A Truta de Roger Vailland. Livro do Brasil. Lisboa, s.d., 240 págs. B.
Um romance de Roger Vailland é sempre um acontecimento de vasta projecção para o leitor moderno. Malogrado escritor que a morte arrebatou bem cedo, este seu último romance vem reforçar ainda mais o prestígio do seu nome. Até ao último alento, Roger Vailland manteve intacta essa atenção à vida, ao real e ao concreto, à singularidade e complexidade dos seres humanos. A Truta documenta-o com uma claridade e uma força pouco habituais. A truta é um romance da vida moderna. O estilo incisivo de Vailland, tão subtil na captação de todos os matizes, na captação de uma realidade fluída como é a dos nossos dias, ganha, nesta obra, uma transparência rara.
Babi Yar de Anatoly Kuznetsov. Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 360 págs. B.
Em setembro de 1941, as tropas nazis conquistaram Kiev. Fascinadas pela elegância dos soldados alemães ou esperançosas na reconquista do exército soviético, as populações dividiram-se. Anatóli Kuznetsov tinha doze anos e assistiu à discordância no seio da própria família. Mas à medida que os dias corriam, tornava-se claro que aquele território estava a ser palco de um crime terrível: os disparos não cessavam, as valas comuns eram abertas, o fumo tomava conta dos céus, e os judeus, os ciganos e quaisquer opositores às regras alemãs desapareciam das ruas. Não existem números consensuais, mas estima-se que mais de 100 000 pessoas terão sido mortas em Bábi Iar, às portas da capital ucraniana, e, durante décadas, quer alemães quer russos tentaram escondê-lo. Em 1961, Kuznetsov submeteu o seu testemunho deste período às autoridades soviéticas e, em 1966, saiu por fim em livro, numa versão fortemente truncada. Apenas após a fuga do autor para Inglaterra, em 1969, seria revelado o texto completo – e é esse que agora, pela primeira vez, se dá a ler em Portugal. Um perturbador retrato da brutalidade da guerra vista pelos olhos de uma criança e uma lição sobre o poder da censura.
O Livro da Selva de Rudyard Kipling.
Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 231 págs. B. Il.
Abandonada pelos pais no interior da selva indiana, uma criança morena e nua, ainda a dar os primeiros passos, é encontrada por uma alcateia – e logo esta se torna a sua alcateia. Mowgli, assim lhe chama a Mãe Loba, tornar-se-ia um dos seus lobitos e em breve aprenderia a conhecer todos os sussurros da erva, todo o sopro tépido da noite, todo o pio de mocho ou som de peixe no charco. O sábio urso Baloo e a pantera negra Bagheera, a poderosa jiboia Kaa e o ameaçador tigre Shere Khan são alguns dos fascinantes habitantes do mundo de perigos e deslumbramento, de excitação e de medos, de coragem e de amizade onde Mowgli irá crescer.
Antes do Amanhecer de Somerset Maugham.
Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 282 págs. B.
Somerset Maugham continua a ser um dos romancistas ingleses do nosso tempo mais lido e admirado em todo o mundo. «Antes do Amanhecer» é um dos seus livros mais festejados: impunha-se respectiva a inclusão na colecção «Autores de Sempre», ao lado de outras obras fundamentais do mesmo escritor.
Lugar ao Sol de Erico Veríssimo. Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 350 págs. B.
Um lugar ao sol é um romance escrito por Érico Veríssimo e publicado em 1936. A obra reúne vários personagens presentes em seu livro anterior, Musica ao longe, como Clarissa, Vasco, Amaro, Fernanda e Noel. Narra seus sonhos, suas lutas e suas frustações, e critica as tradições políticas do interior do Rio Grande do Sul.
Sobre o livro, disse o próprio autor: “Considero o elenco humano que povoa este livro o melhor de toda a minha obra, com exceção talvez de O Tempo e o Vento. Escrevi sobre essa gente com tanta afeição e interesse, com tamanha fé na sua existência, que acabei cometendo o pecadilho de todo o pai vaidoso para qual tudo quanto os filhos dizem e fazem merece ser contado ao mundo”.
O Primeiro Homem de Albert Camus.
Livros do Brasil. Lisboa, 2018, 252 págs. B.
O manuscrito por terminar de O Primeiro Homem foi descoberto nos destroços do acidente de automóvel que vitimou Albert Camus, em 1960. Embora tenha permanecido inédito durante mais de trinta anos, tornou-se um bestseller imediato quando finalmente foi publicado em 1994.
