O livro Les bijoux indiscrets foi publicado anonimamente, em 1748, segundo testemunho de sua filha, Madame de Vandeul. É uma sátira sobre a sociedade francesa da época, especialmente sobre os costumes libertinos – como motivo de uma aposta entre ele e sua amante, Madame de Puisieux. Diderot ganha a aposta de que seria capaz de escrever em 15 dias, um romance libertino, tão em voga na França do século XVIII. Havia na França, durante esse século, um especial interesse pela diversidade de costumes do Oriente, motivo pelo qual Diderot escolhe o Congo como o lugar onde se passa a história. Os personagens do livro têm os mesmos nomes dos personagens de romances libertinos da época. Já os personagens centrais – Mangogul e Mirzoza – representam Luis XV e Madame de Pompadour, sua amante. Pessoas da aristocracia francesa também estão aí representados. Diderot dedica o livro à Zima (uma possível leitora) convidando-a “a ler sem medo”. Faz menção à Aglaé (personagem do livro que representa Madame de Puisieux, sua amante), sua colaboradora, justificando o convite: “Pois fique sabendo que Aglaé não se furtou a colaborar para a obra que a senhora está com vergonha de aceitar.”
Henry King: A Câmara à Altura dos Sentimentos de Manuel Cintra Ferreira.
Cinemateca Portuguesa. Lisboa, 2007, 159 págs. B. Il.
Catálogo do Ciclo dedicado à obra do realizador. Inclui estudos sobre a contribuição para a história do cinema, com depoimentos do cineasta e reportagens fotográficas.Filmografia como actor, actor realizador e apenas realizador. Organização Manuel Cintra Ferreira. Textos Manuel Cintra Ferreira, Walter Coppedge, Jacques Lourcelles, Christian Viviani, Gregory Peck, Pierre Guinle, Henry King. Concepção Artística Luís Miguel Castro
Galeria de Figuras Portuguesas de Luís Augusto Palmeirim. Perspectivas & Realidades. Lisboa, 1989, 208 págs. B.
O político é geralmente um homem enfastiado e fastidioso, a quem correm mal os negócios públicos e pior ainda os domésticos. O primo de outro primo que já foi pretendente e não obteve lugar que pretendia, é político: é político o mandrião que precisa de um arranjo para se casar, é finalmente político o empregado que duplicou os recibos dos seus vencimentos; ο lojista em vésperas de falência; o artista sem fregueses, o operário que não chega nunca à hora de ponto.
A primeira, cor da bandeira do político é liberdade. Outras, conforme os tempos, crismam-se de progresso melhoramentos materiais economias e moralidade. Como o pedir custa pouco, o político pede tudo, até tributos bem pesados… que não pesem a ninguém.
Fragmentos de Novalis de Rui Chaffes. Assírio & Alvim. Lisboa, 1992, 187 págs. B.
«Não sou escritor nem tradutor. Nem tenho essa pretensão. Esta é uma tradução de escultor, não de escritor. Este livro é um projecto completo, pois compreende a tradução de fragmentos de Novalis, por mim seleccionados, acompanhada de um bloco de desenhos que não são, de modo algum, uma forma de ilustração dos textos: eles existem em simultâneo com a tradução. Ambas as coisas se interpenetram aqui, fazendo que este objecto, este livro, tenha o estatuto de escultura.» É assim que Rui Chafes nos apresenta este projeto, há muito esgotado. Trata-se da tradução do pensamento de um dos mais fascinantes poetas do romantismo alemão, numa edição revista, bilingue e cuidada.
Fausto: Tragédia Subjectiva de Fernando Pessoa. Editorial Presença. Lisboa, 1988, 222 págs. B.
«Apesar da sua polifonia característica, Fausto, o poema dramático de Pessoa, é um solilóquio que se desenrola no terror metafísico da solidão e da acção empenhada. A abstenção é loucura, mas é-o também a acção que exclui os gestos e as paixões humanos do santuário do eu privado. Em trechos profundamente influenciados por Schopenhauer, Pessoa identifica a salvação com o sono, um sono tão profundo que acaba, para além do inconsciente e da vaidade dos sonhos, por reduzir a silêncio o tumulto vão do pensamento. Uma dolorosa contradição insolúvel atormenta o mago de Pessoa. Persuadido da irrealidade do mundo, quer, apesar de tudo, decifrar os seus fenómenos (a “Vontade” e a “Representação” de Schopenhauer). O niilismo metafísico não pode negar o impulso no sentido do conhecimento. O monólogo dramático de Pessoa reitera, uma e outra vez, um horror de pesadelo: possuído por uma reflexão vã, mas imperiosa, Fausto sufoca no interior da sua própria alma. A indagação metafísica induz o enterramento em vida. (…)
Mais do que a própria filosofia, é a linguagem da literatura ou, mais precisamente, da filosofia tornada literatura, como em Kierkegaard ou Nietzsche, que articula a extremidade patológica, a vanglória compulsiva, do empreendimento e da vocação filosóficos. Tal é a intuição que o tema de Fausto encerra. Pessoa avança um passo mais longe do que Hegel e define a especulação metafísica como não sendo mais do que uma “ansiedade infinita”.»
