Marx de Henri Lefebvre. Publicações Dom Quixote. 1974, 157 págs. B.
Doutrina posta em prática, por vezes de modo diferente, em numerosos países, inspiração e directriz para a acção de poderosas organizações políticas, método de análise do evoluir económico e social, concepção global do homem e da história; o marxismo exerce uma influência que desde a morte do seu fundador não deixou de se alargar. É necessário, por isso, conhecer Marx e o marxismo. O rigor da análise, a clareza da exposição, o apoio dos extractos da obra de Marx que constituem a pequena antologia incluída no livro, a clarificação sistemática de alguns dos principais conceitos marxistas, fazem com que esta obra responda exemplarmente à necessidade de nos documentarmos sobre o marxismo.
Macaense, Português de Trás-os-Montes, definiu-se ele próprio uma vez. Mas a realidade não afinava com a afectividade, ultrapassou a paráfrase. Na verdade, Morais Alves cresceu, fez-se homem, com as qualidades e méritos, e a dignidade e aprumo moral que todos lhe reconheceriam – aqui se tornou cidadão eminente. Aqui casou, aqui teve filhos e netos. Aqui se rodeou de amigos, e aqui foi que quis morrer. No fim a sua Terra era Macau. E o que Ele queria, efectivamente, era ficar em Macau, no seio da sua Família, no convívio fraternal dos seus amigos, na grande cidade que ele tanto ajudara a construir. Morrer em Macau, pois. Não como transmontano de uma cidade natal longínqua, embora querida, não de Portugal, amado do coração, mas que no fundo mal conhecia, todavia como Macaense. E foi como Macaense que Ele morreu!
De uma campanha eleitoral, todos ficamos a conhecer os temas principais, as palavras mais fortes, as sondagens diárias, as promessas e as acusações, as melhores imagens e os momentos decisivos. Tudo isto é dissecado ao pormenor por um vasto leque de comentadores dispersos pelos mais variados meios de comunicação, fazedores de opinião de diferentes quadrantes…
Herb Ritts Work de Trevor Fairbrother. Boston. 1996. Dura.
This landmark retrospective presents the full range of Ritts’ work for the first time: 235 signature images in all, including many that have never before been published. In these pages one finds the most unforgettable portraits, from Ritts’ images of celebrated world leaders (Reagan, Mandela, Gorbachev) to visual artists (David Hockney, Keith Haring, Agnes Martin), musicians (Bruce Springsteen, Dizzy Gillespie, Aretha Franklin), and sports figures (Jackie Joyner-Kersee, Magic Johnson, Michael Jordan). And of course there are Hollywood’s brightest stars—Michelle Pfeiffer, Tom Cruise, Sophia Loren, Glenn Close, Madonna—captured in moments of startling candor and whimsy. In addition to portraiture, there is a brilliant array of fashion shots, erotic nudes, and gorgeous images from Africa which together affirm Ritts’ place in photography’s pantheon of greats. From Bulfinch Press
“A coisa mais difícil do mundo é escrever com exactidão, numa prosa honesta, a respeito de seres humanos. Em primeiro lugar é preciso conhecer o assunto, depois saber como escrever. Para aprender uma coisa e outra uma vida inteira não basta, e seja quem for que, para o conseguir, escolha a politica, faz batota.”
Nunca te distraias da vida é um livro biográfico, mas não é uma biografia. É um livro que nos fala do cancro e do que é viver todos os dias com a doença, tentando manter a disciplina, a alegria e uma agenda profissional milimetricamente preenchida, como Manuel Forjaz sempre teve. Sem que pretenda ser um manual de comportamento ou, sequer, um livro de auto-ajuda, trata-se de um testemunho e de uma ferramenta muito útil para todas as pessoas que estão a viver um problema semelhante ou que têm um familiar ou um amigo doente. É sobretudo um livro despretensioso, escrito por um homem que luta pela vida desde há vários anos, sem nunca baixar os braços e com uma enorme fé em Deus e na ciência; um homem que tem procurado todas as soluções possíveis para a situação difícil em que se encontra e que integra no seu plano de tratamentos a medicina tradicional e as medicinas alternativas com o mesmo rigor; um homem que vive com a certeza de que, mais tarde ou mais cedo, o cancro poderá matá-lo, mas não conseguirá nunca impedi-lo de viver a vida enquanto existir vida para viver.
O coleccionável 80 Vidas que a Morte não Apaga recria retratos históricos a partir de pistas legadas pelo passado, como a vida de Frei Luís de Sousa, imortalizada por Almeida Garrett. Não é um manual de história, mas uma galeria de vidas relidas com olhar romanesco. A escolha das 80 figuras foi inevitavelmente subjetiva — houvesse espaço, seriam 800. Inclui uma cronologia para contextualizar cada época. Numa era sem referências estáveis, esta edição celebra o poder duradouro das histórias. Boa leitura!
Ter-se-ia Eça de Queiroz comprazido com uma obra destas? Com vida devassada talvez não, mas respondo com segurança, afirmativamente, se estiver em causa a espécie de livro. A fotografia (assim como as incipientes formas de produção de imagens que iriam gerar cinema moderno) interessaram-no sobremaneira, sendo prova de tal atracção os testemunhos familiares. Pelo menos em determinado momento da sua vida. Como se, nos anos de maturidade, quisesse fixar a própria imagem, de familiares seus dos amigos, a fim de compensar a ausência dos primeiros anos. Possuía na sua residência de Neuilly, pelo menos numa delas, um gabinete de revelação de fotografias e, fossem as suas ou as do amigo Frazão, visconde de Alcaide, apressava-se em as remeter à mulher e filhos, aduzindo comentários nas cartas que as acompanhavam. Aliás, pelo menos numa obra ficcional, A Ilustre Casa de Ramires, a fotografia é citada:
«O velho riu, num riso lento e desdentado, mirando com gosto os sórdidos farrapos que lhe trapejavam nas canelas, mais denegridas secas que galhos de inverno: ‘Rotinhas, rotinhas… Mas o senhor Doutor Júlio diz que me ficam bem. O senhor Doutor Júlio, quando lá passo, sempre me tira o retrato na máquina. Ainda na semana passada… Até com uns pedaços de grilhões
Dizia Raúl Brandão, um admirador incondicional de Columbano: “Não é só a obra de Mestre Columbano, grande pintor português, que devemos prestar homenagem — é à sua vida.”
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