A Minha Vida é Um Esgoto de Ana Cortesão. Baleia Azul. Lisboa, 1999, 56 págs. B.
Uma banda desenhada não é uma banda sonora. Mas se a música pode despertar imagens, a força evocativa destes cotnos de Ana Cortesão (Lisboa, 1970) trona-os genuínas composições, algures entre o caústico e o melancólico, entre o grito e a melodia. A crónica destes anos, aliás, não podia ser feita alheada dos sons da cidade nem das batidas da discoteca, do crepitar da televisão ou do arrastar dos fados. Sim dos fados, porque é nesse teatro choroso das misérias, nesse cabaré onde as mulheres gritam desgraçadas, que mergulha raízes a feroz ironia deste trabalho. Ou não fosse o fado avô do underground. Longe de felecidades diurnas, todo o realismo é abjecto. Os corpos e as coisas são vistos através de qualquer coisa: um vidro de copo-de-três, de vampores etílicos, de espelhos raspados, de ecrãs, de lágrimas. Os corpos e as coisas são distorcidas, pelo tempo, pelos sentimentos, pela música.
História Muda de Blanquet. Edições Polvo. Lisboa, 2000, 14 págs. Mole.
Histoire Muette [História Muda], mostrando um amplo espectro da perversão humana, desde a crueldade infantil até a frustração sexual. Se os personagens de Mon Placard são lentamente levados a um final trágico, em Histoire Muette Blanquet coloca-os em situações extremas, onde as coisas acontecem tão rápido que os personagens estão sempre correndo entre os momentos de tristeza esmagadora e imenso prazer que se alternam.
Desenhar bandas desenhadas tem sido a minha principal atividade desde que aprendi a escrever um pouco. Desde 1987, incentivado pela atitude punk rock “faça você mesmo”, tenho autopublicado o meu trabalho, até que foi reconhecido por editoras nos Países Baixos e no estrangeiro. Em 2008, o meu romance gráfico Inferno foi premiado e, em 2015, recebi o Stripschapprijs, um prémio nacional de carreira. Além disso, sou editor da revista Zone 5300 desde 1994, escrevendo artigos e críticas.
4 Peças para Octávio Framboa de Lazare Katsimbalis. Polvo. Lisboa, 1988, 16 págs. Mole.
Lazare Katsimbalis, pseudónimo artístico do francês Alain Corbel. Teve um papel importante nas revistas de banda desenhada de Bruxelas. Depois de criar Moka, lançou Pelure amère, uma verdadeira revista de transição onde se descobriam pela primeira vez em França desenhadores belgas, portugueses e espanhóis. Escale à Kerbarbo, publicado pelas edições Amok em 1996, reunia os relatos de viagens que ele tinha espalhado por várias revistas. Desde então, assinou 4 peças para a Framboa sob o nome de Lazare Katsimbalis, bem como a Fosse, uma participação nos Récits de ville das edições Fréon. Vive em Portugal, onde realiza numerosos livros para a juventude.
Lisboa 24H00 de David Soares. Bedeteca. Lisboa, 2000, 27 págs. Mole.
David Soares é autor dos romances Batalha, uma história que discorre sobre o fenómeno religioso a partir do ponto de vista dos animais, O Evangelho do Enforcado, que conta a história dos painéis de São Vicente de Fora, Lisboa Triunfante, uma história mágica sobre a capital portuguesa, e A Conspiração dos Antepassados, sobre o encontro do poeta Fernando Pessoa com o mago inglês Aleister Crowley. Publicou quatro livros de contos, dez livros de banda desenhada, dois livros de ensaio e dois discos de spoken word.
Na sua carreira como autor de banda desenhada (publicado em França), foi premiado com quatro troféus para Melhor Argumentista Nacional e uma bolsa de criação literária, atribuída pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas e pelo Ministério da Cultura.
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