Evolução Biológica Humana de Jean Chaline. Editorial Notícias. Lisboa, 1992, 135 págs. B.
Que o homem é o resultado de um longo processo evolutivo, é hoje um dado adquirido e irrefutável da ciência. No entanto, outras questões essenciais, com esta ligadas, acabam por emergir, constituindo outras tantas interrogações a que é necessário dar resposta: será que o homem ainda pode evoluir? Qual será a consequência da introdução do pensamento reflexivo na evolução biológica? Quais os contornos que, por este facto, se podem adivinhar para o futuro do homem? O presente estudo, fruto da pesquisa de um mestre eminente no domínio da Paleontologia Humana, pretende justamente responder a estas questões. Depois de, em síntese, reconstituir a história evolutiva do homem, o autor faz incidir a sua reflexão sobre as últimas descobertas científicas – paleontológicas, bioquímicas e cromossómicas, ecológicas e sociológicas para, em seguida, apresentar várias interpretações possíveis dessas descobertas que contribuirão, sem dúvida, para a desmistificação de temas de tão profunda actualidade.
Passaram cem anos sobre a morte de Eça de Queirós. Se ao comum dos mortais o tempo lhes apaga a memória, com este nosso ilustre antepassado sucede justamente o contrário: são hoje incontáveis os estudos da mais diversa índole sobre o escritor; as edições (e traduções)
das suas obras sucedem-se; a leitura dos seus romances continua a fazer as delícias de todas as gerações; é considerado pelos especialistas um dos maiores escritores portugueses de sempre. Para muitos, ele é mesmo primus inter pares.
Com os selos postais comemorativos do centenário da morte do grande escritor.
Condessa de Ségur: Dois Patetas de Jean-Claude Lowenthal. Difusão Verbo. Lisboa, 1979, 45 págs. Dura.
Condessa de Ségur é o nome por que ficou conhecida Sophie Feodorovna Rostopchine. Nasceu a 1 de agosto de 1799 em São Petersburgo, na Rússia imperial, no seio de uma família aristocrática. A sua infância foi passada em Voronovo, propriedade magnífica que pertencia à família. A sua educação foi rigorosa e incluía a aprendizagem de línguas estrangeiras, com primazia para o francês. Em 1817, a família foi obrigada a exilar-se em Paris, e foi então que Sophie conheceu Eugène de Ségur, com quem casou em 1819, tendo tido 8 filhos.
A Condessa de Ségur começou por inventar histórias para os netos e só escreveu o seu primeiro livro aos 58 anos. Viria a publicar cerca de 20, dos quais os mais conhecidos são Os Desastres de Sofia, As Meninas Exemplares, As Férias e Memórias de Um Burro. Estas obras tornaram-na mundialmente famosa e fazem parte do imaginário de várias gerações um pouco por todo o mundo.
Morreu em Paris no ano de 1874 e é considerada uma das mais importantes escritoras de língua francesa do século XIX. As obras da Condessa de Ségur continuam a ser lidas, publicadas e adaptadas a outras formas artísticas, como o teatro e o cinema.
Crónica dos Bons Malandros de Mário Zambujal. Círculo de Leitores. Lisboa, 1981, 146 págs. E.
Sinto-me sequestrado por estes bons malandros”. Aos livros que fui escrevendo, e outros que venha a escrever, não lhes valem possíveis méritos. Mais de trinta anos depois de saltarem à cena, sem outra pretensão do que fazer sorrir circunstanciais leitores, os bons malandros não arredam pé e ganharam a afeição de gerações sucessivas. Nada mais surpreendente, para quem lhes deu vida, esta longevidade que permite divertir jovens de hoje, tal como acontecera com seus pais e mesmo avós. Aqui se apresenta uma nova (e esmerada) edição de um livro que já galgou pelo cinema e pelo teatro e ameaça novos estrondosos cometimentos. Entretanto, o que o autor ambiciona é o mesmo de sempre: proporcionar prazer de leitura a quem se dispõe à descoberta das singulares aventuras destes bons malandros. Se eles vos divertirem, cumprem o seu destino.”
