A Memória das Palavras: ou o Gosto de Falar de Mim de José Gomes Ferreira. Portugália Editora. Lisboa, 1972, 318 págs. B.
Livro de memórias autobiográfico, de grande originalidade, com interesse para a história política e literária de Portugal: “assiste-se efectivamente à ressurreição do período que prepara, acompanha e no qual se desmorona a 1ª República (democrática), ao aparecimento dos totalitarismos, à guerra civil de Espanha, ao grande conflito mundial de 1939-1945”.
Barbeiro de Má-Morte de José Gomes Ferreira
Fomento de Publicações. Lisboa, s.d., 48 págs. B.
Dirigida por Manuel do Nascimento, Colecção Novela, que “nasce como um protesto contra a maior parte das publicações baratas que enxameiam o mercado do livro. Baixo preço foi tomado como sinónimo de falta de qualidade, com a agravante de se atirarem às costas do público todas as responsabilidades, afirmando que ‘ele’, essa entidade vaga, não quer outra coisa. Acompanharão cada um dos pequenos volumes de ‘Colecção Novela’ uma pequena biografia do seu autor e uma bibliografia, prestando-se a uma séria iniciação literária.
Aos leitores apressados (e apenas a esses) quero lembrar que Tempo Escandinavo não é um livro autobiográfico, como à primeira vista poderá parecer a quem ler distraidamente algumas destas histórias, escritas na primeira pessoa por mero e clássico artifício literário.
Mas creio já desnecessário recordar aos mesmos leitores apressados que a Noruega não é somente povoada pelos homens e mulheres que surgem neste livro – se bem que só esses interessassem à minha personagem de ficção perdida nas lindas cidades da Costa Atlântica norueguesa.
Gaveta de Nuvens de José Gomes Ferreira. Diabil. Lisboa, 1975, 238 págs. B.
Após uma decisiva prova de marginalidade como cônsul, entreguei-me ao jornalismo ou, com mais exatidão, a colaborar em jornais e revistas (com três ou quatro artigos por semana), onde aprendi a alinhar prosas com tanta facilidade de caneta a deslizar no papel que, a certa altura, quando reparei nessa virtude de ofício, desmaiei de terror. E tratei logo de praticar com afinco a ginástica da Dificuldade. Isto é:
impedir que as palavras corressem em forma de fonte óbvia, não me importar de perder tempo, cinco, dez, vinte minutos para desencantar o adjetivo justo, substituir lugares-comuns já muito coçados por novos lugares-comuns, semear obstáculos de propósito, antes de principiar a escrever. Como, por exemplo, dizer de mim para mim: hoje durante seis linguados não empregarei uma única vez os verbos ser, ter, haver, fazer, etc.
Quando senti os primeiros fervores de O Sabor das Trevas nos caldeirões e retortas da minha oficina-laboratório de velho operário de palavras e paixões, pensei que este livro fosse diferente dos meus anteriores e, confundindo diferença com melhoria de qualidade, logo resolvi dedicar-lho para satisfazer um sonho que trazia, há muito, no sangue: o de…
Quando senti os primeiros fervores de O Sabor das Trevas nos caldeirões e retortas da minha oficina-laboratório de velho operário de palavras e paixões, pensei que este livro fosse diferente dos meus anteriores e, confundindo diferença com melhoria de qualidade, logo resolvi dedicar-lho para satisfazer um sonho que trazia, há muito, no sangue: o de…
Imitação dos Dias de José Gomes Ferreira. Diabril Editora. Lisboa, 1977, 190 págs. B.
«Este novo livro de José Gomes Ferreira é uma confissão autêntica, mesmo e sempre que o autor simule sentir o contrário do que diz ou simule dizer o contrário do que sente. Quando se ama o quotidiano e, ao mesmo tempo, senão perde, perante ele, o espírito crítico, é natural que se oculte na ironia o que nesse quotidiano desagrada para mais salvaguardar o que, ainda nele, é digno de apreço.»
📕 3ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
A gaveta cheira a mofo. E ao fundo, no canto direito herança da meninice, jaz o espelho com o aro ardido de ferrugem. Como diabo veio aqui parar este espelhinho ra- chado e levemente convexo? Que deforma as feições talvez de propósito para divertir as crianças, com fantasmas a fazerem caretas.
Aventuras de João Sem Medo de José Gomes Ferreira. Visão. Lisboa, 2003, 127 págs. E.
João Sem Medo habita na aldeia Chora-Que Logo-Bebes, cujos habitantes vivem presos à tradição de que tanto se orgulham: chorar de manhã à noite. Um dia, o nosso herói decide saltar o Muro que protege a aldeia da Floresta Branca, local onde «os homens, perdidos dos enigmas da infância, haviam estalado uma espécie de Parque de Reserva de Entes Fantásticos». Tem assim início uma viagem surpreendente, na qual João Sem Medo se irá cruzar com bichas de sete cabeças, gigantes de cinco braços, fadas, bruxas, animais que falam, e ainda com o mítico Príncipe das Orelhas de Burro. História fantástica que recorre ao imaginário mágico, por vezes de inspiração surrealista, este romance de José Gomes Ferreira é um prodígio de efabulação e engenho narrativo. Uma obra intemporal que continua a arrebatar tanto adolescentes como adultos.
Escritor português, nasceu em 1900, no Porto, e morreu em 1985, em Lisboa. A sua poesia encontra-se coligida em Poeta Militante (6 vols., 1977-78). No domínio da ficção, publicou O Mundo dos Outros (1950), Aventuras Maravilhosas de João Sem Medo (1963), Tempo Escandinavo (1969) e O Irreal Quotidiano (1971). Merecem também referência as suas memórias, com o título A Memória das Palavras (ou o Gosto de Falar de Mim) (1965). Da sua escrita ressalta uma grande preocupação humanística, com constante atenção aos problemas do nosso tempo, glosando temas como a liberdade, a dignidade humana e a solidariedade para com os outros, sobretudo no sofrimento.
Para além da sua linguagem absolutamente pessoal, para além de uma temática abordada com incontroversa originalidade, José Gomes Ferreira continua a revelar-se-nos poeta com perfeita cons- ciência de si, mesmo quando se expande na fase mais aguda do conflito, um poeta que nada es- conde de si mesmo, nem escamoteia nenhum dos seus problemas. Daqui,…
Antologia Poética de José Gomes Ferreira.
Incluí as obras:
Eléctrico (1943-1944-1945);
Tu piedade (1945);
Província (1945);
Ruas Desertas (1946-1947);
Gomes Leal (1948);
Cinzas (1948-1949-1950)
Intervenção Sonâmbula de José Gomes Ferreira. Diabril. Lisboa, 1977, 165 págs. B.
«Há momentos em que as pátrias têm de provar que merecem a independência e o direito de existir pelo seu génio, coragem e audácia e não por meras razões de artificio ou tratados de equilíbrio internacional».
Assim pensei eu sempre e, ainda com mais convicção, durante a musgosa violência hipócrita do meio século salazarista.
Dai que, depois do 25 de Abril, concluída a descolonização, o ter eu esperado com ardimento a Prova Suprema que não só considerava necessária como inevitável desde que Vasco Gonçalves surgiu à frente de vários governos a que aliás pertenciam ministros dos três maiores partidos, não para conservar o que já existia, com alegria de gravatas novas (a que, por via de regra, se chama governar), mas justamente para contradizer essa norma diante da Europa Escandalizada.
📕 1ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
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