AGOSTO, 1914 é a narrativa minuciosamente documentada de uma epopeia, ou melhor, antiepopeia, o ataque do exér- cito russo, em 1914, à Prússia Oriental, que termina com a sangrenta derrota das tropas de Nicolau II, em Tannenberg. esmagadas pelas forças do chefe do Estado-Maior alemão Hindenburgo. Soljenitsine reconstitui toda uma sociedade num momento em que…
Bosques e Cidades de Alex Susanna. Quetzal Editores. Lisboa, 1996, 37 págs. B.
O amor pertence a este universo do belo tocado pelo desencanto e, consequentemente, pelo sentimento dramático da perda. A essência do amor é, por um lado, ser ignorante e sem memória do seu desfecho, pelo que renova sempre a sua investida como se fosse a primeira; por outro, é ser sujeito à lei implacável do desgaste do tempo, contra a fulguração «eterna do primeiro instante. in Prefácio de Rosa Alice Branco.
Amor & Etc. explora um triângulo amoroso onde traição e ciúme se cruzam. Com humor e profundidade, Julian Barnes traça um retrato vibrante das relações modernas, tão absurdas quanto cruéis.
Alto dos Vendavais de Emile Bronte. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1993, 403 págs. E.
O Monte dos Vendavais é uma das grandes obras-primas da literatura inglesa. Único romance escrito por Emily Brontë, é a narrativa poderosa e tragicamente bela da paixão de Heathcliff e Catherine Earnshaw, de um amor tempestuoso e quase demoníaco que acabará por afectar as vidas de todos aqueles que os rodeiam como uma maldição. Adoptado em criança pelo patriarca da família Earnshaw, o senhor do Monte dos Vendavais, Heathcliff é ostracizado por Hindley, o filho legítimo, e levado a acreditar que Catherine, a irmã dele, não corresponde à intensidade dos seus sentimentos. Abandona assim o Monte dos Vendavais para regressar anos mais tarde disposto a levar a cabo a mais tenebrosa vingança. Magistral na construção da trama narrativa, na singularidade e força das personagens, na grandeza poética da sua visão, nodoso e agreste como a raiz da urze que cobre as charnecas de Yorkshire, O Monte dos Vendavais reveste-se da intemporalidade inerente à grande literatura.
Alice aos 80 de David R. Slavitt. Editorial Caminho. Lisboa, 1991, 213 págs. B.
Romancista, contista e poeta, David R. Slavitt é autor de uma obra considerável e original, em que a erudição ganha uma vida intensa e se ilumina de modo novo. Características bem vincadas neste seu romance Alice aos 80, em que a personagem Alice Lidell é a «Alice do País das Maravilhas», a arrebatadora e fabulosa obra de Lewis Carroll. Alice, Glenda e Isa, três das rapariguinhas que Carroli fotografava, revêem o passado através das suas personalidades bem diferentes e que o tempo moldou irreversivelmente. Tudo se refracta de maneiras inesperadas, tudo ganha contornos fugidios, e às vezes ásperos, tudo no livro, enfim, nos seduz e nos intriga, e nos convence também, como uma obra de ficção conseguida é capaz de nos convencer: com a verdade brilhante da arte romanesca. A verdade de um excelente romance.
Valéria, Valéria de Júlia Nery. Editorial Notícias. Lisboa, 1998, 201 págs. B.
Tratando-se embora da história de Valéria, através de quem se entra na intimidade da mãe, na escola e nas festas dos amigos, onde há «hospitalidades de charros e de speeds», este Valéria, Valéria é também a história de Marinela, a mulher que foi educada para ficar quieta a ver os outros correrem pela vida ou escorregando nela e ainda de Rui Jorge, o surfista, que por tanto sonhar actos heróicos arriscará a vida durante a instrução para Comandos, de Teco, que colecciona chumbos, de Clara, que, aos 16 anos, se assume (afectiva e economicamente) como mãe solteira e de Bia, que quer ser mulher objecto. É, no fundo, um romance de confidencialidades, atravessado por afectos de gentes que preferem as interrogações às respostas que possam abalar o universo burguês onde nasceram e cresceram, de pessoas que, às regras de conduta e lições de moral, desejam antes um ombro para amparar os gritos e um ouvido silenciosoonde aninhar os seus desgostos.
O repórter de rádio Sam Ridley acorda ao lado de um cadáver. E agora a cidade pensa que ele é o assassino. Sam precisa encontrar respostas – antes que a polícia o encontre. Eles têm mão de obra, músculos e algumas armas muito sérias. Ele tem cérebro, charme e um chapéu com chifres. Parece que…
Inclui as peças: À espera de Godot (tradução de A. Nogueira Santos); Fim de Festa (tradução de F. Curado Ribeiro); A última Gravação (tradução de Rui Guedes da Silva).