O «primeiro homem» é Jacques Cormery, um rapaz que vive uma vida sem igual. O escritor francês, Nobel da Literatura em 1957, convoca o panorama, os sons e as texturas de uma infância circunscrita pela pobreza e pela morte de um pai, mas redimida pela beleza austera de Argel, pelo amor que Jacques tem à mãe e à avó, e por um professor que transformará a sua visão do mundo.
O mais autobiográfico de todos os romances de Camus – que lhe chamou o seu Guerra e Paz e é ele próprio Jacques Cormery – oferece ao leitor um olhar singular sobre a vida do autor e sobre os temas poderosos transversais a toda a sua escrita: a consumação brilhante da vida e obra de um dos maiores romancistas do século xx.
O Poder e a Glória de Graham Greene. Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 340 págs. B.
Este romance – o mais lido no século XX, em língua inglesa – é fruto de uma viagem que Graham Greene fez às terras de Tabasco para conhecer a perseguição religiosa que teve lugar nos anos vinte, no México.
O livro descreve as peripécias e os dramas do único sacerdote católico que continuava a exercer, clandestinamente, o seu ministério. Perseguido pela polícia, carregava consigo as cicatrizes do tempo: os gestos denunciavam um passado diferente e um temor em relação ao futuro. Não era nem herói nem santo, vivia como fugitivo, cheio de medos, com a consciência de ser um pecador, com o remorso de ter uma filha e, embora debilitado pela bebida, dizia zombeteiramente que com um pouco de conhaque era capaz de desafiar o demónio.
Um romance comovente em que, para este padre perseguido e fraco, a fé é uma certeza que não se deixa determinar pelas misérias.
Madame Curie de Eva Curie.
Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 278 págs. B. Colecção Dois Mundos | 4
Marie Sklodowska-Curie (1867–1934) foi a primeira cientista mulher a receber aclamação internacional e foi, de facto, um dos nomes cimeiros da investigação científica do século xx. Escrita por Ève Curie, sua filha e reconhecida ativista, esta biografia descreve as suas conquistas na ciência, os seus trabalhos pioneiros em torno da radioatividade e o modo como lhe valeram dois prémios Nobel, da Física em 1903 e da Química em 1911. Mas não se fica por aqui. Narrado de forma apaixonada, neste testemunho estão também as memórias da infância na Polónia, do casamento em Paris com Pierre Curie, seu companheiro de vida e de laboratório, e das polémicas que marcaram os seus últimos anos, antes de morrer vítima do elemento a que havia consagrado toda a vida. Uma história notável e inspiradora.
O médico sueco Axel Munthe apaixonou-se pelas ruínas de um palácio que pertencera ao imperador Tibério assim que atracou em Capri, aos 19 anos, e olhou para o topo da colina. Mais tarde, reconstruiu-as e deu à sua nova casa o nome de Villa San Michele. É a partir daí que, já septuagenário, cercado pelo mar azul e pelas memórias, irá escrever este seu livro, publicado originalmente em 1929 e ao longo de quase um século reeditado por todo o mundo. Reunindo registos, nem sempre cronologicamente organizados, de uma vida marcada por encontros com figuras como Louis Pasteur, Henry James ou Guy de Maupassant, mas também com os habitantes rurais de Capri ou da Lapónia, os imigrantes italianos em Paris ou as vítimas de cólera em Nápoles, O Livro de San Michele é uma obra arrebatadora, repleta de amor pelos animais e pela natureza, de reflexões sobre a medicina, sobre a fragilidade e a magnitude espiritual do ser humano. Esta história «carregada de sonho e assombro», como escreveu a London Review of Books, continua a ser para muitos um dos livros mais amados do século xx.
Homens e Bichos de Axel Munthe.
Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 151 págs. B.
“Neste volume, composto de artigos dispersos e já esquecidos, encontram os leitores do Livro de San Michele muitos dos seus antigos conhecimentos, e com as mesmas andrajosas roupas, por isso que não tinham outras. O meu amigo Arcangelo Fusco, varredor do bairro de Montparnasse; a família Salvatore; Don Gaetano, o tocador de realejo, mais a sua macaquinha a tiritar de frio; Monsieur Alfredo, trazendo debaixo do braço o manuscrito da sua última tragédia, todos eles aparecem aqui. A própria Irmã Filomena, suave anjo da guarda da Salle Sainte Claire do Hospital de Paris, vive e morre nestas
Freud e a Psicanálise de Ludwig Marcuse. Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 237 págs. B. Vida e Cultura | 73
Quando Freud disse: «O céu deixamo-lo nós aos anjos e aos pardais», não estava a produzir uma chalaça ou um insulto, mas apenas a manifestar, muito deliberadamente, que o seu centro de interesse e de pesquisa não tinha – nem queria ter – qualquer coincidência com uma explicação do homem por fora do homem, quando não contra o homem. O céu do teólogo, ou o do naturalista, era, para Freud, a alienação a evitar a todo o transe. Na verdade, nem o homem se explica pelo anjo, nem pelo pardal… Só uma «descida ao abismo», que o mesmo é dizer ao subconsciente e ao inconsciente humanos, poderá fazer, um dia, ascender o homem ao céu da desalienação, o céu mais terra que se possa conceber… Marcuse, o filósofo, medita, como ninguém, sobre Freud e o seu gigantesco empreendimento: o lançar das bases e da prática da psicanálise. Freud e a Psicanálise, um livro a ler e a reter!
