Sobre a Terceira Crítica de Dominique Janicaud [Dir.] Instituto Piaget. Lisboa, 2007, 95 págs. B.
Colecção: Pensamento e Filosofia | 119
Durante muito tempo subavaliada pela tradição exegética, a Crítica da Faculdade de Julgar (1790) ressurge hoje por aquilo que é na verdade: o coroamento do criticismo, ao mesmo tempo que uma das obras mais profundas que a reflexão filosófica fez nascer. Organizando a sua reflexão em torno de três eixos (a finalidade da natureza, a experiência estética. as individualidades biológicas). Kant afrontava o problema do irracional que, através do desafio lançado por Jacobi às Luzes, fazia vacilar a todo-poderosa razão. Recolhidos e apresentados por Dominique Janicaud, três excelentes textos, «Reflexões sobre a estética», «O paradoxo da ideia estética» e «Ciência e opinião em A Faculdade de Julgar, escritos respectivamente por Frank Manfred, Jean-Paul Larthomas e Alexis Philonenko. magníficos filósofos contemporâneos, convidam-nos a uma leitura da Terceira Crítica e conduzem-nos a compreender que, para Kant, consolidar a racionalidade era. também, salvar a unidade da filosofia pelo evidenciar da articulação entre razão teórica e razão prática. A Terceira Crítica constituiu, sobretudo, a resposta mais subtil da modernidade ao anti-racionalismo nascente.
Filosofia de Paul Ricouer de Lewis Edwin Hahn
Instituto Piaget. Lisboa, 1999, 250 págs. B. Colecção: Pensamento e Filosofia | 46
Paul Ricoeur é considerado, mundialmente, como um dos maiores fenomenologistas contemporâneos. Com o seu precioso trabalho, Paul Ricoeur ajudou a fazer do termo hermenêutica um dos mais acessíveis ao pensamento. A sua obra cobre um vasto leque de temas: história da filosofia, crítica literária, estética e metafísica, ética, religião, semiótica, estruturalismo linguístico, ciências humanísticas, psicanálise, culpa e mal, conflitos de interpretação, etc. Em A Filosofia de Paul Ricoeur, obra de diálogo entre os seus vários críticos e o próprio autor, todo o trabalho de Paul Ricoeur é abordado por forma a mostrar aos leitores, com leves frescos, o desenvolvimento e o clima intelectual do nosso tempo.
Heidegger e o seu Século: Tempo do Ser, Tempo de História de Jeffrey Andrew Barash. Instituto Piaget. Lisboa, 1997, 246 págs. B. Pensamento e Filosofia | 18
Os oito ensaios que formam este livro inauguram um novo método de discussão da filosofia heideggeriana. Abordagem que é fundada na comparação dos escritos e das aulas do filósofo com o contexto teórico, no qual elaborou o seu pensamento, a partir de uma investigação das fontes às quais foi buscar elementos ou com aquelas em relação às quais tomou um devido distanciamento.
O seu encadeamento traduz uma interrogação fundamental: qual foi a ressonância na obra de Heidegger da «crise» aberta na teologia liberal, os Geisteswissenschaften e a filosofia da história, da Guerra de 1914?
Partindo da leitura detalhada de textos, por vezes inéditos, como o curso de 1921 sobre Santo Agostinho, distanciando-se, igualmente, do fechamento nos limites do método heideggeriano, como da redução da sua filosofia a um simples posicionamento ideológico, Jeffrey Andrew Barash contribui de modo decisivo para clarificar as origens e as implicações da tentativa de identificar um «impensado» sob o ideal de «validade universal» no pensamento da história.
Interpretando o juízo de Heidegger sobre a II Guerra Mundial, agrupa, por fim, os elementos que permitem perceber, no coração da concepção heideggeriana de história do Ser, uma «falha» indefinidamente retomada, relativa à própria ideia de imparcialidade intelectual.
Um livro fundamental para quem se interessa por Heidegger, um dos filósofos mais conhecidos mas escassamente entendido.
Comentários à Ética do Discurso de Jurgen Habermas.
Instituto Piaget. Lisboa, 1999, 221 págs. B. Colecção: Pensamento e Filosofia | 52
Com esta obra Habermas prossegue as suas investigações sobre Moral e Comunicação. Para o autor, o que leva a lançar de novo a discussão são, sobretudo, as objecções feitas aos conceitos universalistas de moral que remonta a Aristóteles, Hegel e o contextualismo contemporâneo. Trata-se de ultrapassar a oposição estéril entre um universalismo abstracto e um relativismo que se auto-contradiz. Habermas procura, assim, defender a proeminência do justo, compreendido num sentido deontológico, sobre o bem. Mas isto não significa que as questões éticas, no estrito sentido do termo, devam ser excluídas do questionamento racional. Nesta perspectiva, a questão moral central não é mais a questão essencial de saber como levar uma boa vida, mas a questão deontológica de saber em que condições uma norma pode ser dita válida. O problema desloca-se da questão do bem para a questão do justo – da felicidade para a da validade prescritiva das normas. As questões morais – sobre o justo e decisíveis em termos de um procedimento argumentativo – estão em distinguir questões éticas – que dizem respeito às questões axiológicas preferenciais de cada um, por natureza subjectivas – é mais até o fim original deste livro do que as demonstrar.
Crítica da Modernidade de Alain Touraine.
