checa após a invasão russa de 1968: as desilusões da juventude, a desorientação dos intelectuais, a prepotência dos líderes políticos, tudo converge para o esquecimento, imposto ou voluntário, individual ou coletivo.
Como em A Insustentável Leveza do Ser, o mais famoso romance do autor, Kundera articula de forma admirável, muitas vezes invisível, o destino individual dos personagens e o destino coletivo de um povo, a vida ordinária de pessoas comuns e a vida extraordinária da História.
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