Cérebro de Broca de Carl Sagan. Gradiva Publicações. Lisboa, 1987, 296 págs. B.
Desde que existem seres humanos que nos pomos questões mais profundas e fundamentais, ou seja, as que evocam surpresa e estimulam pelo menos a nossa consciência trémula e pouco experiente. Essas questões são as que se prendem com a origem da consciência, a vida no nosso planeta, o princípio da Terra, a formação do Sol, a possibilidade da existência de seres pensantes algures para lá das profundezas do céu; e ainda – e esta é a maior pergunta de todas – a que diz respeito ao advento, à natureza e ao destino último do universo. Até há muito pouco tempo, na história da humanidade, estes temas eram do pelouro exclusivo dos filósofos e dos poetas, dos impostores e dos teólogos. […] Mas hoje, como resultado de um conhecimento dolorosamente extraído da natureza e através de observações e experiências, estamos habilitados a dar, pelo menos, respostas preliminares a muitas destas perguntas.» in Introdução
Breve História da Literatura Italiana de Giuseppe Carlo Rossi. Edições Cosmos. Lisboa, 1946, 316 págs. E.
Biblioteca Cosmos 115-116
2ª Secção – Artes e Letras – Números 29-30
Literatura
As origens (desde o século X ao século XIII); Dante e a sua época; Os alvores do humanismo; Humanismo e Renascimento; O «Cinquecento»; Do «Marinismos» à Arcádia; O Renovamento; Classicismo e Romantismo; O «Verismo»; O «Novecento» (da primeira à segunda guerra mundial).
Biombos e Biografias: As Sete Mil e Uma Oníricas de Manuela Malpique [et al.].
Campo das Letras. Porto, 1999, 78 págs. B.
Os deuses estão de volta. Hermes convocou-os. Alados, arbustivos, luminosos, aí estão eles a revisitar-nos. O regresso dos deuses e das mitologias mostra-nos o regresso a uma concepção global do homem no seu ambiente natural e social. Natura e cultura, “physis” e “logos”, “demens” e “logos”, afecto e intelecto, corpo e espírito, sombra e luz – “uma ‘deontologia’ que saiba reconhecer em cada situação a ambivalência que a constitui” (Maffesoli 1996:23). O acto do conhecimento não pode mais dispensar esta dinâmica.
Billy The Kid: O Destino de Matar de Rino Albertarelli. Editora Brasi-América. Rio de Janeiro, 1974 [?}, 103 págs. B.
O PRIMEIRO trata de alguém que se tornou lenda Billy the Kid 0 mais famoso pistoleiro fora-da-lei de sua época. Billy the Kid representa um tipo de fora-da-lei bem comum e, no entanto, bem singular. Utiliza o homicídio para o que necessita, não por ser o extremo recurso, mas o mais simples. Todes os que tiveram contato com ele se impressionaram com sua gentileza. Cometeu seu primeiro homicídio aos 17 anos, para se livrar de um brutamontes que o espancara, aproveitando-se do seu físico franzino. Morreu aos 21 anos -e a lenda lhe atribui 21 homicídios.
❗ Pequenos sinais de humidade no canto inferior esquerdo. Não afecta o texto ou o desenho
Auto dos Anfitriões de Camões de Clara Rocha. Editorial Seara Nova. Lisboa, 1981, 125 págs. B.
Tentaremos situar o Auto dos Anfitriões em três linhas diacrónicas:
1.1. Na obra literária de Camões; 1.2. – по percurso evolutivo do teatro português, de Gil Vicente ao teatro clássico; 1.3.- na sequência do teatro universal inspirado no mito de Anfitrião.
«Por vezes vêm essas ânsias, e lágrimas, e suspiros, e os grandes ímpetos que já disse (que tudo isto parece que procede do nosso amor com grande sofrimento, mas tudo não é nada comparado com esta outra coisa, porque esta parece um fogo que lança fumo e pode suportar-se, embora sofrendo); andando assim esta alma…
Vida do Arcebispo de Fr. Luiz de Souza. Seara Nova. Lisboa, 1961, 96 págs. B.
Cheio de pureza, de graça, de religiosa gravidade, de compassado movimento, sensível à ironia branda do moralista, exacto na expressão das ideias, animado de uma bondade que o embebe de finura e de modéstia, o estilo de Fr. Luís de Sousa aparece-nos como um dos que mais apuraram a nossa língua e contribuíram para a fazer abandonar de todo as asperezas e incertezas de 500, tornando-a um instrumento maleável e sólido nas mãos dos futuros escritores.
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