Instituto Piaget. Lisboa, 1994, 470 págs. B.
Célebre sociólogo que, nesta sua obra fundamental, se distancia dos meandros tradicionais da sociologia para privilegiar o domínio da ética. Defende que a única forma de impedir a fragmentação da sociedade moderna é o reconhecimento da importância do indivíduo contra a lógica do mercado e do poder. Só um diálogo persistente e aberto entre a razão e o indivíduo poderá manter o caminho da liberdade.
✏️ Sublinhados e apontamentos a lápis ❗Carimbo e etiqueta de biblioteca.
Concebido e escrito por uma equipa de professores universitários, de consultores e especialistas, este guia dirige-se aos formadores, professores, animadores, directores de recursos humanos, consultores e quadros que têm de conceber, recomendar ou avaliar acções de formação. Num só volume têm ao seu dispor, um resumo de teorias, métodos e instrumentos utilizados em formação.
Integração dos Timorenses na Sociedade Portuguesa de Manuel Viegas Tavares. Instituto Piaget. Lisboa, 1999, 95 págs. B.
… Este povo que tem nome Sol nascente a si se deu olhando ao sol pra poente língua madre descobriu … Ah! Este povo aí firme grito ao mar montanha de pé sem nunca vergar! É talvez isto, ou mesmo muito para além, que o Doutor Viegas Tavares, alma a uníssono com a vibrátil vaga de Timor, nos transmite e desafia neste breve ensaio antropologico. Sem maneirismo, límpido e singelo. Com o que os timorenses tiveram que ser e o que os portugueses poderiam ter sido.
Crianças Sobredotadas: Mitos e Realidades de Ellen Winner. Instituto Piaget. Lisboa, 1999, 383 págs. B.
As crianças sobredotadas são objecto de um certo número de ideias feitas voluntariamente contraditórias.(…) O mundo das crianças sobredotadas é mais complexo do que parece: por detrás do mito, fascinante e inquietante, a autora desta maravilhosa obra, revela-nos a realidade de uma infância, simultaneamente, prometedora e frágil.
Sophia de Mello Breyner Andresen Inscrição da Terra de Luís Ricardo Pereira. Instituto Piaget. Lisboa, 2003, 175 págs. B.
“Tomando por referência o corpus textual do livro “Geografia”, de 1967, da escritora, este livro tem por finalidade descrever analiticamente a forma do conteúdo da pesia andreseana. Assim, este estudo procura, em primeiro lugar, enquadrar a sua arte poética num contexto periodológico definido, recenseando as afinidades que mantém, sobretudo, com a geração dos Cadernos de Poesia. Posteriormente, salientam-se as coordenadas e os mecanismos poéticos que enformam a poesia de Sophia Andresen.”
Casa de Meu Pai de Ana de Castra Osório. Instituto Piaget. Lisboa, 1998, 93 págs. B.
Plasmado no ambiente rural, o conto «Casa de Meu Pai» orienta-se por alguns princípios e práticas da pedagogia popular portuguesa, a qual, através de histórias, ao mesmo tempo de proveito e exemplo, foi ensinando a língua e transmitindo alguns valores da nossa identidade nacional. Talvez por isso, haja interesse em as novas gerações vivenciarem uns e questionarem outros, também à luz da modernidade e mesmo da pós-modernidade.
A sua apresentação, agora em diversas línguas, apoia-se em pressupostos de modernas correntes pedagógicas do ensino-aprendizagem da leitura e da escrita através de histórias.
Fernando Vale
Metódos Cognitivos em Educação: Aprender de Outra Forma na Escola de Michel Perraudeau. Instituto Piaget. Lisboa, 2000, 237 págs. B.
Obra destinada aos professores e outros profissionais de educação mas também os pais aqui encontrarão muitas e preciosas informações para ajudarem as crianças nas suas relações pedagógicas. «O ensino tal como hoje é praticado não parece explorar, da melhor forma, a investigação contemporânea da qual apresentamos alguns aspectos significativos…» «Os métodos cognitivos impõem-se como resposta plausível às numerosas questões actualmente levantadas: constituem um pólo alternativo ao ensino de tipo acumulativo e linear […] Aprender é proceder a uma inovada síntese entre continuidade e novidade.» Michel Perraudeau, Echo de l’Ouest.
O século XX marca a passagem definitiva de uma sociedade agrária para uma sociedade industrializada, bem como a emergência de uma sociedade dominada pelos meios de comunicação. No tecido social, as organizações proliferam: umas rígidas e formais e, outras, dinâmicas e criativas.
Nos últimos vinte anos, assistimos a uma preocupação crescente quanto à abordagem do fenómeno «organização». A abordagem sistémica analisa-o sob o ponto de vista global, demarcando-se, assim, de uma abordagem analítica. Constitui um instrumento de análise, uma corrente de pensamento e um modo de intervenção. É, além disso, e de forma crecente, adoptada como modelo de gestão das organizações, evidenciando os seus elementos fundamentais: o subsistema tecnocognitivo, o subsistema psicossocial, estrutural e de gestão, bem como o meio ambiente em que se inserem. Perspectivando as organizações como conjuntos complexos de elementos em interacção, a abordagem sistémica permite apreender as características de coesão e de equilíbrio dinâmico, que constituem os principais desafios com que hoje se depara uma organização.
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