Fantoches e Outros Contos de Erico Veríssimo.
Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 351 págs. B.
Reconhecido como um dos clássicos brasileiros do século XX, Erico Verissimo estreou na literatura em 1932 com o volume de contos Fantoches. Décadas depois, fez apontamentos manuscritos e ilustrações para a edição comemorativa do quadragésimo aniversário da publicação do livro. Neles, o escritor consagrado observa as narrativas do jovem principiante com olhar exigente, mas também com humor. Na primeira parte desta reedição da Companhia das Letras estão os fac-símiles das páginas de Fantoches anotadas por Erico. Escritos em forma de pequenas peças de teatro, os contos do jovem estreante já revelavam as qualidades que seriam desenvolvidas na maturidade. Quanto aos defeitos do principiante, o próprio Erico se encarrega de apontá-los e comentá-los. Depois de Fantoches, Erico só praticou o conto esporadicamente – e com maior domínio de suas técnicas. As seis narrativas breves incluídas na segunda parte deste livro revelam o engenho do criador de mundos e contador de histórias.
Entardecer em Bizâncio de Irwin Shaw. Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 323 págs. B.
Na pacífica região mediterrânica de Cannes, quando a primavera mais reverdeja as palmeiras marginais, florescem os canteiros policromados e odorosos, embalando os homens numa tépida atmosfera poética, celebra-se o «Grande Festival do Cinema». Irwin Shaw escolheu este cenário e momento de euforia artística internacional para desenvolver um tema profundamente dramático e humano, em que os homens, sob a máscara momentânea do triunfo efémero e de uma felicidade fictícia, mergulham num inferno psíquico.
A Confissão na Engrenagem do Processo de Praga de Artur London.
Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 540 págs. B.
Artur London, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Checoslováquia a partir de 1949, foi preso em Janeiro de 1951 juntamente com o ministro Clementis e julgado no processo do chamado «Centro de Conspiração contra o Estado dirigido por Slansky».
Condenado a trabalhos forçados perpétuos, viria a ser reabilitado em 1956.
Artur London, uma vítima paradigmática do estalinismo ,descreve em A Confissão o impiedoso mecanismo que triturou muitos dos melhores militantes do movimento revolucionário na engrenagem da auto-acusação.
Estamos perante um documento histórico que denuncia um sistema e retrata uma época que não podem nem devem esquecer-se, e um documento profundamente humano onde palpita a tragédia de um homem e de uma família presos nas malhas de ferro de um processo kafkiano que foi realidade.
Arco do Triunfo de Erich Maria Remarque.
Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 382 págs. B.
Em Arco do Triunfo, Erich Maria Remarque situa a acção nas vésperas da Segunda Guerra Mundial e reafirma-se como um escritor combativo, inimigo da tirania e do absurdo dos grandes conflitos. O romance ultrapassou o êxito das obras anteriores, foi publicado em folhetins por 385 jornais, atingiu mais de 25 milhões de exemplares e dois milhões só nos EUA. Traduzido em 22 línguas, deu origem a um filme da Metro-Goldwyn-Mayer com Ingrid Bergman, Charles Boyer e Charles Laughton.
A Alternativa Diabólica de Frederick Forsyth. Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 382 págs. B. Colecção Dois Mundos | 2
A Rússia enfrenta a fome. Os soviéticos são forçados a depositar as suas esperanças de sobrevivência nos EUA. Mas enquanto o KGB e a CIA assistem horrorizados, o salvamento de um combatente ucraniano da liberdade no Mar Negro desencadeia uma selvajaria que põe em perigo a paz – e mergulha os líderes de Washington a Moscovo numa teia de intriga, terror e suspense avassaladores. Apenas dois amantes podem salvar o mundo da destruição nuclear. No entanto, cada saída significa morte certa, e a contagem decrescente já começou.
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