Em 1937 Ernest Hemingway viajou para Madrid, com o intuito de aí realizar algumas reportagens sobre a resistência do governo legítimo de Espanha ao avanço dos revoltosos fascistas. Três anos mais tarde, concluiria a elaboração de um dos mais famosos romances sobre a Guerra Civil de Espanha, Por Quem os Sinos Dobram. A história de…
Van de Wetering concebeu os seus casos satisfazendo aqueles que adoram quebra-cabeças. Mas este elemento não é soberano. Existem tantas outras formas de divertimento… uma das séries mais bem escritas, invulgares e interessantes das últimas décadas
«Obras Completas de Agatha Christie» incluem, por ordem cronológica, toda a ficção policiária de uma das maiores escritoras da história da literatura de mistério. Iniciativa que se impunha, dada a qualidade dos textos e a celebridade que alcançaram em todos os quandrantes do mundo, reúne mais de oitenta títulos, respeitando integralmente as versões originárias. Cada…
Berlim, 2011. Adolf Hitler acorda num terreno baldio. Sente uma grande dor de cabeça. O uniforme tresanda a querosene. Olha à sua volta e não encontra Eva Braun. Nem uma cidade em ruínas, nem bombardeiros a riscar os céus. Em vez disso, descobre ruas limpas e organizadas, povoadas de turcos, milhares de turcos. E gente…
Cães de Tone Brulin. Prelo Editorial. Lisboa, 1964, 138 págs. B.
Tone Brulin aparece hoje em português. Nós, os que acreditamos num teatro português autêntico, temos uma divida em aberto para com ele: foi devido ao seu espírito universalista que o nosso Raúl Brandão atravessou as fronteiras. Uma dívida dessas não se paga, retribui-se. E só uma retribuição conta para um Artista como Tone Brulin: o conhecimento e a divulgação da sua Obra. Estimá-lo a ele depois de a conhecer é questão que não oferece dúvidas aos espíritos generosos. in Prefácio de Rogério Paulo
Alarme! de Konsalik. Círculo de Leitores. Lisboa, 1992, 242 págs. E.
Heinz Konsalik é o pseudónimo de Heinz Günther. Nascido em 1921 na Alemanha, passou a usar o apelido de solteira da mãe, Konsalik, para assinar os seus livros.
Foi correspondente de guerra durante a Segunda Guerra Mundial, o que lhe deu material abundante para as suas obras de ficção. Usa muitas vezes temas da guerra, da medicina e de situações extremas nas suas narrativas, sempre de uma forma puramente humana, evitando tomar partido política ou ideologicamente. O que interessa ao autor são os dramas emocionais e psicológicos que afetam as suas personagens.
Morreu em 1999, deixando uma obra de mais de 150 livros escritos e cerca de 85 milhões de exemplares vendidos.
Na noite em que Lydia Cunningham conduz até à estação de comboios para se encontrar com a sua filha Thelma, a bonita e pacata vila costeira de Milton St Gabriel dorme tranquilamente. Mas a chegada de Thelma irá destruir essa paz para sempre. Ela traz consigo Edward, um jovem com uma tendência perigosa para incendiar…
Moinho à Beira Rio de George Eliot. Portugália Editora. Lisboa, 1969, 578 págs. B.
Uma cidade velha e banal, St. Ogg, e os seus arredores, banhados pelo Floss e pelo Ripple… É neste ambiente familiar que decorre a monotonia quotidiana dos Tullivers, proprietários do moinho, e aliados à família Dodson, cujos princípios patriarcais e inflexíveis a tia representa com tão saborosa e cómica dignidade. Maggie Tulliver, filha do moageiro, ali vive a sua meninice impetuosa e sentimental, no grande amor que vota ao pai e ao irmão, duas grandes paixões daquela curta existência. Despojada do seu bem-estar material pelos erros económicos do primeiro; imolando aos preconceitos do segundo a sua terna amizade por um companheiro de infância, fisicamente deformado, a quem sacrifica afinal o seu verdadeiro amor de rapariga – vem a acabar vítima da dedicação fraternal, depois duma vida em que só conheceu a renúncia. A criança independente e revoltada de outrora torna-se a mulher que o dever escravizou, fugindo à própria felicidade para não privar dela os parentes e os amigos. Quantas cenas dramáticas, quantos episódios burlescos se não desenrolam nessa atmosfera calma, que só as cheias do rio despertam do seu torpor provinciano! Quantas paixões duma intensidade tão dolorosa! E quanta riqueza psicológica nessas criaturas que não são nem sempre boas nem sempre pérfidas nem sempre liberais nem sempre egoístasmas constantemente, profundamente humanas!
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